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Cidadania: Você não vê por aqui

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 5 julho, 2010

(Pelo menos, não essa cidadania-chavão que anda por aí)

Acho esse papo de “sustentabilidade”, “cidadania”, “responsabilidade social” das empresas o cúmulo da hipocrisia. Já fui executivo de uma pequena empresa fornecedora da Petrobras (“líder brasileira em sustentabilidade”), e fui massacrado. Já prestei serviços para o Banco Real, um “banco cidadão”, e fui desrespeitado de todas as formas possíveis. E já trabalhei para SEBRAE, uma entidade comprometida com a “responsabilidade social”, e fui tratado como lixo.

Num futuro próximo, entro em detalhes sobre esse assunto, mas por hora gostaria que você lesse o artigo abaixo, do aqui onipresente Pondé para a Folha de hoje. Até breve.

A viúva e o cowboy

Uma palavra que, com o passar do tempo, começou a me encher o saco foi a palavra “cidadania”

NÃO GOSTO de arte como ferramenta de cidadania. Uma palavra que, com o tempo, passou a me encher o saco foi “cidadania”.

“Faixa cidadã” (faixa para motocicletas), “teologia cidadã”. Desta, então, eu não tenho a mínima ideia do que seja.

Talvez (arrisco uma hipótese, toda minha, mas inspirada no que poderia ser a defesa da “cidadania bíblica dos gays”), seja uma releitura da Bíblia a partir da “Queer Theology” (“teologia bicha”)? Ou seja, quem sabe Jesus e seus discípulos formavam uma comunidade gay e a traição de Judas teria sido uma crise de ciúmes porque Jesus preferia “meninos” como João. Humm…

Tem mais: “Pedagogia cidadã” (seria: “Não reprove ninguém, respeite os direitos dos alunos não saberem nada da matéria e permitam que eles construam as avaliações coletivamente”), ou “geografia cidadã” (no lugar de ensinar a localização dos países na aula de geografia, obrigue os alunos a saberem de cor a gloriosa história do sindicato dos boias-frias), ou “sexo cidadão” (deve ser sexo sem invadir a intimidade do/a outro/a!!).

Nem o coitado do Rousseau (e seus tarados jacobinos), que amava a humanidade, mas abandonou os filhos e a esposa, imaginou que levassem tão longe seus pobres delírios em suas caminhadas solitárias.

E o pior é a história do “voto cidadão” e “a festa da democracia para a qual o título é seu convite”. Sou obrigado a votar e ainda chamam isso de “direito cidadão”. Quer saber? Deixem-me em paz e não me obriguem a votar. Acho que o voto deveria ser facultativo no Brasil, como é na maioria dos países civilizados do planeta.

Mas eu dizia que não gosto desse negócio de arte como ferramenta de cidadania. Por quê? Porque faz da arte coisa de retardado.

Antes de tudo, nada contra o uso de arte nas escolas. Mas, é claro, a maioria de nós (incluindo a mim mesmo que não sei desenhar nem uma casinha) não é capaz de qualquer arte. Este papo de que “todo mundo tem uma competência que lhe define” é conversa mole de pedagogo de autoajuda.

Melhor logo dizer que o universo conspira a favor de todos os alunos e que basta se concentrar que você vira Da Vinci ou Shakespeare. A história do mundo, seja ela artística, política, econômica, social ou científica, sempre foi feita por alguns poucos seres humanos. A maioria nunca fez nada além de tocar sua vidinha medíocre e continua assim, afora a “publicidade cidadã”.

Num sábado de preguiça, eu e minha bela esposa assistimos na TV a um filme de cowboy, desses antigos nos quais homem é homem e mulher é mulher (que saudade…), com James Stewart, Rachel Welch, Dean Martin e George Kennedy chamado “O Preço de um Covarde”.

Nada deste papo furado de “filme cidadão”, onde as mulheres lutam com espadas para provar que são iguais aos homens (ou melhores do que os homens), ou heróis se emocionam diante de uma lagartixa em agonia ou lutam em favor de um país africano onde todo mundo é santo, menos os brancos interesseiros. Enfim, essa arte com compromisso social é sempre lixo.

O filme apresenta a vida como ela é: sem coerência, sem roteiro moral prévio, submetida ao acaso desarticulador de toda esperança vã. Rachel Welch é uma recém-viúva milionária. É pega como refém pelo bando de Dean Martin, condenado à forca, mas que é salvo pelo irmão James Stewart.

Este é um homem generoso que busca salvar seu irmão não só da forca, mas do desencanto com a vida que o levou ao crime. George Kennedy, xerife da cidade e apaixonado por Rachel Welch, é um homem honesto e virtuoso que irá corajosamente à caça do bando.

Dean Martin encontra na inesperada paixão entre ele e Rachel Welch o motor suficiente pra fazê-lo escutar o conselho de seu irmão: “Deixe a vida criminosa e vá fazer uma família”.

O xerife, quando consegue prender o bando, pede a mão da bela mulher, mas ela recusa, ainda que ele seja honesto e devoto a ela. Ela prefere o criminoso. Este, em claro processo de redenção, acaba morto (junto com seu irmão), destruindo toda a esperança.

Qual é a moral dessa história? Nenhuma. Ou, arrisquemos uma: a vida é cega.

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ONG se propõe a combater a boletite

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 1 julho, 2010

Nestes posts, abordei o tema da boletite, o consumismo excessivo, e relatei a única alternativa realmente eficaz para o seu combate: a mudança da filosofia de tributação, da renda para o consumo. Ontem, a Folha de S.Paulo publicou uma entrevista com o Christopher Flavin, presidente do Worldwatch Institute (reportagem de Cláudio Angelo), sobre o mesmo tema. Vale a pena dar uma lida:

ONG propõe frear “escalada de consumo” com imposto

Worldwatch Institute lança hoje edição de 2010 de “O Estado do Mundo”, a Bíblia ambiental, com foco em mudanças culturais

O mundo deveria reduzir impostos sobre renda e serviços e taxar o consumo excessivo da população dos países ricos -e da parcela rica dos países emergentes.

Essa é a solução proposta pelo ambientalista Christopher Flavin, presidente do Worldwatch Institute, para reduzir a “escalada de consumismo” que impede que a humanidade se “equilibre com a natureza”.

A ONG lança hoje o “Estado do Mundo”, publicação anual que já foi considerada a Bíblia do ambientalismo. Publicada desde 1984, a série tem se notabilizado por antecipar o debate ambiental -já em 2001, por exemplo, falava em “descarbonização da economia”, bem antes que o termo virasse moda.

Na edição deste ano, o “Estado do Mundo” trata de como transformar a cultura e o consumo, abordando desde a publicidade até a mídia. De seu escritório em Washington, Flavin falou à Folha. O livro pode ser baixado gratuitamente na internet (www.worldwatch.org.br).

Folha – Toda vez que os ambientalistas abordam o tema cultura, eles não conseguem ir além do clichê do consumo insustentável. Como vocês esperam fazer diferente?

Christopher Flavin – A chave não está apenas em identificar isso como um fator, mas sim em mudar a cultura de uma forma que faça diferença. E o que é empolgante neste livro este ano é que nós identificamos uma série de iniciativas de sucesso. Um exemplo é a Interface, uma empresa produtora de tapetes e carpetes nos EUA, que há 15 ou 20 anos realmente abraçou a sustentabilidade na cultura corporativa e mudou o seu sistema de valores. Ela acabou tendo muito sucesso economicamente.

Como o sr. espera entregar uma mensagem de menos consumo em sociedades como o Brasil, que tem 20 milhões de pessoas que acabam de sair da pobreza?

Embora haja uma quantidade enorme de pessoas no Brasil que compreensivelmente querem aumentar seu consumo, há também muitas pessoas que vivem tão bem quanto ou melhor que muita gente na Europa e nos EUA. Vocês têm a oportunidade de pular alguns dos padrões mais destrutivos de consumo que atravessamos nos EUA nas últimas décadas.

É possível produzir mudanças culturais apenas com incentivos positivos? Até agora, impostos ainda parecem ser a melhor solução…

É claro que você precisa de impostos para financiar operações do governo e, sendo este o caso, acho que faz sentido mudar alguns desses impostos sobre coisas como renda e serviços e redirecioná-los para consumo ou emissões de carbono. Precisamos ter uma certa quantidade de impostos para ter uma sociedade que funcione, a questão é o que taxar. E podemos ajudar esse processo ao direcionar impostos de forma a desencorajar o consumo material que causa a maioria desses problemas.

A maldição da abundância

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 28 junho, 2010

Para quem acha que o petróleo encontrado no tal do “pré-sal” é a salvação da lavoura no Brasil, vale a pena ler o artigo abaixo, do NY Times publicado na Folha de hoje:

Maldição da abundância ronda o Afeganistão

Pequenas nações sempre saquearam recursos das grandes

DONALD G. McNEIL Jr.

ENSAIO

Suponhamos que haja US$ 1 trilhão em minerais sob o solo afegão, como disseram autoridades americanas e um memorando confidencial do Pentágono no mês passado. Será que isso é bom?

Alguns especialistas em mineração e em política de gestão de recursos do Terceiro Mundo argumentam que não.

Como uma mina leva até 20 anos para começar a dar lucros, e o Afeganistão é um campo de batalha há 31 anos, “nenhuma empresa mineradora em sã consciência iria para o Afeganistão agora”, disse Murray Hitzman, professor de geologia econômica na Escola de Minas do Colorado (EUA).

O tesouro subterrâneo do país “será bom para os senhores da guerra e bom para a China, mas não será bom para os afegãos ou os EUA”, previu Michael Klare, professor de estudos da paz e da segurança mundial no Hampshire College, de Massachusetts.

A história tende a corroborar tal ceticismo. Os grandes impérios do mundo foram construídos graças a minas de ouro, e não em cima delas. Foram as pequenas nações mercantilistas, com seus sistemas políticos coesos e suas Marinhas ferozes, que saquearam as grandes nações feudais ladrilhadas com rubis.

Os áridos reinos da Espanha e de Portugal sugaram o ouro da América do Sul; a pequenina Holanda dominou a vasta Indonésia.

O Reino Unido, desprovido de tudo exceto de carvão, construiu um entreposto imperial de grãos, madeira, algodão, chá, tabaco, ópio, pedras preciosas, prata e escravos. O Japão, menos de um século após deixar a sua era das armaduras de bambu, conquistou grande parte da China por causa do seu ferro e carvão.

E a era pós-colonial também está cheia de exemplos.

“Os países com um histórico de conflito têm efeitos perversos a partir da riqueza mineral -mais guerra, mais corrupção, menos democracia e mais desigualdade”, disse Terry Lynn Karl, professora de ciência política da Universidade Stanford, na Califórnia, e autora de “The Paradox of Plenty” (O paradoxo da abundância).

Segundo os geólogos, há muito se sabe que o Afeganistão tem enormes depósitos de cobre, ferro, ouro, cobalto e outros minerais, inclusive o lítio, vital para as baterias modernas. Um memorando interno do Pentágono sugeriu que o Afeganistão poderia se tornar “a Arábia Saudita do lítio”.

Mas alguns especialistas sugerem que a Arábia Saudita não é o melhor exemplo do que a riqueza repentina faz num país pobre. O reino e os emirados vizinhos têm populações pequenas, governadas por famílias poderosas e coesas. E a península Arábica é plana, aberta e fácil de policiar numa crise, como provou a guerra para expulsar Saddam Hussein do Kuait.

O Afeganistão, disse Klare, é mais como o leste do Congo: uma terra de diamantes e coltan -outro elemento vital na indústria eletrônica. Ambos estão cheios de tribos em guerra, populações analfabetas, governos corruptos e brutais senhores da guerra. E ambos são acidentados e remotos.

Por mais rico que seja o leste do Congo, sua população há 15 anos padece de doenças, fome e massacres nas mãos de milícias locais e invasores de Ruanda, Angola e Zimbábue.

No Afeganistão, talvez nem por US$ 1 trilhão valha a pena escavar, segundo alguns especialistas.

Em comparação com a prospecção de petróleo, a exploração de minérios é extraordinariamente cara e demorada. Ouro, prata, cobre e outros minerais costumam ficar encerrados em rochas que precisam ser acessadas por túneis, dinamitadas às toneladas, levadas à superfície e moídas para o processamento.

Escavar galerias e construir elevadores, usinas de processamento, ferrovias e estradas asfaltadas “pode custar de centenas de milhões a bilhões para uma única operação de mineração”, disse Roderick Eggert, diretor da Escola de Minas do Colorado. “Mesmo uma mina de ouro pequena sai por US$ 100 milhões.”

Além disso, alguém tem de prestar segurança, e 20 anos de segurança pelos militares dos EUA custariam centenas de bilhões de dólares.

Reino Unido, Holanda, Espanha, Portugal e Japão já descobriram que os custos de policiar impérios superam os lucros financeiros, e que é mais prático permitir que empresas privadas arquem com os riscos. Os preços dos minérios variam muito, e o US$ 1 trilhão de hoje pode em breve ser bem menos.

E, segundo especialistas, embora o Afeganistão de fato tenha reservas de lítio, muitos outros países também as têm, inclusive os EUA. Se vale a pena explorá-lo depende do preço do lítio.

Recentemente, a Coreia do Sul anunciou que irá construir uma usina para extraí-lo da água do mar, o que, se os preços mundiais subirem, significará uma capacidade bem superior às necessidades coreanas.

O que poderia deixar o Afeganistão como a Arábia Saudita da areia.

O artigo

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 8 junho, 2010

Luiz Felipe Pondé, colunista da Folha, publicou um artigo ontem que exprime exatamente o que penso sobre os idealistas que querem mudar o mundo. Vale a pena ler:

Sem esperança

Pergunto-me por que não proíbem professores de pregar o marxismo e toda a bobagem de luta de classes

RESPONDO ASSIM, de bate-pronto, a um aluno: “Não, não tenho nenhum ideal”. Silêncio. Talvez um pouco de mal-estar. Todos ali esperavam uma resposta diferente porque todo mundo legal tem um ideal.

Eu não tenho. É assim? Confesso, não sou legal, nem quero ser. Duvido de quem é legal e que tem um ideal. Esperança? Tampouco. E suspeito de quem queira me dar uma.

De novo respondo assim, de bate-pronto, a outro aluno: “Não, não quero mudar o mundo, nem mudar o homem, muito menos a mulher, a mulher, então, está perfeita como é, se mudar, atrapalha, gosto dela assim, carente, instável, infernal, de batom vermelho e de saia justa”.

Mentira, esta última parte eu acrescentei agora, mas devia ter dito isso também. Outro silêncio. Talvez, de novo, um pouco de mal-estar. Espero que falhem todas as tentativas de mudar o homem.

Não saio para jantar com gente que quer mudar o mundo e que tem ideais. Prefiro as que perdem a hora no dia que decidiram salvar o mundo ou as que trocam seus ideais por um carro novo. Ou as que choram todo dia à noite na cama.

Tenho amigos que padecem desse vício de ter ideais e quererem salvar o mundo, mas você sabe como são essas coisas, amigo é amigo, e a gente deve aceitar como ele (ou ela) é, ou não é amizade.

Perguntam-me, estupefatos: “Mas você é professor, filósofo, escritor, intelectual, colunista da Folha, como pode não ter ideal algum ou não querer mudar o mundo?”.

Penso um minuto e respondo: “Acordo de manhã e fico feliz porque sou isso tudo, gosto do que faço, espero poder fazer o que faço até o dia da minha morte”.

Perguntam-me, de novo, mais estupefatos: “Mas você está envolvido no debate público! Pra quê, se você não quer mudar o mundo?”.

Sou obrigado a pensar de novo, outro minuto (afinal, são perguntas difíceis), e respondo: “Participo do debate público pra atrapalhar a vida de quem quer mudar o mundo ou de quem tem ideais”.

Os intelectuais e os professores pegaram uma mania de ser pregadores, e isso é uma lástima. Inclusive porque são pessoas que leem pouco e que são muito vaidosas, e da vaidade nunca sai coisa que preste (com exceção da mulher, para quem a vaidade é como uma segunda pele, que lhe cai bem).

O que você faria se algum professor pregasse o evangelho ao seu filho na faculdade? Provavelmente você lançaria mão de argumentos do tipo que os intelectuais lançam contra o ensino religioso: “O Estado é laico e blá-blá-blá… porque a liberdade de pensamento blá-blá-blá…”. Se for para proibir Jesus, por que não proibir qualquer pregação?

Pergunto-me por que não proíbem professores de pregar o marxismo em sala de aula e toda aquela bobagem de luta de classes e sociedade sem lógica do capital? Isso não passa de uma crendice, assim como velhas senhoras creem em olho gordo.

Nas faculdades (e me refiro a grandes faculdades, não a bibocas que existem aos montes por aí), torturam-se alunos todos os dias com pregações vazias como essas, que apenas atrapalham a formação deles, fazendo-os crer que, de fato, “haverá outro mundo quando o McDonald”s fechar e o mundo inteiro ficar igual a Cuba”.

Esses “pastores da fé socialista” aproveitam a invenção dessa bobagem de que jovem tem que mudar o mundo para pregarem suas taras. Normalmente, a vontade de mudar o mundo no jovem é causada apenas pela raiva que ele tem de ter que arrumar o quarto.

E suspeito que, assim como fanáticos religiosos leem só um livro, esses pregadores também só leem um livro e o deles começa assim: “No princípio era Marx, e Marx se fez carne e habitou entre nós…”.

Reconhece-se uma pregação evangélica quando se ouve frases como: “Aleluia, irmão!”. Reconhece-se uma pregação marxista quando se ouve frases como: “É necessário destruir o mundo do capital e criar uma sociedade mais justa onde o verdadeiro homem surgirá”.”

Pergunto, confesso, com sono: “E quem vai criar essa sociedade mais justa?”. Provavelmente o pregador em questão pensa que ele próprio e os seus amigos devem criar essa nova sociedade.

Mentirosos, deveriam ser tratados como pastores que vendem Jesus e aceitam cartão Visa.

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O hoje e o amanhã para o cérebro

Posted in Evolução & comportamento by Raul Marinho on 26 abril, 2010

Excelente artigo sobre economia comportamental publicado na Folha de ontem (reportagem de Ricardo Mioto):

Áreas cerebrais disputam decisão de gastar ou poupar

Sistema pode explicar fé religiosa do esforço em vida para recompensa pós-morte

Experimento mapeou os cérebros de voluntários em um teste no qual deveriam escolher entre consumir ou economizar seus recursos

Um estudo de mapeamento cerebral pode ajudar a entender a diferença entre o cérebro de uma pessoa esbanjadora, que gasta dinheiro como se cada dia fosse o último, e o de um pão-duro crônico, que apenas poupa, sem aproveitar o que juntou. Os mecanismos que interagem quando uma pessoa decide entre consumir ou armazenar o recurso, dizem os cientistas, são os mesmos que embasam a fé religiosa de alguém que se esforça em vida para ter o paraíso após a morte.

O que os neurocientistas da Universidade de Hamburgo, na Alemanha, fizeram foi observar a atividade cerebral de voluntários enquanto tomavam decisões financeiras. Elas envolviam escolher entre receber menos dinheiro imediatamente ou uma quantia maior dentro de alguns meses. Enquanto isso, eram estimulados a pensar em eventos do futuro, como longas viagens de férias ou cursos caros que desejariam fazer.

Os pesquisadores puderam, assim, mapear as áreas do cérebro que trabalham para decidir entre receber uma recompensa agora ou esperar por algo melhor amanhã. Duas são importantes. Grosso modo, uma é mais imediatista, e a outra faz o papel de chata, trazendo a lembrança de que não se pode pensar apenas no presente.

O córtex cingulado anterior é quem responde à recompensa, uma área muito ligada à tomada de decisões. Se ela faz peso para que escolhas impulsivas sejam feitas, o hipocampo, outra parte do cérebro, entra na briga contra isso. Ele é o responsável por criar imagens do futuro na mente humana -é a parte do cérebro que faz com que as pessoas contratem planos de previdência, digamos.

O hipocampo envia, então, esses sinais relacionados à recompensa futura para o córtex cingulado anterior, influenciando a tomada de decisão.

“Imaginar com força o futuro acaba reduzindo a quantidade de escolhas impulsivas que fazemos”, diz Jan Peters, um dos neurocientistas que assinam o trabalho na revista “Neuron”.

Os pesquisadores ainda estão apenas descobrindo quais partes cerebrais atuam avaliando o custo-benefício de esperar o tempo passar e não sabem bem como diferenças individuais entre cérebros podem justificar perfis mais esbanjadores ou econômicos. Mas é possível que um hipocampo mais ativo, por exemplo, faça com que certas pessoas criem mais imagens ligadas ao futuro nas suas mentes, dizem os cientistas.

Apesar de o estudo envolver escolhas relacionadas a dinheiro, acredita-se que os mesmos circuitos do cérebro estejam envolvidos em outras decisões. Um dos exemplos pode envolver a religião. Quando um fiel se flagela expiando seus pecados para escapar do inferno, está tomando uma decisão pensando em vantagens futuras.

A ideia de “renúncia agora, paraíso depois” faz parte das cinco maiores religiões do mundo, lembra o economista Eduardo Giannetti, autor de “O Valor do Amanhã”. “Foi esse raciocínio que levou à condenação, no séc. 4º, do suicídio como “atalho” para o paraíso, prática corrente nos primeiros séculos do cristianismo”, diz.

Humanos têm maior habilidade em trocar o presente pelo futuro do que os animais, que se assemelham mais a crianças pequenas. Elas vivem o momento, sem pensar em guardar papinha para depois. Animais, porém, também sabem adiar recompensas. Roedores, por exemplo, sabem enterrar comida e são poupadores natos.

Negacionismo tropical

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 21 abril, 2010

Leio na Folha de hoje que os “negacionistas” (estou me referindo aos céticos em relação ao aquecimento global, nada a ver com os negadores do holocausto) são maioria absoluta no Brasil: “Mais de 90% dos brasileiros aceitam que o aquecimento é real e, para 75% dos entrevistados, as atividades humanas contribuem “muito” para as mudanças climáticas.”. (Assinante lê a reportagem completa aqui).

Bem… Minha opinião é que pode ser que o planeta esteja efetivamente em aquecimento, e não há dúvidas que devemos diminuir nossas emissões de poluentes, assim como é evidente que, em algum grau, o homem tem impacto sobre o clima. Mas, partindo disto, para chegar à afirmação de que a ação do homem é determinante para o aquecimento global, há uma longa caminhada. Que não foi percorrida, entendo eu.

Um amigo esses dias me disse que esses terremotos que estão a ocorrer nos últimos meses (do Haiti para cá) estariam sendo causados porque o homem, ao extrair grandes quantidades de petróleo e gás, criaria bolsões de ar que desmoronariam, gerando os tremores. Mais ou menos o que diz a comentarista deste blog aqui:

ISSO É SINAL DE QUE NINGUÉM ESTÁ LIVRE DOS ACOMODAMENTOS DA TERRA.
OS GOVERNANTES DEVERIAM PENSAR MELHOR NA EXPLORAÇÃO DO PRÉ SAL, POIS UMA VEZ RETIRADO O PETROLEO ALÍ EXISTENTE, O QUE SERÁ QUE ELES VÃO COLOCAR NO LUGAR PARA PREENCHER A LUCUNA DEIXADA.
SERÁ QUE A NATUREZA ESTÁ AI PARA CERTAS MUDANÇAS ?
SERÁ QUE NÃO EXISTE OUTRAS SAIDAS A NÃO SER DESCOBRIR PETROLEO E EXPLORAR O FUNDO DO MAR PARA QUE AS MONTADORAS POSSAM VENDER MAIS E MAIS VEICULOS ?
PENSE BEM !!!
DEUS PERDOA SEMPRE. OS HOMENS ÀS VEZES.
A NATUREZA NUNCA…………

Comentário por GUILHERMINA — terça-feira, 26 de janeiro de 2010 @ 9:42 am

Esse pensamento da sra/srta Guilhermina muito provavelmente ecoa na população em geral. Se parcela considerável das pessoas acredita em OVNIS, assombrações, magia, etc., por que não em “bolsões de ar”? E porque não em “nuvenzona atrapalhando a temperatura na Terra”?

O verdadeiro problema da escravidão

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 8 abril, 2010

O Elio Gaspari, colunista da Folha, tem por hábito escrever textos que emulam uma certa psicografia cibernética, digamos assim. O texto simula um e-mail enviado por alguém do além – por exemplo: “De juscelino@gov para raul@com”, se fosse uma mensagem do ex-presidente JK para mim. Ontem, o título foi “De Cazemiro@edu para Demóstenes.Torres@gov”, simulando o que o ex-escravo do século XIX Cazemiro teria a dizer para o senador Demóstenes Torres, aquele que disse sobre a escravidão brasileira que “lamentavelmente, não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos, mas chegaram…”. O texto é uma esculhambação do senador e seu ponto de vista sobre a origem dos escravos no Brasil. Assinantes da Folha têm acesso ao texto integral aqui.

O que o senador quis dizer é que a ORIGEM da escravidão estava na África, uma vez que os escravos que aqui chegaram já estavam escravizados na localidade original, pelos mais variados motivos: prisioneiros de guerra, endividados, etc. Gaspari, por sua vez, argumenta que, como os navios negreiros não eram africanos, não haveria escravos no Brasil não fossem os traficantes portugueses, ingleses e, após 1822, brasileiros. Vejamos, então, a coisa pelo ponto de vista que interessa: o do escravo.

Imagine-se um cidadão africano do século XVII da tribo X, que é capturado pela tribo Y, rival. Seu destino provável será o de a)acabar morto pelos seus inimigos; ou b)passar o resto dos seus poucos dias como escravo dos vitoriosos (escravidão, neste caso, mais parecida com a imposta aos judeus pelos nazistas do que a dos negros do Brasil colonial). Nesta situação, se você fosse vendido para um traficante português, suas chances de sobrevivência aumentariam, mesmo sendo forçado a atravessar o Atlântico num porão fétido, e mesmo subjugado por feitores sádicos. Então, para você, quem é o vilão da história, os seus inimigos africanos ou os traficantes europeus?

===>Atualização de 12/04 – Publicado0 na Folha de hoje, de autoria do senador Demóstenes Torres: (more…)

Neandertal do B?

Posted in Atualidades, Evolução & comportamento by Raul Marinho on 25 março, 2010

De acordo com a matéria abaixo, da Folha de hoje (reportagem de Reinaldo José Lopes), mais um primo nosso foi identificado.

Com DNA, grupo acha nova espécie de humano na Ásia

Cientistas extraíram material genético de um único polegar fóssil na Sibéria

Diferença genética é quase o dobro da existente entre humanos e neandertais; criatura pode ter convivido com essas duas espécies (more…)

Oswaldo Frota-Pessoa

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 25 março, 2010

Foi com profundo pesar que li a nota abaixo, publicada na Folha de hoje, sobre o falecimento do Dr. Oswaldo Frota-Pessoa, geneticista pioneiro do Brasil, e sócio fundador do ICED – Instituto Comportamento, Evolução e Direito.

Morre Frota-Pessoa, pioneiro da genética humana no Brasil

Morreu ontem em São Paulo Oswaldo Frota-Pessoa, um dos maiores biólogos brasileiros do século 20. Pioneiro da genética humana, formou uma geração de pesquisadores e influenciou como poucos sua área de pesquisa. Ele completaria 93 anos na próxima terça-feira. (more…)

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Parente abortista

Posted in Atualidades, Evolução & comportamento by Raul Marinho on 22 março, 2010

De acordo com matéria publicada hoje na Folha, meu primo Cavalo Marinho, tão popular na família pela sua abnegação parental, é na realidade um abortista disfarçado. É o que diz a matéria abaixo, do Reinaldo José Lopes. (Tenho informações de que o tio Leão está estudando entrar com representação contra o jornal, que manchou a reputação da prestigiada família Marinho).

Cavalo-marinho macho controla aborto

Peixe do sexo masculino carrega ovos em bolsa no ventre, mas pode retirar nutrientes dos filhotes em vez de nutri-los

Mecanismo garantiria que apenas prole mais saudável fosse parida; achado revela conflito de interesse entre sexos ditos “cooperativos” (more…)

Leitura obrigatória para candidatos

Posted in Atualidades, Evolução & comportamento by Raul Marinho on 22 março, 2010

Se o seu nome é Dilma Roussef ou José Serra, não deixe de ler o artigo abaixo, publicado na Folha de hoje (reportagem de Hélio Schwartsman). Se, por outro lado, você se chamar Luíz Inácio Lula da Silva, pode deixar esse post prá lá que você já sabe tudo o que deveria sobre o assunto.

Ciência explica por que, no voto, emoção pesa mais que razão

Descoberta de pesquisas nos EUA de que escolha do candidato não é racional impõe questionamento sobre sentido da ideia de democracia representativa

Como o eleitor escolhe seus candidatos? A resposta, já há tempos intuída por políticos e marqueteiros e que agora ganha apoio da neurociência, é que, na definição do voto, emoções são significativamente mais importantes que a razão.

(more…)

Wanted, dead or alive

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 19 março, 2010

Clique aqui, e veja quem está sendo procurado pela Interpol.

Fábula ayahuasqueira

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 19 março, 2010

Com a morte do cartunista Glauco, lembrei de uma antiga história de morte de pai e filho, mais ou menos assim:

Contos & lendas do sertão

Em Saramandaia no Sul, litoral da Paraíba, havia um sujeito que vendia cachaça (e tomava umas de vez em quando também), o Jair. Jair não gostava de trabalhar, mas frequentava o pesqueiro do Tião, que às vezes deixava o amigo entrar com um estoque de caninha para vender para os outros clientes do pesqueiro. Tomava também Tião um traguinho, vez por outra, que a marvada do Tião era boa.

Mas, apesar da maiora no pesqueiro só tomar cerveja, às vezes o Tião comprava a pinga do Jair e revendia para os outros clientes do estabelecimento. E, em muitas outras, o próprio Jair ia lá para tomar uma caninha com uma cervejunha nas horas de folga, já que o filho do Tião era muito amigo do Jair. Um dia, o negócio de comprar cachaça por um preço aqui, vender por outro ali, deixar contas penduradas, compensar cerveja com comissão de venda de caninha, essas coisas de negócios, acabou azedando.

Aí, o Jair, que era meio fraco das idéias, tomou um porre, misturou cerveja com cachaça, começou a ver elefante cor-de-rosa flutuando no ar, e matou o Tião com quatro peixeiradas. Por azar, o filho do Tião apareceu na hora, e levou mais quatro. Jair fugiu na garupa do cavalo do Tonho, outro que não gostava do batente, mas ajudava o Jair em troca de uma branquinha.

Não sei como a história termina, quando me contaram o Jair e o Tonho estavam sumidos. Mas, se fosse feita justiça, os dois deveriam estar no xadrez. O fato do Tião (e do filho dele, parece) ser chegado numa branquinha e vender cerveja no pesqueiro não é justificativa para ser morto, mas também é certo que a bebida deixou o Jair com as idéias atrapalhadas…

Se beber, não pilote

Posted in Just for fun by Raul Marinho on 18 março, 2010

A origem do cachorro

Posted in Evolução & comportamento, teoria da evolução by Raul Marinho on 18 março, 2010

De acordo com essa matéria da Folha de hoje (repórter Ricardo Mioto), os cães vieram do Oriente Médio. Falta esclarecer se eles são judeus ou muçumanos…

Cachorro surgiu no Oriente Médio, diz análise de DNA

Pesquisa com 900 cães de 85 raças monta álbum de família completo da espécie e descarta leste asiático como sua origem

Diferenças genéticas entre as raças são ainda menores do que se imaginava e são controladas por um número mínimo de genes, diz grupo

(more…)

PP Prático com Cherokee no ASP

Posted in Aviação by Raul Marinho on 17 março, 2010

Devido aos comentários do post “Para ser piloto (como ‘tirar brevê’)”, resolvi postar sobre como foi meu treinamento prático para PP em detalhes. Lógico que não foi o ideal, nem eu sou o melhor piloto do mundo, mas é interessante para as pessoas verem como é que funciona a coisa na prática – inclusive na questão financeira.

(more…)

O artigo que eu queria ter escrito

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 15 março, 2010

Um dia eu chego lá. Ou, se não, pelo menos vou morrer tentando. Abaixo, o artigo que eu queria ter escrito, do Luiz Felipe Pondé para a Folha de hoje. Sensacioonal!

Finesse

Algumas questões são tratadas de forma grosseira porque temos pressa em resolvê-las

O FILÓSOFO francês Blaise Pascal (século 17) dividia a inteligência em dois tipos de “espíritos”. “Espírito”, aqui, significa “atividade intelectual” e não alma penada ou um princípio pessoal e imaterial como no kardecismo. Os dois tipos são: o espírito geométrico e o espírito de “finesse”.

O primeiro teria como vocação lidar com um grande número de questões ao mesmo tempo, arranjando-as de modo linear e encadeado, a fim de gerar deduções lógicas generalistas e de grande alcance. O segundo teria uma vocação para o detalhe e a sutileza, lidando melhor com um pequeno número de variáveis a cada vez, e fugindo das generalidades apressadas.

O geométrico ama a pressa e os resultados eficazes, o de “finesse” cultua a paciência e o cuidado, mas pode ser de eficácia duvidosa.

Normalmente eu tendo para o espírito de “finesse”. O problema é que numa sociedade gigantesca como a nossa, com problemas de dimensões estatísticas, o espírito geométrico tende a devorar a alma. E, por definição, a alma vive mal na geometria. Seu habitat natural é a “finesse” porque a geometria tende ao grosseiro quando envolve seres humanos.

Em nossa complexa sociedade, algumas questões são tratadas de forma grosseira porque nós temos pressa em resolvê-las ou porque queremos fazer mentiras passarem por verdades. E aí, nós caímos num frenesi geométrico.

Leitores perguntam qual é minha posição quanto ao tema das cotas nas universidades. Outros, perguntam-me: “Você é a favor ou contra os direitos gays?”.

O frenesi geométrico tende a dar respostas afeitas ao gosto de políticas públicas e movimentos sociais. Respostas geométricas são assim: “sou a favor” ou “sou contra” cotas ou direitos gays. E pronto.

Confesso: tenho alergia a esse negócio de “movimentos sociais” e suspeito muito do caráter de quem vive sempre metido neles. Não existe algo chamado “multidão do bem”, toda multidão é do mal.

Recentemente ouvi um comercial no rádio que falava “todos juntos com uma só vontade e um só objetivo” (algo assim). Sinto um frio na espinha quando vejo “vontades unidas”, pouco importa para quê.

Perdoe-me se isso parece uma falha de caráter, ou, quem sabe, se não sofri o suficiente na vida até hoje para confiar em multidões do bem, ou se conheço muitas mulheres bonitas e que gostam de tomar vinho antes do sexo. Na vida de um homem, o que decide sua realização é sempre sucesso profissional e sucesso com as mulheres, quem disser o contrário mente. Minha suspeita básica é de que desde os irmãos Caim e Abel (Caim matou Abel por inveja do amor de Deus pelo irmão), detestamos a felicidade no outro.

Mas e as cotas e os direitos gays? Tentemos uma resposta sem pressa.

Sou contra cotas raciais. Não acredito nessa coisa de dívidas históricas. Acho que isso serve para intelectuais fazerem carreiras ideologicamente orientadas (porque as universidades vivem sob repressão ideológica) e para pessoas politicamente articuladas garantirem seu futuro burocrático.

Sim, reinos africanos participavam do mercado de escravos e praticavam escravidão entre eles. Dizer que a escravidão dos africanos no Brasil foi uma mera questão de “europeus contra negros” é mentira. E mais: essa prática de cotas raciais (racismo “do bem”) é tão racista quanto qualquer outra.

Dizer que reinos africanos e africanos libertos da escravidão no Brasil participaram do comércio de escravos não é “preconceito contra negros”. Aqueles que afirmam isso o fazem por má fé.

Sou a favor de cotas em universidades públicas para estudantes de escolas públicas que se destacam em sua vida estudantil porque eu acredito em recompensar o mérito.

E os direitos gays? Não acho que gays devam ter direitos especiais. Leis que criminalizam gestos e palavras “contra os gays” para mim são mero fascismo.

Cirurgia para troca de sexo pago pelo Estado é um abuso para o contribuinte. Acho uma bobagem essa coisa de “homoafetividade”.

É um abuso quando professores de educação sexual dão bananas para meninos colocarem camisinha com a boca, como se ser gay fosse “normalzinho”. Deve-se respeitar o mal-estar das pessoas diante disso, e querer “formar” mentes nesse nível não é função da escola.

Entretanto, sendo gays pessoas comuns, acho que, sim, eles devem ter o mesmo direito que os outros: o direito de casar, criar filhos e ser (in)feliz no amor e na vida como todo mundo.

A palhaçada do SEBRAE

Posted in Atualidades, Palestras by Raul Marinho on 11 março, 2010

Para quem não conhece, o SEBRAE é, segundo o seu próprio site, “uma entidade privada sem fins lucrativos criada em 1972 com a missão de promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável dos empreendimentos de micro e pequeno porte”. Na prática, entretanto, trata-se de uma organização para-estatal que funciona como uma espécie de “SUS da consultoria empresarial”. Comandado pelo Paulo Okamotto, petista amigo mais do que íntimo do Presidente Lula, a agência é o “Mini-Ministério da Pequena Empresa Brasileira”.

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Tios escravocratas

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 9 março, 2010

No meio do embate sobre as cotas e a demonização do senador do DEM Demóstenes (com o perdão do trocadilho infame), uma coisa ficou esquecida. No artigo publicado na Folha de hoje pelo Demétrio Magnoli (veja o artigo completo aqui, aberto também para não assinantes), ele cita as maneiras mais comuns de obtenção de escravos: “Inimigos derrotados, pessoas endividadas e condenados por crimes diversos eram escravizados.” Está correto, mas faltou citar os tios, que muitas vezes vendiam sobrinhos para traficantes de escravos.

Em sociedades matrilineares, bastante comuns na África, o pai fica em segundo plano, e o tio (irmão da mãe) é uma espécie de “dono” da criança. Esse tio, denominado avúnculo pela Antropologia, pode fazer o que quiser com seu sobrinho, inclusive vendê-lo para adquirir novas esposas para si. E isso é (ou, pelo menos, foi) bem corriqueiro em sociedades tradicionais matrilineares africanas. Daí, o fato de que, ao lado de prisioneiros de guerra, endividados e presidiários, muitos negros africanos foram escravizados pelos seus tio maternos (avúnculos).

Direita e esquerda

Posted in Atualidades, Evolução & comportamento by Raul Marinho on 8 março, 2010

Engraçado como essa dicotomia direita-esquerda persista, por mais que os muros caiam – e, à exceção do Reinaldo Azevedo, ninguém mais se auto-denomine de direita no Brasil. O fato é que, em qualquer grupo relativamente grande (digamos, acima de 10 integrantes), é comum haver divisões entre esquerda e direita, independente do quão complicado seja definir o que seja uma e outra. Assista ao Big Brother Brasil (reality show exibido atualmente pela Rede Globo) e perceba claramente uma turma de direita (os “jogadores”, capitaneados pelo veterano Dourado) e outra de esquerda (os “de coração”, comandados pelo macho alfa paspalhão Eliéser).

A despeito desse assunto, acho que vale a pena ler o texto abaixo, publicado na Folha de hoje, e de autoria da repórtes Patrícia Cohen:

Estudo desvenda “esquerdismo” de professores

Já se tentou justificar de diversas maneiras o viés de esquerda dos professores universitários dos EUA, com explicações que vão desde viés, puro e simples, a QIs mais altos. Uma nova pesquisa sugere que os críticos talvez tenham formulado a pergunta errada. Em vez de indagar o porquê de a maioria dos professores universitários ser de esquerda, deveriam perguntar por que tantos esquerdistas querem ser professores universitários.

Dois sociólogos acham que podem ter encontrado a resposta: os papéis, ou profissões, de cada pessoa seriam escolhidos por ela segundo sua personalidade ou preferências. Basta pensar na imagem clássica de um professor de letras, filosofia ou ciências sociais, campos em que a assimetria é mais forte: casaco de tweed, ar de nerd, ateu -e de esquerda. Mesmo que isso seja um estereótipo antiquado, ele influi nas ideias que os jovens têm sobre escolha profissional.

Empregos ou profissões podem ser enquadrados em estereótipos diferentes, disseram Neil Gross e Ethan Foss, os autores do estudo. Eles citaram, por exemplo, a proporção baixa de enfermeiros, comparados às enfermeiras. A razão principal da disparidade é que a maioria das pessoas vê a enfermagem como profissão feminina, disse Gross.

A enfermagem sofre o efeito do que os sociólogos chamam de “estereotipagem de gênero”. Para Gross, “professores universitários e vários outros profissionais são alvos de estereotipagem política”. Jornalismo, artes, carreiras da área social e terapia são dominados por pessoas de viés esquerdista; policiamento, agricultura, odontologia, medicina e carreiras militares atraem mais conservadores nos EUA.

“Esse tipo de reputação afeta as aspirações profissionais das pessoas”, acrescentou o sociólogo.

A profissão acadêmica “ganhou uma reputação tão forte de viés esquerdista e secularismo que, nos últimos 35 anos, poucos estudantes que são conservadores políticos ou religiosos, mas muitos que são seculares e de esquerda, desenvolveram a aspiração de se tornarem professores universitários”, escrevem os dois autores. Essa máxima se aplica especialmente ao campo deles, a sociologia, que acabou associada “ao estudo da raça, classe social e desigualdade de gêneros -um conjunto de preocupações que é importante especialmente para as pessoas de esquerda”.

O que distingue a pesquisa de Gross e Fosse de muito do burburinho que cerca esse tema é a metodologia. Enquanto a maioria dos argumentos apresentados até hoje se baseou sobretudo em relatos pessoais, esse é um dos únicos estudos a utilizar dados da Pesquisa Social Geral de opiniões e comportamentos sociais e a comparar os professores ao resto da população americana.

Gross e Fosse vincularam esses resultados empíricos à questão mais ampla do porquê de algumas ocupações -assim como alguns grupos étnicos ou algumas religiões- se caracterizarem por um viés político evidente. Usando uma técnica econométrica, eles testaram quais das teorias mencionadas com frequência eram substanciadas por provas, e quais não eram.

Descobriu-se que a discriminação intencional, uma das acusações mais frequentes feitas por conservadores, não exerce um papel significativo.

Claro que a estereotipagem não é a única causa do viés esquerdista. As características que definem a orientação política de cada um também estão presentes. Quase a metade da assimetria política presente no mundo acadêmico pode ser atribuída a quatro características compartilhadas pelos esquerdistas em geral, e pelos professores universitários em particular: alto grau de instrução; posição religiosa não conservadora, tolerância declarada por ideias controversas e disparidade entre grau de instrução e renda.

A tendência das pessoas que estão em qualquer instituição ou organização de tentarem enquadrar-se nela também reforça a assimetria política. Em uma coletânea de ensaios publicada pelo grupo conservador American Enterprise Institute, o economista Daniel B. Klein, da Universidade George Mason, e a socióloga sueca Charlotta Stern argumentam que, quando se trata de contratar profissionais, “a maioria das pessoas tende a preferir a candidatos semelhantes a elas em matéria de crenças, valores e engajamentos”.

Para Gross, acusações sobre viés e lavagem cerebral de estudantes são contraproducentes. “O irônico é que, quanto mais conservadores se queixam do esquerdismo da academia, é mais provável que a academia continue a representar um reduto do pensamento de esquerda.”

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