Toca Raul!!! Blog do Raul Marinho

Blue Friday para as finanças no Brasil

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 31 janeiro, 2009

Ontem, este modesto blog teve uma enxurrada de acessos no post “Eu prefiro o Alcides Amaral“, um texto antigo, de 21/11/2008 (mais de 2 meses, hoje). O WordPress, que me hospeda, tem um bom serviço de estatísticas, inclusive investigando os termos de busca que os leitores usaram para chegar a até mim. Fui ver se achava uma pista do motivo dos acessos e encontrei referências a suicídio associadas ao nome Alcides Amaral para chegar a até mim. Bastou uma googlada para ver de onde vinha tanto alarde: de fato, ontem, o ex-presidente do Citibank no Brasil, Alcides Amaral, morreu. De acordo com a imprensa, foi suicídio (ele se atirou do 12º andar do prédio em que morava, no Itaim) motivado por uma forte depressão.
Uma pessoa infectada pelo vírus da AIDS não morre de AIDS, mas de insuficiência respiratória decorrente de uma pneumonia oportunista ou algo do gênero. Da mesma forma, a depressão em si não mata, mas a “infecção” é mental, portanto, imaterial. O problema é que a mente é um “órgão” vital para a sobrevivência, tanto quanto os pulmões, o fígado, os rins; e se a “infecção” for muito grave, ela mata, seja definhando, seja causando um desconforto tão absurdo que a morte surge como o melhor negócio possível. O suicida depressivo não é um sujeito que, em sã consciência, conclui não valer a pena viver porque tomou um chute da(o) namorada(o), porque faliu, porque a(o) esposa/marido/filho/a etc. faleceu, porque se descobriu doente terminal. Também não é um harakiri, ou qualquer outro tipo de comportamento do tipo “escorpião ferroando a si próprio quando ameaçado pelo fogo” (aliás, parece que não é bem assim que o escorpião se comporta na realidade, mas tudo bem). Já vi muito filme de guerra, e se existe um pingo de realismo em filmes como “Cartas de Iwojima”, o soldado japonês suicida que, cercado pelos estadunidenses, segura a granada no ventre e tira o pino, assim o faz por que: 1)está pressionado pelo superior, que pode matá-lo se não cometer suicídio; 2)acredita que poderá ser torturado e acabar morrendo igualmente se o inimigo o pegar; e 3)por vergonha, respeito às tradições, sentimento de honra, etc. Nada a ver com o suicida acometido pela doença mental conhecida por depressão, que tira a própria vida por causa da doença. Desconheço o posicionamento da Teologia, e acredito que grande parte das denominações religiosas não concorde comigo, mas não entendo ser razoável admitirmos que o depressivo que tira a vida possa ser entendido como um suicida “comum”. Pelo menos não é assim que eu vejo o caso do ex-presidente, jornalista, blogueiro, escritor, e lenda do mercado bancário, que morreu ontem.
Daqui a pouco eu volto ao assunto.

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Cuidado com o Ginuvélson!!!

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 29 janeiro, 2009

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Deu no G1, hoje: pesquisadores Universidade de Shippensburg (êita nominho de Universidade, hein!?) concluíram que pessoas com nomes “pouco populares” (i.e.: feios) têm mais chance de cometer crimes.

É prá rir ou prá chorar?

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 29 janeiro, 2009

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“Não queria, resisti, mas eu acho que é importante a minha candidatura num momento como esse em que há uma crise mundial.” – José Sarney, ontem, mostrando ser um patriota disposto a todos os sacrifícios pelo Brasil

Otimistas X Pessimistas

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 29 janeiro, 2009

Deu na Folha de hoje. Comentá-lo-ei em post à parte, assim que possível.

Até pessimista é tachado de otimista ao comentar a crise

Stephen Roach, presidente do Morgan Stanley na Ásia, havia sido banido de Davos por suas críticas; hoje, virou “alienado”

Para Roubini e Soros, há “66% de chance” de a economia global entrar em depressão mais séria que a vista na década de 1930

Pascal Lauener/Reuters

Frequentadores do Fórum, que neste ano está em “estado de choque’, segundo George Soros

CLÓVIS ROSSI
ENVIADO ESPECIAL A DAVOS

Stephen Roach, economista que hoje preside o conglomerado Morgan Stanley na Ásia, passou dez anos fazendo o papel de Cassandra nos encontros anuais do Fórum Econômico Mundial. Há dois anos, foi banido, segundo ele por excesso de pessimismo.
Reapareceu ontem e, sinal dos tempos, apenas para ser fuzilado por excesso de otimismo, simplesmente por ter dito que o mundo precisará esperar três a quatro anos para ver taxas de crescimento de 5% e que, em 2010, o crescimento não iria além de 2,5%, assim mesmo com muitos países em recessão (2009 é dado como perdido).
Saltou imediatamente Heizo Takenaka, diretor do Instituto de Pesquisas sobre Segurança Global, da Keio University, do Japão: “Você está muito otimista”. Da plateia, Martin Wolf, principal colunista do jornal britânico “Financial Times”, foi ainda mais duro: “Estou chocado com o seu otimismo. A economia mundial está implodindo”.
Fora da sala, Nouriel Roubini, que assumiu no ano passado o posto de Cassandra deixado por Roach, justificava em incontáveis rodinhas com jornalistas o seu apelido de Mr. Apocalipse (pois previu a catástrofe). “O mundo terá sorte se a economia ficar apenas na contração. Há dois terços de chances de uma depressão.”
Outro sinal dos tempos: no almoço para a mídia na abertura do encontro-2009 foi servido um prato igualmente pessimista, na voz de George Soros, o megainvestidor ou megaespeculador, apesar de ele próprio confessar que ganhou dinheiro na crise. “Pouco para tempos normais, mas para esta época bem razoável”, ironizou.
Soros foi tão apocalíptico quanto Roubini: “O sistema financeiro global entrou em colapso. Está agora respirando por aparelho” [alusão às sucessivas intervenções dos governos, que, não obstante, não foram capazes de devolver o paciente à vida]. Por isso mesmo, Davos vive o que Soros batizou de “estado de choque”.
Como se fosse pouco, na sessão em que se discutiu a outra crise (a da segurança internacional), um especialista suspeitou até da solidez do sistema global: “Apesar da crise, dá-se por certo que a ordem internacional liberal que predomina há décadas seguirá em frente. Como podemos confiar que não sofrerá nos próximos anos um crash como o do sistema financeiro?”, perguntou, sem responder, Kishore Mahbubani, da Escola Lee Kuan Yew de Políticas Públicas (Cingapura).
A falta de respostas para a crise, aliás, foi a tônica do primeiro dia de debates em Davos, por mais que os palestrantes esgrimissem dados imponentes para explicar o pessimismo.
De Stephen Roach: “Este ano será a primeira vez, desde 1945, que a economia mundial se contrai”. De George Soros: “A magnitude do problema é significativamente maior do que nos anos 30”.
O investidor usou números para justificar a comparação: o crédito, como porcentagem do PIB (Produto Interno Bruto), subiu de 160% em 1929 para 260% em 1932, como consequência da deflação e da queda da atividade econômica.
Já nesta crise, o crédito, que era 360% do PIB em 2008, aumentará até 500% nos próximos anos.
Os pacotes até agora adotados tampouco foram poupados: Roubini, depois de elogiar o novo presidente norte-americano, Barack Obama, como “carismático”, e sua “excelente” equipe econômica, disse, coerente com o seu catastrofismo, que nem o melhor plano econômico, ainda que implementado rapidamente, dará um jeito na crise neste ano. Talvez em algum momento de 2010.
A fórmula mais mencionada foi cooperação internacional, defendida por exemplo pelo ministro sul-africano de Finanças, Trevor Manuel. Mas ele foi o primeiro a expressar mais dúvidas do que certezas, a ponto de afirmar que o desafio era “entender o que aconteceu e o que está acontecendo”.
Para Manuel, houve uma nítida “falha no sistema multilateral”, mas ele próprio manifestou, em conversa à parte com a Folha, suas dúvidas sobre a capacidade de serem corrigidas tais falhas nas reuniões sucessivas do G20 que tratam da reforma da arquitetura financeira internacional -e a África do Sul presidia o G20, o clube das maiores economias do planeta, até 2008, quando transmitiu o posto ao Brasil, que agora o entregou ao Reino Unido. “Não adianta os ministros da Fazenda se entenderem, se os chefes de governo não levarem avante as propostas dos ministros.”
Stephen Roach, embora também adepto de um multilateralismo mais ativo, observou que não há, na economia global, um mecanismo de “enforcement” (adoção obrigatória de medidas decididas por uma dada instituição). “Não há prêmios por boa conduta nem castigos por má conduta”, afirmou.
No lado empresarial, Ferint Sahenk, presidente do grupo Dogus da Turquia, ironizou seu próprio país ao dizer que a presente crise “é a primeira que não criamos”.
Mas depois queixou-se, em um tom que é muito parecido com o que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem usado ao tratar do tema: “Fizemos todas as reformas. Por quê estamos sendo punidos?”

“Síndrome de Groucho Marx” nos bancos

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 29 janeiro, 2009

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A imprensa noticiou ontem que existem US$1,6trilhões parados nos bancos, que não emprestam com medo da crise. Evidentemente, este dinheiro represado na tesouraria tem um determinado custo de captação, mas a rentabilidade dos títulos públicos no exterior está próximo de zero; logo, este dinheiro está “queimando” nos cofres das instituições financeiras. Na outra ponta, existe um mercado de crédito desabastecido, ávido por tomar dinheiro, mas os bancos não emprestam com medo da crise recrudescer e agravarem-se as perdas. Em suma: está ocorrendo uma “síndrome de Grouxo Marx” no setor bancário, pois de forma análoga ao que dizia o humorista, os bancos também “jamais frequentariam um clube que os aceitasse como sócios”: se um cliente quiser tomar dinheiro emprestado, é este cliente que não terá o crédito aprovado.

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Mistérios da Economia do Brasil

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 28 janeiro, 2009

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Acima, uma reprodução de parte da Folha de hoje. Repare nas manchetes: “Ganho dos bancos cresce; inadimplência é recorde” e “Brasileiros estão entre os menos pessimistas”. Como é que os bancos, cujos lucros são tão menores quanto maior a indimplência, têm ganhos crescentes? E, se a inadimplência é recorde, como é que a população está otimista?

(Isso sem contar a foto do Lula com um quipá judaico…)

A “Lei do Tudo ou Nada” na prática

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 28 janeiro, 2009

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Tudo ou Nada” é um conceito  (e um livro) de Economia Comportamental do brilhante economista estadunidense Robert Frank, sobre mercados altamente “escaláveis” (de acordo com o outro brilhante escritor, Nicholas Taleb, de “A Lógica do Cisne Negro“).

Raramente aparece um exemplo tão claro de como funcionam estes mercados como o que a imprensa veicula hoje, sobre os desdobramentos do caso Madoff e o banco Santander – vide esta matéria do Estadão. Sem entrar no mérito do caso em si, chamo a atenção para o fato de que existe um escritório de advocacia especializado na recuperação de recursos – no caso, o Motta, Fernandes & Rocha Advogados. Desconheço o trabalho do esritório, assim como nenhum de seus advogados, empregados ou sócios é meu amigo, e não tenho interesse algum no seu sucesso ou no seu fracasso, a opinião apresentada é meramente ilustrativa (assim como as cifras e percentuais apresentados, inclusive os honorários). Vamos agora entrar no terreno das suposições.

Imagine-se um magnata que possui US$10milhões investidos no fundo gerido pelo Madoff no Santander. Você sabe que o Motta, Fernandes & Rocha está defendendo o interesse de outros 20 investidores, num total de US$200milhões. Por outro lado, o sobrinho do seu vizinho é um bom advogado, formado pela USP, com mestrado na FGV, com 15 anos de experiência em grandes escritórios de São Paulo, e que está indo bem com seu escritório próprio, que abriu com um ex-colega de faculdade há 5 anos. E, muito importante: ao contrário do Motta, que pediu 10% de honorários para lhe defender, o sobrinho do seu amigo aceita o caso por 5%. Veja bem: estamos falando de uma causa de US$10milhões, e a diferença de honorários entre o Motta e o sobrinho do seu amigo representa US$500mil. Qual dos dois você contratará?

Por mais que o sobrinho do seu amigo seja um sujeito cativante, inteligente, e mostre experiência em litígios do tipo – além de cobrar bem menos -, mesmo que o advogado que lhe atende no Motta seja arrogante e só fale o óbvio, você dificilmente deixará de contratar o segundo, apesar do preço mais alto. Sim, são US$500mil a mais de honorários, mas também são US$10milhões sobre a mesa, e você jamais arriscaria tanto dinheiro com um escritório desconhecido. No fim das contas, se o escritório líder perder a causa, pelo menos você “fez o que pode”; mas se o sobrinho do seu amigo fracassar, ficará a sensação de “por que eu fui dar de engraçadinho com tanto dinheiro!!!???”. É por isso que o Motto deverá ficar cada vez maior, e escritórios obscuros têm tanta dificuldade em se sobressair… Não é justo, não é legal, mas é assim que funciona essa tal de “Lei do Tudo ou nada”.

Yes, weekend!!!

Posted in Just for fun by Raul Marinho on 27 janeiro, 2009

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Isso é sério (ou melhor, não é!)

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 27 janeiro, 2009

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O novo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, está tentando restabelecer um convênio, encerrado dezembro último, que a prefeitura mantinha com certa entidade desde 1991 para prevenir a cidade de possíveis catástrofes naturais. Quem seria essa entidade? Um centro avançado de estudos do clima? Um batalhão de Engenharia do Exército? Uma organização humanitária especializada em catátrofes? Uma associação de veteranos do Katrina ou do tsunami da Àsia? Não, caro leitor ingênuo, o ilustre e astuto alcaide da cidade maravilhosa não cairia numa mesmice dessas… A entidade é a FCCC – Fundação Cacique Cobra Coral, que promove estudos sobrenaturais sobre o clima e, como se sabe, é responsável pela harmonia cósmica do planeta.

Herança maldita

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 26 janeiro, 2009

Se o PIB cresce 2% ou 5%, se a inflação está no “centro da meta” ou se ficou 3% acima, se a taxa SELIC caiu ou subiu, tudo isso se desmancha no ar: daqui a alguns anos, nada disso terá importância real para o Brasil. Mas existem coisas que não serão esquecidas tão cedo, que impactarão o país por gerações, e que serão fundamentais para a nossa permanência como país subdesenvolvido. Uma delas é a nossa postura perante o mundo: a não-extradição do terrorista italiano, a extradição dos atletas cubanos, e o namoro com as FARC são, dentre outras, coisas que demorarão décadas para serem resolvidas. Mesma coisa quanto ao inchaço da máquina estatal e ao assistencialismo bolsafamiliar, estes um pouco menos difíceis de desmontar. Mas o que realmente irá assombrar o Brasil por gerações é o símbolo da ignorância representado pelo presidente Lula. É o que explica com brilho incomum o psicanalista Renato Mezan na Folha de ontem:

Não lê por quê?

Desdém do presidente pela leitura, que não se justifica pelas origens humildes, presta um desserviço ao Brasil

Uma frase dita pelo presidente Lula em sua entrevista à revista “Piauí” deste mês vem dando o que falar: não é por falta de tempo que não lê blogs, sites, jornais ou revistas, mas porque tem “problema de azia”.
A observação provocou reações de jornalistas e colunistas, e é provável que tenha causado mal-estar na comunidade acadêmica, assim como entre os brasileiros com maior nível cultural.
Nenhuma ideia pode ser examinada sem referência ao seu contexto. O presidente não estava falando das virtudes ou malefícios da leitura em geral, mas apenas do efeito que tem sobre ele o noticiário, em especial o político; assim, seria descabido inferir do que disse uma suposta opinião negativa da sua parte sobre o ato ou o costume de ler.
Contudo, nos parágrafos seguintes à declaração -que também delimitam o contexto dela-, fala do seu lazer: ora, se deste fazem parte “pescar, jogar cartas, conversar”, brilha pela ausência qualquer menção à leitura de livros e, igualmente, a qualquer outra atividade cultural.
Dirá o leitor que isso se deve à sua origem humilde? Além de ser uma generalização indevida, tal explicação deixa de lado o fato de que muitas pessoas nada abonadas frequentam shows, veem filmes de apelo popular, visitam exposições divulgadas pela mídia ou vão ouvir música erudita, quando essas coisas são oferecidas a preços que cabem no seu bolso ou mesmo gratuitamente.

Horas na fila Que o diga quem esperou horas para entrar na exposição de Rodin, espremeu-se nas filas de “Dois Filhos de Francisco” e “Tropa de Elite” ou se dispõe a enfrentar a multidão que acorre ao parque Ibirapuera para ouvir as orquestras estrangeiras que de vez em quando se apresentam no parque.
Atenhamo-nos, porém, ao capítulo livros. É certo que alguém pode se informar pela televisão ou por resumos preparados por assessores sobre assuntos de interesse dos seus chefes -metade da matéria da revista é dedicada a Clara Ant, que faz esse trabalho para o presidente. Mas nem briefings nem meios eletrônicos podem substituir o livro, e isso por ao menos duas razões. A primeira é que ver imagens ou ouvir alguém falando põe em jogo capacidades psíquicas diferentes das requeridas para lidar com um texto longo.
Além de concentração muito maior, a extensão de um livro comum torna impossível apreender seu conteúdo de uma única vez.
O hábito de ler favorece portanto a retenção de dados e treina a memória para reconhecer e acessar, entre seus inúmeros arquivos, aqueles que permitem estabelecer continuidade entre o que se leu antes e o que se está lendo agora. A segunda é que, como contém num volume reduzido um enorme número de informações, o livro possibilita, no trato dos seus temas, uma abrangência que nenhum artigo ou vídeo pode igualar.
É o espaço do debate entre ideias complexas, do relato minucioso, da descrição precisa do que o autor julga importante comunicar.
Isso permite o trânsito entre níveis diferentes de abstração, entre o detalhe e o quadro do qual faz parte, entre os elementos isolados e a síntese que lhes dá sentido.

Um mau modelo Mas não é por essas qualidades dos livros que lamento a ausência deles no cotidiano de Lula. É porque, com a influência que têm suas palavras e atitudes, o fato de não demonstrar o menor interesse pela palavra impressa transmite uma mensagem nefasta a quem nele confia e nele se espelha. Todos sabem que é um excelente comunicador: se insistisse na importância dos livros, se utilizasse em suas falas exemplos e referências tirados do que leu, podemos estar certos de que isso teria efeito benéfico sobre os milhões de brasileiros que passam anos, ou a vida inteira, sem jamais segurar nas mãos um volume, quanto mais abri-lo e se inteirar do que ele contém.
O presidente já disse muitas vezes que não ter estudado não o impediu de chegar aonde chegou. Eis outra frase infeliz: não é porque teve parca instrução formal, mas apesar dessa falta, que obteve seus sucessos. Ao mencioná-la como se fosse algo positivo, contribui -mesmo que não seja essa a sua intenção- para desprestigiar ainda mais tudo o que está ligado à educação. A situação calamitosa do ensino no Brasil em nada melhora quando o modelo identificatório que o presidente Lula representa para tanta gente sugere nas entrelinhas que estudar não é necessário.
Essa atitude blasée, ao contrário, me parece particularmente perniciosa para os jovens, muitos dos quais, por razões que não cabe aqui explicitar, têm atualmente pela leitura uma aversão que beira a fobia. O que está em jogo aqui não é a visão utilitária segundo a qual o estudo é o caminho da ascensão social, mas a importância dele (e da leitura) para criar cidadãos menos permeáveis à manipulação pelos órgãos de informação, da qual o próprio presidente se queixa na entrevista.
Diz Lula que é admirador de Barack Obama e crítico contundente de George W. Bush. No entanto o descaso com os livros e com o que eles significam o aproxima deste, e não daquele. Uma das pérolas proferidas pelo texano foi endereçada aos estudantes da universidade em que se formou (Yale) e na qual teve desempenho medíocre: “Vocês, alunos que tiram C, também podem pretender ser presidentes dos EUA”.
Em contraste, Obama -que em seus tempos de Harvard dirigiu a revista da Faculdade de Direito- tem o maior respeito pelos livros, graças aos quais pôde adquirir uma sólida base intelectual para suas convicções progressistas.
Só carisma não resolve Sem a frequentação deles, não teria podido citar em seu discurso de posse a Bíblia e palavras de George Washington, não saberia se servir das alusões e metáforas que abrilhantaram sua fala nem demonstraria o seguro conhecimento da história do seu país, assim como da situação de povos estrangeiros, que evidentemente possui. É certo que sem seu carisma e sem a habilidade retórica que soube desenvolver nada disso teria produzido o entusiasmo que se viu, mas também seria tolo negar que a qualidade literária e a construção caprichada do discurso têm algo a ver com o efeito que teve mundo afora. E não se objete que foi redigido por assessores: no dia seguinte, os jornais davam conta de que foi o próprio Obama quem estabeleceu o roteiro básico e deu ao texto a última demão de tinta. Lula não é o tabaréu que alguns pretendem (o jornalista Mario Sergio Conti, a quem ele concedeu a entrevista, diz que o site da revista “Veja” na internet o mima frequentemente com o epíteto de apedeuta, que significa ignorante).
Mas é certo que, se tivesse um pouco mais de apreço pela letra de forma, evitaria meter-se em algumas situações constrangedoras e faria um grande bem ao povo “deste país”.

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Educação sexual

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 26 janeiro, 2009

No final do ano passado, fiquei chocado com a notícia de que, nas escolas públicas paulistas, as aulas de educação sexual para crianças de 12 anos incluiriam o manuseio de dildos, com todas elas experimentando colocar camisinhas nas réplicas de pênis feitas de borracha. Não sou velho nem reacionário, mas confesso que me incomodou imaginar minha filha (que, até o momento, não existe) tendo esse tipo de aula na escolinha…

Hoje, entretanto, o Luiz Felipe Pondé escreveu um artigo impecável sobre o tema, na Folha (que segue abaixo), que só não é melhor que o escracho do Monty Python no vídeo acima.

Terrorismo sexual

QUEM É a favor do ensino religioso? Mesmo quem concorda com o ensino religioso discorda do conteúdo: ensinar o quê? Deus, orixás, gnomos, homens-bomba? Outros são contra: religião não é assunto do Estado e da escola, é assunto da vida privada e familiar -guardem esse argumento na memória porque voltarei a ele.
Não vou discutir o ensino religioso, mas sim outra questão que me chama a atenção: a educação sexual nas escolas. Digo logo: sou contra. E mais: acho que sexo é assunto da vida privada e familiar (usei o mesmo argumento dos “contra o ensino religioso”, como havia prometido, lembram?) e nenhuma escola ou pedagoga maníaca por sexo deveria entrar nas cabeças das crianças com suas fantasias travestidas de teorias.
Aliás, quem são os teóricos de confiança? Quem descobriu o sexo correto? Normalmente, o sexo correto é aquele que a pedagoga maníaca por sexo acha que seja correto, e nada mais. Tapinha pode?
Claro, no futuro, talvez revoguem a lei contra pedofilia em nome dos “avanços contra os preconceitos”, e a pedofilia também venha a ser correta. Uma “última lei qualquer” decidirá que as crianças serão obrigadas a fazer prova sobre como é bonita a pedofilia?
Como ninguém faz uma daquelas campanhas diárias de repúdio à educação sexual nas escolas? Claro que hoje é mais normal num jantar inteligente você contar sua vida sexual com seu pastor alemão do que confessar em lágrimas que acredita em Deus, mas, mesmo assim, como não ver que a educação sexual nas escolas é ridícula? Ensina-se o quê? Posições? Gemidos? Aparelhos engraçadinhos? Que tal se meninos e meninas aprendessem a colocar camisinha com a boca?
Neste caso (nos EUA), a intenção da professora seria não fazer distinção de “gênero”? Daríamos Barbies aos meninos para desenvolver neles o “gênero feminino”? Espadas para as meninas? E, se você “gosta” de plantas, tudo bem, porque tudo é natural? Qual teste se faria para checar o conhecimento da professora? Que tal um “prático”?
Quem atesta a sanidade mental dessa professora? Gente “infeliz” na vida sexual pode dar aula sobre sexo? Quem seria a “consultora” desta “infelicidade”?
Aulas de biologia são bem-vindas, é claro. Mas e daí? O que ensinar para uma menina de dez anos sobre sexo? Usaremos fotos? Espero que as fotos sejam legais… Melhor deixá-las falar de “quem beijou quem e quem botou a mão em quem, como e no quê” entre suas amigas nas férias de verão ou no intervalo das aulas. E os meninos? Vendo revista “Playboy” (ou similares) escondido. E deixemos a vida correr, como corre há milênios. Digamos a verdade: quem dá aula de matemática é bom em matemática, quem dá aula de educação sexual é bom no quê? De novo: posições, gemidos, aparelhos engraçadinhos, colocar camisinha com carinho, sexo com plantas?
Todo mundo é mal resolvido em sexo (quem diz o contrário mente). Há algo no sexo que mistura a obviedade do animal com o inefável do ser humano (romantismo, taras e traumas) que não pode ser reduzido a lição de casa. Sexo saudável é sexo pelo sexo, sem preconceitos? Conversa fiada, sexo é sempre “difícil” porque seu “contexto” passa por fantasias, mentiras, inseguranças e infidelidades. Muito sexo sem afeto é coisa de gente fracassada no amor. E não existe aula sobre o “amor certo”.
Educação sexual é uma armadilha a serviço de todo tipo de lobby. Vou dar dois exemplos “opostos” para ficar claro. Primeiro: se os pedagogos maníacos por sexo fossem tomados de assalto por católicos? Seria matéria de aula a virgindade até o casamento? E você pai e mãe, que acham esse negócio de casar virgem muito repressor, concordariam?
Segundo: se o bando da educação sexual fosse de “homoafetivos” e obrigassem as crianças lerem histórias em quadrinhos onde meninos beijam meninos? Você, pai e mãe, “heteroafetivos”, aceitariam somente porque o bando em questão acusaria vocês de maioria esmagadora preconceituosa?
Sexo nos seres humanos é erotismo. Uma muçulmana toda coberta pode ser mais sensual com apenas seu olho à vista do que uma brasileira pelada na praia. Como “ensinar” essa diferença? Não há educação para tal sutileza. O bando da educação sexual, que insiste em assaltar as crianças com sua pedagogia grosseira, define sexo como algo tão “natural quanto ter sede”. Mas, se assim for, sua pedagogia é como obrigar crianças a beber litros de água sem que tenham sede.

Amo muito esse índice!!!

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 23 janeiro, 2009

bigmac

Não é “científico”, mas é incrivelmente útil em viagens. Pela “cotação” do Big Mac você consegue estabelecer uma régua bastante razoável para o preço do táxi, das gorjetas, do jornal, dos ingressos para o cinema e tudo o mais. Andava meio sumido, mas o índice Big Mac reapareceu hoje, na Folha:

Índice Big Mac reflete desvalorização cambial pós-crise nos países

Com a valorização do dólar em relação ao real, o Brasil, que tinha no ano passado um dos Big Mac, o famoso sanduíche da rede McDonald’s, mais caros do mundo, agora tem um preço menor que o cobrado nas lojas americanas.
Segundo o tradicional índice da revista britânica “The Economist”, o sanduíche vale hoje no Brasil US$ 3,39, ante US$ 4,73 em julho do ano passado, quando era o sétimo mais caro do mundo. Como o Big Mac é vendido nos Estados Unidos por US$ 3,54, isso significa, pelo índice, que o real está desvalorizado em 4,24% em relação ao dólar.
Mas a queda não aconteceu apenas com o Brasil. Na metade do ano passado, boa parte dos países também tinha uma moeda mais valorizada que o dólar, fazendo a comparação pelo preço do Big Mac. Agora isso só ocorre com a Suécia, a Dinamarca, a Noruega, a Suíça e a zona do euro. Mas, mesmo nesses países, o sanduíche hoje vale menos em dólar do que em julho de 2008.
O levantamento da revista calcula a relação entre o preço do Big Mac nos EUA e o seu valor em dólares em outro país. Se o preço em determinado país for superior ao cobrado nas lojas americanas do McDonald’s, isso significa que a moeda está valorizada na comparação com o dólar.
Na Rússia, onde o preço do sanduíche caiu de US$ 2,54 para US$ 1,87, o BC anunciou uma desvalorização de 10% do rublo ante a cesta de divisas que serve como parâmetro à moeda local, cujo câmbio é controlado. É a quinta desvalorização desde o início da crise. Desde então, o rublo já se desvalorizou em 20%.

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Absurdo no setor bancário

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 22 janeiro, 2009

Conforme informa a imprensa (logo abaixo, a íntegra da matéria da Folha), quatro bancos foram ontem multados por propaganda enganosa – não informaram os riscos de determinados fundos de investimento. O mais incrível dessa história é que os dois principais autuados foram o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, instituições controladas pelo Governo Federal.

Num país sério, os presidentes destes bancos (pelo menos os estatais) teriam de vir a público explicar o que ocorreu, e pedir desculpas de joelhos. No Brasil, os advogados destes bancos deverão recorrer na Justiça e embarrigar as multas por décadas.

Bancos são multados em quase R$ 3 mi por propaganda enganosa

Condenados, CEF, BB, Banco Real e Banespa Corretora não se manifestaram

LUCAS FERRAZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Quatro bancos foram multados em mais de R$ 2,8 milhões pelo DPDC, o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, ligado à SDE (Secretaria de Direito Econômico), do Ministério da Justiça, por propaganda enganosa.
Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Banco Real e Banespa Corretora, os dois últimos controlados pelo grupo Santander, ofereceram fundos de investimento de renda fixa sem informar aos clientes, de forma clara e objetiva, conforme previsto no Código de Defesa do Consumidor, sobre os riscos que corriam ao aplicar o dinheiro nesses produtos.
Segundo o DPDC, a maior incidência dos problemas foi verificada ainda antes da assinatura dos contratos, quando os clientes eram induzidos ou acreditavam investir em um fundo que não oferecia a menor possibilidade de perdas.
“A informação é pedra fundamental em uma relação de consumo. (…) O que chamou muita atenção, em alguns casos, é que não havia nenhuma informação [caso da CEF e BB]”, disse Juliana Pereira, diretora substituta do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor.
No caso da Banespa Corretora, a informação da instituição era que o negócio não tinha risco. “Era uma coisa até mais delicada, porque uma coisa é a omissão da informação, absolutamente relevante nesse negócio, outra é a informação com teor de engano”, completou Juliana.
O trabalho de investigação do órgão ligado à Secretaria de Direito Econômico começou em 2003, quando surgiram denúncias da propaganda enganosa. Os bancos terão dez dias para apresentarem defesa ao Ministério da Justiça.
Nos fundos de renda fixa, o patrimônio é aplicado em títulos públicos e privados. Nos fundos de renda fixa, é permitido aplicar parte dos recursos em ações, investimento de renda variável, com o objetivo de buscar um lucro maior -mas aumentando os riscos.

Outro lado
O Banco do Brasil, que recebeu a maior multa, de R$ 1,5 milhão, informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que vai analisar a decisão e chegará a um posicionamento nos próximos dias.
A Caixa, multada em R$ 218 mil, disse que não foi notificada oficialmente e que só depois disso ocorrer iria se pronunciar sobre o assunto.
O Santander, que controla o Banco Real (multado em R$ 249 mil) e o Banespa (R$ 861 mil), apresentou o mesmo argumento: disse que se reserva “ao direito de não se manifestar sobre o assunto enquanto não completar tal análise”.

O elemento mais pesado que existe

Posted in Just for fun by Raul Marinho on 21 janeiro, 2009

elemento-quimico

Do excelente “A mão invisível”, blog do Alexandre Schwartsman, com tradução caseira:

Os Laboratórios Lawrence Livermore descobriram o elemento mais pesado conhecido pela Ciência até o momento. O novo elemento, Governamento (símbolo=Gv), tem um nêutron, 25 vice-nêutrons, 88 sub nêutrons, e 198 vice-sub-nêutrons, dando-lhe uma massa atômica de 312. Estas 312 partículas são mantidas juntas por forças chamadas mórons, que são cercadas por vastas quantidades de partículas assemelhadas a léptons chamadas péons.

Uma vez que o Governamento não tem elétrons, ele é inerte. Entretanto, ele pode ser detectado porque impede toda reação com quem ele entra em contato. Uma minúscula quantidade de Governamento pode fazer com que uma reação que normalmente levaria menos de um segundo para ocorrer acabe levando entre 4 dias e 4 anos para se completar.

O Governamento tem meia-vida estimada entre 2 e 6 anos. Ele não decai, ao contrário, ele se reorganiza de modo que uma parte dos vice-nêutrons e sub-nêutrons troquem de lugar. Na realidade, a massa do Governamento deverá crescer com o passar do tempo, uma vez que cada reorganização deverá fazer com que mais mórons se tornem nêutrons, formando isótopos.

Esta característica dos mórons leva alguns cientistas a acreditar que o Governamento é formado sempre que os mórosn atingem uma concentração crítica. Esta quantidade hipotética é chamada de morass crítica. Quando catalizada com dinheiro, o Governamento se transforma no Administrato (símbolo=Ad), um elemento que irradia tanta energia quanto o Governamento, apesar de ter metade dos péons, mas duas vezes mais mórons.

Porque tetos caem

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 21 janeiro, 2009

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Agora é a hora de comprar seu supercarro!!!

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 21 janeiro, 2009

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Você é um sujeito rico, que não teve suas finanças seriamente abaladas pela atual crise econômica, e sempre quis comprar um supercarro clássico – uma Ferrari, um Jaguar, uma Lamborghini??? Então o momento é agora!!! De acordo com o The Wealth Report, o blog do Robert Frank (autor de “Riquistão”), um carro destes pode ser comprado hoje por algo entrre US$50mil e US$150mil. É agora ou nunca!!!

Marolinha???

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 20 janeiro, 2009

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Logo no início da atual crise econômica, o presidente Lula minimizou-a com a célebre frase da marolinha. Bem, o tempo passou, e o resultado foi que, em dezembro, houve 650mil demissões no Brasil. Já nos EUA, onde estaria a tsunami, 550mil empregos foram cortados. (E isso sem contar que a população estadunidense é muito maior que a nossa). Como diria o Filósofo: então tá então…

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Isso sim é crise de crédito

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 19 janeiro, 2009

Sabe aquele papo do presidente Marolinha sobre ler jornais e ter azia? É de reportagens como a abaixo reproduzida (do blog do Noblat, que reproduziu de O Globo) que ele estava falando.

Barrados no crédito

De Bruno Rosa

Não basta ter o nome limpo na praça para obter crédito. Nem apenas comprovação de renda. Com a crise financeira global, o comércio e o setor financeiro vêm aumentando as restrições na hora de vender a prazo e de conceder novos empréstimos. O primeiro critério é quanto a compra vai comprometer da renda. Antes, o índice era de 30%; agora, é de 20%, em média. Além disso, profissão, tempo de emprego e local de residência passaram a ser variáveis obrigatórias na análise das empresas. O motivo é a alta na inadimplência nos últimos meses do ano passado – que chegou a dobrar em alguns casos – pegando boa parte do varejo desprevenido.

As restrições ganham ainda mais força neste início de ano, período em que, tradicionalmente, os calotes aumentam devido ao pagamento de impostos e de material escolar, para quem tem filhos. Segundo cálculos do professor Marcos Crivelaro, da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap), 35 milhões de brasileiros estavam com suas prestações atrasadas entre os 80 milhões que entraram em algum financiamento em 2008. Para este ano, esse número deve aumentar até 30%, afirmam economistas. Com isso, o total dos endividados pode chegar a 45,5 milhões.

De acordo com levantamento da Confederação Nacional de Dirigente Lojistas (CNDL), antes da crise – que se agravou em 15 de setembro de 2008, com a quebra do gigante bancário americano Lehman Brothers – sete em cada dez clientes eram atendidos ao solicitar crédito às instituições. Hoje, apenas 45% têm sucesso.

Segundo o Telecheque, o índice de reprovação era de 25% até setembro de 2008. Após a turbulência financeira, subiu para 40%. Francisco Valim, presidente da Serasa, diz que as maiores restrições de crédito e os juros altos aumentaram a inadimplência em 8% em 2008, maior nível em dois anos.

Dilma, a anti-líder

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 15 janeiro, 2009

O prof. Renato Janine Ribeiro, na Folha de hoje, escreve um excelente artigo sobre o déficit de liderança da possível candidata petista à cadeira do Marolinha. Veja abaixo:

Líderes, gerentes ou chefes
FHC e Lula definiram um alto padrão para a função presidencial: o de líder. É o que torna difícil imaginar Dilma na Presidência

QUATRO MANDATOS sucessivos de governantes do calibre de Fernando Henrique e Lula foram definindo um alto padrão para a função presidencial: o de líder. Esse papel é referência e modelo para quem quiser o cargo em 2010. É o que torna difícil imaginar Dilma Rousseff na Presidência. Pode ser uma boa gerente de projetos, mas não é uma líder que mobilize as pessoas. Sabe ser dura e mandar. Mas a qualidade dos dois últimos presidentes é outra: persuadir, unir, em suma, liderar.
Vamos distinguir gerente, chefe e líder. Um jornalista econômico lamentava a falta de apetite gerencial de FHC. Não concordo. Gerente pode ser o governador de São Paulo, presidenciável constante, mas a quem talvez falte a fagulha da liderança.
Um presidente tem de ir além do seu partido, e não só porque vai costurar uma coalizão, mas porque precisa lidar com um país complexo e liderar, em última análise, o próprio Brasil.
Assim foi que FHC emplacou o Plano Real, as privatizações e a posse tranquila de Lula, e Lula viabilizou uma política social mais audaz e a inclusão da esquerda entre os atores políticos aceitos no país. Fossem gerentes…
Dilma presidenta seria, apesar de seus méritos, um enorme problema para o PT. Pouco do que ela diz ou faz corresponde aos valores históricos centrais do partido. Parece mais empenhada em aumentar a produção, em articular governo e empresários.
Isso deixa um vazio de valores. É como se o meio -o crescimento econômico- se tornasse fim. E os fins -múltiplos, mesmo contraditórios- que o PT propunha? Eles somem.
Imaginemos, em seu lugar, um chefe. Fernando Haddad disputa esse papel. É o único ministro importante que tem mídia constante e favorável, graças em parte a uma ótima assessoria. Defende uma causa nobre (educação), enquanto Dilma se dispõe, para ter energia no rio Madeira, a sacrificar bagres. Melhor educar que eliminar peixes. O plano de Haddad para a educação é bem concebido, embora reste ver se e quando será executado.
Mas um chefe não é um líder. Um chefe dá ordens, nomeia, demite. Um presidente, não. O único ministro que Lula demitiu diretamente -Cristovam Buarque, por celular- lhe custou caro. Melhor mandar um emissário pedir o cargo. Presidentes, se forem líderes, não mandam. Falam. Seduzem. Quem chefia um ministério pode querer que ele seja homogêneo. Já um presidente administra ministros em conflito e, além disso, precisa de pontes com a oposição.
Ouvi um político francês definir um líder: “Sua melhor qualidade é que ele descobre muito rapidamente o que as pessoas querem”. Esse é um dom: o líder dá menos do que as pessoas pedem, mas isso porque elas mesmas não sabem o que desejam. Tal capacidade de escutar nada tem a ver com gerenciar ou mandar. É estratégia, não tática; é persuasão, não ordem.
Não é disciplina, é conciliação.
O Brasil não terá governos de um partido só. Estamos fadados a ter maiorias de coalizão no Congresso. O presidente da República, embora poderoso (ainda bem, senão viraria refém dos parlamentares), precisa unir da esquerda do PT até Delfim Netto.
Daí que seja tão importante ele falar.
Delega a gestão a primeiros-ministros de fato, gerentes como Sérgio Motta, Dirceu, Dilma. Eles podem dizer grosserias: “masturbação mental” (Motta), “tiro no pé” (Dilma). O presidente deve se poupar.
O PT tem um líder a propor para 2010? Difícil. Uma hipótese é viabilizar Patrus Ananias, que vive uma espantosa discrição: afinal, ele tem a pasta do Bolsa Família; mas, mineiramente calado, não se queima. Porém, a prioridade um do PT é: se este é o governo mais popular em várias décadas, por que dar a sucessão a outro partido? O PT proporá um nome de dentro, mas seu estoque é pequeno.
Por outro lado, como a prioridade dois -não do PT, mas de Lula- parece ser eleger o próprio Lula em 2014, poderia ser alguém que se contentasse com um mandato. Pois, hoje, elegemos governantes por oito anos, com um “recall” no meio. Talvez Dilma tope ficar um mandato só. Haddad, não.
Para ele, é melhor esperar do que se queimar como Medvedev brasileiro.
A alternativa é eleger alguém de oposição. O PT sairia do governo, recuperaria as raízes, Lula seria candidato natural em 2014. Mas quem a oposição tem? Serra, seu nome óbvio, lembra Dilma. Gerente, chefe, seu forte não é a persuasão. E como FHC era bom nisso! Ele e Lula, depois e ao contrário de Collor, souberam ir além de suas identidades imediatas. Mais uma vez: esse é o papel de um líder.
Por isso, Alckmin não servia. Estava longe desse perfil elevado. Serra, com esforço, talvez se torne líder.
Haddad tem tempo para isso, mas ainda não o é. Na oposição, quem hoje parece mais talhado para líder é Aécio -que tem seu primeiro-ministro, um ótimo vice, Antonio Anastasia.
Em suma, o Brasil colocou a política acima da gerência. Acho isso bom.
Custa alguma coisa deixar a gestão em segundo plano, mas custaria ainda mais gerir sem apoio político. Técnicos no poder funcionaram na ditadura. Na democracia, não bastam.

Agora a guerra acaba

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 14 janeiro, 2009

Vejam essa nota do blog do Noblat. Depois do nosso brilhante chanceler, Celso Amorim, ter se deslocado até o Oriente Médio para intermediar um cessar-fogo, agora o presidente da influente Bolívia rompe relações com Israel para forçar o fim do conflito. Com tudo isso, o fim da guerra é iminente, vocês não acham?

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