Toca Raul!!! Blog do Raul Marinho

Sutilezas

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 2 abril, 2009

Às vezes, é difícil saber se alguém está caçoando de você ou está falando sério, e é justamente essa dubiedade que é a graça da brincadeira. Por exemplo: se eu falo para o Jô Soares que ele é o melhor entrevistador de talk shows do Brasil, ele vai achar que é verdade; se eu acrescento que ele também é o maior escritor da América Latina, ele provavelmente vai começar a desconfiar que é gozação; mas se eu terminar dizendo que, além de tudo, ele é um dos sujeitos mais esbeltos da TV, vai ficar evidente que eu estava brincando o tempo todo. Essa é uma estratégia de piada eficiente: você enumera uma série de qualidades possíveis e inclui uma impossível no final, que irá “contaminar” todas as outras.

Hoje, na reunião do G-20 (vide vídeo abaixo), o Obama falou que “Lula é o cara“, que “Lula é o político mais popular da Terra”, e depois emenda: “E boa pinta!”. Embora o próprio deva ter entendido a gozação, quanto vocês querem apostar como vai ter gente achando que o presidente dos EUA ficou impressionado com o Marolinha?

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Ainda a carta do Tojinho

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 21 março, 2009

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A carta que o delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, enviou ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, é o documento histórico brasileiro mais importante desde a carta-testamento do Getúlio. Pelo menos é nisso que seu autor deveria estar pensando quando a redigiu, e essa deve ser a razão de existirem, além das versões em português (a língua do emitente) e em inglês (a língua do receptor), uma terceira em francês: para facilitar a leitura ao Sarkozy. Aproveitando que o Obama está com uma agenda tranquila, sem fazer muita coisa, é óbvio que o estadunidense vai dar a maior importância para a operação Satiagraha. O Sarkozy que eu não boto muita fé, pois com o mulherão que ele tem em casa, duvido que ele vai perder tempo lendo cartinha de meganha sulamericano.

Mas, a despeito do pensamento megalomaníaco e do evidente comportamento amalucado do delegado (não se sabe se por patologia ou por estratégia, talvez uma mistura dos dois), o fato é que tem coisa importante escrita ali. Olha só esse parágrafo perdido, no meio do texto:

O próprio presidente da república, o Lula, acaba de colocar los amigos para assumir controle do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) com um decreto no dia 19 de fevereiro de 2009, visando obstruir processos relativos à soberania da nação – aliás, uma jogada não muito distante do Patriot Act do presidente G.W. Bush que custou aos EUA um atraso que o senhor pode mensurar melhor do que ninguém. No caso em questão, 11 entidades autônomas, incluindo as forças armadas brasileiras, formavam um conselho consultivo que coordenava a Sisbin. Esse conselho foi agora substituído por um comitê de seis indivíduos amigos de Lula, todos com um passado ético extremamente questionável.

Não é uma informação muito relevante para o Obama, mas internamente o é. Por que o Lula reformulou o Sisbin? Qual a versão oficial?

Mudanças do Bush para o Obama

Posted in Atualidades, Just for fun by Raul Marinho on 19 março, 2009

bush-x-obamaO afro-descendentão não tá fraco não!

Lucidez, até que enfim

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 17 dezembro, 2008

Dois artigos incrivelmente lúcidos (embora seus autores nem sempre o sejam) sobre a dita “crise do capitalismo”. Imprima e guarde.

Em má companhia (do blog do Noblat)

Demóstenes Torres

O governo popular e revolucionário do Brasil acusa a oposição de disseminar sentimentos negativistas sobre a crise financeira mundial. Qual o quê! São justamente os esquerdistas que se divertem com as vicissitudes do primeiro mundo. Acham lindo observar da latitude tropical o capitalismo ruir na imagem da velha Europa de joelhos. Especialmente a Libra Esterlina caindo pelas tabelas em uma Inglaterra cujo império governava as ondas dos mares.

O que mais fascina e conforta os energúmenos é ver os Estados Unidos irem à bancarrota. Aqueles que agora vibram com a insolvência dos ícones da economia de mercado são os mesmos que se sentiram vingados quando os terroristas explodiram as torres do World Trade Center. Uma gente cuja única atividade produtiva foi participar de um grupo de trabalho no governo do PT, muitos tendo o cargo de assessoria como o primeiro emprego.

Aliás, não é só parte expressiva do governo do Brasil, mas a América do Sul praticamente inteira está contaminada pela idéia fixa de que o momento histórico reúne as condições para a solução final à influência americana no subcontinente. Na verdade, muitos destes países têm possibilidade de desaparecer, conforme for a extensão da crise. Os três patetas Chávez, Morales e Correa devem entrar em contagem regressiva no processo de autodestruição com mais um ano de petróleo em baixa. E Barack Obama não vai salvá-los.

O presidente Lula hoje e amanhã tem agenda fechada justamente na má companhia desse pessoal em nada menos do que quatro cúpulas internacionais. E ainda vem o Raul Castro. Isso é que liderança! Tudo bem, eles estão aí para patrocinar rapaziadas em nome da blindagem latino americana contra a crise financeira internacional.

O máximo do alcance prático de um encontro de líderes da região é descobrir o que é que a Bahia tem na Costa do Sauípe entre um diálogo e outro de altíssimo nível sobre a sapatada em George W. Bush. O acordo tarifário do Mercosul fracassou e não há o que se decidir no que pode se converter na maior confraternização natalina da América Latina e do Caribe.

O Brasil especialmente não vai perder a ocasião para fazer bobagem. Deve anunciar acordo com Evo Morales com a finalidade de substituir o DEA (agência antidrogas dos EUA) expulso da Bolívia em novembro. Trata-se de uma aventura temerária para a Polícia Federal tanto no aspecto operacional quanto institucional. É uma estultice assinar cooperação de combate à cocaína com um governo assumidamente cocaleiro. De mais a mais, antes de ajudar a Bolívia, o Brasil deveria se proteger do tráfico de drogas, e ainda do Morales, do Correa, do Lugo e do Chávez.

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Cuidado (da Folha)

Antonio Delfim Netto

NÃO DEIXA de ser um pouco assustadora a facilidade com que se fala em “refundar” o capitalismo como resposta à crise que o laxismo dos Bancos Centrais e a imoralidade de agentes do sistema financeiro depositaram sobre a economia real.
“Capitalismo” é o codinome de um sistema de organização econômica apoiado no livre funcionamento dos mercados. Nele há uma clara separação entre os detentores do capital (os empresários) que correm os riscos da produção e os trabalhadores que eles empregam com o pagamento de salários fixados pelo mercado. É possível (e até necessário) discutir a qualidade dessa organização e sugerir-lhe alternativas. O difícil é negar a sua eficiência, a sua convivência com a liberdade individual e os dramáticos resultados que desta última emergiram a partir dos meados do século 18.
Depois de uma estagnação milenar, nos últimos 250 anos ela permitiu a multiplicação por seis da população mundial, multiplicou por dez a sua produção per capita e elevou de 30 para 60 anos a expectativa de vida do homem, o que não é pouco.
Certamente ela não é perfeita.
Tem, por exemplo, uma tendência a produzir uma detestável desigualdade. Mas o seu problema mais grave -conhecido desde sempre- é a sua ínsita tendência à flutuação (em períodos e amplitudes variáveis) com repercussões sobre o emprego e a segurança econômica dos cidadãos. Quando se trata das flutuações macroeconômicas e da desigualdade, os economistas se dividem em duas tribos: uma crê que o sistema de economia de mercado, deixado a si mesmo e com tempo suficiente, resolve os dois problemas. Logo, ela dá ênfase à estabilidade monetária, fundamental para o bom funcionamento dos mercados. A outra crê que a solução exige uma intervenção inteligente, cuidadosa e firme do Estado que corrija a desigualdade de oportunidades e mantenha a demanda global. Logo, ela dá ênfase à estabilidade do emprego no nível mais alto possível.
A tentativa (de falsa inspiração keynesiana) patrocinada pelo Partido Trabalhista inglês depois da Segunda Guerra, de produzir simultaneamente a estabilidade monetária e o pleno emprego, terminou, como todos sabemos, num Estado-corporativo ineficiente, cuja desmontagem foi iniciada por Thatcher. As implicações políticas (na organização do Estado) e econômicas (na limitação da liberdade de iniciativa produtora das inovações) da “refundação” do capitalismo para eliminar as “crises” são muito mais sérias do que supõe a vã filosofia de alguns trêfegos passageiros do G20. Como diriam os romanos: Cuidado, o cachorro é perigoso!

Era Obama

Posted in Atualidades, Just for fun by Raul Marinho on 24 novembro, 2008

casa-negra

L.F.veríssimo, mais uma vez, imeprdível, neste artigo sobre o futuro habitanta da casa br… Quer dizer, da sede do poder estadunidense:

Outra carta da Dorinha

Recebo outra carta da ravissante Dora Avante. Dorinha, como se sabe, não revela a idade mas insiste que todas as especulações a respeito são exageradas. Diz que é verdade que carregou Getulio Vargas no colo, mas ele já era presidente na ocasião. Dorinha decretou que nas reuniões do grupo que lidera, as Socialaites Socialistas, que lutam pela implementação no Brasil do socialismo soviético no seu estágio mais avançado, a volta ao tzarismo, todas usem crachás com seus nomes, pois com o botox ninguém reconhece mais ninguém.

O grupo acompanhou atentamente as eleições presidenciais americanas e torceu por Barack Obama, cuja vitória, todas concordaram, representou o ápice da emocionante luta dos negros americanos contra a discriminação racial. Tatiana (Tati) Bitati era a mais entusiasmada com a vitória de Obama e declarou que aquilo deveria servir de exemplo para todas e ser imitado pelo grupo, só havendo um problema: ninguém conhecia um negro americano, ainda mais depois que o Ron Carter deixou de vir com tanta frequência ao Brasil. Foi quando a… Mas deixemos que a própria Dorinha nos conte. Sua carta veio, como sempre, escrita com tinta lilás em papel turqueza perfumado, com um aviso para não aspirar demais o perfume, “Mange Moi”, o que poderia levar a cenas de furor sexual e a embaraço público.

“Caríssimo! Beijos centrifugais. Amo minhas colegas das Socialaites Socialistas mas elas costumam duvidar do que eu digo, embora eu nunca minta. Nunca acreditaram no meu caso com Randolph Scott e Marguerite Duras – ao mesmo tempo! A inveja, helás, é um ácido social que tudo corrói. Foi assim quando convidei-as para conhecer o Picasso que acabara de comprar. Custaram a acreditar que era mesmo um sobrinho-neto do Picasso que estava pendurado na minha sala, apesar da certidão de nascimento e do Jean-Paul, que era como se chamava o rapaz, jurar que era autentico. E foi assim quando, durante a discussão sobre a lição que a eleição do Barack Obama nos trouxera e como aproveitá-la, revelei que conhecia um negro americano a quem poderíamos demonstrar a mesma ausência de discriminação. Não vem ao caso como conheci o antropólogo Gideon ou qual foi o grau do nosso relacionamento, só posso dizer que ele aprendeu muitos costumes tropicais exóticos comigo e me ensinou a correta pronúncia da palavra “Uau!” Pelo que eu sei, Gideon ainda está no Brasil, tentando nos compreender. Apesar da incredulidade de Tati e das outras, anunciei que o trarei para a nossa próxima reunião, quando poderemos fingir que ele é o Obama e nós somos americanas. Agora só tenho uma preocupação. Preciso avisar ao Severino, meu porteiro, que o Gideon é americano. Senão ele pensa que é brasileiro e manda subir pelo elevador de serviço. Da tua democrática Dorinha.”

Um belo artigo da “escurinha”

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 21 novembro, 2008

neguinha

Já foi dito aqui, mais de uma vez, que os artigos da Sandra Paulsen (que é tão afrodescendente quanto eu) publicados no Blog do Noblat são sensacionais. Pois hoje tem um melhor que a média, que segue abaixo. Depois, ousarei fazer um poequeno comentário sobre o trecho destacado em itálico.

Racismo, identificação e empoderamento

Recentemente, li na Veja o artigo de Roberto Pompeu de Toledo sobre a eleição de um negro para a presidência dos Estados Unidos e o «black is beautiful fase 2».

Pompeu de Toledo, brilhante como sempre, falava do efeito que ver as filhas de Barack Hussein Obama na televisão pode ter sobre a menina negra brasileira, que «não sentirá, a rebaixá-la, a diferença de cor».

Entendi o sentido e gostei muito do artigo. Só não gostei muito da escolha da palavra. A diferença de cor não tem por que rebaixar ninguém. Se o faz, é justamente por causa da nossa própria educação, cultura e hábitos, nosso sistema de valores.

Mas, sem dúvida, o melhor de Obama, além da esperança que traz, está no efeito demonstração e identificação. O mesmo efeito, aliás, que se busca através das famosas quotas, as quais tendo a aceitar quando se referem a mulheres, e de cuja adoção discordo quando se referem à raça ou cor da pele (devido à dificuldade para definir quem é negro e quem não é).

A presença de negros, pessoas com deficiências físicas, mulheres ou quaisquer outros grupos menos privilegiados no mercado de trabalho, ocupando espaços na política ou nas altas hierarquias das empresas, «chegando lá», contribui para diminuir o preconceito e a segregação.

E eu acho que se identificar com as filhas do presidente dos Estados Unidos tem o efeito de «empoderamento» que nenhuma quota pode ter.

Eu sou mestiça. De tudo. Ou quase. Tenho sangue branco, negro, índio e libanês nas veias. Graças a Deus, sempre senti orgulho de ter a herança de quatro dos cinco continentes do mundo nos meus gens!

Nunca me senti afetada pelo racismo, até os 22 anos de idade. Aí, em uma curta visita à vizinha Argentina, senti pela primeira vez os custos do «ser escurinha», como me disse lá uma senhora italiana de olhos azuis. E voltei a me chocar depois, no Chile, quando uma médica, numa clínica do Bairro Alto, explicou uma erupção na pele da minha filha como «um problema típico da mistura de raças».

Mas, minha pior experiência de racismo não foram esses dois episódios. Nem foi escutar de colegas de trabalho, na volta de umas férias na praia, com os cabelos ao natural e a pele lindamente bronzeada, que eu «tinha um pé na cozinha».

Nem tampouco surpreender uma vendedora, num shopping center chique de Santiago do Chile, ao sacar meu American Express dourado para pagar as peças de roupa que ela achava que eu estava tentando roubar. Afinal, «escurinha» daquele jeito, eu só poderia estar aprontando alguma. (Só como esclarecimento, já não tenho o tal cartão, aquilo foi um tempo passageiro de ilusão de prosperidade.)

Também já estou acostumada ao desconcerto e outras reações menos discretas das pessoas que me conhecem numa estação do ano e não me reconhecem na outra. Como camaleão, eu mudo de cor, dependendo do sol, e de cabelo, dependendo do humor do dia.

Minha pior experiência de racismo foi cair na besteira de recomendar meu costumeiro «bálsamo para cabelos encaracolados» para a filha de um amigo com cabelos «afro» impossíveis de desembaraçar. Fiquei totalmente sem graça ao ouvir dele, como resposta, que a filha não precisava disso, porque os cabelos dela não eram crespos.

Quero dizer que o pior do racismo são os absurdos que nós, negros ou descendentes, às vezes cometemos para não nos identificar, nem sermos identificados, com outros negros e mestiços.

E é isso que eu espero que Barack Hussein Obama possa ajudar a mudar. Nos EUA, no Brasil, na Suécia, e em todo lugar…

Penso que cotas de qualquer tipo são sempre prejuciais. Se alguém é obrigado a engolir uma mulher, um deficiente ou um negro contra a vontade, mais cedo ou mais tarde esse alguém irá dar o troco. Ou com algum tipo de humilhação pública (mais ou menos velada), ou com menos boa vontade nas promoções, ou de alguma outra forma. É da natureza humana, não tem jeito… Há inúmeras outras maneiras de resolver o problema sem apelar para as cotas, principalmente investindo na educação diferenciada para os segmentos discriminados.