Toca Raul!!! Blog do Raul Marinho

Perder vs. Deixar de ganhar

Posted in Atualidades, Ensaios de minha lavra, Evolução & comportamento by Raul Marinho on 12 agosto, 2009

ilusão

Compare esses dois cenários:

I- Alguns dias antes da crise, um consultor financeiro lhe recomenda investir todas suas economias, que somavam R$100mil à época, em ações. Seis meses depois, seu portfólio estava avaliado em R$50mil, logo você perdeu 50% de sua reserva financeira.

II- No início deste ano, um consultor financeiro lhe disse para deixar todo o seu dinheiro – R$100mil – embaixo do colchão, já que a crise estava tão forte que mesmo uma aplicação em renda fixa no banco seria arriscada. Seis meses depois, você verifica que se tivesse investido na bolsa, estaria hoje com R$150mil, logo você deixou de obter um ganho de 50% sobre seu patrimônio.

Embora o prejuízo efetivo seja idêntico em ambos os casos, sua percepção seria bem diferente se você estivesse no cenário I ou no II, não é mesmo? No primeiro caso, você provavelmente estaria querendo esganar seu consultor de investimentos; enquanto que, no segundo, suas chances de perdoá-lo (“melhor pecar por excesso de zelo do que pela falta”) seriam bastante altas. Só que isso não significa nada em termos reais, é só a percepção dos fatos, uma ilusão: nos dois casos, sua perda foi de R$50mil ou 50% do seu patrimônio. Tão simples quanto isso.

Isso tudo para falar sobre o que noticia o blog do Kanitz neste post: agora, o Paul Krugman diz que “afinal de contas, não haverá uma grande depressão como em 1929”. Por mim, tá perdoado, já que não perdi dinheiro com a crise. Mas continuar a dar crédito aos seus livros e artigos já outro problema.

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Antropologia do IPhone

Posted in Atualidades, Uncategorized by Raul Marinho on 3 agosto, 2009

indio-ao-celular

Essa vem direto da Época dessa semana:

A Apple anunciou orgulhosa que os consumidores já baixaram 1,5 bilhão de programas da loja on-line do iPhone, em um ano de existência. O número representa cerca de milhões em lucros para a Apple. Mas também tem outros sentidos. Analisando o perfil de programas baixados em cada país, é possível também fazer uma espécie de “antropologia do iPhone”. De farra, claro, até porque nenhum estudioso sério se dedicaria a isso, ao menos por enquanto. Diga-me o que carregas em teu iPhone e te direi quem és.

Um curioso que navegue pelas lojas da Apple em vários países com olhar atento descobrirá que, no Brasil, o número um em vendas é um programinha que faz o iPhone apitar toda vez que o motorista passar por um radar. Nos Estados Unidos, prevalecem os games, muitos com o objetivo de dominar o mundo ou atirar a esmo. O que essas escolhas dizem sobre os hábitos de cada população?

Um alienígena que estudasse a civilização brasileira por meio dos programas mais baixados na App Store nacional poderia chegar às seguintes conclusões:

1. não queremos pagar multas, mas queremos andar mais rápido que o permitido, por isso usamos um programa para burlar radares e ele está em primeiro lugar na lista;

2. estamos amedrontados com a gripe suína. Um programinha com informações sobre a doença está em alta nas preferências atuais;

3. gostamos tanto de cerveja que queremos ter uma gelada virtual no iPhone, capaz de simular um copo cheio dela;

4. somos, claro, o país do futebol. Entre os dez países analisados, o Brasil é o único que tem, nos primeiros lugares, um programa com a tabela e a colocação dos times em algum esporte. Está lá o Brasileirão 2009, entre os mais baixados.

Mas isso tudo a gente já sabe. Melhor dar uma espionada nos estrangeiros. Os franceses, por exemplo. São vaidosos. No alto da lista, como era de esperar, um guia de restaurantes e outros serviços. Mas os franceses parecem ser tão vaidosos que usam o iPhone como… espelho! Um programinha que aumenta o poder de refletir da tela do iPhone e o transforma num arremedo de espelho é muito popular. A engenhoca ainda permite que o usuário escolha a moldurinha do espelho. Claro, porque não basta ter um espelhinho, ele tem de ser chique, não? Os franceses também parecem estar sofrendo com mosquitos, no verão de lá. Entre os mais populares está um programa que emite um sinal sonoro para espantar insetos.

Quem quer que já tenha tentado andar no metrô de Paris sabe como é fácil se perder. Para piorar, os parisienses têm a fama – justificada ou não – de não ser gentis com turistas perdidos que não falam seu idioma. A vingança é saber que nem os franceses sabem andar lá, porque, se soubessem, não precisariam tanto de um programinha que mostra as estações de metrô. Você pesquisa uma rua, ele mostra onde fica a estação e como chegar lá. Parece que nem mesmo quem fala francês quer perguntar algo aos franceses.

As encomendas dos indianos na loja da Apple também guardam surpresas. Tecnologia, empregos, economia em ebulição? Nada disso. Os indianos querem sexo no iPhone. Faz sucesso por lá o Kama Sutra, em primeiro lugar, e mais um bando de programas que mostram mulheres em poses sensuais. A Apple não permite nada explícito, apenas biquininhos e olhe lá…

Faça amor, não faça a guerra, dizem os indianos. Mas os americanos não querem saber disso. Jogos de guerra, tiros em bonecas, caça, tudo isso faz o maior sucesso na loja americana. No jogo World War, o objetivo é entrar numa guerra e se tornar a nação dominante do planeta. Em Pocket God, ou Deus de bolso, outro must americano, a brincadeira é ter ainda mais poder. Você é Deus. E um Deus muito mau. Um Deus sádico. Sua diversão é fazer o povo que você domina sofrer.

O aparente amor dos americanos pela violência não reduz a admiração que eles despertam na maior nação emergente do planeta. O programa mais baixado na China é um curso de inglês para iPhone. Os outros campeões de venda chineses são indecifráveis para esse antropólogo amador, porque ele não foi capaz de fazer seu computador reconhecer e traduzir os ideogramas em que estão descritos.

As preferências de cada país:

.                                 BRASIL

iphone

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Cérebro masculino X Cérebro feminino

Posted in Atualidades, Evolução & comportamento by Raul Marinho on 1 agosto, 2009

(Devidamente roubado do Blog do Noblat)