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Nobel de malandragem

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 16 junho, 2009

3 malandros

Acabou de sair no UOL:

Revista “Time” lista os executivos mais “trapaceiros” dos EUA

A revista americana “Time” elaborou uma lista com dez dos CEOs (sigla em inglês que se refere ao mais alto executivo de uma empresa) mais “trapaceiros” dos Estados Unidos.

A reportagem foi feita depois que a comissão dos EUA que fiscaliza o mercado de valores mobiliários ter acusado formalmente o ex-presidente da Countrywide, Angelo Mozilo, de fraude e negociações a partir de informações privilegiadas.

A lista da “Time” cita em primeiro os executivos Kenneth Lay e Jeffery Skilling, da Enron, empresa que atuava no setor de energia. Em 2000, menos de um ano antes de falir, a Enron era a sétima maior companhia dos EUA. Durante a gestão deles, a empresa foi utilizou uma contabilidade “obscura”, segundo a “Times”, para mostrar “lucros quiméricos”.

Em seguida aparece Bernard Madoff, cuja fraude envolveu US$ 65 bilhões a partir de um esquema de pirâmide de investimento (em que o retorno dos investidores depende da entrada de novos aplicadores), sendo provavelmente a maior fraude das história dos EUA.

Dennis Kozlowski, outro fraudador citado pela “Times”, foi condenado em junho de 2005, ainda defendendo sua inocência. Seu apartamento de US$ 30 milhões em Nova York e metade de sua festa de aniversário de US$ 2 milhões foram pagos pela companhia da qual ele era CEO, a Tyco. Ele se defende dizendo que a questão não é se ele usou o dinheiro da companhia (ele usou), e sim se ele estava autorizado a fazê-lo.

John Rigas, ex-CEO da Adelphia Communications, quinto maior provedor de TV a cabo dos EUA, foi processado e condenado por mau uso dos fundos corporativos.

O ex-presidente da Qwest International Joe Nacchio foi condenado em abril de 2007 por negociar com informação privilegiada. Seus acusadores afirmam que ele vendeu ilegalmente US$ 52 milhões em ações em 2001.

Gregory Reyes, ex-presidente da Brocade Communication Systems, foi condenado por alterar o registro de ativos, sem avisar investidores, para aumentar o valor dos papéis.

James McDermott Jr., da Keefe Bruyette & Woods, também foi condenado, como outros, por uso de informação privilegiada, mas com uma particularidade: ele contou fatos sigilosos a uma atriz pornô canadense, Kathryn Gannon.

O ex-executivo Sam Waksal, da empresa de biotecnologia ImClone, foi condenado em 2002 por fraude bancária e obstrução da Justiça, entre outras acusações. A companhia ficou conhecida em 1999, ao lançar uma droga contra o câncer. Waksal, sabendo que o órgão regulador reprovaria o medicamento, recomendou a parentes e amigos que vendessem as ações.

Sam Israel, ex-CEO do grupo Bayou, na área de fundos de “hedge”, desviou mais de US$ 450 milhões de investidores e foi condenado em abril de 2008. Bernie Ebbers, da WorldCom, aparece em último da lista da “Times”, condenado por fraude no mercado financeiro, entre outras acusações.

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Gênese Madoff

Posted in Atualidades, mercado financeiro by Raul Marinho on 30 março, 2009

ponzi

Recentemente, Bernard Madoff ficou célebre após seu esquema biolionário de pirâmides ruir. Mas pouca gente conhece a origem dos esquemas Ponzi, inventados por uma espanhola no final do século XIX. Leia essa matéria da Rosana Torres publicada no El País e conheça a gênese do Madoff:

Conheça a mulher que criou o golpe da pirâmide

A história financeira do mundo contemporâneo situa Dona Baldomera, filha de Mariano José de Larra, como a fundadora e criadora do golpe da pirâmide nos anos 70 do século 19.

Na terça-feira (24), comemorou-se dois séculos do nascimento de Mariano José de Larra. O legado de Fígaro, pseudônimo pelo qual era mais conhecido, não se limita a seus escritos ou a seu pensamento progressista. Sua filha, Baldomera Larra Wetoret, também teve fama, talvez até mais que o pai, devido a uma história rocambolesca e piramidal de engenharia financeira.

De tempos em tempos surgem teorias que afirmam que a América não foi descoberta pelos espanhóis, que Don Juan não tem sua origem na literatura de Tirso de Molina e Juan de la Cueva e, o que é mais revoltante, que Cervantes não era espanhol. Mas é inadmissível que tentem roubar o mérito de Dona Baldomera de ser a autêntica inventora da fraude da pirâmide, o que a transforma na primeira golpista moderna da história. O que não é pouco, levando em conta que ela era uma mulher e seu negócio funcionou na década de 70 do século 19.

O renomado escritor Juan Eduardo Zúñiga, um dos maiores conhecedores da vida e obra de Fígaro, preparou durante anos uma biografia sobre ele que não pode abordar sozinho. Dessa imersão nasceu “Flores de Plomo” [“Flores de Chumbo”], que a crítica elogiou sem evasivas e que gira em torno de situações e personagens que rodearam Larra nos dias anteriores ao seu suicídio. Zúñiga também fala das andanças da filha de seu investigado. Trata-a como se fosse família, dispensando o dona e referindo-se a ela simplesmente como Baldomera. “A vida dela e de seus irmãos é muito tangencial, apenas conviveram com o pai, e não há nenhum estudo em profundidade sobre ela, talvez por não ser necessário. Sua mãe, que era um pouco simples e dizia-se que não era muito esclarecida, recorreu à própria rainha para solicitar ajuda quando ficou viúva”, disse ele sobre Josefa Wetoret, que conseguiu colocar seu filho em colégios religiosos e manteve as duas filhas consigo. “Elas tiveram bons casamentos, já que eram atraentes e elegantes”, conta Zúñiga.

Dona Baldomera casou-se com Carlos de Montemayor, médico da Casa Real.
E sua irmã Adela, que também fez um bom casamento, teve mais de um porquê com o próprio rei Amadeo de Saboya. Quando o marido de Baldomera, partidário dos franceses, ficou sem função quando o rei fugiu em 1873 e Alfonso 12 assumiu, acabou indo buscar tabaco em Cuba e deixou Baldomera e os filhos em uma situação muito precária. Ela teve que recorrer a empréstimos pelos quais pagava juros muito altos.
Tudo isso faz supor que foi então que ela teve a idéia e iniciou suas atividades, prometendo duplicar em um mês o dinheiro de quem lhe confiasse uma onça [28,7 gramas] de ouro.

Ela cumpriu com o prometido e sua fama correu por Madri. Cada vez atraía mais clientes e acabou fundando a Caixa de Depósitos, na frente da qual se formavam longas filas, primeiro na rua Greda (hoje Los Madrazo), depois na praça da Cevada; e quando o negócio prosperou, na praça da Palha (onde ficava o teatro Espanha). Funcionava às vistas de todos, pagando 30% ao mês, com o dinheiro que lhe davam os novos investidores. Dizem que chegou a arrecadar 22 milhões de reais [moeda espanhola da época] e Zúñiga calcula que o esquema envolveu cinco mil pessoas. Sua fama transcendeu fronteiras como demonstram os jornais da época como Le Figaro de Paris e L’Independance Belge de Bruxelas.

Seu método é a origem dos esquemas de Ponzi (1920), que depois de sair da prisão transformou-se em assessor financeiro de Mussolini e que é considerado por muitos, de forma duplamente equivocada, como o pioneiro desse tipo de golpe de pirâmide, quando na verdade a pioneira é uma mulher, espanhola, e William Miller já havia feito um golpe de pirâmide em 1899. Há outros casos conhecidos como o Gescartera (2001), Patrick Bennett (1996), Haligiannis (2005), Sofico (1974), Fidecaya (1982), Banesto (1993) e a recente rede de Madoff, entre outros.

Mas é preciso deixar claro que a primeira foi Dona Baldomera, a quem muitos chamavam de mãe dos pobres, em agradecimento, ainda que seu apelido mais popular fosse La Patillas [costeletas] por causa de duas estranhas mechas de cabelo que exibia junto das orelhas. Contam que quando perguntavam no que consistia seu negócio ela se limitava a
responder: “É tão simples como o ovo de Colombo”. Perguntavam-se qual era a garantia da Caixa de Depósitos em caso de quebra, ela respondia
impassível: ‘Garantia? Uma só: o viaduto’, que era o local escolhido pelos suicidas.

A ruína aconteceu em dezembro de 1876, quando ela desapareceu com todo o dinheiro que pode. Valle-Inclán, num dos últimos capítulos do livro “El Ruedo Ibérico” [algo como “O Círculo Ibérico”] a descreve fugindo em um barco, rumo à Inglaterra, em que também viajava o grande líder anarquista Mikail Bakunin.

A partir de então, ela alcançou seu momento de glória. Dois anos depois chegaram notícias de que ela vivia sob falsa identidade em Auteuil (França). O juiz encarregado do caso solicitou sua detenção e extradição, o que foi feito. Em seu julgamento, defendeu-se dizendo que foi embora porque terminou com menos depósitos do que pagamentos por culpa da guerra que a imprensa havia declarado contra ela.

A sentença foi publicada na capa do El Imparcial e de La Época em 26 de maio de 1879. E como as mulheres más sempre vão à prisão, ela foi condenada a seis anos de prisão, aos 42 anos de idade. Seu colaborador foi absolvido. Ela também, pouco depois, ao que parece por conta de uma campanha de apoio assinada por muitos, desde pessoas simples até aristocratas. Sua popularidade é comprovada pelas canções El Gran Camelo e Dona Baldomera.

O que aconteceu realmente depois de sua saída da prisão se perde em muitas versões. Dizem que morou com seu irmão Luis Mariano; que foi para Cuba com seu marido e quando este morreu regressou à casa do irmão transformada na “tia Antonia”; que foi a Buenos Aires, onde morreu no começo do século 20. Segundo Zúñiga, o filho mais velho de Larra, Luis, autor de libretos de zarzuela [estilo dramático], não queria que o relacionassem com o pai nem com as duas irmãs: “Devia ter medo por causa do suicídio do pai, das loucuras da irmã mais velha com Amadeo e dos golpes de Baldomera”, comenta o autor de “Largo Noviembre de Madrid” [algo como “Longo Novembro de Madri”]..

O inesquecível cronista Luis Carandel definiu Dona Baldomera no “El País” em 2001 como “a primeira gescarterista da história financeira”
[numa alusão ao escândalo financeiro Gescartera, que aconteceu na Espanha em 2001].

A prova do crime

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 21 março, 2009

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Que o mercado financeiro dos EUA quebrou, todo mundo sabe; e que houve um descaso absurdo com a fiscalização, também. Mas nada como ver as provas concretas do crime. No blog do Crédito, o leitor Camilo Telles colocou o link para a denúncia feita contra o fundo do Madoff à SEC (a CVM deles) em 2005. É impressionante. A denúncia se chama “O maior fundo do mundo é uma fraude”, de Harry Markopolos, um analista financeiro de Wall Street altamente qualificado, que aplicou a Mosaic Theory para levantar 29 red flags que apontavam para o fato de que o fundo do Madoff era uma pirâmide (esquema Ponzi).

O que a SEC fez com o relatório do Markopolos? Engavetou. Até que o fundo explodiu no final de 2008, deixando um rombo de mais de US$50bilhões para trás.

A “Lei do Tudo ou Nada” na prática

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 28 janeiro, 2009

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Tudo ou Nada” é um conceito  (e um livro) de Economia Comportamental do brilhante economista estadunidense Robert Frank, sobre mercados altamente “escaláveis” (de acordo com o outro brilhante escritor, Nicholas Taleb, de “A Lógica do Cisne Negro“).

Raramente aparece um exemplo tão claro de como funcionam estes mercados como o que a imprensa veicula hoje, sobre os desdobramentos do caso Madoff e o banco Santander – vide esta matéria do Estadão. Sem entrar no mérito do caso em si, chamo a atenção para o fato de que existe um escritório de advocacia especializado na recuperação de recursos – no caso, o Motta, Fernandes & Rocha Advogados. Desconheço o trabalho do esritório, assim como nenhum de seus advogados, empregados ou sócios é meu amigo, e não tenho interesse algum no seu sucesso ou no seu fracasso, a opinião apresentada é meramente ilustrativa (assim como as cifras e percentuais apresentados, inclusive os honorários). Vamos agora entrar no terreno das suposições.

Imagine-se um magnata que possui US$10milhões investidos no fundo gerido pelo Madoff no Santander. Você sabe que o Motta, Fernandes & Rocha está defendendo o interesse de outros 20 investidores, num total de US$200milhões. Por outro lado, o sobrinho do seu vizinho é um bom advogado, formado pela USP, com mestrado na FGV, com 15 anos de experiência em grandes escritórios de São Paulo, e que está indo bem com seu escritório próprio, que abriu com um ex-colega de faculdade há 5 anos. E, muito importante: ao contrário do Motta, que pediu 10% de honorários para lhe defender, o sobrinho do seu amigo aceita o caso por 5%. Veja bem: estamos falando de uma causa de US$10milhões, e a diferença de honorários entre o Motta e o sobrinho do seu amigo representa US$500mil. Qual dos dois você contratará?

Por mais que o sobrinho do seu amigo seja um sujeito cativante, inteligente, e mostre experiência em litígios do tipo – além de cobrar bem menos -, mesmo que o advogado que lhe atende no Motta seja arrogante e só fale o óbvio, você dificilmente deixará de contratar o segundo, apesar do preço mais alto. Sim, são US$500mil a mais de honorários, mas também são US$10milhões sobre a mesa, e você jamais arriscaria tanto dinheiro com um escritório desconhecido. No fim das contas, se o escritório líder perder a causa, pelo menos você “fez o que pode”; mas se o sobrinho do seu amigo fracassar, ficará a sensação de “por que eu fui dar de engraçadinho com tanto dinheiro!!!???”. É por isso que o Motto deverá ficar cada vez maior, e escritórios obscuros têm tanta dificuldade em se sobressair… Não é justo, não é legal, mas é assim que funciona essa tal de “Lei do Tudo ou nada”.

Como os ricos podem ser tão facilmente enganados?

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 17 dezembro, 2008

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Já comentei aqui sobre o Robert Frank, o autor de “Riquistão”, e seu excelente blog no The Wall Street Journal, chamado “The Wealth Report” (algo como “O Dossiê dos Abastados”). Depois que a atual crise se instalou, o blog do Frank está cada dia mais hilário. O único problema é que ele é em inglês, então eu resolvi traduzir o post abaixo para que os leitores não muito familiarizados com o idimoma bretão também possam se divertir um pouco com o problema dos ricos.

(Obs.: A tirinha do Calvin, acima, não está no post original do Frank, mas achei-a pertinente ao “modo americano-rico de pensar”

Como é que investidores abastados podem ser tão cegos?

Digamos que você seja um investidor de risco bilionário, e que seja abordado por um cara chamado John P. Rogers. O último empreendimento dele, um grupo de quiropráticos clínicos em Minnesota, afundou num mar de ações legais. Ele já foi preso duas vezes por questões domésticas e fichado uma vez por uso de cocaína.

Digamos que ele queira alguns milhões de dólares de você para um novo empreendimento relacionado à “identificação biométrica”. Você deveria investir o dinheiro nele?

Bem, aparentemente, Ron Burkle o fez. Juntamente com Gordon Getty e uma penca de outros californianos abastados. De acordo com o jornal “The San Francisco Chronicle”, o sr. Rogers captou US$340milhões dos investidores. Hoje, sua companhia chamada “Pay By Touch” está falida e os milhões se foram, com os investidores metidos em ações legais que implicam em gastos extraordinários que estão queimando o capital destes à taxa de US$8milhões/mês.

Então, aparece o caso mais recente, do Bernard Madoff, o simpático e respeitado titã dos investimentos financeiros e consultor. Os promotores dizem que ele ludibriou os investidores – a maioria deles indivíduos abastados – em vários bilhões de dólares.

Havia muitas bandeiras vermelhas voando por sobre a firma nos últimos anos, a começar pelo minúsculo e injustificável porte dos auditores da firma de Madoff, que funcionava em um escritório de 4m por 6m na comarca de Rockland, Nova York. Alguns investidores viram um alto potencial para fraudes e se negaram a investir. Mas muitos outros investidores ricos – dos clubes de campo da Flórida em Palm Beach e Boca Raton às pistas de esqui em Aspen, Colorado – confiaram no sr. Madoff com altas somas de suas riquezas.

Como os ricos podem ser tão facilmente enganados?

Para alguns, os investimentos hoje em dia são muito complicados. Os ricos não têm tempo para investigar as histórias e o passado pessoal de todos os seus gestores de investimentos. Mais do que isso, os altos lucros são suficientes para cegar qualquer um quanto aos sinais de alerta.

Ocorre que o maior fator que influencia os investidores abastados a serem depauperados é a confiança na recomendação de seus amigos. No caso Madoff, muitos dos investidores acabaram investindo porque todos os seus amigos no clube de campo estavam falando sobre seus lucros. Mas os clubes de campo deveriam ser para jogar golfe, não para aconselhamento em investimentos.

Tudo isto prova que os ricos não são diferentes das outras pessoas. Eles podem ser ludibriados como qualquer outro. A única diferença é que eles perdem mais.

Fraude de US$50Bi

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 16 dezembro, 2008

Você deve estar sabendo da mega-fraude recém descoberta no mercado financeiro estadunidense, não? A seguir, matéria do Financial Times, escrito pela Joanna Chung, e traduzido pelo UOL para você ficar por dentro dos detalhes. No final, um vídeo que reconstitui como o furo foi descoberto e qual o fim que o autor levou.

Caso expõe novo fracasso da fiscalização

O fracasso em detectar o que pode ser a maior fraude da história, supostamente perpetrada pelo veterano assessor de investimentos Bernard Madoff, despertou novas questões sobre a competência da SEC (Securities and Exchange Commission), o órgão que fiscaliza o regulamenta o mercado de valores mobiliários dos EUA.
O caso também é um novo fiasco ao regime regulatório americano, alvo de críticas desde o começo da crise após a exposição de numerosas lacunas e exemplos de fiscalização insuficiente.
A suposta fraude aponta para um “fracasso sistêmico” e suscita “questões fundamentais” sobre a estrutura regulatória dos EUA, diz comunicado do Bramdean Alternatives, um fundo britânico que investia com Madoff.
“É espantoso que essa aparente fraude pareça ter se estendido por tanto tempo, talvez décadas, enquanto os investidores continuavam a investir dinheiro novo nos fundos de Madoff, agindo de boa fé”, afirma o comunicado.
As dimensões da fraude, estimadas por Madoff em cerca de US$ 50 bilhões, não foram confirmadas por cálculos independentes, e os fiscais da SEC estão examinando os arquivos da empresa.
Mas as autoridades regulatórias também podem ter de explicar como um esquema dessas dimensões pode ter passado despercebido durante anos, especialmente porque os retornos consistentemente elevados de Madoff já haviam despertado suspeitas e provocado queixas junto à SEC. Havia outros indícios de potenciais problemas: falta de fiscalização por terceiros; o uso de uma empresa de auditoria muito pequena para uma operação de grande porte; uma operação de corretagem de títulos funcionando em paralelo na mesma empresa.
Parte da explicação pode se relacionar à abordagem utilizada para a fiscalização. Os fiscais da SEC estavam encarregados de regulamentar a corretora de títulos de Madoff. Mas foram as operações de assessoria de investimentos da empresa, registradas na SEC só em 2006, que supostamente ocuparam posição central na fraude.
Além disso, nem todos os assessores de investimentos registrados são fiscalizados pela SEC, em parte porque seu número cresceu demais nos últimos anos -em 50% de 2001 para cá, superando os 11 mil. Só 10% dos assessores registrados na SEC são fiscalizados a cada três anos.
A SEC já disse que seus funcionários conduziram duas investigações sobre a empresa de Madoff, em 2005 e 2007. Em 2005, identificou três violações da regra que exige que os corretores obtenham o melhor preço possível aos pedidos dos clientes. Em 2007, os inspetores não encaminharam o caso para ação judicial.
John Coffee, da Universidade Columbia, disse que a SEC tem de explicar o fracasso do processo. “Quase qualquer inspeção teria revelado uma deficiência de ativos, e a SEC também poderia ter percebido que os auditores eram desconhecidos. Se a SEC não é capaz de apanhar esse tipo de coisa, fica difícil imaginar o que eles apanhariam”.
A suposta fraude, que pode afetar centenas de investidores privados e grandes fundos de investimento em todo o mundo, deve renovar os pedidos por regulamentação mais severa das corretoras e de entidades hoje não regulamentadas, como os fundos de hedge.