Toca Raul!!! Blog do Raul Marinho

Tremendão

Posted in Atualidades, Just for fun by Raul Marinho on 30 novembro, 2008

trema

Eu, particularmente, adoro o trema. Acho-o elegante como a ênclise, sem a emfáfia mesocliana. E, como veremos, até quem não gostava dos olhinhos de cobra (caso do L.F.Veríssimo, como atesta esse artigo do blog do Noblat) não queria que ele fosse embora…

Müller e Anaïs

Estou me sentindo culpado. Nunca usei o trema. Desde que aprendi a escrever – sem piadas, por favor – , ignorei o trema. Quando comecei a escrever, por assim dizer, em público, continuei a ignorá-lo. Os revisores, se quisessem, que acrescentassem os tremas onde cabiam. Por vontade própria, nunca botei olhos de cobra em cima de nenhum “u”. Nem mesmo quando o computador, com sua conhecida aversão à informalidade gramatical, sublinhava a palavra em vermelho para me avisar que estava faltando o trema, burro! Se dependesse de mim o trema não existiria.

Mas, com a nova reforma ortográfica, o trema vai desaparecer. E eu fiquei com remorso. Talvez tenha sido injusto com ele. O trema, afinal, tinha uma história. Tinha uma razão para existir, mesmo modesta. Tinha uma função, mesmo dispensável. E eu o tiram sem dó, coitadinho. Como me penitenciar?

Esta pode ser a última oportunidade que terei para usar o trema e compensar todas as vezes que o omiti por pura implicância. A reforma já está sendo implantada, os pontinhos marcham, dois a dois, para o esquecimento, tenho pouco tempo para me reabilitar. Mas como?

Quase todas as matérias que li sobre o fim do trema citavam que ele só continuará sendo usado em nomes estrangeiros como Müller e Anaïs. Müller e Anaïs! Uma história para Müller e Anaïs, rápido.

Uma história com seqüência, conseqüência, eloqüência…

Talvez uma história policial: a dupla Müller e Anaïs atrás de delinqüentes.

Ou uma história de excessos eqüestres levando ao uso freqüente de ungüentos.

Ou uma simples cena doméstica. Müller e Anaïs na cozinha do seu apartamento, eqüidistantes de um pingüim em cima da geladeira. Müller acaba de chegar da rua.

– Anaïs, esse pingüim…

– Quequi tem?

– Eu não agüento esse pingüim, Anaïs.

– Ele está aí há cinqüenta anos e só agora você nota?

– Cinqüenta anos, Anaïs?

– Está bem, cinco. Um qüinqüênio.

– Um qüinqüênio?

– Um qüinqüênio. E vai ficar aí outro qüinqüênio.

– Não se usa mais pingüim em geladeira, Anaïs. É uma coisa do passado. Como a crase.

– Pois eu gosto e está acabado. Trouxe a lingüiça?

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Mack-Criacionismo

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 30 novembro, 2008

original-periodic

Do Marcelo Leite (um jornalista de ciência que não gosto, mas que de vez em quando dá uma dentro) na Folha hoje:

Criacionismo no Mackenzie

Colégio prega idéia de origem religiosa em aula de ciências

O Instituto Presbiteriano Mackenzie abrange uma universidade e uma escola das mais tradicionais de São Paulo. Só na unidade paulistana do colégio há mais de 1.800 alunos. Seu campus no quarteirão ladeado pela avenida da Consolação e pela rua Maria Antônia é um ponto de referência na cidade.
Talvez poucos se dêem conta de que se trata de um estabelecimento confessional de ensino. Isso está bem explícito no nome da instituição, porém. Agora o Colégio Mackenzie é também, oficialmente, criacionista.
Criacionismo é a doutrina segundo a qual Deus criou o mundo com todas as espécies que existem hoje. Isso contradiz a explicação darwinista para a diversidade biológica, fruto da evolução por seleção natural. Inúmeras observações comprovam postulados centrais do darwinismo, como a ascendência comum (todas as espécies provêm de um ancestral único).
O fato de o DNA ser a molécula da hereditariedade em todas elas é a melhor prova desse princípio. Os primeiros seres vivos da Terra “inventaram” essa maneira de transmitir características de uma geração a outra, há cerca de 4 bilhões de anos, e ela se perpetuou desde então.
A direção do Mackenzie não nega os avanços da biologia trazidos pelo darwinismo, mas acredita que é preciso opor-lhe o contraditório. Em outras palavras: ensinar a seus alunos que há outra explicação, de fundo religioso, para a origem das espécies.
Quase 200 anos depois de Charles Darwin (1809-1882) e 150 após a publicação de sua grande obra, “Origem das Espécies”, os educadores do Mackenzie aceitam só o que chamam de “microevolução” (organismos se adaptam a novas condições do meio).
Não, porém, a “macroevolução” (tal adaptação não seria suficiente para originar novas espécies, em verdade criadas por Deus).
A doutrina criacionista não é apresentada somente nas aulas de religião, mas igualmente nas de ciências. Em 2008 foi usada nos três primeiros anos do ensino fundamental 1, ainda em fase piloto, uma série de apostilas traduzidas e adaptadas de material da Associação Internacional de Escolas Cristãs (ACSI, na abreviação em inglês), com sede no Colorado, nos Estados Unidos.
A coleção utilizada com crianças de 6 a 9 anos se chama Crescer em Sabedoria. Na capa do volume do terceiro ano estava estampado “Ciências – Projeto Inteligente”.
É uma alusão ao argumento do “design inteligente”: a natureza é tão complexa e os organismos tão perfeitos que só o desígnio de um arquiteto (Deus) pode ter sido responsável por sua criação. “Quando Deus formou a Terra, criou primeiro o ambiente. Criou elementos não vivos, como o ar, a água e o solo. Depois, Deus criou os seres vivos para morarem nesse ambiente”, afirma-se na pág. 10. O item 2.1 do volume se chama “O plano de Deus para os ambientes”.
Pode ser lido na pág. 17: “Deus projetou as cores e as formas de cada animal e o colocou em um ambiente que era perfeito para eles [sic]. Quando um animal usa suas cores ou formas para se esconder em seu ambiente, dizemos que ele está camuflado”.
A direção do Mackenzie justifica a omissão da evolução por seleção natural, nessa apostila de ciências, dizendo que se trata de conteúdo previsto apenas para o ensino fundamental 2. Além disso, o material da fase piloto de 2008 foi revisto e a ênfase religiosa, atenuada, mas não excluída.
Darwin, todavia, continua de fora.
Só uma dúzia de pais reclamou.
MARCELO LEITE é autor de “Ciência – Use com Cuidado” (Editora da Unicamp, 2008) e de “Brasil, Paisagens Naturais -Espaço, Sociedade e Biodiversidade nos Grandes Biomas Brasileiros” (Editora Ática, 2007). Blog: Ciência em Dia (cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br).
E-mail: cienciaemdia.folha@uol.com.br

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Os BRICS e o jogo

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 30 novembro, 2008

bric2

Hoje, a tradicional crítica ao texto do Clóvis Rossi (na sua coluna da Folha) virá embaixo do texto do próprio autor, para facilitar:

Deixa os RICs p’ra lá

Jim O’Neill, economista da Goldman Sachs, inventou o acrônimo Bric ( Brasil, Rússia, Índia e China), que seriam as potências mundiais em 2020.
Outro dia, O’Neill admitiu ter se equivocado ao fazer outra previsão, a de que haveria o famoso “decoupling” (descasamento) entre os países ricos e os emergentes na crise global. Ora, se foi incapaz de enxergar o que aconteceria meses à frente, quem pode levar a sério uma previsão sua feita para 20 anos à frente, já que o termo Bric foi cunhado em 2001?

Não devemos. Previsão é coisa para pai-de-santo, não para economistas, como cansamos de falar aqui. (Mas, apesar disto ser verdade, o restante do texto não fica automaticamente válido, como veremos).

Quem pode? Fácil de responder: o governo brasileiro, que, todo pimpão, comemorou primeiro uma reunião ministerial dos Brics e, agora, uma futura cúpula.

Agora, o CR já começa a deturpar os fatos… As tais reuniões dos governos não existem para comemorar previsões, mas para deliberar ações e combinar estratégias.

Nada contra reuniões com quem quer seja. Mas é uma imensa bobagem achar que há alguma comunhão entre os quatro países só porque uma entidade financeira com interesses em todos eles viu numa bola de cristal embaçada um grande futuro para o grupo.

Imensa bobagem é achar que combinar ações entre países importantes como os BRIC é superficial, e que os dirigentes dos governos de Brasil, Rússia, Índia e China se juntaram só para debater (comemorar?)as previsões de um banco.

Não há nada em comum, histórica, geográfica, social, cultural e institucionalmente falando, entre os Brics.

E daí? O que importa é que o poder de barganha dos 4 países combinados faz frente aos EUA, à CE e ao japão. O resto é supérfluo.

Pior para o Brasil: é, de todos, o que tem uma situação institucional melhor e mais sólida. Logo, ser apontado como “companheiro” de países com problemas institucionais graves pode não ser um bom negócio.

Interessante que o nobre comuni… quer dizer, colunista, acha super-fófis realizar acordos com a Venezuela e com Cuba que, como todos sabem, são paraísos institucionais.

Sobre a Índia, basta reproduzir editorial de ontem desta Folha: “Violência sectária, conflitos de fronteira, atentados terroristas e assassinatos de políticos marcam os 51 anos de história da Índia independente”.

Se não se pudesse fazer acordos econômicos com países conflituosos, teríamos que riscar os EUA da nossa lista também.

A Rússia é uma ditadura com verniz democrático leve e um ambiente de negócios em que só prosperam os incondicionais do Kremlin.
A China é uma ditadura. Ponto.

Volto ao exemplo venezuelano e de Cuba: aí pode?

Não estou dizendo, claro, que o Brasil é perfeito, mas, se é para andar em companhias de que orgulhar-se, que o seja com modelos mais saudáveis.

Quem é que vai falar pro CR que o acordo é econômico? E que, apesar do termo BRIC ter sido cunhado em um banco, o bloco realmente faz sentido?

Spy vs spy

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 29 novembro, 2008

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Sabe quando, numa discussão, ninguém tem razão? Olha só a atrocidade, direto do blog do Noblat:

Polícia pede e site entrega dados de 11 internautas

Se você é usuário casdastrado no site CorreioWeb do Correio Braziliense, fique sabendo que seus dados podem ir parar nas mãos da Polícia Federal mesmo sem autorização judicial. Basta que a polícia peça.

Foi o que aconteceu em maio do ano passado com 11 participantes de um chat que assinavam suas mensagens com apelidos como “pindaíba”, “desvendando”, “agente sofre-dor”, “arapongamandraque” e “james bondcama”.

Dado ao conteúdo das mensagens postadas com críticas aos serviços de inteligência do governo, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) desconfiou que os 11 usuários poderiam ser seus funcionários. Pediu então à polícia que os identificasse. A polícia repassou o pedido à direção do Correio Braziliense.

E o que fez o jornal? Forneceu nome completo, CPF e e-mails declarados pelos 11 no ato de se cadastrarem. Informou também o endereço IP (protocolo de internet) dos internautas, o que permite localizar o computador usado para acessar o site.

A polícia disse ao jornal Folha de São Paulo que “apesar da suspeita alegada de que funcionários estariam circulando informações sigilosas, não houve qualquer indício de crime, uma vez que as mensagens somente traziam algumas críticas à administração da Abin”.

Ainda segundo a polícia, “as regras do CorreioWeb dizem que não será resguardado o sigilo dos dados dos usuários quando “eles se tornarem alvos de investigação”. As informações, porém, serão fornecidas “apenas diante de ordem judicial e/ ou autoridade policial”.

Certamente é com base no adendo “e/ ou autoridade policial” que o superintendente jurídico do Correio Braziliense, Vitório Augusto de Fernandes Melo, alega não ter havido quebra de sigilo, “pois as informações poderiam ser fornecidas a autoridades policiais – no caso, para a PF- sem ordem judicial.”

A partir dos dados colhidos pela Polícia Federal, a Abin abriu processo administrativo disciplinar contra os funcionários investigados.

Diante do exposto, pergunta-se:

  1. Como é que o Correio Braziliense entrega os clientes assim, de bandeja? O que passa pela cabeça de um profissional que responde pelo cargo de superintendente jurídico tomar uma decisão dessas?
  2. Como é que um funcionário da ABIN – i.e.: um profissional da área de inteligência – comete um erro  tão básico como o de deixar rastro na internet? Justamente numa discussão em que se metia o pau na ABIN?

Dentuça sexy

Posted in Just for fun by Raul Marinho on 29 novembro, 2008

Lembra da Mônica, amiga do Cebolinha, do Cascão e da Magali? Pois então… Virou capa da revista Sax:

revistasax01

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Vício ancestral

Posted in Just for fun by Raul Marinho on 28 novembro, 2008

macaco_maconheiro

Deu no G1 hoje: encontraram um tijolo de maconha com 2,7mil anos na China, e ainda “funcionando”!!! (Minha dúvida é: será que algum estagiário do laboratório não tentou fazer a prova dos 9 com os amigos?).

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Criatividade

Posted in Just for fun by Raul Marinho on 28 novembro, 2008
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Jogando para a torcida?

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 28 novembro, 2008

torcida2

“Quem torce contra a Petrobras torce contra o Brasil”. De acordo com o Estadão, foi isso o que disse o ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social hoje, a respeito do escândalo dos empréstimos da Caixa e do BB à Petrobrás. Complementa, ainda, o noticioso paulista que “a estatal fez o empréstimo para pagar impostos por um problema circunstancial causado pela elevação do dólar”.

Sei… Quer dizer, então, que uma empresa de petróleo depende de torcida para ir bem ou ir mal? Ou depende de competência na gestão? E não existem instrumentos de gestão financeira para evitar ter que sair à cata de R$3bilhões para pagar impostos? Que, por sua vez, não poderiam ser renegociados com o governo (que, a propósito, é seu maior acionista)? Será que a diretoria da Petrobrás já ouviu falar em hedge cambial (operações de proteção contra variações do câmbio)?

Frankamente…

O in(f)verno

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 28 novembro, 2008

frozenhell

Taí um negócio que eu sempre pensei: por que, raios!, alguém haveria de cismar de morar num lugar tão inóspito como a Suécia, enquanto sobra terra nos trópicos? A Sandra Paulsen, minha colunista predileta do blog do Noblat também tem a mesma dúvida… Não perca o artigo dela de hoje, abaixo:

Natureza zangada?

Nos jornais suecos de hoje, a chuva e as mortes em Santa Catarina estão nas manchetes : «Catástrofe natural no sul do Brasil», dizia o Svenska Dagbladet, destacando o grande número de pessoas que morreram ou perderam suas casas.

Aqui, 75% dos velhinhos que moram sozinhos e dependem do serviço de assistência doméstica tiveram de se virar sozinhos. Acostumados a receber a visita de alguém que lhes dá os remédios ou cuida para que possam se alimentar, por exemplo, muitos ficaram sem a visita diária. E alguns que conseguiram ser atendidos só o foram devido à ajuda militar ou dos bombeiros, para abrir caminho e transportar os atendentes.

É que a neve começou a cair e, como sempre, ela é mais poderosa que toda a nossa tecnologia. E vêm mais tempestades de neve por aí, segundo a meteorologia.

O fato é que, quando começa a nevar pra valer, não há limpeza de rua que seja suficiente e o caos é quase inevitável. As ruas, sem a devida manutenção com areia, sal, etc., viram uma pista de sabão. Trens se atrasam ou não partem, carros deslizam, pessoas escorregam e ciclistas desistem das peripécias sobre duas rodas.

Os aviões não puderam decolar ou aterrizar dentro dos horários previstos em Arlanda e cerca de 50 mil passageiros foram afetados pelos atrasos.

Milhares de casas ficaram sem eletricidade, enquanto o tráfego de ônibus para Norrtälje, a cerca de 100 km ao norte de Estocolmo, foi totalmente suspenso. Nos arredores da capital, principalmente na área norte, a tempestade quase parou a população. Carros presos na neve (com pelo menos um caso fatal de morte por congelamento) e muitos acidentes foram a tônica. Em alguns lugares, como em Gotland, as escolas tiveram de fechar.

Uma colega me explicava que, há um par de anos, ficou para dormir no trabalho, já que não havia possibilidade de chegar em casa, a quarenta minutos do centro, e voltar no dia seguinte.

De vez em quando, principalmente em dias como o de hoje, eu me pergunto como é que nós viemos parar aqui. Um lugar onde o clima é tão duro e tão hostil que, mesmo com toda a tecnologia moderna (ou será por culpa dela?), as pessoas ainda são tão vulneráveis!

É uma sensação de impotência terrível, ao mesmo tempo que a pergunta fica no ar: será que a natureza está querendo nos dizer alguma coisa com tudo isso? De quem terá sido a idéia de estabelecer assentamentos humanos em latitudes tão longínquas, hein?

E o inverno está só começando…

Nossos primos

Posted in Just for fun by Raul Marinho on 28 novembro, 2008
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Tabuzão

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 27 novembro, 2008

caganer

Lévi-Strauss ficou famoso pela sua tese sobre o tabu do incesto que, segundo o autor, estaria no limite antre o biológico e o cultural. De fato, em qualquer cultura – seja ela contemporânea, extinta, moderna ou tradicional -, sempre há alguma restrição quanto ao casamento entre parentes. Mas existe um tabu mais forte e presente ainda: o tabu das fezes. Embora mais pendente para o lado biológico (haja vista o comportamento de gatos, cachorros etc.), esse também é um tabu cultural. Por isso, a figura do El Caganer (vide figura acima) da Catalunha é tão curioso. Por isso, vale a pena ler o artigo abaixo, originalmente publicado no Der Spiegel e traduzido no UOL Mídia Global:

As festividades natalinas fecais da Catalunha

Josh Ward

Algumas das tradições natalinas mais curiosas podem ser encontradas na Catalunha, onde a idéia de espírito de festas parece envolver algumas das funções corporais mais básicas.

Eis aquí duas passagens que não se esperaria necessariamente encontrar para um mesmo termo da Wikipédia: “o menino Jesus é Deus na forma humana” e “todo mundo defeca”.

Mas se você verificar o termo, tentando obter uma explicação da tradição catalã fecal-cêntrica encarnada no boneco conhecido como el caganer, é exatamente isso que encontrará. De fato, a tradição é um elemento bastante estimado da celebração do Natal na Catalunha, apesar da suas origens algo obscuras.

Um caganer – ou “cagão” – é uma pequena figura humana agachada com as calças abaixadas (ou a saia levantada) para atender a uma necessidade natural. Eles circulam pela região desde o século 17, e podem ser encontrados com freqüência em um canto obscuro dos presépios de Natal.

Alguns dizem que, originalmente, estas figuras tornaram-se populares entre os agricultores que acreditavam – de forma bem prática – que as “oferendas” do caganer tornariam o solo rico e produtivo para o ano seguinte. De forma algo vaga, o website da Associação dos Amigos do Caganer – uma organização fundada em 1990 para comemorar a tradição do caganer, e que tem 60 membros espalhados por todo o mundo – afirma que o objetivo desses bonecos é acrescentar “uma faceta humana à representação do mistério do Natal”.

A Wikipédia menciona como o caganer pode representar a “igualdade de todas as pessoas” porque “todo mundo defeca”, ou que ele pode ter sido criado para reforçar a idéia de que “o menino Jesus é Deus na forma humana”.

Na Catalunha, crianças pequenas ainda brincam de um jogo do tipo “Onde está Wally?” que envolve a procura do caganer no presépio de Natal. Segundo o website da Associação dos Amigos, o caganer é “colocado sob uma ponte, atrás de uma pilha de feno ou em um outro local em que fique discretamente escondido”, já que seria “uma falta de respeito” colocá-lo perto do cenário da manjedoura.

O el caganer original é uma figura em madeira ou cerâmica de um camponês usando o tradicional barrete vermelho catalão com uma tarja negra (a barretina) e fumando um cigarro ou um cachimbo. Mas a popularidade da figura gerou uma expansão enorme de personagens defecadores.

Marc Alos faz parte da família que produz e vende tais bonecos desde 1992 em Girona, uma cidade que fica 100 quilômetros a nordeste de Barcelona. A companhia, Terra I Mar – Caganer.com, oferece 150 tipos de bonecos caganer, que retratam figuras políticas, esportivas e outras mais anônimas ou tradicionais, como camponeses, freiras e Papai Noel – todos eles evacuando. “Pessoas de todo o mundo nos procuram e pedem que façamos estatuetas de figuras de suas regiões”, diz Alos. “Mas não dá para satisfazer a todos.”

Vendendo de 20 mil a 25 mil bonecos por ano, a companhia de Alos é a maior do gênero. Segundo Alos, a figura mais popular é de longe o camponês tradicional. Porém, o segundo lugar é ocupado por uma versão agachada do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

Quando lhe perguntam por que ele acha que a figura de Bush é tão popular, Alos prefere dizer apenas: “As figuras mais vendidas são sempre as mais amadas ou odiadas”. Alos acrescenta que, com base nos recentes números relativos às vendas, parece que o presidente eleito Barack Obama também se encaixa nessa categoria.

Alegria natalina (re)laxante
O outro elemento escatológico do tradional Natal catalão é o Tió de Nadal, que pode ser traduzido mais ou menos como “acha de lenha de Natal”. Também conhecido como “Caga Tió”, ou “acha de lenha cagona”, esse personagem é um pedaço de lenha de 30 centímetros que tem uma das extremidades ocas. Em tempos recentes, a outra extremidade ganhou uma face sorridente, usando uma versão miniatura da barretina e sustentando-se sobre duas pernas de varetas.

A partir de 8 de dezembro, dia da Festa da Imaculada Concepção na tradição católica, o pedaço de lenha é “alimentado” com pequenas quantidades de doces, nozes, figos e torrons – um tipo de nougat da região – todas as noites, e dorme sob um pequeno cobertor. Na véspera ou no dia de Natal, dependendo da casa, uma extremidade da acha é colocada no fogo e ordena-se ao pedaço de madeira que defeque.

Para apressar e estimular os movimentos intestinais simbólicos do pedaço de lenha, as crianças cantam músicas especiais e a espancam com pedaços de pau, gritando “caga tió!”. A seguir alguém tira de sob o cobertor da acha de lenha um presente que é dividido entre o grupo.

É claro que, se ainda tiverem fome, as pessoas sempre podem ir até as confeitarias locais, que vendem doces em formato de fezes durante o período de fim de ano.

O amor é lindo

Posted in Atualidades, Livros (resenhas & comentários) by Raul Marinho on 27 novembro, 2008

bernie

A foto acima é do casal Bernie (68 anos) e Slavica Ecclestone (24) – ele, magnata da F-1; ela, ex-supermodelo da Armani. De acordo com o blog do Robert Frank, The Wealth Report, os pombinhos estão se divorciando, e a sra. E está engordando sua conta bancária em quase US$2bilhões.

Se você também gosta das histórias dos super-ricos, leia o blog citado acima (somente em inglês) e/ou compre o excelente livro do Frank, Riquistão (vide imagem abaixo). Ambos valem muito a pena.

riquistao

Técnica para levantar o pau

Posted in Just for fun by Raul Marinho on 27 novembro, 2008

Numa homenagem à Pfizer nos 10 anos da invenção do Viagra:

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Serviço Toca Raul!!! de Utilidade Pública

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 27 novembro, 2008

Veja o vídeo abaixo e saiba qual é a mais nova técnica para roubar carros. Se seu carro estiver fazendo um barulho estranho, tranque-o antes de verificar o que está acontecendo.

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O help desk versão Gutemberg

Posted in Just for fun by Raul Marinho on 27 novembro, 2008
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O homem do saco

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 27 novembro, 2008

homem-do-saco

Para manter a tradição, vamos à nossa querida crítica ao Clóvis Rossi, que hoje está provocativo: “Alguém aí paga para ver se a “crise sistêmica” existe?” – e a compara ao “homem do saco”, figura supostamente mítica dos antigamentes, um ser que surgia do nada e sequestrava as criancinhas.

Bem… O homem do saco é um fato documentado (vide foto acima) e real – no caso, o pior homem do saco que o país já teve, responsável pela ruína de milhões de criancinhas brasileiras, que não terão um futuro digno porque foram (e estão sendo) educadas na cultura da esmola-família. Mas o homem do saco que aterrorizava os petizes de décadas atrás era nada mais que o que se convencionou chamar atualmente de pedófilo: o nome técnico do homem do saco (que nem saco precisa ter, aliás nem homem necessariamente ele é). Na verdade, os homens e mulheres do saco reais são marginais que, preferencialmente, atacam crianças pobres, as menos protegidas, e o que funciona mesmo para combatê-los é a erradicação da pobreza (não com esmolas, mas com desenvolvimento econômico).

Ok, mas passemos agora à “lenda da crise sistêmica”, que señor Rossi encara com ceticismo. Será que é tudo papinho para tomar dinheiro do povo e dar para os banqueiros? Uma manobra sórdida dos capitalistas para manter o proletariado oprimido? Não que essa não seja uma boa idéia, e não duvido que os selvagens de Wall Street não sejam capazes de manobras desse tipo. De qualquer maneira, independente do que terá de ser feito para domar as bestas-feras que eventualmente povoem o mercado financeiro, o fato é que a crise sistêmica já está acontecendo: ninguém confia em ninguém, ninguém empresta para ninguém, ninguém compra, ninguém vende, ninguém produz, ninguém emprega. Isso já aconteceu antes – ex. 1929, 1873… -, e foram necessários cerca de 10 anos para superar as crises sistêmicas passadas. Então, para quê esperar chegar à miséria? Para que mais criancinhas indefesas sejam raptadas pelo homem do saco?

Abaixo, o artigo do CR publicado hoje na Folha:

O “homem do saco” e a crise

Quando do lançamento do Plano Cruzado (1986), o então deputado Antonio Delfim Netto produziu uma daquelas suas corrosivas frases: “Se inflação não tem causa, então o plano dará certo”.
Como inflação tem causas, e como as causas não foram atacadas, o plano malogrou, depois de nove mágicos meses.
A frase de Delfim me volta à mente agora toda vez que leio sobre o tsunami de ajudas que os governos do mundo todo estão concedendo ao setor privado.
Se todos os problemas do mundo pudessem ser resolvidos nessa base, nunca haveria problemas no mundo. Bastaria, como agora, privatizar o dinheiro público e estatizar o risco. Bastaria botar para funcionar as máquinas impressoras das casas da moeda -e pronto, nunca haveria crise.
Mas é como diz clássico refrão da economia que ninguém, a não ser por birra, é capaz de contestar: Não há almoço grátis.
Algum dia, os zilhões de ajuda serão pagos, ou na forma de déficit público cada vez maior, que, por sua vez, tende a gerar inflação, que tende a gerar contração da economia ou desorganização; ou na forma de endividamento desorbitado, que, não custa lembrar, é a causa original da presente crise.
O que torna a situação ainda mais dramática é a pergunta que James Horney, diretor de política fiscal federal do Center on Budget and Policy Priorities, de Washington, fez ao notável Sérgio Dávila: “Qual é a alternativa? Se o governo não se mexer para estimular a economia, o resultado poderá ser pior”.
Quando era criança, me diziam que, se não me comportasse, viria o “homem do saco” e me pegaria. Hoje, vivem me dizendo que, sem esses pacotes todos, vem a “crise sistêmica” e me pega.
Nunca vi o “homem do saco”. Alguém aí paga para ver se a “crise sistêmica” existe?

Templo é dinheiro…

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 26 novembro, 2008

…Ou Iglesia és plata?

iglesiauniversa

Conforme atesta a imagem acima, na Argentina também existe Igreja Universal. Quando estive em Buenos Aires um mês atrás, quase caí de costas quando, ao zapear a TV, dei de cara com o “Fala que eu te escuto” em espanhol, e apresentado por um pastor brasileiro (com um portunhol pior que o meu, a propósito). Já o programa brasileiro parece que está gerando um certo problema interno na TV Record, de acordo com esta nota que saiu no UOL hoje…

Memória, sempre ela

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 26 novembro, 2008

delfim

O Delfim Netto publicou um artigo muito interessante hoje, na Folha. Lendo a primeira vez, parece até que faz sentido, mas o leitor deste portentoso veículo midiático não cairá nesse papinho do gordo (daquele gordo, bem entendido) porque sabe que não é possível fazer qualquer tipo de previsão sobre os desdobramentos da atual crtise econômica (vide esse post de ontem). E também não é tolo para situar a “idade da pedra” há meros 250 anos… De qualquer maneira, é um bom exemplo de como a manipulação de estatísticas constrói um argumento convincente.

Falta de memória

É CADA VEZ mais evidente a enorme disfuncionalidade da excessiva liberdade deixada ao setor financeiro pela política monetária laxista (na teologia moral, “tendência a fugir ao dever e à lei, com base em razões pouco ou mal fundamentadas”) dos Bancos Centrais. Uma das coisas mais surpreendentes é a memória curta dos mercados.
Em janeiro de 2002 (em resposta a uma série de escândalos), o Congresso americano aprovou a lei Sarbanes-Oxley, que fixou normas de proteção aos investidores. Pois bem, apenas três anos depois da lei e quatro anos depois do estouro da “bolha” de ativos (e do escândalo da Enron), o presidente Bush indicou em 2006 para “chairman” da Security and Exchange Commission, Christopher Cox, um congressista conhecido por sua fúria desregulatória. O próprio secretário do Tesouro, Paulson, empossado também em 2006, disse, em seu discurso de posse, que vinha para acabar com todo o resíduo de regulação que entravava a liberdade financeira produtora do desenvolvimento da economia real.
Completava-se, assim, mais um dos ciclos da dialética infernal de laxidão e controle produzidos pelas “bolhas” dos mercados de ativos e as fraudes ínsitas à sua história.
Agora é a vez de o G20 sugerir mais controle. O tempo se encarregará de corroê-lo à medida que a infinita imaginação dos agentes financeiros for descobrindo novos “produtos exóticos” que os Bancos Centrais só entenderão quando ocorrer a próxima crise. Mas por quê? Apenas porque é assim que funciona o sistema que trouxe os homens da Idade da Pedra à Idade da Informática nos últimos 250 anos…
O que talvez interesse agora é tentar adivinhar quanto durará a crise da economia real depois do acerto da economia financeira. A tarefa é impossível, mas o passado talvez nos dê algumas informações.
Se tomarmos a média das sete últimas crises sofridas pela economia dos EUA e fizermos uma uniformização do PIB nos “picos” igual a 100, encontramos que ela se agrava durante os primeiros dois ou três trimestres e inicia uma recuperação entre o quinto e sexto semestre (quando retorna ao “pico” = 100), a partir do qual volta a subir para completar outro ciclo.
Nessas condições, deve-se esperar que a redução da atividade e do emprego na economia mundial prossigam até setembro/outubro de 2009 e se inicie uma volta ao nível de atividade de 2007 que será atingido no segundo semestre de 2010. Esse parece ser o tempo no qual teremos de usar nosso mercado interno com inteligência e ousadia para sustentar um razoável crescimento e o nível de emprego.

Troféu Bambi

Posted in Atualidades, Just for fun by Raul Marinho on 26 novembro, 2008

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Por incrível que pareça, é sério (e não tem nada a ver com o time do São Paulo): trata-se de um prêmio alemão para jovens de sucesso que o Hamilton (piloto da F1 campeão deste ano) acabou de ganhar. Para mais detalhes, leia essa nota aqui.

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