Toca Raul!!! Blog do Raul Marinho

Os BRICS e o jogo

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 30 novembro, 2008

bric2

Hoje, a tradicional crítica ao texto do Clóvis Rossi (na sua coluna da Folha) virá embaixo do texto do próprio autor, para facilitar:

Deixa os RICs p’ra lá

Jim O’Neill, economista da Goldman Sachs, inventou o acrônimo Bric ( Brasil, Rússia, Índia e China), que seriam as potências mundiais em 2020.
Outro dia, O’Neill admitiu ter se equivocado ao fazer outra previsão, a de que haveria o famoso “decoupling” (descasamento) entre os países ricos e os emergentes na crise global. Ora, se foi incapaz de enxergar o que aconteceria meses à frente, quem pode levar a sério uma previsão sua feita para 20 anos à frente, já que o termo Bric foi cunhado em 2001?

Não devemos. Previsão é coisa para pai-de-santo, não para economistas, como cansamos de falar aqui. (Mas, apesar disto ser verdade, o restante do texto não fica automaticamente válido, como veremos).

Quem pode? Fácil de responder: o governo brasileiro, que, todo pimpão, comemorou primeiro uma reunião ministerial dos Brics e, agora, uma futura cúpula.

Agora, o CR já começa a deturpar os fatos… As tais reuniões dos governos não existem para comemorar previsões, mas para deliberar ações e combinar estratégias.

Nada contra reuniões com quem quer seja. Mas é uma imensa bobagem achar que há alguma comunhão entre os quatro países só porque uma entidade financeira com interesses em todos eles viu numa bola de cristal embaçada um grande futuro para o grupo.

Imensa bobagem é achar que combinar ações entre países importantes como os BRIC é superficial, e que os dirigentes dos governos de Brasil, Rússia, Índia e China se juntaram só para debater (comemorar?)as previsões de um banco.

Não há nada em comum, histórica, geográfica, social, cultural e institucionalmente falando, entre os Brics.

E daí? O que importa é que o poder de barganha dos 4 países combinados faz frente aos EUA, à CE e ao japão. O resto é supérfluo.

Pior para o Brasil: é, de todos, o que tem uma situação institucional melhor e mais sólida. Logo, ser apontado como “companheiro” de países com problemas institucionais graves pode não ser um bom negócio.

Interessante que o nobre comuni… quer dizer, colunista, acha super-fófis realizar acordos com a Venezuela e com Cuba que, como todos sabem, são paraísos institucionais.

Sobre a Índia, basta reproduzir editorial de ontem desta Folha: “Violência sectária, conflitos de fronteira, atentados terroristas e assassinatos de políticos marcam os 51 anos de história da Índia independente”.

Se não se pudesse fazer acordos econômicos com países conflituosos, teríamos que riscar os EUA da nossa lista também.

A Rússia é uma ditadura com verniz democrático leve e um ambiente de negócios em que só prosperam os incondicionais do Kremlin.
A China é uma ditadura. Ponto.

Volto ao exemplo venezuelano e de Cuba: aí pode?

Não estou dizendo, claro, que o Brasil é perfeito, mas, se é para andar em companhias de que orgulhar-se, que o seja com modelos mais saudáveis.

Quem é que vai falar pro CR que o acordo é econômico? E que, apesar do termo BRIC ter sido cunhado em um banco, o bloco realmente faz sentido?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: