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O homem do saco

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 27 novembro, 2008

homem-do-saco

Para manter a tradição, vamos à nossa querida crítica ao Clóvis Rossi, que hoje está provocativo: “Alguém aí paga para ver se a “crise sistêmica” existe?” – e a compara ao “homem do saco”, figura supostamente mítica dos antigamentes, um ser que surgia do nada e sequestrava as criancinhas.

Bem… O homem do saco é um fato documentado (vide foto acima) e real – no caso, o pior homem do saco que o país já teve, responsável pela ruína de milhões de criancinhas brasileiras, que não terão um futuro digno porque foram (e estão sendo) educadas na cultura da esmola-família. Mas o homem do saco que aterrorizava os petizes de décadas atrás era nada mais que o que se convencionou chamar atualmente de pedófilo: o nome técnico do homem do saco (que nem saco precisa ter, aliás nem homem necessariamente ele é). Na verdade, os homens e mulheres do saco reais são marginais que, preferencialmente, atacam crianças pobres, as menos protegidas, e o que funciona mesmo para combatê-los é a erradicação da pobreza (não com esmolas, mas com desenvolvimento econômico).

Ok, mas passemos agora à “lenda da crise sistêmica”, que señor Rossi encara com ceticismo. Será que é tudo papinho para tomar dinheiro do povo e dar para os banqueiros? Uma manobra sórdida dos capitalistas para manter o proletariado oprimido? Não que essa não seja uma boa idéia, e não duvido que os selvagens de Wall Street não sejam capazes de manobras desse tipo. De qualquer maneira, independente do que terá de ser feito para domar as bestas-feras que eventualmente povoem o mercado financeiro, o fato é que a crise sistêmica já está acontecendo: ninguém confia em ninguém, ninguém empresta para ninguém, ninguém compra, ninguém vende, ninguém produz, ninguém emprega. Isso já aconteceu antes – ex. 1929, 1873… -, e foram necessários cerca de 10 anos para superar as crises sistêmicas passadas. Então, para quê esperar chegar à miséria? Para que mais criancinhas indefesas sejam raptadas pelo homem do saco?

Abaixo, o artigo do CR publicado hoje na Folha:

O “homem do saco” e a crise

Quando do lançamento do Plano Cruzado (1986), o então deputado Antonio Delfim Netto produziu uma daquelas suas corrosivas frases: “Se inflação não tem causa, então o plano dará certo”.
Como inflação tem causas, e como as causas não foram atacadas, o plano malogrou, depois de nove mágicos meses.
A frase de Delfim me volta à mente agora toda vez que leio sobre o tsunami de ajudas que os governos do mundo todo estão concedendo ao setor privado.
Se todos os problemas do mundo pudessem ser resolvidos nessa base, nunca haveria problemas no mundo. Bastaria, como agora, privatizar o dinheiro público e estatizar o risco. Bastaria botar para funcionar as máquinas impressoras das casas da moeda -e pronto, nunca haveria crise.
Mas é como diz clássico refrão da economia que ninguém, a não ser por birra, é capaz de contestar: Não há almoço grátis.
Algum dia, os zilhões de ajuda serão pagos, ou na forma de déficit público cada vez maior, que, por sua vez, tende a gerar inflação, que tende a gerar contração da economia ou desorganização; ou na forma de endividamento desorbitado, que, não custa lembrar, é a causa original da presente crise.
O que torna a situação ainda mais dramática é a pergunta que James Horney, diretor de política fiscal federal do Center on Budget and Policy Priorities, de Washington, fez ao notável Sérgio Dávila: “Qual é a alternativa? Se o governo não se mexer para estimular a economia, o resultado poderá ser pior”.
Quando era criança, me diziam que, se não me comportasse, viria o “homem do saco” e me pegaria. Hoje, vivem me dizendo que, sem esses pacotes todos, vem a “crise sistêmica” e me pega.
Nunca vi o “homem do saco”. Alguém aí paga para ver se a “crise sistêmica” existe?

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