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Restringir para estimular?

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 8 setembro, 2009

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Lendo o artigo abaixo, do Clóvis Rossi para a Folha de hoje, comecei a refletir como as coisas eram no “meu tempo” – cursei minha faculdade nos anos 1980, numa longínqua era pré-web. Naquela época, a informação só podia ser obtida por meio de livros ou “papers” (apostilas e outros escritos). Conseguir o livro na biblioteca não era fácil (como não é hoje, para os que ainda se aventuram nas selvas de estantes): é difícil de achar os títulos no kardex, é complicado encontrar os exemplares nas estantes, os melhores títulos estavam sempre emprestados, sem contar com a burocracia do empréstimo (a carteirinha tinha que ser renovada todo semestre, se houvesse algum atraso, o aluno ficava suspenso, etc.).  Xerocar “papers” era um pouco mais fácil, mas ainda assim enfrentavam-se filas enormes nos xerox que, ademais, não era barato – e a qualidade, sempre péssima, ilustrações, gráficos, etc, ficavam imprestáveis.

Hoje em dia, consegue-se praticamente qualquer texto com um clique de mouse, sem custo ou por centavos. Fotos, filmes, áudios e demais materiais multimídia estão disponíveis às toneladas. Tá sem tempo/saco de ler? Ouça um áudio-book. Quer saber só o essencial? Wikipedia. Quer se aprofundar? existem centenas de portais acadêmicos com tudo o que você precisa. Um estudante do século XXI tem acesso a muito mais informação que um dos anos 1980, não dá para comparar. Acho que é justamente este o problema.

É da natureza humana desejar o escasso. Você pode não dar a mínima para o chuchu, mas se a manchete dos jornais de amanhã estamparem uma crise de abastecimento do vegetal, é bem provável que você esteja inclinado a comê-lo na primeira oportunidade. O excesso de facilidade na obtenção e o baixo custo de aquisição podem ser os grandes responsáveis pelo desinteresse dos estudantes relatado pelo Clóvis Rossi. Não creio em “cultura do imediatismo”  ou “utilitarismo exacerbado”: essas são características presentes nos jovens de 20 anos atrás. O que mudou mesmo, dos anos 1980 para cá, foi a oferta de informação, não a cabeça do estudante. Talvez a saída seja restringir o acesso à informação como forma de estimular os estudantes de hoje.

A impunidade da ignorância

(Clóvis Rossi para a Folha de hoje)

Pelo choque que me causou, repasso ao leitor o essencial de artigo do escritor espanhol Rafael Argullol para “El País”.

Começa relatando que alguns dos melhores professores universitários espanhóis estão se aposentando “precipitadamente”. Cita dois motivos: “o desinteresse intelectual dos estudantes e a progressiva asfixia burocrática da vida universitária”.

Explico o sentimento de choque: não sei se a situação ocorre também no Brasil, mas sei que o caldo de cultura descrito por Argullol é parecido no Brasil (como, aliás, no resto do mundo).

Os professores, escreve Argullol, “se sentem mais ofendidos pelo desinteresse [dos estudantes] do que pela ignorância”. Acrescenta que um amigo lhe disse que “os estudantes universitários eram o grupo com menos interesse cultural da nossa sociedade, e isso explicava que não lessem a imprensa escrita, a não ser que fosse de graça, que não buscassem livros fora das bibliografias obrigatórias, ou que não assistissem a conferências se não fossem premiados com créditos úteis para serem aprovados”.

É o triunfo do que o escritor chama de “utilitarismo”. Os estudantes são adestrados na “impunidade ante a ignorância”, porque o conhecimento é um “caminho longo e complexo” e perde para o imediatismo da posse instantânea.

Não tenho informações para afirmar se essa situação ocorre também no Brasil. É evidente, em todo o caso, que há ou houve recentemente uma discussão sobre a asfixia burocrática.

Gilberto Dimenstein já comentou, tempos atrás, o fato de que professores de universidades públicas estavam se aposentando cedo e passando ao ensino privado.

O utilitarismo e o predomínio do individual são características contemporâneas globais. Estamos nós também cevando “a impunidade ante a ignorância”?

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Artigo campeão

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 25 maio, 2009

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Nem o Clóvis Rossi, num dia inspirado, conseguiria escrever tanta groselha. Nem o Lula, em cima de um palanque depois de uns aperitivos, falaria tanta barbaridade. Não há livro de auto-ajuda que chegue perto, nem os da linha do “Eram os deuses astronautas“. Diria até que nem eu escrevo tanta bobagem quanto esse frei Leonardo Boff. Perto do artigo abaixo, o famoso discurso do Chefe Seattle é alta literatura.

(Na foto acima, um flagrante do frei refletindo sobre seu próximo texto).

Do blog do Noblat:

A quem pertence a Terra?

No Brasil se discute muito a questão da internacionalização da Amazônia ou a quem pertence essa rica porção do planeta Terra. Sem querer entrar nesta discussão que um dia retomarei, percebo que ela remete a outra ainda mais fundamental: a quem pertence a Terra?

Muitas são as respostas possíveis, algumas verdadeiras, outras insuficientes ou até falsas. Com certa naturalidade poderíamos responder: a Terra pertence aos humanos. Apelamos até à palavra das Escrituras que nos dizem: ”entrego-vos tudo…propagai-vos pela Terra e dominai-a”(Gn 9,3.7). Estranhamente, os humanos irromperam no cenário da evolução quando a Terra estava em 99,98% pronta. Eles não assistiram ao seu nascimento nem ela precisou deles para organizar sua complexidade e biodiversidade. Como pode lhes pertencer? Só a ignorância unida à arrogância os faz pretender a posse da Terra.

Poderíamos ainda responder: a Terra pertence aos seres mais numerosos que a habitam. Então ela pertenceria aos microorganismos – bactérias, fungos, vírus – pois constituem 95% de todos os seres vivos. Segundo o conceituado biólogo E. Wilson um grama de terra contem cerca de 10 bilhões de bactérias de 6 mil espécies diferentes. Imaginemos os quintilhões de quintilhões de micro-organismos que habitam a totalidade dos solos terrestres. Todos estes têm mais direito de posse da Terra do que nós, seja por sua ancestralidade, seja pelo número seja pela função de garantir a vitalidade do planeta.

Ou ela pertence à totalidade dos ecossistemas que servem à comunidade de vida, regulando os climas e a composição fiísico-química do planeta. Esta resposta é boa mas insuficiente porque esquece as relações que a Terra entretém com as energias e os elementos do universo.

Assim, a Terra pertence ao sistema solar que, por sua vez, pertence à nossa galáxia, a Via Láctea que, por fim, pertence ao cosmos. Ela é um momento de um processo evolucionário de 13,7 bilhões de anos.

Mas esta resposta não nos satisfaz pois ela remete a uma pergunta ulterior: e o cosmos a quem pertence? Pertence àquela Energia de fundo, ao Vácuo Quântico, ao Abismo alimentador de todos os seres, à Fonte originária de tudo. Esta é a resposta que os astrofísicos e cosmólogos costumam dar. E é correta. Mas não é ainda a última.

Cabe uma derradeira pergunta: a quem pertence a Energia de fundo do universo? Alguém poderia simplesmente responder: ela não pertence a ninguém, pois pertence a si mesma. Esta resposta é simplesmente uma não-resposta porque nos coloca diante de um muro. Ela nos remete à teologia, a Deus.

Mudando de registro e caindo na nossa realidade cotidiana e brutal dos negócios: a quem pertence a Terra? Ela, na verdade, pertence aos que detém poder, aos que controlam os rmercados, aos que vendem e compram seu chão, seus bens e serviços, água, genes, sementes, órgãos humanos, pessoas feitas também mercadorias. Estes pretendem ser os donos da Terra e dispõem dela como bem entendem.

Mas são donos ridículos pois esquecem que não são donos deles mesmos, nem de sua origem nem de sua morte.

A quem pertence à Terra? Fico com a resposta mais sensata e satisfatória das religiões, bem representadas pela judaico-cristã. Nesta Deus diz: “Minha é a Terra e tudo o que ela contem e vocês são meus hóspedes e inquilinos”(Lv 25,23). Só Deus é senhor da Terra e não passou escritura de posse a ninguém. Nós somos hóspedes temporários e simples cuidadores com a missão de torná-la o que um dia foi: o Jardim do Éden.

Pré visões

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 26 abril, 2009

walter

Desde que esse blog foi lançado, critico as previsões e os previsionistas econômicos. Aliás, critico as previsões meteorológicas e os prognósticos médicos pelo mesmo motivo: nós não desenvolvemos tecnologia adequada para tal até o presente momento, e as ferramentas estatísticas de que dispomos, baseadas na curva normal, são inadequadas para fazer previsões. O mais inteligente que se pode fazer quanto às previsões é assumir humildemente que não há como saber o futuro com um mínimo de confiabilidade. Se você acreditar em astrologia, runas, tarô etc., jogue seus búzios, faça seu mapa astral, leia as borras de café. O resultado será tão bom quanto o do melhor economista ou estatístico.

Na Folha de hoje, o Clóvis Rossi, num raro lampejo de lucidez, questiona o previsionismo do FMI. Vale a pena ler o artigo do CR:

Seis chutes, todos errados

Esta Folha publicou quinta-feira uma tabelinha com as previsões do Fundo Monetário Internacional sobre o desempenho da economia brasileira entre 2003 e 2008. Adivinha quantas vezes o Fundo acertou nesses seis anos? Adivinhou: zero vez. Zero. Nenhumazinha.
Há erros pequenos, como o de 2008: o FMI previu crescimento de 4,8% e deu 5,1%. Há erros colossais, como o de 2003, ano em que o Fundo chutou 2,8% e o crescimento foi de magérrimo 1,1%, bem menos da metade, portanto.
Há erros para menos (a previsão foi inferior ao crescimento efetivamente registrado) e há erros para mais (o chute era mais otimista que a realidade se mostrou).
Esse histórico só reforça uma tese em que venho insistindo inutilmente faz tempo: previsões sobre economia pouco ou nada têm de ciência. Estão bem mais perto de chute pura e simplesmente.
Acho até que vale parafrasear Groucho Marx quando ele diz que “política é a arte de procurar problemas, encontrá-los, diagnosticá-los equivocadamente e, então, aplicar os remédios errados”.
Previsões econômicas também são um pouco assim.
Vamos então a 2008: o Fundo mudou, em abril, a previsão sobre o crescimento do Brasil feita em janeiro. Antes, o Brasil cresceria 1,8%; agora, vai retroceder 1,3%.
Uma mudança de 3,1 pontos percentuais. Em dinheiro, significa que o Brasil “perdeu”, em meros três meses, algo em torno de R$ 102 bilhões, se seu PIB for mesmo de US$ 1,5 trilhão e se se usar a cotação do dólar a R$ 2,2.
Dá para acreditar em tamanha virada? Talvez desse, se tivesse havido um acerto nos anos anteriores, um só que fosse. Mas, ante o retrospecto, se você fosse gerente de banco, emprestaria dinheiro para o Fundo? E você, mortal comum, não acha mais sábio errar por sua própria conta?

RL=C+ΔP

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Nesse post sobre a pós-crise, começamos a falar sobre o problema do consumismo epidêmico (que chamo de boletite), sua relação com a gênese da crise atual, e como fazer para evitar que crises como a que o mundo passa atualmente ocorram novamente. Neste, veremos que tudo se reduz a uma equação bem simplezinha, mais ou menos como a famosa E=m.c² do Einstein, que explicava a relatividade com somente 3 variáveis:

RL=C+ΔP, onde:

*RL: renda líquida auferida em um determinado período;

*C: consumo neste mesmo período; e

*ΔP: aumento ou diminuição da poupança líquida no período (P1-P0)

Ou seja:

Tudo o que uma pessoa obtém de rendimentos em um determinado ano é equivalente ao que essa pessoa consumiu neste mesmo ano mais a variação verificada em seus investimentos (diferença entre os saldos em 01/01 e 31/12 daquele ano). Se eu ganhei $100mil em 2008 e aumentei minha poupança em R$20mil, concluo que meu consumo foi de R$80mil. Simples assim.

Quando o Malloch Brown (vide artigo do Clóvis Rossi no post sobre a pós-crise) fala sobre “uma nova visão de futuro de um mundo menos conduzido pelo consumismo”, isso significa que teremos de encontrar maneiras de diminuir a boletite, a tendência das pessoas a consumir exageradamente. Já se tentou isso antes várias vezes, e nunca se conseguiu muito sucesso, como no malfadado exemplo do comunismo soviético, e no cristianismo. No fim, as pessoas sempre encontram formas de burlar as regras para ostentar um padrão de consumo superior ao dos seus pares, isso é um comportamento esperado para indivíduos da espécie H.sapiens.

Entretanto, se mudarmos a tributação, da renda para o consumo, haverá um forte estímulo para que as pessoas destinem parcelas cada vez maiores de sua renda para a poupança, evitando uma epidemia consumista. Basta manipular a fórmula: se RL=C+ΔP, então C=RLΔP; assim, se a tributação incidir sobre a diferença entre entre a renda e o aumento da poupança, quanto mais se poupar menos imposto se pagará. Esta seria, então, a fórmula mágica do mundo pós-crise.

(Essa não é uma proposta minha, e também não se trata de nenhuma novidade. Ela aparece no capítulo final de “Luxury Fever – Money and happiness in an era of excess” – foto acima, um livro de 1999 do Robert H. Frank).

O pós-crise

Posted in Atualidades, crise financeira by Raul Marinho on 31 março, 2009

economistas-veem-a-sustentabilidade-como-modelo-para-economia-pos-crise

Há um ano, publiquei um artigo no portal administradores.com sobre a boletite, que é o consumismo epidêmico por que passávamos na época, logo antes da crise econômica atual chegar para ficar. Na verdade, o primeiro estágio da crise, o problema dos subprimes, já estava acontecendo, e eu dizia naquele artigo que a sua causa era justamente a boletite que impelia as pessoas a consumir casas cada vez maiores e mais caras.

Alguns meses depois, dei uma palestra sobre o assunto, e propus uma estratégia de combate à boletite baseada numa mudança radical na política tributária das pessoas físicas, hoje focada na renda das pessoas. A idéia é desonerar a parte da renda direcionada à poupança e sobre-onerar a parcela destinada ao consumo, o que faria com que a sociedade ficasse mais saudável em termos econômicos e evitaria a ocorrência de uma corrida consumista insana, a causa original da atual crise econômica. Logo depois, a crise econômica se agravou, o Lula saiu falando para todo mundo comprar TV de plasma a prestação, e ficou impossível continuar com esse debate.

Agora, às vésperas da reunião do G-20, o combate à boletite está voltando ao centro da cena. Veja a coluna do Clóvis Rossi de hoje (logo abaixo). Volto a esse assunto depois.

Além da bruma da crise

Por fim, na vertigem da crise, algumas vozes do establishment começam a olhar além e a tentar adivinhar -ou desejar- como seria o mundo pós-crise.
Uma das vozes atende pelo nome de Luiz Inácio Lula da Silva e diz, em artigo ontem publicado pelo “Le Monde”, que, “mais grave que uma crise econômica, estamos diante de uma crise de civilização. Ela exige novos paradigmas, novos modelos de consumo e novas formas de organização da produção”.
Concorda com ele relatório da Comissão de Desenvolvimento Sustentável, instituto independente de assessoria do governo britânico, que procura separar “prosperidade” de “crescimento”. O texto pede aos governos para “desenvolver um sistema econômico sustentável que não se apoie em um consumo sempre crescente”.
Reforça Malloch Brown, o principal negociador britânico para a cúpula do G20: “Veremos [após a crise] uma recalibrada no estilo de vida, toda uma nova visão de futuro de um mundo menos conduzido pelo consumismo, talvez com o acréscimo de um mundo no qual o poder tenha sido algo mais bem distribuído”.
Fecha o circuito Pascal Lamy, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio e um funcionário internacional ao qual se é obrigado a prestar atenção pela qualidade de suas análises: “O modelo de capitalismo que conhecemos nos últimos 50 anos não se sustenta. A questão fundamental é saber se há que readaptar, arrumar ou reformar o capitalismo ou se é preciso ir além, ser mais profundo nas mudanças e ir mais fundo nos retoques”. Completa: “Creio que não temos que nos satisfazer intelectualmente com o horizonte atual do capitalismo”.
Bem-vindos todos ao clube do “outro mundo é possível”. Mas palavras só não bastam. Vocês que são todos “insiders”, que tal reconstruir a civilização?

O Brasil não tem subprimes

Posted in Atualidades, credito, crise de credito, crise financeira by Raul Marinho on 26 fevereiro, 2009

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Fazia tempo que não criticava um artigo do Clóvis Rossi aqui no blog, estava tentando parar com esse vício, mas hoje o czar opinativo da Folha incorporou o Chacrinha (aquele que veio para confundir, não para explicar), e não deu para ficar quieto – aliás, sempre baixa o santo do Velho Guerreiro no CR quando ele tenta explicar a crise econômica. Segue o artigo e, em seguida, meus comentários:

Também temos subprimes

SÃO PAULO – Demorou mas surgiram os nossos “subprimes”, vítimas da incapacidade de pagarem seus automóveis.
É a diferença de escala entre a economia norte-americana e a brasileira: lá, o pessoal perde casas, um bem de muito maior valor.
Cessa aí, no entanto, a comparação. Os automóveis recuperados pelos bancos não têm, por trás, um rolo de ativos ditos tóxicos como os que caracterizaram a crise norte-americana das hipotecas “subprime” nem um volume tão formidável (pelo menos até agora).
Mas nem por isso o problema do crédito ou, mais exatamente, da falta dele e/ou de seu encarecimento deixa de ser sério, a julgar pelo que escreve Roberto Luis Troster para o mais recente boletim da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP: “Uma deterioração do crédito era esperada por conta da piora do quadro econômico, mas não na proporção que está acontecendo, especialmente para os microempresários e para as pessoas físicas de renda média e baixa. A cada mês que passa, as taxas dos financiamentos aumentam, sua composição deteriora-se e a inadimplência sobe.”
O economista dá números que ajudam a entender a inadimplência e a consequente retomada dos automóveis: são os pequenos tomadores os mais afetados, conforme relatório do Banco Central que mostra que aumentou 5,1% o volume de operações acima de R$ 10 milhões, mas diminuiu 2,7% no caso das inferiores a R$ 5.000.
Ou, pondo no estilo Elio Gaspari: o andar de cima ainda se financia, mas o andar de baixo é cada vez mais “subprime”.
PS – Cometi ontem um erro brutal. Escrevi: “[Os mercados] insistem em socializar o risco e privatizar o prejuízo”. É óbvio que deveria ter escrito “…privatizar o lucro”, como o fiz já várias vezes. Perdão.

Comento:

Em primeiro lugar: nós não temos subprimes. Dizer isso é alarmismo inconsequente, os carros financiados não tem nada a ver com os subprimes hipotecários estadunidenses. Lá, o cara comprava uma casa financiada por US$100mil, não pagava, a casa era reavaliada para US$150mil, o “ganho imobiliário” quitava as prestações atrasadas, o refinanciamento não era pago de novo, a casa era re-reavaliada para US$300mil, o cara não pagava mais uma vez, e a coisa ia assim, indefinidamente. No fim da história, havia imóveis milionários com financiamentos idem, ambos fictícios. Essa foi a “crise dos subprimes”, o primeiro estágio da crise econômica global em curso (depois, vieram as crises das commodities, dos derivativos, dos bancos, do consumo, e a crise de confiança, o lamaçal em que os EUA estão nesse momento). No Brasil, o que está ocorrendo é que tem muita gente que não consegue pagar a prestação do carro e acaba tendo que entregar o veículo para a financeira/banco/leasing. Esse carro não foi superavaliado, muito embora seu valor tenha sido reduzido por uma questão de mercado. A maior parte da dívida correspondente ao financiamento de veículos no Brasil está nos FIDCs (fundos de investimento em direito de crédito), que não podem realizar operações de derivativos, que turbinaram as perdas nos EUA. Resumindo: o título e o primeiro parágrafo do artigo do CR são sensasionalistas e profundamente errados.

Mas aí vem o mestre da ambiguidade e escreve um segundo parágrafo desdizendo o que inicialmente disse, um truque comum deste colunista. Fala que não temos “ativos tóxicos” e que os volumes brasileiros são bem menores que os estadunidenses… Então por que a manchete sensacionalista, señor Rossi??? Mas a artimanha é muito mais elaborada, pois ele continua o artigo desdizendo o que desdisse, e retornando ao terrorismo econômico (e saidno completamente do assunto original, os subprimes brasileiros), como veremos.

A citação e os números estão certos, só que faltou explicá-los de maneira adequada. O aumento do crédito para as grandes corporações decorre da escassez de linhas externas, não um aumento da demanda real desse segmento.  Ora, se um banco direciona bilhões adicionais para empréstimos ao segmento corporativo, ele vai ficar com menos disponibilidade para emprestar para os outros segmentos, essa é a causa primeira da redução do crédito para os pequenos empresários e as pessoas físicas. Ora, e se a oferta de crédito para os pequenos diminui, quem “está na bicicleta” (refinanciando dívidas antigas e empurrando o débito com a barriga) acaba explodindo, daí o aumento na inadimplência. É um problema grave, mas nada a ver com os supostos subprimes brasileiros, de que o artigo supostamente trata. O Brasil não é imune à crise e temos nossos problemas, mas que fique bem claro: nós não temos subprimes!!!

Bola dentro!

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 12 dezembro, 2008

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Pela 2a vez na semana, o Clóvis Rossi dá uma bola dentro – o que faz desta, uma das melhores em desempenho do colunista da Folha nos últimos 10 anos, pelo menos (de acordo com a memória do editor deste blog, que também não é aquela beleza toda). Bem, resumindo: o artigo de hoje (abaixo copiado) vale a pena ser lido. (Somente uma correção: a rigor, nem o Meirelles nem o Lula têm autonomia plena para ditar a taxa Selic, que é definida por um comitê com poderes para tal, o COPOM).

Quem preside, Lula ou Meirelles?

De Luiz Inácio Lula da Silva, em mais uma das cerimônias-comício em que é especializado, no dia 2, em Recife: “Todo mundo sabe que temos uma taxa de juros acima daquilo que o bom senso indica que deveríamos ter”.
Cabe explicar ao leitor distraído que Luiz Inácio Lula da Silva vem a ser o presidente da República, eleito em 2002 e reeleito em 2006.
Nessa condição, cabe a ele indicar todos os ministros e também o presidente do Banco Central, a instituição que estabelece a taxa de juros que está “acima daquilo que o bom senso indica”.
Em um país normal, quem faz o que o chefe acha “insensatez” é demitido liminarmente, sem direito a indenização.
Aliás, esta Folha publica mensalmente, faz um bocado de tempo, um texto que, com pequenas variações, afirma que “Lula pressiona Banco Central por queda na taxa de juros” (foi o título mais recente da série, dia 4). Periodicamente, o BC dá uma solene banana às “pressões” de Lula -e não acontece nada. Nem Lula renuncia por ser desautorizado por um subordinado, nem demite o presidente do banco.
Ainda por cima, vem a corrente majoritária do PT, supostamente o partido do governo, e ataca frontalmente o BC como “último bastião da ortodoxia”, como se o presidente do BC tivesse dado um golpe e se sentado na marra na cadeira, em vez de ter sido nomeado por Lula (aliás presidente de honra do PT) e por ele mantido no cargo por seis anos, mesmo sendo supostamente tão desobediente e “insensato”.
Seria tudo muito ridículo não fosse o seguinte fato da vida: Lula terceirizou a política econômica para Meirelles, que faz o que bem entende com os juros. Foi a maneira que encontrou de acalmar as piranhas do mercado financeiro, as únicas que podem desestabilizar um governo que não lhes dê o sangue que pedem insaciavelmente.

Não se pode elogiar

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 11 dezembro, 2008

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Foi só elogiar o Clóvis Rossi ontem que ele dá sua maior derrapada no dia seguinte… Não vou nem criticar (me dá desânimo ante a mediocridade dos comentários), só reproduzir:

O velhinho da Barão de Limeira

Se morreu a “velhinha de Taubaté”, me assumo como o velhinho da Barão de Limeira (a sede da Folha, para quem não sabe). Explico: eu acredito no presidente Lula. Ou melhor, não acredito nem nunca acreditei em presidente nenhum, nacional ou estrangeiro. Mas sou tonto o suficiente para acreditar na pregação de Lula segundo a qual o Brasil não será muito machucado pela crise.
Explico melhor: não acredito em retração no trimestre final do ano (2009, é outra história, a ser contada depois), ao contrário do que prevêem consultorias que falam em queda de até 1,3%. Minha credulidade não se baseia em ciência (até porque economia não é ciência; vide, a propósito, o artigo de ontem de Delfim Netto).
Baseia-se, primeiro, nos erros que as consultorias cometem o tempo todo. O caso do PIB é apenas o mais recente: o consenso de mercado era de crescimento de apenas 6%. Deu 6,8%, um erro, portanto, superior a 10%, que deveria desqualificar quem errou para o resto da vida.
Baseia-se também numa certa lógica, tosca, mas lógica. Não dá para acreditar que o país passe de um crescimento tão bacana para retrocesso. Que haverá desaceleração, é óbvio. Eu mesmo, bobinho como sou, já mencionei a hipótese de freada, mais que desaceleração.
Mas o que se está prevendo agora não é freada, e sim cavalo-de-pau, hipótese não autorizada nem pelos números ruins já divulgados.
Por fim, meus termômetros usuais (de novo, nada científicos) são o shopping em cujo banco tenho conta há 30 anos, o que me obriga a freqüentá-lo regularmente, e o supermercado da esquina. O ambiente que se respira em um e no outro não é de catástrofe. Diria até que é de “business as usual”.
Posso estar completamente enganado, mas acho melhor me equivocar sozinho do que na companhia de quem erra habitualmente.

Reconhecimento público

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 10 dezembro, 2008

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Este blog é arena de constantes críticas a vários colunistas da imprensa, principalmente os da Folha de São Paulo e, em particular, os srs. Clóvis Rossi e Antonio Delfim Netto. Hoje, porém, os dois foram muito felizes em seus respectivos textos, razão pela qual dou a mão à palmatória. Abaix, suas respectivas colunas de hoje, com as quais concordo integralmente:

CLÓVIS ROSSI

O G8, o cafezinho e o Brasil

Durante a reunião ministerial do G20 em São Paulo, faz um mês, o ministro Guido Mantega disse que o Brasil não queria mais participar do G8 só para “tomar cafezinho”. Era uma alusão ao fato de que nas mais recentes cúpulas do grupo dos sete países mais ricos do mundo e a Rússia passaram a participar também o que o jargão diplomático batizou de “outreach countries” (em tradução absolutamente livre, a periferia, formada, no caso, por Brasil, Índia, China, África do Sul e México).
Acontece que a periferia só é chamada, como diz Mantega, para o cafezinho. Ou seja, entra nos salões da nobreza no dia seguinte, depois que o G8 propriamente já almoçou e jantou toda a agenda e já emitiu o documento final.
Para o ano que vem, o anfitrião (Silvio Berlusconi, premiê italiano) já anunciou um novo formato: continua, no primeiro dia, a reunião só do G8, mas, no dia seguinte, a periferia entra e fica o dia todo reunida com os grandes (Berlusconi incluiu o Egito entre os “outreach countries”). No terceiro dia, entram os africanos e, acha Berlusconi, forma-se um G20.
É o típico jogo lampedusiano de mudar tudo para que tudo fique igual. Quando Mantega se queixa de que o Brasil não quer só o cafezinho, não está, como é óbvio, se referindo a refeições, mas a jogar o jogo desde o início.
Depois de duas cúpulas do G20 (em novembro, em Washington, e no próximo abril, em Londres), não faz sentido o G8 continuar como um clube exclusivo, até porque a sua única agenda é a crise global, de cuja discussão não podem ser excluídos os grandes emergentes.
Aceitar esse formato equivale a aceitar que o G20 tenha a função de “legitimar as iniciativas do G8”, como aponta Xaiojin Chen, do Instituto de Tecnologia e Economia Internacional da China.
Ou tomar só o cafezinho -e frio, ainda por cima.

ANTONIO DELFIM NETTO

– 0,25%, por favor

O EXTRAORDINÁRIO apoio da população brasileira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, registrado pela pesquisa Datafolha da semana passada, é o reconhecimento de que sua reação intuitiva à catástrofe mundial é mais confortadora e, no fundo, mais adequada do que o “realismo terrorista” proposto por alguns sábios. Certamente não é uma “marolinha”. Mas por que o Brasil precisa sofrer, necessariamente, um “tsunami” devastador?
É hora de os economistas reconhecerem e aceitarem com humildade: 1º) que o bacilo produtor desta crise foi cuidadosamente criado e cultivado nos laboratórios de uma pseudociência -parte da economia-financeira-, com sua pretensão de que tinha “descoberto” modelos estocásticos capazes de precificar qualquer risco; 2º) que sua disseminação foi feita pelos perversos incentivos apropriados pelos que vendiam tal “ciência” graças à confiança que os compradores de papéis (o aplicador, o chamado “principal”) depositavam nos vendedores (o banco de investimento, o chamado “agente”) e 3º) que os Bancos Centrais do mundo (nos quais o “principal” depositava sua confiança na fiscalização do “agente”) surfaram alegremente a onda de liqüidez que ajudaram a criar com sua política monetária laxista e sua falta de fiscalização das possíveis conseqüências dos “novos” produtos. Nisto foram acompanhados pelas agências de risco e pelos auditores privados.
A conseqüência deste triste diagnóstico é que nem a política monetária nem a política fiscal podem alterar a situação enquanto não se restabelecer o fator catalítico que sustenta o funcionamento dos mercados: a confiança.
Manter a liqüidez do sistema financeiro é importante, mas ela não leva ninguém a tomar emprestado (o consumidor ou investidor) ou a emprestar (a instituição financeira): todos sabem que se pode levar o burro à fonte, mas não se pode obrigá-lo a beber. Manter uma política fiscal que sustente os investimentos públicos e reduza a carga tributária é importante, mas incapaz de estimular o investidor privado ou o consumidor a abdicarem da sua liqüidez enquanto não acreditarem que haverá demanda e emprego no futuro.
É hora de reconhecer que a política econômica teve responsabilidade pela crise, mas que, por si mesma, ela é incapaz de resolvê-la, uma vez que sua causa fundamental está fora da economia. Trata-se de restabelecer a confiança da sociedade no funcionamento dos mercados para que as políticas monetária e fiscal possam voltar a funcionar. É por isso que uma redução da taxa Selic de 0,25% seria psicologicamente importante. E tecnicamente recomendável.

Esses blogueiros anônimos pervertidos…

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 9 dezembro, 2008

anonimo

O velho jornalista que habita a Folha de São Paulo acordou mais ranzinza do que nunca. Agora, sua ira recai sobre a blogolândia/twitterlândia, que ele entende inimigo mortal do “jornalismo de verdade” (ou seja: o único possível, o que ele faz). Se você não tiver absolutamente mais nada para fazer, leia a coluna de hoje do señor Rossi, abaixo, e entenda o que estou dizendo.

Quando o erro é anônimo

A “Tribune”, que edita, entre outros, os jornais “Chicago Tribune” e “Los Angeles Times”, está na iminência da bancarrota. Já o “New York Times”, que é um pouco sinônimo de grande jornal, vai hipotecar sua sede para obter liqüidez.
São notícias que levarão água para o moinho dos que acreditam que o jornal em papel está condenado à morte -e eventualmente súbita.
Calma. Só parte das dificuldades dessas empresas está de fato vinculada à queda na vendagem e, principalmente, na receita publicitária, fenômeno mais agudo nos Estados Unidos e em países europeus do que nos chamados mercados emergentes, Brasil inclusive.
Mais calma ainda nos festejos pela substituição do papel pelos “blogs”, “twitters” e demais bossas da informação on-line ou por telefone. Democratiza mais a informação? Sim. Melhora a sua qualidade? Não necessariamente.
Os “twitters”, aquelas mensagens curtas enviadas pelo celular, chegaram a ser celebrados como principal fonte de informação, por exemplo, no caso dos atentados em Mumbai, na Índia.
Agora, a BBC acaba de se desculpar por ter sido descuidada em usar um rumor (que se revelou falso) difundido via “twitter”. “Deveríamos ter checado antes e só divulgado depois, se confirmada a informação” (o que não aconteceria), admite o editor Steve Herrmann.
O leitor, se consulta regularmente a internet, sabe que se trata de território livre para boato, informação interessada, lobbies nem sempre honestos nem legítimos, fantasias, teorias malucas ou venenosas etc. etc. etc.
Não que os jornais sejam santos ou perfeitos. Mas, em caso de erro, o leitor sabe a quem reclamar, pois tem o endereço, o telefone, o CNPJ, o e-mail, o ombudsman. Nos “twitters” da vida e seus parentes, o erro é anônimo.
Pior para o leitor.

Agora, como de praxe, meus comentários (hoje, só três, porque estopu com pressa):

1)A crise por que passam os citados jornais estadunidenses tem muito mais a ver com a recessão e questões administrativas do que a concorrência  dos blogs anônimos. A mídia eletrônica (vide este afamado blog) está presente em todo o mundo, mas só existem alguns casos isolados (e todos nos EUA) de bancarrota iminente. Por que será?

2)Blogs erram? Sim. Blogs erram mais que os jornais? Aí já não sei responder. Endereço, telefone, CNPJ, e-mail, ombudsman resolve alguma coisa? Tá de sacanagem, né CR!!!???

3)”Território livre para boato, informação interessada, lobbies nem sempre honestos nem legítimos, fantasias, teorias malucas ou venenosas etc. etc. etc.” é, na minha opinião, a descrição precisa da coluna do Clóvis Rossi na Folha.

(Na foto acima, um flagrante do editor deste informativo midiático no momento em que se preparava para mais uma calúnia ao “jornalismo sério”).

Os BRICS e o jogo

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 30 novembro, 2008

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Hoje, a tradicional crítica ao texto do Clóvis Rossi (na sua coluna da Folha) virá embaixo do texto do próprio autor, para facilitar:

Deixa os RICs p’ra lá

Jim O’Neill, economista da Goldman Sachs, inventou o acrônimo Bric ( Brasil, Rússia, Índia e China), que seriam as potências mundiais em 2020.
Outro dia, O’Neill admitiu ter se equivocado ao fazer outra previsão, a de que haveria o famoso “decoupling” (descasamento) entre os países ricos e os emergentes na crise global. Ora, se foi incapaz de enxergar o que aconteceria meses à frente, quem pode levar a sério uma previsão sua feita para 20 anos à frente, já que o termo Bric foi cunhado em 2001?

Não devemos. Previsão é coisa para pai-de-santo, não para economistas, como cansamos de falar aqui. (Mas, apesar disto ser verdade, o restante do texto não fica automaticamente válido, como veremos).

Quem pode? Fácil de responder: o governo brasileiro, que, todo pimpão, comemorou primeiro uma reunião ministerial dos Brics e, agora, uma futura cúpula.

Agora, o CR já começa a deturpar os fatos… As tais reuniões dos governos não existem para comemorar previsões, mas para deliberar ações e combinar estratégias.

Nada contra reuniões com quem quer seja. Mas é uma imensa bobagem achar que há alguma comunhão entre os quatro países só porque uma entidade financeira com interesses em todos eles viu numa bola de cristal embaçada um grande futuro para o grupo.

Imensa bobagem é achar que combinar ações entre países importantes como os BRIC é superficial, e que os dirigentes dos governos de Brasil, Rússia, Índia e China se juntaram só para debater (comemorar?)as previsões de um banco.

Não há nada em comum, histórica, geográfica, social, cultural e institucionalmente falando, entre os Brics.

E daí? O que importa é que o poder de barganha dos 4 países combinados faz frente aos EUA, à CE e ao japão. O resto é supérfluo.

Pior para o Brasil: é, de todos, o que tem uma situação institucional melhor e mais sólida. Logo, ser apontado como “companheiro” de países com problemas institucionais graves pode não ser um bom negócio.

Interessante que o nobre comuni… quer dizer, colunista, acha super-fófis realizar acordos com a Venezuela e com Cuba que, como todos sabem, são paraísos institucionais.

Sobre a Índia, basta reproduzir editorial de ontem desta Folha: “Violência sectária, conflitos de fronteira, atentados terroristas e assassinatos de políticos marcam os 51 anos de história da Índia independente”.

Se não se pudesse fazer acordos econômicos com países conflituosos, teríamos que riscar os EUA da nossa lista também.

A Rússia é uma ditadura com verniz democrático leve e um ambiente de negócios em que só prosperam os incondicionais do Kremlin.
A China é uma ditadura. Ponto.

Volto ao exemplo venezuelano e de Cuba: aí pode?

Não estou dizendo, claro, que o Brasil é perfeito, mas, se é para andar em companhias de que orgulhar-se, que o seja com modelos mais saudáveis.

Quem é que vai falar pro CR que o acordo é econômico? E que, apesar do termo BRIC ter sido cunhado em um banco, o bloco realmente faz sentido?

O homem do saco

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 27 novembro, 2008

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Para manter a tradição, vamos à nossa querida crítica ao Clóvis Rossi, que hoje está provocativo: “Alguém aí paga para ver se a “crise sistêmica” existe?” – e a compara ao “homem do saco”, figura supostamente mítica dos antigamentes, um ser que surgia do nada e sequestrava as criancinhas.

Bem… O homem do saco é um fato documentado (vide foto acima) e real – no caso, o pior homem do saco que o país já teve, responsável pela ruína de milhões de criancinhas brasileiras, que não terão um futuro digno porque foram (e estão sendo) educadas na cultura da esmola-família. Mas o homem do saco que aterrorizava os petizes de décadas atrás era nada mais que o que se convencionou chamar atualmente de pedófilo: o nome técnico do homem do saco (que nem saco precisa ter, aliás nem homem necessariamente ele é). Na verdade, os homens e mulheres do saco reais são marginais que, preferencialmente, atacam crianças pobres, as menos protegidas, e o que funciona mesmo para combatê-los é a erradicação da pobreza (não com esmolas, mas com desenvolvimento econômico).

Ok, mas passemos agora à “lenda da crise sistêmica”, que señor Rossi encara com ceticismo. Será que é tudo papinho para tomar dinheiro do povo e dar para os banqueiros? Uma manobra sórdida dos capitalistas para manter o proletariado oprimido? Não que essa não seja uma boa idéia, e não duvido que os selvagens de Wall Street não sejam capazes de manobras desse tipo. De qualquer maneira, independente do que terá de ser feito para domar as bestas-feras que eventualmente povoem o mercado financeiro, o fato é que a crise sistêmica já está acontecendo: ninguém confia em ninguém, ninguém empresta para ninguém, ninguém compra, ninguém vende, ninguém produz, ninguém emprega. Isso já aconteceu antes – ex. 1929, 1873… -, e foram necessários cerca de 10 anos para superar as crises sistêmicas passadas. Então, para quê esperar chegar à miséria? Para que mais criancinhas indefesas sejam raptadas pelo homem do saco?

Abaixo, o artigo do CR publicado hoje na Folha:

O “homem do saco” e a crise

Quando do lançamento do Plano Cruzado (1986), o então deputado Antonio Delfim Netto produziu uma daquelas suas corrosivas frases: “Se inflação não tem causa, então o plano dará certo”.
Como inflação tem causas, e como as causas não foram atacadas, o plano malogrou, depois de nove mágicos meses.
A frase de Delfim me volta à mente agora toda vez que leio sobre o tsunami de ajudas que os governos do mundo todo estão concedendo ao setor privado.
Se todos os problemas do mundo pudessem ser resolvidos nessa base, nunca haveria problemas no mundo. Bastaria, como agora, privatizar o dinheiro público e estatizar o risco. Bastaria botar para funcionar as máquinas impressoras das casas da moeda -e pronto, nunca haveria crise.
Mas é como diz clássico refrão da economia que ninguém, a não ser por birra, é capaz de contestar: Não há almoço grátis.
Algum dia, os zilhões de ajuda serão pagos, ou na forma de déficit público cada vez maior, que, por sua vez, tende a gerar inflação, que tende a gerar contração da economia ou desorganização; ou na forma de endividamento desorbitado, que, não custa lembrar, é a causa original da presente crise.
O que torna a situação ainda mais dramática é a pergunta que James Horney, diretor de política fiscal federal do Center on Budget and Policy Priorities, de Washington, fez ao notável Sérgio Dávila: “Qual é a alternativa? Se o governo não se mexer para estimular a economia, o resultado poderá ser pior”.
Quando era criança, me diziam que, se não me comportasse, viria o “homem do saco” e me pegaria. Hoje, vivem me dizendo que, sem esses pacotes todos, vem a “crise sistêmica” e me pega.
Nunca vi o “homem do saco”. Alguém aí paga para ver se a “crise sistêmica” existe?

A memória do Clóvis Rossi

Posted in Atualidades, Ensaios de minha lavra by Raul Marinho on 25 novembro, 2008

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Agora virou vício; não consigo mais parar de meter o pau no Clóvis Rossi. Tanto que já estou escrevendo posts antecipando as besteiras futuras do czar da Folha, só para poder falar “não disse!!!???” com mais gosto. Os 14 leitores habituais deste blog devem ter lido esse post aqui, onde falo que o Citibank passou por uma crise tão grave quanto a atual 20 anos atrás. Naquela época, o Citi estava sob intervenção branca do FED, e só não quebrou porque um príncipe árabe investiu uma montanha de dinheiro no banco, salvando-o da morte certa. Minha memória não é nenhuma Brastemp, mas trabalhava no Citibank naquela época, por isso lembro certinho dos detalhes.

Na sua coluna de hoje, entretanto, señor Rossi se vangloria de sua privilegiada memória para afirmar que, olha só, como é que pode o imbatível, indestrutível e imaculado Citibank precisar de ajuda do governo para não quebrar? Logo ele, um banco que nunca precisou de ajuda de ninguém e blá blá blá… Tome desinformação!!! Não só o Citi quase faliu 20 anos atrás, como o Citibank de hoje não é, de fato, o Citibank original, após a fusão com o Travelers no final dos anos 1990 (que era maior que ele; logo, o Citi atual é mais um sucessor do Travelers do que qualquer outra coisa). E, para completar, o slogan “The Citi never sleeps” não foi encampado pela cidade de Nova York; foi o Frank Sinatra, com a música New York New York que inventou o mote, depois adotado pela cidade e pelo banco (este último, como uma paródia).

Para quem quiser conferir mais esse mau exemplo de jornalismo, segue o artigo original abaixo (com piadinhas e trocadilhos com o futebol, bem ao estilo Marolinha):

Memórias que nunca dormem

Até anteontem, só uma coisa me surpreenderia mais do que alguém me dizer que o Citibank poderia quebrar: se alguém me dissesse que o São Paulo poderia, algum dia, cair para a segunda divisão. Não que não seja desejável (a queda do São Paulo), mas a suposição é absurdamente irrealista.
Como era a quebra do Citibank, que, no entanto, só não aconteceu porque o governo deu uma ajudazinha de US$ 20 bilhões (o suficiente para comprar 40 mil mansões de quatro dormitórios e 788 metros quadrados de área total no Morumbi, conforme anúncio de ontem de uma grande corretora).
Fora a garantia descomunal para papéis que podem ser “tóxicos”.
Pelo menos na minha memória, o Citi era, na área financeira, o equivalente ao São Paulo de hoje no futebol: forte, campeão sucessivas vezes, modelo. Mas era também mais arrogante do que os são-paulinos, pelo menos os que conheço mais de perto.
Bill Rhodes, um dos principais executivos do banco desde que minha memória alcança (e olha que alcança longe), era o verdadeiro “Mestre do Universo” na negociação da dívida externa dos países latino-americanos nos anos 80, Brasil incluído. Passava sermão em ministro atrás de ministro, ditava regras, era, a rigor, até mais importante do que o secretário do Tesouro da época ou o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (se não era mais importante, parecia ser).
O Citi era tão influente que um slogan seu (“The Citi never sleeps” ou o Citi nunca dorme) foi encampado pela cidade de Nova York, que geralmente exporta slogans/modismos em vez de importá-los.
Pois é, o Citi dormiu e foi até a beira do precipício. E o foi justamente depois que muita gente boa dizia que passara o pior da crise no setor financeiro. Se é assim, ninguém mais pode ser dado como seguro. Nem o São Paulo, espero.

Prefiro o Alcides Amaral

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 21 novembro, 2008

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Na foto acima, a imagem de HAL, o computador que comanda a nave interestelar de 2001, Uma Odisséia no Espaço, conforme aparece no filme (sim, na maior parte do tempo, o que se vê é somente essa luz vermelha). Na atual crise econômica mundial, a maior parte do jornalismo econômico dá a entender que os gigantes da indústria financeira que estão falindo são comandados por clones do HAL, máquinas de gestão não-humanas com luzes vermelhas no lugar de cérebros. Quase ninguém fala sobre os gestores de carne e osso que estão por trás das falcatruas, eles sim o foco do problema.

Hoje, na Folha, porém, o Clóvis Rossi dá uma bola dentro (evento raríssimo, que merece comemoração, aliás) ao falar disso em seu artigo “Prefiro os piratas da Somália”, que os assinantes podem encontrar aqui. Não vou copiá-lo porque, há mais de 2 meses, o Alcides Amaral (jornalista de formação e ex-presidente do Citi) publicou um artigo muito melhor sobre o mesmo tema, que merece mais destaque. Abaixo o artigo publicado em 18/09 deste ano:

O fator humano na crise americana

O estouro da bolha imobiliária americana gerou prejuízos enormes para os bancos dos países ricos. Os americanos, especialmente Citigroup e Merrill Lynch, e o UBS (suíço), foram aqueles que até agora registraram as maiores perdas – todas superiores a US$ 35 bilhões – e, o pior, não vai parar por aí. Estimava-se pessimistamente que a provisão global dos bancos com o estouro da bolha, que ficou mais conhecida como a crise do subprime, seria de US$ 500 bilhões, e hoje já há quem multiplique por três ou por quatro esse valor face ao alastramento dos problemas, atingindo moradias de maior valor, cartões de crédito, empréstimos pessoais etc. Foi um gigantesco castelo de cartas que desmoronou, pegou a todos de surpresa pelas cifras envolvidas e não há dúvida de que o sistema financeiro do Primeiro Mundo será, doravante, bem diferente.
Pois bem, esse é o lado financeiro da crise que mais preocupa a mídia e os analistas. Pouco ou nada se falou, até agora, do “fator humano” da crise, onde milhões perderam e alguns milhares ganharam.
Inicialmente, é bom que se diga que nunca na história do sistema financeiro internacional se viu tanta incompetência ao mesmo tempo. O Fed , que tem como uma das suas principais funções fiscalizar os bancos, não viu a bolha crescer e, depois que ela estourou, não teve alternativa que não despejar bilhões de dólares para dar liquidez ao sistema e segurar os grandes bancos comerciais e de investimento dos EUA. Como dizem os amigos do Tio Sam, esses bancos – Citi, Merrill Lynch etc – são “too big to fail”. Portanto, falha imperdoável de análise dos técnicos do Fed, que por certo ganharam atrativos bônus antes da bolha estourar.
As companhias de ratings também não foram capazes de enxergar um palmo à frente do nariz nas suas análises. Com ratings de investment grade, motivaram muitos a comprarem tais papéis lastreados em hipotecas de pessoas das classes C e D. Também ganharam seus polpudos bônus e agora assistem tranqüilos o castelo de cartas desmoronar.
Nos bancos, as coisas não foram diferentes. Cada um deles possui auditoria interna independente que verifica periodicamente a qualidade da carteira de crédito da sua instituição. Também foram envolvidos pela euforia global, receberam seus bônus e os seus bancos estão hoje tendo que amargar pesadas perdas por mais essa prova de incompetência.
Como podemos verificar , em termos de supervisão, houve uma falha coletiva que levou o americano a pensar que se tornara rico da noite para o dia. Conversando com um motorista de táxi em Nova York, no outono de 2006, perguntei a ele se não estava preocupado com a valorização – que a mim já parecia excessiva – dos imóveis nos Estados Unidos. Respondeu-me que sim, que comprou sua casa financiada por US$ 300 mil e que, naquele momento , valia US$ 700 mil. Acreditava que um ajuste iria ocorrer, e que o preço de sua moradia iria cair para uns US$ 500 mil. Hoje, infelizmente, deve ser um daqueles que está “sem teto”, devido à queda do valor dos imóveis e à completa falta de liquidez. Assim como esse motorista, milhões de americanos de baixo poder aquisitivo viram seu sonho de possuir sua casa própria (juro atraente e prazos de até 30 anos) transformar-se em pesadelo.
Não bastasse, a ânsia de ganhar dinheiro mais rápido fez com que milhões de americanos fossem aos seus bancos e tomassem a segunda e, depois, a terceira hipoteca sobre o mesmo imóvel, para comprar casa na praia, mobiliário novo, viajar, etc. E, assim, os bancos aumentaram suas carteiras de crédito de forma agressiva, o que, na teoria, geraria muito mais lucro nos anos seguintes. Esses gerentes também ganharam seus polpudos bônus e, por tabela, toda sua linha de supervisão até chegar ao chairman da instituição financeira. Lucros gigantescos – até aquele momento -, bônus igualmente gigantescos.
O que a crise imobiliária evidenciou claramente é que a “filosofia do bônus” imperou de forma irresponsável por todo o sistema financeiro. Bônus de milhões de dólares para aqueles “mágicos” que estavam gerando a expectativa de lucros fabulosos para suas instituições. Esse foi o grande mal do sistema, pois o bônus passou a ser muito mais importante do que o salário. Estruturas criativas são elaboradas, bilhões de dólares são teoricamente gerados e, da noite para o dia, milhares de jovens executivos e seus ausentes superiores tornam-se milionários.
Enquanto isso, o “povão” – que existe também por lá, não só por aqui – perdeu tudo o que tinha, pois acreditou no milagre da casa própria. Como o ex-famoso Greenspan baixou a taxa de juro para 1% ao ano , todos voltaram-se para o mercado imobiliário, pois os investimentos financeiros pouco rendiam.
O que causa maior espanto é que os banqueiros, aqueles responsáveis pelas instituições que amargaram prejuízos de bilhões de dólares, mesmo demitidos (ou chamados a se demitirem), saíram dos bancos mais ricos do que entraram. Não foram capazes de avaliar que toda bolha um dia estoura e foram premiados pela aposentadoria precoce. Quem trabalha 35/40 anos em uma empresa, aposenta-se com algum benefício, mas longe de tornar-se rico. Lá na cúpula dos bancos o tratamento é diferente. Ao invés de saírem “algemados”, deixam os bancos com os bolsos carregados de dólares, além de benefícios adicionais. Diante dessa realidade, a pergunta que fica é: onde está a vantagem de trabalhar honesta e corretamente a vida inteira diante dessa extraordinária injustiça?
Enfim, esse é mais ou menos o quadro de como ficou o “fator humano” diante dessa crise toda que ainda está por aí e não irá desaparecer tão cedo. O pobre, aquele cidadão que viu a possibilidade de ter sua casa própria, ficou pior do que estava. E aqueles que criaram o problema, ganharam bônus significativos e tocam suas vidas sem maiores preocupações.
Não temos nada contra premiar boa performance com bônus, muito pelo contrário. Mas devemos fazê-lo com moderação, baseados em contribuição e resultados efetivos, e não na expectativa de lucros fabulosos.
Alcides Amaral é jornalista, ex-presidente do Citibank S/A e autor do livro “Os limões da minha limonada”

O maior estelionato intelectual de todos os tempos

Posted in Atualidades, Ensaios de minha lavra by Raul Marinho on 18 novembro, 2008

socialismo-do-seculo-xxi

Quem acompanha este blog costumeiramente (pelas minhas contas, umas 8 pessoas) deve estar suspeitando que eu tenha alguma desavença pessoal com o Clóvis Rossi. Não é, garanto: nunca vi, conversei ou troquei e-mails com o fodão-do-bairro-Peixoto que escreve na 1a folha da Folha; ele nunca me corneou nem passou cheque sem fundos para mim (e vice-versa). O problema é a quantidade de bobagens, lugares-comuns e análises equivocadas que o cara faz em seus artigos. Como o de hoje, uma obra-prima do mau jornalismo.

Com seu característico viés marxista-bonzinho (da linha “um novo mundo, sustentável e com mais justiça social, é possível”), o CR está indignado com o relatório do G20 ser “da escola liberal”. Queria ele que se escrevesse um texto castrista ou chavista, criticando o imperialismo estadunidense e blá-blá-blá. O texto está abaixo, para que o leitor tire suas próprias conclusões – inclusive que julgue se a Dilma é, de fato, socialista (lembre-se que o Lula também se dizia de esquerda até sentar na cadeira de presidente, em 2003). Só vou comentar o título do artigo (“Agora, falar em socialismo é fraude”).

Falar em socialismo nem sempre é/foi fraude. Tem muita gente bem intencionada que discute o assunto de maneira honesta. Por outro lado, TODOS os regimes socialistas que existem, ou existiram, ou tentaram existir foram enormes estelionatos. Não estou me referindo a governos socialistas franceses e italianos, que não fizeram da França e da Itália regimes socialistas; estou me referindo às experiências socialistas de fato, como as da URSS, da China maoísta, dos vários países africanos e do Leste europeu etc. – inclusive o Chile de Salvador Allende e as (patéticas) tentativas de trazer o socialismo para o Brasil. Ou de “Cuba, Coréia do Norte, e da Venezuela”, como cita o sr. Rossi.

Se o colunista da Folha fosse responder a este post (o que jamais fará, é óbvio), certamente iria atacar os exemplos de capitalismo fraudulento, que também existem, é claro. É o típico comportamento de gente como ele: se o Stalin e e o Mao mataram não-sei-quantos milhões, a defesa é dizer que Hitler e Mussolini também foram genocidas; e se alguém atacar a corrupção chavista, basta dizer que o Strossner foi um chefe de um governo corrupto e de direita no Paraguai que está tudo certo. Só que este raciocínio é uma falácia, pois enquanto 100% dos exemplos de regimes socialistas foram fraudes, o mesmo não acontece em regimes capitalistas/direitistas. Por pior que seja o Bush, não se compara os EUA à Venezuela. O Canadá não é a mesma coisa que a Coréia do Norte; a Suiça não se equivale a Cuba. A única solução possível para a crise, sr. Rossi, passa pelo capitalismo e pelo livre mercado; o socialismo/marxismo não é uma solução viável. Se se encontrará a forma correta de resolver a crise pelas vias capitalistas de mercado, é outra história, mas não há alternativa.

Agora, falar em socialismo é fraude

Esse tal de capitalismo é tão forte, mas tão forte, que consegue ouvir juras e cantos de amor mesmo no meio de uma baita crise.
Diz o documento do G20, composto excepcionalmente no sábado pelos 22 países mais importantes para a economia mundial: “Nosso trabalho será guiado por uma crença compartilhada de que os princípios de mercado, abertura comercial e de regimes de investimento e mercados financeiros eficazmente regulados estimulam o dinamismo, a inovação e o espírito empreendedor, essenciais para o crescimento econômico, o emprego e a redução da pobreza”.
As escolas liberais seriam provavelmente incapazes de afeto maior. O livre mercado até reduz a pobreza, quem diria, hein? Nem é novidade, no entanto, que tenha sido dito, pela simples e boa razão que não há, entre os líderes do G20, qualquer um que se oponha ao capitalismo.
Afinal de contas, Cuba, Coréia do Norte e Venezuela não são membros do grupo.
De todo modo, para efeitos políticos internos, vale notar que um dos líderes que assina a ode ao capitalismo acima reproduzida chama-se Luiz Inácio Lula da Silva (para não falar em Cristina Fernández de Kirchner, da Argentina, e em Hu Jintao, da China, que deixo para os colunistas de seus países).
A conversão radical de Lula ao liberalismo puro e duro tampouco é nova -desde que assumiu, faz seis anos, casou-se sem pudores com os “princípios de mercado”.
Mas há ainda petistas -inclusive a candidata “in pectore” de Lula para 2010, a ministra Dilma Rousseff- que continuam falando em socialismo e que acham o governo de esquerda. A assinatura de Lula no texto do G20 transforma em fraude ideológica insistir nessa tolice.
PS – Cometi domingo o gravíssimo erro de tratar o jornalista Vladimir Herzog como terrorista, o que nunca foi. Perdão.

Superação

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 13 novembro, 2008

superacao

O mau jornalismo que o sr. Clóvis Rossi pratica na Folha de São Paulo hoje atingiu nível desesperador. Veja o artigo abaixo. Nele, o CR leva o incauto leitor a acreditar que as verbas liberadas pelos governos dos Estados de São Paulo e de Minas Gerais são de socorro aos bancos, iguais aos que o FED liberou nos EUA para os bancos estadunidenses em situação pré-falimentar. Na verdade, os governos estaduais daqui estão liberando recursos para os bancos reemprestarem ao consumidor, principalmente na compra de automóveis. Esse dinheiro não tem objetivo de salvar banco algum, mas de ressuscitar o consumo (de veículos, principalmente) e evitar demissões, queda na atividade econômica e, não menos importante, queda na arrecadação (lembre-se que a maior parte de um carro é imposto).

Dinheiro, sim; controles, não

O velho sábio que habitava esta Folha ficava indignado com os freqüentes pedidos de “papai, mande dinheiro”, como ele designava os apelos do empresariado para que o governo os socorresse nos momentos de dificuldade (e, a bem da verdade, até nos momentos de facilidade).
Não tivesse morrido, estaria estupefato ante a quantidade de “filhos” que pedem dinheiro a “papai-Estado”. E mais ainda ante a facilidade com que o Estado abre os cofres, de que dão prova, apenas a mais recente, os governadores José Serra e Aécio Neves.
O pior é que os “filhos” (no caso, os bancos) não se arrependem nem um tiquinho da overdose de ativos tóxicos que ingeriram e os levaram ao coma (e ao apelo a “papai”).
Ao contrário. Comunicado do Instituto de Finanças Internacionais, que reúne cerca de 350 dos maiores bancos do mundo, louva os pacotes oficiais de auxílio ao setor , mas afirma, em seguida, que tais pacotes “não devem dar margem a um papel mais amplo e permanente do setor público no sistema financeiro internacional”.
Tampouco querem uma regulação que lhes impeça de beber demais, porque “ameaçaria as perspectivas de reativar o crescimento da produção e dos empregos, ao estender ineficiências nos mercados globais”.
É uma desfaçatez fora do normal, porque deixa de lado que foi o excesso de desregulação -e não o excesso de regulação- que causou a presente “ineficiência” (quase colapso) dos mercados globais.
A propósito, meu cardiologista -na verdade o médico da família, o napolitano Giuseppe Dioguardi- perguntava se depois de tanta doação de dinheiro público os governos ainda teriam coragem de negar dinheiro para a saúde, como fazem sistematicamente.
Ah, Beppe, santa ingenuidade. Esse “filho”, a saúde, não financia campanhas eleitorais.

Contabilidade de conveniência

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 11 novembro, 2008

accountability

A Folha publica hoje uma entrevista com o presidente da FEBRABAN, que o Clóvis Rossi tanto admira (vide esse post). Não vou comentá-la integralmente para não cansar o leitor (para os assinantes, ela está disponível aqui), mas uma das perguntas merece ser comentada.

FOLHA – É melhor deixar dinheiro no BC sem rendimento a emprestar?
FABIO BARBOSA
– Os recursos no compulsório rendem 100% do CDI. Qualquer um que for aplicar dinheiro hoje, vai receber 102% do CDI [de remuneração]. Não sei de onde saiu essa idéia de que banco ganha mantendo dinheiro em títulos públicos. Dinheiro para o banco custa 102% do CDI. Comprar por 102% e vender por 100% não me parece um bom negócio. Agora, o BC disse que para aquela parte do compulsório vai render zero. Aí ficou pior ainda. Obviamente que existe um estímulo adicional para que se faça alguma coisa. Isso é política monetária.O dinheiro que ele está mandando emprestar é o seu, não é meu. E as pessoas querem o dinheiro delas protegido. As pessoas batem no banco, mas querem que o seu dinheiro esteja lá garantido.

Isso é uma falácia porque:

1)O depósito compulsório recebe (dentre outros), os recursos das contas-correntes, que custam zero para o banco.

2)Eu não consigo aplicar o meu dinheiro a 102% do CDI, assim como 99% da população, logo não é “qualquer um que for aplicar dinheiro hoje” que vai receber 102% do CDI…

3)”Não sei de onde saiu essa idéia de que banco ganha mantendo dinheiro em títulos públicos.” Ah, lógico, os bancos compram títulos públicos por patriotismo…

4)”O dinheiro que ele está mandando emprestar é o seu, não é meu.” Não é bem assim… Quem corre o risco de crédito é o banco, não o poupador – que só perderia se o banco quebrasse.

E aí Clóvis Rossi, algo a comentar?

Otário ou malandro?

Posted in Atualidades, Ensaios de minha lavra by Raul Marinho on 11 novembro, 2008

orelhas-de-burro

Os milhares de leitores desse humilde noticioso cibernético já devem ter notado uma certa má vontade de nosso corpo editorial com o Clóvis Rossi, colunista da Folha. O problema é que o sujeito não pára de escrever bobagens, e nossos editores ficam revoltados, é impossível impedi-los de fazer o seu trabalho (que, a propósito, nem remunerado é). Hoje, ele reproduz quase que integralmente o ponto de vista do Fábio Barbosa em sua coluna abaixo reproduzida para explicar a posição dos bancos quanto à crise. Barbosa é presidente do Santander/Real e da FEBRABAN, logo não há personagem mais enviesada para falar deste assunto: é óbvio que ele iria aliviar o lado dos banqueiros. Mas CR parece não se atinar para esse pequeno detalhe e faz das palavras de Fábio as suas, o que só dá margem a duas interpretações:

1)Ou ele é um otário, que não percebe que o presidente da FEBRABAN jamais emitiria uma opinião prejudicial aos bancos – então deve ser demitido porque o leitor não deve ser informado por otários;

2)Ou ele é um malandro, e está escrevendo a soldo de interesses dos banqueiros – então deve ser demitido porque o leitor não deve ser informado por malandros.

Na verdade, o buraco é beeeeeem mais embaixo. Muito embora os argumentos do Fábio Barbosa estejam corretos, eles são apenas parte da verdade. É preciso acrescentar que, dentre outros motivos da escassez de crédito, que:

1)O que o BaCen quer é que os bancos direcionem fatia maior para o crédito do que para outros ativos, como títulos públicos;

2)O brasileiro é um péssimo poupador, e o momento é de estimular a poupança pública, não o consumismo fútil, como fez o presidente Luís Inácio TV de Plasma da Silva;

3)O sistema de crédito brasileiro precisa de urgente reforma para acabar com o paternalismo aos endividados, um dos grandes entraves ao crescimento do crédito;

4)É preciso investir em educação financeira de qualidade, para que o crédito possa crescer de forma sustentável; e

5)É preciso desarmar os desincentivos ao crédito (ex.:a sobretaxa do IOF) instalados recentemente.

Viu, Clóvis, como tem coisa importante para falar?

Segue abaixo o texto do CR, com os trechos entre aspas grifados, para facilitar a vida do leitor:

Os bancos e o boi no pasto

Fabio Barbosa, presidente do Grupo Santander no Brasil e presidente também da Federação Brasileira de Bancos, é um dos raros líderes (empresariais ou políticos) que se sente compelido a prestar contas quando cobrado.
Foi cobrado pelo presidente Lula na semana passada (de brincadeira, segundo Barbosa), cobrança que reproduzi neste espaço. Prestou contas, que repasso ao leitor, como é devido, em resumo: “Os governantes, analistas, banqueiros, industriais e jornalistas ainda estão tentando entender o que se passa nessa inédita crise.
Não espere que eu, ou alguém isoladamente, tenha a resposta
“. “A realidade é que o crédito não circula no mercado internacional e, portanto, as empresas e os bancos brasileiros não têm mais acesso a vários mecanismos que vinham sendo utilizados. (…) Com a impossibilidade de se financiarem no mercado internacional, as empresas buscaram financiamento em reais, e -claro- não há como atender a essa nova demanda, além da já existente. Algumas empresas não encontram o crédito que desejam, e daí vem a sensação de paralisação.
A notar, que muitos bancos também se financiavam no mercado internacional e, portanto, não podem fazer seus repasses aqui
“.
Vale notar que o crédito para pessoa física, com a exceção de financiamento de automóveis, continua normal. Baseado em levantamento (informal) feito junto a grandes bancos, entendo que a carteira de crédito total de outubro fechará acima dos volumes recordes de setembro, o que é muito diferente do que acontece mundo afora“.
Como indiquei acima, o processo que estamos vivendo é ímpar. De nada adianta simplificarmos o problema, sugerindo que se trata de má vontade deste ou daquele setor.
Não caiamos na armadilha de voltarmos à época da busca do “boi no pasto”, que, a propósito, não demonstrou maior efetividade.

Jogo dos sete erros

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 29 outubro, 2008

Leia o artigo do Clóvis Rossi, abaixo, e veja se encontra os sete erros do texto:

A Volks e o cassino

Você abre o jornal de manhã e ousa percorrer a coleção sem fim de tragédias que é, hoje, o noticiário econômico. Lá na undécima página, fica sabendo que a Volkswagen vai conceder férias coletivas de dez dias para 1.800 funcionários da unidade de São José dos Pinhais (PR).
Aí, pensa, distraído: “Vixe, essa empresa está indo pro vinagre”.
Que nada, companheiro. É justamente o contrário: pelo menos ontem, a Volks (a mundial) tornou-se a companhia de maior valor de capitalização no planeta (ou seja, o valor de todas as suas ações na Bolsa de Valores superou o de qualquer outra instituição, inclusive a portentosa Exxon).
Como é possível, se a indústria automobilística é a segunda maior vítima da crise global, logo atrás da construção/imóveis? Trata-se apenas de um exemplo “das distorções que se produzem hoje em dia nos mercados”, diz Juan José Ruiz, o economista-chefe do Santander (na Espanha).
Se, em vez de distorções, falasse em cassino, estaria mais perto da realidade. Acontece que “hedge funds”, esses que vão apostando em vários ativos, para defenderem-se de eventuais perdas em um deles, decretaram que as cotações da VW permaneceriam em queda. Aí vem a Porsche e anuncia que quer aumentar a sua fatia na Volks. O pessoal dos “hedge funds” correu desesperado para cobrir suas posições e cada ação da montadora voou dos 210 da sexta-feira para 1.005 em dado ponto de ontem.
Uma coisa, portanto, é a vida real, em que férias coletivas significam queda nas vendas. Outra coisa, bem diferente, é o cassino, em que férias coletivas nada significam. É por isso -entre outras mil razões- que, cada vez que vejo economista fingindo que faz análises lógicas sobre o mercado, levo a mão ao coldre.
Não que tenha um revólver, mas, nessas horas, dá vontade de ter.

Agora, o gabarito:

1)Férias coletivas não tem nada a ver com “empresa indo pro vinagre” (a não ser na cabeça do CR). Trata-se de uma decisão administrativa que pode ser tomada por N fatores, e o fato de alguma empresa conceder férias coletivas não significa nada por si só.

2)”Companhia de maior valor de capitalização”??? De onde vem essa expressão? Ainda bem que o autor a explica entre parêntesis.

3)Desde quando a indústria automobilística é a “segunda maior vítima da crise global”? A crise é FINANCEIRA, ô Clóvis!!! Quem está quebrando são os bancos, os fundos, as companhias de financiamento imobiliário, as seguradoras e demais empresas financeiras. Lógico que todas as demais empresas também estão sendo afetadas, mas falar que o setor automobilístico está no epicentro da crise é uma bobagem sem tamanho.

4)Êita mania de comparar bolsas a cassinos… Não tem nada a ver, até por que a maior parte dos jogos dos cassinos são absolutamente randômicos, enquanto as bolsas sobem e descem simplesmente poir mudanças nos pontos de equilíbrio de oferta e demanda, estes dependentes de expectativas.

5)Hedge funds “decretam” o quê, señor Clóvis??? Tá maluco??? Para começo de conversa, os fundos não pensam todos iguais, pelo contrário. E, como todo player do mercado, os fundos simplesmente compram ou vendem ativos de acordo com o preço de mercado, nada mais que isso…

6)As ações da VW quintuplicaram de preço porque a Porsche anunciou seus planos em aumentar a participação na empresa, certo? (Pelo menos, foi isso o que disse o CR). Logo, isso não tem nada a ver com o “jogo sujo dos hedge funds”, não é óbvio???

7)Voltando ao primeiro erro, agora o CR “decreta” que férias coletivas significam queda nas vendas (embora isso possa ser um dos motivos, não há nada que comprove isso). Depois, ele fecha o raciocínio dizendo que no “cassino”, férias coletivas nada significam, sendo que ele acabou de dizer que o aumento do preço das ações da VW havia sido causada por uma decisão da Porsche… Isso sem entrar no mérito que férias coletivas em uma unidade produtiva absolutamente secundária para uma empresa do porte de uma VW nada tem a ver com o preço das ações na Alemanha.

Assim como o CR, também gostaria de ter um revólver. Só que para atirar em jornalista metido a analista econômico.

Bobagem a quilo

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 8 outubro, 2008

Clóvis Rossi, o czar da opinião da Folha (que eu leio religiosamente trodos os dias para dar umas risadas) publica hoje uma de suas maiores pérolas jornalísticas (e olhe que, em se tratando de CR, isso não é pouco). Reproduzo o texto abaixo e depois comento – e adianto que, hoje, estou sem nenhuma paciência com a mediocridade.

Começa a era da incerteza

MADRI – As falhas grosseiras que o mercado apresentou e as sucessivas intervenções dos governos levaram à suposição de que o liberalismo morreu ou está em coma e que o intervencionismo estatal está de volta com toda a força, certo?
Errado, escreve Daniel Innerarity, professor de filosofia da Universidade de Zaragoza, em artigo para o jornal “El País”.
“Se estivéssemos ante o final do neoliberalismo e o retorno das certezas social-democratas, talvez nos sentíssemos mais aliviados, mas não teríamos entendido que o que se acaba é outra coisa: uma determinada concepção de nosso saber acerca da realidade social e de nossa capacidade de decidir sobre ela”, escreve.
Conseqüência: “Agora, nos toca acostumarmo-nos à instabilidade e à incerteza, tanto no que diz respeito às predições dos economistas, ao comportamento do mercado ou ao exercício das lideranças políticas”, acrescenta o filósofo.
Fecha com: “Nosso principal desafio é a governança do risco, que não é a renúncia a regulá-lo nem a ilusão de que poderíamos eliminá-lo completamente”.
Desagradável, não é? Os seres humanos, com poucas exceções, preferimos as certezas, mesmo que sejam ilusórias. Os mercados ofereceram certezas absolutas, acompanhados pelo coro que lhes conferia características de semideuses ou de “Mestres do Universo”, para remeter a Tom Wolfe e a sua “Fogueira das Vaidades”.
Agora vem o papa Bento 16 e constata: “Vemos que, na queda dos grandes bancos, o dinheiro se desfaz e que todas essas coisas que parecem a única verdade são na realidade de segunda ordem”. Sorte do papa (e dos crentes), para quem “só a palavra de Deus é uma realidade sólida”.
Para todos os demais (e mesmo para os crentes que têm dinheiro nas Bolsas), resta administrar a instabilidade e a incerteza.

Comentários:

  • “Começa a era da incerteza”????? Como assim, começa? Nunca houve outra era que não fosse de incerteza, e se havia alguma ilusão de haver certezas, era apenas isso: ilusão.
  • Quem supôs que “o liberalismo morreu”, que “o capitalismo já era” e outras bobagens, foi ele: CR. Qualquer pessoa minimamente sensata vê que isso é um absurdo, uma vez que não há modelo alternativo (pelo menos, um que funcione).
  • “Agora, nos toca acostumarmo-nos à instabilidade e à incerteza, tanto no que diz respeito às predições dos economistas, ao comportamento do mercado ou ao exercício das lideranças políticas”. Pelo jeitão que o CR cita esse texto (do tal do Daniel Innerarity), presumo que ele o ache genial. Então, se ele acha esse texto genial, necessariamente ele me acha genial, pois penso assim há mais de 20 anos.
  • “Os seres humanos, com poucas exceções, preferimos as certezas, mesmo que sejam ilusórias.” Vixe, descobriu a roda!!! Todas as religiões do mundo estão fundamentadas nisso. Nossas incertezas sobre Deus e o que será de nós após a nossa morte é o que as move.
  • “Os mercados ofereceram certezas absolutas, acompanhados pelo coro que lhes conferia características de semideuses ou de ‘Mestres do Universo’, para remeter a Tom Wolfe e a sua ‘Fogueira das Vaidades’.” Só um jornalista medíocre como o CR para acreditar que os mercados oferecem certezas absolutas…
  • “Agora vem o papa Bento 16 e constata: ‘Vemos que, na queda dos grandes bancos, o dinheiro se desfaz e que todas essas coisas que parecem a única verdade são na realidade de segunda ordem’. Sorte do papa (e dos crentes), para quem ‘só a palavra de Deus é uma realidade sólida’.” Essa foi no fígado. Citar o Papa como uma opinião sensata nesse momento e assunto é como pedir para a Luciana Gimenez opinar sobre Física quando da inauguração do acelerador de partículas sub-atômicas.
  • “Para todos os demais (e mesmo para os crentes que têm dinheiro nas Bolsas), resta administrar a instabilidade e a incerteza.” Nada como uma obviedade do tamanho de um elefante para “fechar com chave de ouro”!!!!