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Evolucionismo vs Criacionismo na GloboNews

Posted in Atualidades, darwin, Evolução & comportamento, teoria da evolução by Raul Marinho on 27 fevereiro, 2009

Para quem gosta de acompanhar o debate entre a Evolução e a Criação bíblica, vale a pena assistir ao debate ocorrido na semana passada, entre o zoólogo evolucionista Mário Pinna e o geólogo criacionista Nahor Neves. Está em 3 partes, abaixo:

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O enigma do crédito

Posted in Atualidades, crise de credito by Raul Marinho on 27 fevereiro, 2009

enigma

Ontem, a mídia soltou três informações sobre o crédito para pessoas físicas e pequenas empresas no Brasil:

1)A inadimplência subiu;

2)O volume de crédito caiu; e

3)O spread médio baixou.

O problema é que o item 1 está coerente com o 2, mas não se alinha com o 3. Ouvi rádio, assisti TV, li jornal, e até agora não encontrei ninguém para explicar esse enigma. Alguém se habilita? Fernando Blanco, vc está por aqui?

O Brasil não tem subprimes

Posted in Atualidades, credito, crise de credito, crise financeira by Raul Marinho on 26 fevereiro, 2009

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Fazia tempo que não criticava um artigo do Clóvis Rossi aqui no blog, estava tentando parar com esse vício, mas hoje o czar opinativo da Folha incorporou o Chacrinha (aquele que veio para confundir, não para explicar), e não deu para ficar quieto – aliás, sempre baixa o santo do Velho Guerreiro no CR quando ele tenta explicar a crise econômica. Segue o artigo e, em seguida, meus comentários:

Também temos subprimes

SÃO PAULO – Demorou mas surgiram os nossos “subprimes”, vítimas da incapacidade de pagarem seus automóveis.
É a diferença de escala entre a economia norte-americana e a brasileira: lá, o pessoal perde casas, um bem de muito maior valor.
Cessa aí, no entanto, a comparação. Os automóveis recuperados pelos bancos não têm, por trás, um rolo de ativos ditos tóxicos como os que caracterizaram a crise norte-americana das hipotecas “subprime” nem um volume tão formidável (pelo menos até agora).
Mas nem por isso o problema do crédito ou, mais exatamente, da falta dele e/ou de seu encarecimento deixa de ser sério, a julgar pelo que escreve Roberto Luis Troster para o mais recente boletim da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP: “Uma deterioração do crédito era esperada por conta da piora do quadro econômico, mas não na proporção que está acontecendo, especialmente para os microempresários e para as pessoas físicas de renda média e baixa. A cada mês que passa, as taxas dos financiamentos aumentam, sua composição deteriora-se e a inadimplência sobe.”
O economista dá números que ajudam a entender a inadimplência e a consequente retomada dos automóveis: são os pequenos tomadores os mais afetados, conforme relatório do Banco Central que mostra que aumentou 5,1% o volume de operações acima de R$ 10 milhões, mas diminuiu 2,7% no caso das inferiores a R$ 5.000.
Ou, pondo no estilo Elio Gaspari: o andar de cima ainda se financia, mas o andar de baixo é cada vez mais “subprime”.
PS – Cometi ontem um erro brutal. Escrevi: “[Os mercados] insistem em socializar o risco e privatizar o prejuízo”. É óbvio que deveria ter escrito “…privatizar o lucro”, como o fiz já várias vezes. Perdão.

Comento:

Em primeiro lugar: nós não temos subprimes. Dizer isso é alarmismo inconsequente, os carros financiados não tem nada a ver com os subprimes hipotecários estadunidenses. Lá, o cara comprava uma casa financiada por US$100mil, não pagava, a casa era reavaliada para US$150mil, o “ganho imobiliário” quitava as prestações atrasadas, o refinanciamento não era pago de novo, a casa era re-reavaliada para US$300mil, o cara não pagava mais uma vez, e a coisa ia assim, indefinidamente. No fim da história, havia imóveis milionários com financiamentos idem, ambos fictícios. Essa foi a “crise dos subprimes”, o primeiro estágio da crise econômica global em curso (depois, vieram as crises das commodities, dos derivativos, dos bancos, do consumo, e a crise de confiança, o lamaçal em que os EUA estão nesse momento). No Brasil, o que está ocorrendo é que tem muita gente que não consegue pagar a prestação do carro e acaba tendo que entregar o veículo para a financeira/banco/leasing. Esse carro não foi superavaliado, muito embora seu valor tenha sido reduzido por uma questão de mercado. A maior parte da dívida correspondente ao financiamento de veículos no Brasil está nos FIDCs (fundos de investimento em direito de crédito), que não podem realizar operações de derivativos, que turbinaram as perdas nos EUA. Resumindo: o título e o primeiro parágrafo do artigo do CR são sensasionalistas e profundamente errados.

Mas aí vem o mestre da ambiguidade e escreve um segundo parágrafo desdizendo o que inicialmente disse, um truque comum deste colunista. Fala que não temos “ativos tóxicos” e que os volumes brasileiros são bem menores que os estadunidenses… Então por que a manchete sensacionalista, señor Rossi??? Mas a artimanha é muito mais elaborada, pois ele continua o artigo desdizendo o que desdisse, e retornando ao terrorismo econômico (e saidno completamente do assunto original, os subprimes brasileiros), como veremos.

A citação e os números estão certos, só que faltou explicá-los de maneira adequada. O aumento do crédito para as grandes corporações decorre da escassez de linhas externas, não um aumento da demanda real desse segmento.  Ora, se um banco direciona bilhões adicionais para empréstimos ao segmento corporativo, ele vai ficar com menos disponibilidade para emprestar para os outros segmentos, essa é a causa primeira da redução do crédito para os pequenos empresários e as pessoas físicas. Ora, e se a oferta de crédito para os pequenos diminui, quem “está na bicicleta” (refinanciando dívidas antigas e empurrando o débito com a barriga) acaba explodindo, daí o aumento na inadimplência. É um problema grave, mas nada a ver com os supostos subprimes brasileiros, de que o artigo supostamente trata. O Brasil não é imune à crise e temos nossos problemas, mas que fique bem claro: nós não temos subprimes!!!

Ainda o “racismo” da charge do NYPost

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 25 fevereiro, 2009

Sobre o suposto racismo da charge do The New York Post, que pode ser acompanhado aqui, o The New York Times publicou um excelente artigo que segue abaixo, de autoria de Clyde Haberman:

O direito de ofender é sagrado

As opiniões diferem sobre o quão horroroso foi a charge de um chimpanzé no “New York Post” na semana passada, mas os pedidos para que o governo intervenha estão enganados.

Os cientistas descobriram que aproximadamente 98% do genoma humano é similar ao do chimpanzé. Contudo, a relação entre certo chimpanzé e um homem chamado Carl Whilhelm Baumgartner é ainda mais próxima.

Talvez você esteja se perguntando: Quem é esse Carl? Fique por aqui. Talvez você tenha ouvido falar sobre o chimpanzé.

Ele apareceu em um desenho grotesco na semana passada no “New York Post”. O desenho se baseava em um chimpanzé verdadeiro que tinha atacado uma mulher em Connecticut e morreu com um tiro da polícia. A ilustração do Post por Sean Delonas mostra um chimpanzé estirado, furado de balas por dois policiais a sua frente. Um segura uma arma enquanto o outro diz: “Eles terão que encontrar outra pessoa para escrever o próximo plano de estímulo.”

No mínimo, a charge foi totalmente vulgar, mesmo para um ilustrador cujo trabalho frequentemente é sinônimo de vulgaridade.

Mas teria sido intencionalmente racista?

Os críticos, como sempre liderados por Al Sharpton, insistem que sim, que era um ataque direto ao presidente Obama. Comparações vis de negros com chimpanzés e macacos são tão antigas quanto a república. Este chimpanzé, na opinião dos críticos, claramente representava o primeiro presidente afro-americano, a principal figura por trás do novo programa de estímulo. Para alguns a questão era mais grave, e o jornal, com efeito, estava sugerindo que Obama deveria levar um tiro.

Absurdo, responderam os editores do “Post”: o ponto era meramente que o plano de estímulo foi tão mal concebido que era como se tivesse sido escrito por um chimpanzé. Ainda assim, em meio ao calor das críticas, o jornal fez um editorial com uma espécie de pedido de desculpas. De forma alguma tranquilizou os críticos, que pediram, entre outras coisas, que leitores e anunciantes boicotassem o jornal.

Como era de se esperar, nem todos afro-americanos compartilharam a revolta ou acharam que a charge representava Obama. O governador David A. Paterson, que é negro, disse que aceitava o pedido de desculpas do “Post”. Quanto ao “convite ao assassinato”, como o desenho foi descrito por Benjamin T. Jealous, presidente da Naacp, é um crime federal ameaçar a vida do presidente. Se o serviço secreto considerasse o desenho uma ameaça, seus agentes presumivelmente teriam baixado no jornal. Eles não apareceram.

Os protestos continuam, porém. Certamente, todo mundo tem o direito de recusar-se a comprar um jornal. Mas Sharpton foi além. Ele quer que a Comissão Federal de Comunicações examine a licença que permite a Rupert Murdoch ter dois jornais (o “Post” e o “Wall Street Journal”) e duas estações de televisão (Wnyw e Wwor) na região de Nova York .

Normalmente, no que concerne tais licenças, a questão é se uma única mão controla canais variados da mídia em determinado mercado. Entretanto, Sharpton acredita que o conteúdo do editorial é razão para pedir que o governo interceda “Como você pode continuar a ter essas licenças se você não compreende o que pode ofender uma grande parte dos afro-americanos -e brancos, diga-se de passagem?” Disse ele a um entrevistador da CNN.

Isso nos leva a Carl Wilhelm Baumgartner. Não esquecemos dele.

Ele nasceu na Alemanha em 1895 e tornou-se americano naturalizado em 1932. Entretanto, ele era admirador ardente de Hitler e dos nazistas e isso levou o governo a tentar retirar sua cidadania americana na Segunda Guerra Mundial. A Suprema Corte impediu tal tentativa. Em uma passagem memorável da opinião da maioria dos juízes em 1944, o juiz Félix Frankfurter (que era judeu e dificilmente fã dos nazistas) escreveu: “Uma das prerrogativas da cidadania americana é o direito de criticar homens e medidas públicas – e isso não significa apenas críticas informadas e responsáveis, mas a liberdade de falar com ignorância e sem moderação”. É um direito americano expressar “opiniões tolas ou até sinistras”, continuou Frankfurter.

Nesse respeito, o DNA do chimpanzé do cartum não é diferente do de Baumgartner. Se o governo não deve perseguir o cidadão porque ele reverencia Hitler, provavelmente vai querer pensar duas vezes antes de perseguir um jornal por causa de um desenho imbecil.

O “Paradoxo da Parcimônia”

Posted in Atualidades, crise financeira, Evolução & comportamento by Raul Marinho on 25 fevereiro, 2009

paradoxo

Outra matéria excelente do NYTimes publicada na Folha, dessa vez do David Leonhardt:

“Paradoxo da parcimônia” atrapalha recuperação

Nos últimos anos, o consumidor americano gastou demais. Comprou casas demais, assumiu dívidas demais e em geral viveu além de seus meios. A liberalidade dos gastos contribuiu para a pior crise financeira desde a Grande Depressão.
E agora ele tem de fazer sua parte para acabar com a crise. Como? Gastando. Chega dessa poupança que tantos americanos de repente começaram a fazer. Neste exato instante, o Congresso e o presidente Barack Obama se preparam para oferecer uma restituição tributária para inspirar a população a gastar.
John Maynard Keynes, grande economista do século 20, teria apreciado o aparente absurdo dessas mensagens ambíguas. Ele cunhou um termo, “paradoxo da parcimônia”, para explicar que aquilo que é racional para um indivíduo durante tempos difíceis -poupar- pode ser devastador para a economia como um todo. Afinal, muitos poupadores podem acabar sem emprego porque outras pessoas também estão poupando. Em recente entrevista coletiva, Obama evitou responder a uma pergunta sobre se as pessoas deveriam gastar ou poupar a restituição.
Felizmente, porém, há uma resposta. A primeira parte envolve descobrir como gastar agora para poupar depois -o que pode erguer a economia hoje e ajudar as famílias a lidarem em longo prazo com suas combalidas finanças. A segunda parte consiste em perceber que o paradoxo de Keynes não é tão férreo. Numa crise, quando os bancos podem precisar tanto de capital quanto o varejo precisa de vendas, muita gente pode poupar sem culpa.
Além de ter desenvolvido a receita mais famosa para curar crises, Keynes também pode ser considerado o padrinho da economia comportamental, conforme escreveu recentemente o colunista David Ignatius. Enquanto outros economistas ficavam obcecados com modelos estatísticos que tratavam as pessoas como autômatos hiper-racionais, Keynes escreveu sobre “espíritos animais”. Ele ajudou a explicar como a psicologia moldava a economia.
A economia comportamental decolou nas últimas duas décadas, e uma das suas descobertas centrais é que a maioria das pessoas não se planeja bem para o futuro. Não são nem de perto tão legais com o seu “futuro ser”, como dizem os economistas, quanto são com o seu “presente ser”.
Elas comem um doce a mais e adiam a ginástica para amanhã. Deixam de guardar o suficiente para a aposentadoria.
Esses hábitos provocam problemas. Mas também representam uma oportunidade num momento destes. A maioria das pessoas poderia poupar um bom dinheiro mais tarde se gastasse um pouco agora para cuidar do seu futuro ser.
Com a ajuda de economistas comportamentais, montei uma listinha de exemplos. Pais de bebês podem pagar para aderir a um programa de descontos numa grande loja, e a taxa de adesão seria compensada em poucos meses de compras de fraldas.
Quem não se importa de ler em telas pode comprar o novo leitor de livros eletrônicos Kindle, da Amazon. Custa US$ 359, mas a maioria dos livros a partir daí sai por menos de US$ 10. Famílias que fazem compras financiadas deveriam se segurar temporariamente e então comprar móveis e eletrônicos à vista. Quem tira muitas cópias a laser poderia comprar uma impressora que usa só 1 ou 2 cents de tinta por página (muitas usam bem mais).
Nesses casos -e sem dúvida em muitos outros- o investimento inicial tende a se pagar rapidamente. Por isso tais gastos são perfeitamente adequados ao momento. Eles mantêm pessoas empregadas e criam novos empregos quando a economia precisa de ajuda. Mas também irão reforçar as finanças domésticas.
O grande senão é que algumas pessoas sentem que não podem abrir mão de US$ 50 ou US$ 100 extras atualmente. Milhões de trabalhadores já perderam seus empregos, e muitos outros simplesmente querem reduzir despesas. Em dezembro, as famílias pouparam uma média de 3,6% da sua renda disponível, bem acima do 1% nos últimos anos.
Numa recessão normal, essa poupança adicional teria um lado negativo muito maior que o positivo, conforme Keynes explicou. Mas esta recessão é diferente. Foi causada por uma crise financeira. Se os americanos não melhorarem suas finanças, os bancos continuarão com medo de emprestar, e a recessão vai se prolongar. Ainda mais imediatamente, os bancos precisam colocar suas próprias finanças em ordem.
Quando esta recessão finalmente chegar ao fim, nossos seres futuros terão algumas contas enormes a pagar. Precisarão de toda a ajuda que lhes pudermos dar.

$0,99

Posted in Atualidades, Evolução & comportamento by Raul Marinho on 25 fevereiro, 2009

99

A história e a ciência por trás dos preços “quebrados” (matéria de Tim Arango do The New York Times, traduzida e publicada pela Folha de S.Paulo em 23/02):

O preço está bom quando é US$ 0,99

Em muitas das cenas de “Mad Men”, seriado americano sobre o mundo da publicidade nos anos 1960, um dos fundadores da fictícia agência publicitária Rogers & Sterling descreve a glória em matéria de marketing. “Vou lhe dizer o que é brilho em publicidade”, dizia o ator John Slattery, que intepretava Roger Sterling. “É US$ 0,99.”
Quem sabe não é justamente esse o insight que os varejistas precisam para estimular os consumidores a gastar nestes tempos bicudos: se você não puder vender algo por US$ 0,99, então pelo menos acrescente US$ 0,99 a seu preço.
Steve Jobs, ex-executivo-chefe da Apple, experimentou a abordagem do US$ 0,99 e, pode-se afirmar, salvou a indústria musical do esquecimento.
Ao escolher esse preço único padronizado para cada canção vendida no iTunes, Jobs construiu uma via de distribuição digital de música que era comercialmente viável. Antes do lançamento do iTunes, em 2003, era duvidoso que as pessoas algum dia pudessem se dispor a pagar por música on-line, já que podiam roubá-la de várias redes “peer-to-peer”.
Dave Gold também apostou no US$ 0,99. Nos anos 1960, ele e sua mulher eram donos de uma loja de bebidas no sul da Califórnia em que vendiam vinhos a vários preços: US$ 0,79, US$ 0,89, US$ 0,99 e US$ 1,49.
“Sempre notávamos que os vinhos de US$ 0,99 vendiam muito mais”, ele recordou. Passou a cobrar US$ 0,99 por todos seus vinhos, e as vendas melhoraram.
“Os de US$ 0,79 vendiam melhor a US$ 0,99, os de US$ 0,89 vendiam melhor a US$ 0,99, e, é claro, os de US$ 1,49 vendiam melhor a US$ 0,99.”
Gold e sua mulher acabaram radicalizando o conceito e, em 1982, abriram a rede de lojas 99 Cents Only. Em 1996 eles abriram o capital da rede, e hoje a empresa tem 282 lojas e vale mais de meio bilhão de dólares. Suas vendas subiram 8% no último trimestre, e os lucros, 31%.
Dave Gold não foi o primeiro a usar o conceito dos US$ 0,99 como ferramenta de marketing rentável, mas fez um bom uso dela. Ninguém sabe ao certo quem criou o conceito. Seja como for, o poder do 0,99 parece inegável. Mas por quê?
Acadêmicos já ofereceram diversas explicações psicológicas. Um estudo, feito pelo professor de marketing Robert Schindler, da Escola Rutgers de Administração de Empresas, em Nova Jersey, constatou que os consumidores “veem o preço que termina em 9 como um preço que é um número redondo, mas com um pequeno abatimento”. Pesquisadores também descobriram que preços terminados em 99 comunicam aos consumidores a ideia de “preço baixo”.
Na Universidade de Chicago, por exemplo, pesquisadores descobriram que, quando o preço da margarina caiu de US$ 0,89 para US$ 0,71 numa rede local de mercearias, as vendas tiveram aumento de 65%, mas, quando o preço caiu para US$ 0,69, o aumento das vendas foi de 222%, segundo um dos autores do estudo, Kenneth Wisniewski.
Schindler, num estudo sobre uma rede de moda feminina no varejo, constatou que a diferença de um centavo de dólar entre preços terminados em 99, em vez de 00, “exerce efeito considerável sobre as vendas”. Os produtos com preços terminando em 99 superavam em vendas os cujos preços terminavam em 00.
Assim, quando os comerciantes definem os preços de seus produtos com um número terminando em 9, a razão é simples, disse Schindler: “É para dar a impressão de que o preço é menor”.

Lua-de-mel relâmpago

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 20 fevereiro, 2009

Parece que a lua-de-mel com o nosso amigo Obama está acabando muito mais cedo do que se previa. Nomeações desastradas, planos mirabolantes que não param em pé, atitudes populistas e equivocadas (como a limitação de salários para executivos de empresas socorridas pelo governo) e, principalmente, falta de efetividade no combate à crise parecem ser a causa. Se você também quiser aderir à onda anti-obamista, o adesivo abaixo está à venda aqui por US$9,95.

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Demissões na Embraer: não é o que parece

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 20 fevereiro, 2009

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Foram anunciadas 4mil demissões na Embraer ontem (20% da força de trabalho), o que deixou o presidente Marolinha “indignado”, de acordo com a imprensa.  Isso porque a Embraer recebe recursos do BNDES, que por sua vez são oriundos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), logo a empresa não poderia demitir os trabalhadores que, no fim das contas, a financiam. Faz sentido? Sim, tanto quanto a limitação de salários para executivos, do Obama. Na superfície, faz, mas é só explorar o assunto um pouquinho mais a fundo que se percebe a falácia.

Vamos começar entendendo porque a Embraer precisou demitir. Sendo uma fabricante de aviões, seu mercado é, majoritariamente, externo. A empresa fabrica jatos executivos (como o que bateu com o avião da Gol), vendidos para… Bem, para executivos (presidentes e diretores de grandes corporações), que neste momento devem estar com outras prioridades em mente, como salvar a própria pele. Ela também fabrica aviões utilizados em linhas comerciais regulares das companhias aéreas, e que estão sendo fortemente afetadas pela recessão nos países ricos. Logo, é óbvio que o mercado da Embraer foi muito afetado pela crise; mais ainda se pensarmos que o risco dos compradores não pagarem também aumentou. Assim, se a Embraer não reduzisse seu tamanho neste momento, estaria sendo irresponsável, e empresas irresponsáveis não pagam empréstimos do BNDES, logo o cano seria dado no FAT, ou seja, nos trabalhadores.

Mas a Embraer poderia, ao invés de demitir, reduzir a jornada de trabalho e de salários, como algumas empresas, como as montadoras, estão fazendo, o que seria menos traumático para os empregados, certo? Em teoria é lindo, mas o problema é que a legislação trabalhista é confusa, antiquada, e expõe a graves riscos as empresas que fazem isso. Para poder reduzir jornadas e salários, a legislação anacrônica em vigor (de 1965) exige que a empresa prove que está em dificuldades muito graves. Ora, como é que uma empresa saudável, de capital aberto, com ganas de liderar seu segmento, vai assumir em público que está em dificuldades (que, ademais, não está!)? Para uma montadora multinacional, cuja casa matriz está à beira da falência (eventualmente, além), tudo bem fazer esse acordo, mas não para a Embraer.

Se o presidente Marolinha quisesse fazer alguma coisa de útil, deveria trabalhar para modernizar a legislação trabalhista, permitindo acordos de redução de jornada e salário em momentos como o atual.

Histeria racial

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 18 fevereiro, 2009

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A charge acima saiu publicada hoje no New York Post. Nela, o policial diz alguma coisa como “Eles terão que achar outra pessoa para redigir o próximo projeto de lei de estímulo econômico”, numa clara referência às dificuldades da equipe Obama para tirar o país do atoleiro. O macaco baleado é o chimpanzé Travis, que acabou morto ontem por atacar uma pessoa nos EUA. A charge está dando a maior confusão nos EUA por seu conteúdo supostamente racista.

Este é um exemplo da histeria racial estadunidense. É óbvio que o chimpanzé não estava na charge por causa da cor da pele do Obama ser negra, mas sim porque os planos de estímulo econômico que o seu governo está escrevendo são dignos de um chimpa, dada sua mediocridade. Acho incrível como os estadunidenses são histéricos em questões raciais, e o problema é que essa histeria já contamina o Brasil. Há algum tempo, publiquei esse post aqui, sobre o dia da consciência negra. Repare no comentário que tem abaixo, de um tal Mimy, e comprovem como essa boçalidade histérica racial já chegou por aqui.

Dê sua opinião, “certa” ou “errada”

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 18 fevereiro, 2009

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A idéia deste blog é expressar idéias, fatos e opiniões diferentes das encontradas em outros lugares. Se fosse para ecoar a mídia, não faria sentido manter o blog, que só existe porque é meio “errado”. Por isso, não existe problema em escrever um comentário contrário ao que se diz aqui, provavelmente ele estará “certo”. Mas só com muito debate que saberemos se as aspas são ou não devidas. Por isso, participe!!! Seu comentário será muito importante para todos que acessam esse blog.

Porque sou um “otimista racional”

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Desculpem pelo post autobiográfico, mas a melhor forma que eu encontrei para explicar o momento atual é revivendo os últimos vinte e poucos anos, desde que “virei gente” (i.e.: saí da alienação adolescente – pelo menos, a mais aguda). Entrei na faculdade (FEA-USP) na época do Plano Cruzado, que é quando começa a se delinear o cenário que hoje vivemos. Era uma época esquisita: não houve bife por um bom tempo no bandejão da universidade porque a carne sumira do mercado, e a gente tomava vodca porque a cerveja também desaparecera – um prosaico churrasquinho com uma gelada dependia de contatos obscuros, com o cuidado de não despertar a atenção de nenhum “fiscal do Sarney”. Estava tendo aula de Introdução à Economia II quando a bolsa de N.York quebrou, em 1987, o que de certa forma foi um privilégio acadêmico. Em 1989, a inflação era tão alta que existia um produto bancário chamado “pagamento de impostos”, que nada mais era do que… Pagamento de impostos, mas com um “rebate” para o pagador. Por exemplo: a empresa ABC recolhe um milhão de dinheiros no caixa do banco tal. Acontece que, como esse banco tal demorava X dias para repassar o dinheiro para o Tesouro, havia um “floating“, uma espécie de prazo para o banco pagar. O overnight pagava coisa de 2%a.d. ou mais (veja bem: ao dia, não ao mês). Na maioria dos casos, o floating era superior a cinco dias, algo como 10-15%% pelo período, e 10-15% de muita grana era muita grana também. Para uma empresa que paga um milhão de ICMS, o lucro bruto é de R$100-150mil, um valor que podia ser “rebatido” (dividido) entre o banco e o cliente. Olha que época absurda…

A hiperinflação fazia com que a economia ficasse surreal, mas nada se compara a bizarrice de 1990, com o Plano Collor (e o próprio), a Zélia, o Ibrahim Eris, o PC Farias, um pessoal muito, mas muito estranho mesmo. A primeira coisa que o ex-presidente Fernando Collor fez (ou uma das primeiras) foi decretar feriado bancário. Trabalhava no Citibank na época, e houve expediente interno, a maior parte passada na frente da TV, assistindo às explicações das “torneirinhas” do bloqueio de Cruzados Novos. O governo simplesmente tomou a maior parte do dinheiro de todo mundo, é possível um negócio desses? Logo depois, o plano fracassa, a inflação dispara, a credibilidade do governo vira pó, as reservas do país desaparecem, e o Fernandinho acaba impeachado (ou seria impichado?). A seguir, toma posse o Itamar, que faz beicinho para ressuscitar a produção do Fusca… Imagine o que é um presidente ficar dando pitaco em lançamento de produto, que coisa mais esquisita. Chega 1994 e, no meio dele, um plano mirabolante, que dolarizava a economia com uma moeda virtual (URV, lembram?), e depois desdolarizava convertendo tudo a uma taxa de 2,75:1 (!!!). Por ironia, esse plano fantástico se chamou Real.

No resto dos anos 1990, até 2001, de tempos em tempos estouravam crises internacionais: crise do México, crise dos Tigres Asiáticos, crise da Rússia, a crise cambial brasileira de 1999 (uma crise doméstica com contornos de crise internacional), o estouro da bolha da internet e, finalmente, a crise decorrente dos ataques de 11 de setembro de 2001. De 2002 até o início de 2008, entretanto, fora a balbúrdia na transição FHC-Lula (que nem foi tão dramática assim), vivemos um período excepcionalmente calmo na economia, tão calmo que deu até tempo para discutirmos Ecologia. Mas eis que a crise dos subprimes emerge em 2008, os bancos acabam contaminados, as commodities idem, o crédito e a sua prima, a confiança, desaparecem, e o resultado é a atual crise financeira, que em 2009 está com a corda toda. Será o fim do capitalismo? O sistema financeiro global está condenado à extinção? Ou essa é só mais uma das tantas crises tão comuns outrora, mas que nos desacostumamos a passar?

Certamente não estamos atravessando uma marolinha, mas também não há dúvidas que já vivemos momentos bem piores no passado “recente” (vamos considerar como recente o período do governo Sarney para cá). Como o grande problema que a maior parte do mundo está vivendo tem a ver com os bancos – que, no Brasil pós PROER, são razoavelmente sólidos -, o país está sendo impactado principalmente pela queda no valor das commodities que produzimos, e pelo encolhimento do mercado comprador externo. Lógico que também sofreremos por outros fatores, como as dificuldades por que as multinacionais instaladas aqui deverão passar em suas respectivas matrizes, o calote que tomaremos em nossas exportações, os problemas pelos quais a Petrobras deverá passar devido à depressão no preço do petróleo etc., mas nada de bancos quebrando em massa, descrença no sistema financeiro, e calamidades do gênero.

Na verdade, para um brasileiro é muito menos arriscado acreditar no futuro do que duvidar dele. Como a chance do Brasil se sair melhor que a média dos outros países é muito alta, a turma dos otimistas tem maior probabilidade de se dar bem que a dos pessimistas. Admitindo que o que conta é o sucesso relativo e não o absoluto, perder uma oportunidade (ganhar pouco quando todos os outros ganham muito) é tão danoso quanto entrar numa roubada (perder quando os outros ganham pouco). Por isso, no cenário atual, as apostas otimistas estão pagando muito mais que as pessimistas. Você pode não gostar do presidente Lula, pode achar que o otimismo é uma praga ingênua, sua visão sobre o mundo pode ser sombria até por questões psicológicas, mas se pensar bem vai concluir que a postura otimista é a melhor atualmente em termos racionais.

Mulher objeto

Posted in Atualidades, Evolução & comportamento, teoria da evolução by Raul Marinho on 17 fevereiro, 2009

doll

Sabe aquele chavão feminista dos anos 1960, de acusar os homens de achar que as mulheres são meros objetos inanimados? Pois então, parece que não estava tão errado assim. Veja a reportagem abaixo, publicada hoje na Folha de S.Paulo pelo Eduardo Geraque:

Mulher de biquíni é objeto para o cérebro masculino

Experimento de psicóloga americana revela estrutura de pensamento machista

Imagem cerebral indica que homem “desliga” função de autocontrole ao ver mulher sensual, sobretudo quando ela não mostra seu rosto

Os homens podem não dizer isso explicitamente, mas há ocasiões em que todos tendem a pensar nas mulheres como objetos -principalmente quando elas estão de biquíni e não mostram o rosto. É isso o que acaba de mostrar um experimento realizado nos Estados Unidos com 21 homens heterossexuais estudantes de pós-graduação, apresentado em Chicago, na reunião anual da AAAS (Sociedade Americana para o Avanço da Ciência).
Talvez seja esse o efeito que explica sucesso que dançarinas mascaradas -como as personagens Tiazinha e Feiticeira- costumam ter na televisão brasileira. O experimento usou máquinas de ressonância magnética para mostrar que os circuitos cerebrais ativados nos homens durante a observação de um corpo feminino sensual desprovido de identidade são os mesmos que os permitem de reconhecer uma ferramenta, um objeto inanimado.

“Tecnicamente, podemos usar uma espécie de eufemismo neurológico e dizer que o homem não tem essa atitude de uma forma premeditada. É algo que ele não racionaliza”, afirma Susan Fiske, professora de Psicologia da Universidade de Princeton, uma das mentoras do experimento. Ela mostrou que o córtex pré-motor dos homens -uma das partes do cérebro mais envolvidas no reconhecimento- foi a área cerebral mais ativada nos voluntários que observavam fotografias de um colo feminino.
Essa parte do cérebro também é acionada quando é feita uma interpretação mecânica de uma imagem -em oposição a interpretações sociais.
Questionada pela Folha sobre o possível viés cultural que o estudo possa ter -só americanos participaram do experimento- Fiske disse não crer que o resultado mudaria se o experimento fosse feito em países, como o Brasil, onde mulheres de biquíni são comuns.

Fiske selecionou seus voluntários após aplicar um questionário a todos. Eles também precisaram passar por análises neurológicas. Só então os participantes puderam ser submetidos ao teste dentro de uma máquina de ressonância magnética funcional, que registra as atividades cerebrais.

Praia ou escritório
No total do teste, cada participante ficou diante de 160 imagens. Elas eram de mulheres e de homens. Nos dois casos, foram apresentadas durante o experimento fotos com roupas de trabalho e também em trajes de banho. Imagens de rostos humanos, para medir a capacidade de reconhecimento de cada participante do teste, também foram exibidas.

Basicamente, a intenção era medir o grau de bem-estar dos voluntários após terem visto imagens de mulheres e de homens, tanto com o corpo exposto quanto coberto com roupas de trabalho. As imagens não eram pornográficas nem eróticas, disse Fiske. Os registros foram tabulados por meio de análises estatísticas de uso corrente por psicólogos.
De acordo com a pesquisadora americana, os seus resultados apresentados agora têm algumas implicações práticas. “Um dos desdobramentos pode ser o fato de que um patrão, por exemplo, pode beneficiar certas companheiras de trabalho em detrimento dos demais funcionários da empresa, dependendo de como ele idealiza aquele corpo”, diz a psicóloga.
Susan Fiske afirma que seus resultados também indicam que atitudes machistas de intimidação estão relacionadas com uma menor ativação de uma área do cérebro estudada por ela e envolvida na racionalização do pensamento, o córtex pré-frontal médio. “O sexismo hostil prediz uma menor ativação do córtex pré-frontal médio”, afirma a pesquisadora.

Coincidência incrível

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 16 fevereiro, 2009

Nos idos de 2001, a revista The Economist publicou um dossiê sobre a legalização das drogas, reportagem de capa da edição de 28 de julho daquele ano. Guardo uma cópia dessa revista até hoje, e sempre que o assunto volta à discussão dou uma olhada nas reportagens daquela edição da The Economist só para constatar que não se falou nada de novo sobre o tema desde então. Semana passada, mais uma vez o assunto retornou à mídia, com o nosso ex-presidente FHC discusando sobre o tema – novamente, uma repetição da revista.

Ainda estava com a minha The Economist sobre a bancada de trabalho quando chega o final de semana, e com ele uma nova edição da revista Época. Que, por uma incrível coincidência, estampa uma capa quase idêntica à revista inglesa. Para quem quiser conferir a similaridade:

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A conclusão da The Economist é que a legalização das drogas é a única coisa sensata que se pode fazer para combatê-la (mais uma coincidência, dessa vez, tripla: é o mesmo que FHC e a revista Época concluem).

De novo, os US$500mil do Obama

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 16 fevereiro, 2009

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Já escrevi dois posts aqui antes (veja O limite dos ganhos dos executivos nos EUA e US$500mil??? Tá de sacanagem, né?) criticando a limitação dos US$500mil anuais de salários, imposta pelo Obama para os executivos das empresas ajudadas pelo governo na atual crise financeira. Hoje, a Folha de S.Paulo publicou um ensaio do Allen Salkin, oriundo do The New York Times, que mostra que um alto executivo de N.York gasta US$1,6milhão/ano para manter um padrão de vida minimamente decente. Por isso, volto ao assunto.

Pode parecer absurdo dizer que “não dá para viver com menos de US$1,6milhão”, mas é a mais pura verdade. Lógico que um executivo novaiorquino, assim como um metalúrgico de São Bernardo do Campo, pode cortar despesas num momento de aperto. A diferença é que, para o metalúrgico, vender seu Gol 1998 e andar de ônibus não vai prejudicá-lo profissionalmente, mas um alto executivo que venda seu BMW para comprar um Honda usado vai se dar mal. Vender a casa de campo em South Hampton ou parar de pagar a anuidade do clube de golfe, então, será o fim. Um alto executivo precisa manter um padrão de vida alto para conseguir ser um alto executivo, diferente de um funcionário público ou um blue collar, não é frescura. Sabendo disso, o sujeito que teve seu teto salarial limitado a US$500mil/ano migrará, assim que possível, para outro que não tenha o teto, e o resultado será catastrófico para as empresas que já estavam mal das pernas: elas simplesmente não conseguirão ter comendo, serão empresas acéfalas.

6a. feira, 13

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 13 fevereiro, 2009

Para apimentar essa 6a feira, 13, veja o gráfico abaixo, do TradeReform.org. Ele compara a perda de empregos  nas crises de 1990 e 2001 com a atual. Dá bem mais medo que o Jason.

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O “cadastro positivo” já existe!!! Tenha logo o seu!!!

Posted in Atualidades, banco, credito by Raul Marinho on 13 fevereiro, 2009

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Na Folha de hoje, Francisco Valim, presidente da Serasa Experian (e da Experian Latin America) escreve um artigo brilhante sobre crédito. Como o texto é longo e restrito a assinantes, reproduzo abaixo alguns de seus principais pontos (depois, comento & acrescento):

1) A inadimplência é a maior responsável pelos altos spreads praticados no Brasil, sendo responsável por 37,3% da diferença entre as taxas de captação e empréstimo nos bancos, sendo que os 62,7% restantes decorrem de questões monetárias, tributárias, legais e institucionais. Dos componentes do spread, o único item de caráter exclusivamente privado é a inadimplência.

2) Uma medida de extremo impacto sobre a inadimplência é a adoção de “cadastros positivos”, cuja regulamentação tramita na Câmara dos Deputados. Ao contrário do “cadastro negativo”, que aponta o descumprimento de compromissos financeiros (ex.: cheques sem fundos, duplicatas protestadas, empréstimos não honrados etc.), o “positivo” mostra o real comportamento do agente econômico (pessoa física ou jurídica) quanto às suas dívidas. De acordo com estudos acadêmicos, o “cadastro positivo” permite um acréscimo de 90% no número de pessoas que solicitam crédito e são atendidas, a taxa de inadimplência cai praticamente pela metade, e o risco de crédito cai entre um terço e metade.

3) Este trecho está tão bom que eu vou copiá-lo integralmente: “Hoje, no Brasil, socializa-se a inadimplência, cobrando aritmeticamente de toda a sociedade o risco de crédito dos maus pagadores, em vez de utilizar ferramentas para o dimensionamento do risco individual. Tendo o risco individual menor, o risco coletivo também deve cair. Os mercados sem cadastro positivo são caracterizados pela assimetria de informações, prejudicando a avaliação do risco de crédito. Na situação que se encontram, o processo é mais oneroso para ambas as partes: concedentes e tomadores de crédito”.

Comento:

A inadimplência, além de seu custo intrínseco, influencia os demais custos, ou seja: o quadro pode ser ainda mais dramático que o mostrado no item 1. De acordo com os números apresentados, se o banco capta a 10%a.a. e repassa a 30%, os 20% de spread estariam divididos da seguinte forma: 7,46%a.a. para bancar a inadimplência, e 12,54% para os outros custos. Ok, isso está correto, mas o ponto é que a maior parte dos outros custos incidem justamente sobre o spread! Se o custo da inadimplência cair à metade (no nosso exemplo, de 7,46%a.a. para 3,73%a.a.), os outros custos não permanecerão em 12,54%, mas também diminuirão. Possivelmente, os outros custos cairiam em proporção ainda maior que a queda do spread, via ganho de escala e aumento de competitividade, mas é importante ressaltar que a diminuição de 3,73% no custo da inadimplência não resultaria numa taxa final de 26,27%a.a. (ante os 30% originais), mas em menos de 20%a.a. A redução seria, de fato, radical. E, no fim das contas, tudo não passa de um problema de assimeteria de informações, como comentado aqui inúmeras vezes.

Acrescento:

Mesmo sem a aprovação de medidas legais para o “cadastro positivo”, os tomadores – em especial as pequenas e médias empresas – já poderiam atuar para diminuir os spreads que pagam em seus empréstimos. Para isto, bastaria investir um mínimo em relacionamentos bancários, como o proposto neste artigo, que eu e o Fernando Blanco escrevemos no ano passado.

O Brasil e a crise

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 12 fevereiro, 2009

Na mesma linha apontada no post Porque o Brasil está menos mal na crise, abaixo, vale a pena assistir ao debate na GloboNews (Programa Entre Aspas) com o Stephen Kanitz e o Roberto Gianetti.

Coragem!!!

Posted in Just for fun by Raul Marinho on 12 fevereiro, 2009

corajoso

Recebi essa piadinha por e-mail, e acho que vale a pena publicá-la aqui porque é uma analogia perfeita com o que acontece em momentos de crise… (Tks ao meu amigo SérgioParsek, que foi quem me mandou).

Coragem!!!

Uma vez, um prisioneiro escapou do presídio, depois de 15 anos enclausurado. Durante sua fuga, ele encontrou uma casa, arrombou e entrou. Ele deu de cara com um jovem casal que estava na cama. Então, ele arrancou o cara da cama, o amarrou numa poltrona e depois amarrou a mulher na cama. O marido viu o bandido deitar-se sobre a mulher, beijar-lhe a nuca e logo depois, levantar-se e ir ao banheiro. Enquanto ele estava lá, o marido falou para sua mulher:

– Amor, ouça, esse cara é um prisioneiro, olhe suas roupas! Ele provavelmente passou muito tempo na prisão e há anos não
vê uma mulher, por isso te beijou a nuca. Se ele quiser sexo, não resista não reclame, apenas faça o que ele mandar, dê prazer a ele para que ele se satisfaça e vá embora nos deixando vivos. Esse cara deve ser perigoso, se ele se zangar nos mata. Seja forte, amor, eu te amo!!!…

E a mulher respondeu:

– Estou feliz que você pense assim. Com certeza ele não vê uma mulher há anos, mas ele não estava beijando minha nuca. Ele estava cochichando em meu ouvido. Ele me falou que te achou muito sexy e gostoso e perguntou se temos vaselina no banheiro. Seja forte, amor. Eu também te amo…!!!

Moral da história:
PEDIR CORAGEM AOS OUTROS É FÁCIL!!!

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Porque o Brasil está menos mal na crise

Posted in Atualidades, crise de credito, crise financeira by Raul Marinho on 12 fevereiro, 2009

snow-shovel-pin-yes-no

Mesmo que nós não estejamos passando incólumes, como alardeia nosso presidente Marolinha, também está ficando claro que o Brasil está sendo menos afetado que a maior parte dos países na atual crise econômica.  Um dos principais motivos pode ser o fato de que nossa habilidade em conviver com períodos turbulentos seja melhor que a dos países ricos, que não precisam rebolar há muitas décadas. Pelo menos é este o argumento da Anne Applebaun, do Washington Post, no artigo abaixo, publicado no The New York Times e traduzido pelo UOL Mídia Global ontem:

Lembrando de como lidar com as coisas
Aqueles que esqueceram de como tirar a neve com pá estão condenados a atravessá-la com dificuldade

Esta coluna chegou tarde nesta semana. Chegou tarde porque, entre outras coisas, meu voo que decolaria do Aeroporto de Heathrow de Londres, na segunda-feira, foi cancelado. Não adiado, cancelado. Assim como a maioria dos demais voos que partiriam de Heathrow. Esta incrível perturbação em um dos eixos de transporte mais movimentados do mundo não foi causada por um ataque terrorista ou alguma falha catastrófica de computador. Ela foi causada por mais de 12 centímetros de neve que derretia rapidamente.

Mesmo para uma natural de Washington, D.C., a cidade que o presidente Barack Obama descreveu recentemente como necessitando de uma “dureza insensível de Chicago” por causa de sua resposta patética à flocos de neve ocasionais, esta reação pareceu excessiva. Assim como a reação da rede de transporte londrina, que parou grande parte do sistema subterrâneo da cidade e todos seus oito mil ônibus, deixando mais de seis milhões de passageiros sem transporte. Assim como as reações das escolas de Londres (todas as aulas canceladas) e dos próprios londrinos. Caminhando por Piccadilly à noite, eu não encontrei evidência de ninguém usando uma pá de neve durante todo o dia.

No passado, quando este tipo de coisa acontecia em Washington, isso me provocava uma espécie de acesso, às vezes me inspirando a reclamar a respeito da cultura mimada, litigiosa, da burocracia moderna americana, das escolas em particular. Mas a descoberta de que a reação de Londres a uma pequena nevasca é ainda mais histérica do que o pânico anual de Washington me inspirou reflexões mais sérias, mais filosóficas: os eventos realmente parecem diferentes para pessoas que vivem em lugares diferentes.

É perfeitamente verdadeiro, como um britânico indignado notou na segunda-feira, que as mães de Oymyakon, na Sibéria, permitem que seus filhos brinquem ao ar livre até a temperatura cair abaixo de 40ºC negativos. (Apenas a 52ºC negativos eles fecham a escola.) No outro extremo climático, as mães em Abu Dhabi proíbem seus filhos de brincarem nos casos extremamente raros de chuva, para não se resfriarem. As pessoas em Bangladesh, onde a monção anual chega como um alívio bem-vindo, certamente consideram a reação tão cômica quanto eu considerei a do taxista que, na noite de segunda-feira, se recusava a atravessar um trecho curto de lama de neve (“slush”)..

Mas também é verdade que o clima inesperado parece causar mais caos nos climas mais temperados, precisamente porque seus habitantes estão mais despreparados, tanto de forma psicológica quanto prática, para qualquer tipo de extremo. Há poucos anos, uma onda de calor que seria considerada um clima mediano de agosto em Washington, causou um desastre nacional na França. Os ingleses lidam com a onda ocasional de calor tão mal quanto lidam com nevascas pouco frequentes. E, sim, tempestades de gelo que nem causariam comentários em Chicago podem paralisar os cidadãos de Washington, D.C., assim como todo o governo federal.

Caminhando pela Londres coberta de neve, era impossível escapar de outro pensamento: certamente o que vale para o clima também vale para outros tipos de mudanças inesperadas. Por exemplo, as pessoas que não mais se recordam de baixo crescimento econômico podem não saber lidar muito bem com uma recessão severa. Em Londres, não nevou muito por 18 anos, de forma que ninguém tem uma pá – e caso alguém tenha, não sabe como usá-la. Nos Estados Unidos, a economia não sofre um colapso desde 1929, de forma que ninguém sabe economizar barbante e folha de estanho – e caso saiba, não saberia o que fazer com eles. Uma série de habilidades, desde cozinhar com as sobras até reciclar garrafas (não por ser verde, mas por ser barato), foram perdidas durante duas gerações de prosperidade, da mesma forma que os britânicos esqueceram como dirigir seus carros por trechos de lama de neve. A última vez que mandei sapatos para colocar sola nova em Washington, o sapateiro me disse que não permaneceria em atividade por muito mais tempo, tão baixa era a demanda por seus serviços. Alguém ainda sabe como consertar torradeiras? E quanto a aparelhos de TV?

Como eu disse, as coisas parecem diferentes para pessoas em lugares diferentes: eu não tenho dúvida de que nas sociedades recém bem-sucedidas, onde a memória popular das dificuldades ainda permanece -na Indonésia, ou em Gana, por exemplo- muita gente ainda conserta torradeiras e televisores no tempo livre. Este é o motivo, quando chegar a recessão, para eles se saírem melhor do que aqueles entre nós que esqueceram como remover a neve com pá -ou que simplesmente jogaram a pá fora.

Matemática marolista

Posted in Atualidades, Just for fun by Raul Marinho on 12 fevereiro, 2009

Acho que o presidente Marorilha se empolgou com os trilhões que o Obama anda pedindo ao congresso estadunidense, e desandou a inflar as cifras dos seus próprios anúncios. Primeiro, o PAC, que, de uma hora para outra, virou trilionário (cerca de R$1,14trilhão ante os R$500bilhões originais, o que já era um absurdo, já que o governo só conseguiu gastar pouco mais de R$17bilhões com o programa em 2008). Depois, o programa de casas populares, que saltou de 500mil para um milhão em questão de uma semana. Como o papel aceita tudo, então pode. Depois ninguém vai lembrar da notícia mesmo…

A seguir, um colega de escola do Marolinha explica como é que se faz a conta certa. (Obs.: Mesmo que você não domine o inglês, dá para entender o vídeo do mesmo jeito).

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