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De novo, os US$500mil do Obama

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 16 fevereiro, 2009

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Já escrevi dois posts aqui antes (veja O limite dos ganhos dos executivos nos EUA e US$500mil??? Tá de sacanagem, né?) criticando a limitação dos US$500mil anuais de salários, imposta pelo Obama para os executivos das empresas ajudadas pelo governo na atual crise financeira. Hoje, a Folha de S.Paulo publicou um ensaio do Allen Salkin, oriundo do The New York Times, que mostra que um alto executivo de N.York gasta US$1,6milhão/ano para manter um padrão de vida minimamente decente. Por isso, volto ao assunto.

Pode parecer absurdo dizer que “não dá para viver com menos de US$1,6milhão”, mas é a mais pura verdade. Lógico que um executivo novaiorquino, assim como um metalúrgico de São Bernardo do Campo, pode cortar despesas num momento de aperto. A diferença é que, para o metalúrgico, vender seu Gol 1998 e andar de ônibus não vai prejudicá-lo profissionalmente, mas um alto executivo que venda seu BMW para comprar um Honda usado vai se dar mal. Vender a casa de campo em South Hampton ou parar de pagar a anuidade do clube de golfe, então, será o fim. Um alto executivo precisa manter um padrão de vida alto para conseguir ser um alto executivo, diferente de um funcionário público ou um blue collar, não é frescura. Sabendo disso, o sujeito que teve seu teto salarial limitado a US$500mil/ano migrará, assim que possível, para outro que não tenha o teto, e o resultado será catastrófico para as empresas que já estavam mal das pernas: elas simplesmente não conseguirão ter comendo, serão empresas acéfalas.

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4 Respostas

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  1. Fernando Blanco said, on 17 fevereiro, 2009 at 8:16 pm

    Raul – você levou em consideração que este teto é válido apenas para bancos que vierem a receber ajuda do governo (para que não quebrem)? Pense o seguinte:
    1. Em bancos normais (tirando as aberrações da agora finada Wall Street), USD 500 mil pode não ser muito, mas não é tão pouco assim.
    2. Sem o apoio do governo, estes banqueiros estariam na rua, sem emprego, porque não haveria mais banco para pagá-los- quebraram.
    3. Se o sujeito não gostou da limitação, que vá arrumar outro emprego do genêro…mas onde? Não existe mais. No fundo, o tal teto só se faz necessário porque a turma poderia “legislar em causa própria”, pois a lei da oferta e da procura por CEO/C”qualquer coisa”O já está francamente vendedora.
    4. É políticamente e moralmente inaceitável que o imposto do Joe Smith, lá de Ohio, vá parar, ainda que indiretamente, no bolso de um John Lord III, em Wall Street.
    Que venha o debate!! 🙂
    Abs, F.

  2. Raul Marinho said, on 17 fevereiro, 2009 at 8:59 pm

    Você levou em consideração que este teto é válido apenas para bancos que vierem a receber ajuda do governo (para que não quebrem)?
    Sim, e também que não só os bancos na UTI é que estão nessa, mas as GMs da vida também. É aí que está o problema: no médio prazo, deverá haver uma migração dos melhores profissionais das empresas ajudadas para as não ajudadas, o que acabará por inviabilizar a recuperação das ajudadas. O problema é que a limitação não vale só para o top management dessas empresas. O diretor de marketing da GM da Alemanha, o chefe da mesa do Citi de Cingapura, o diretor regional de um banco novaiorquino em Miami, todos esses profissionais serão afetados. Se eles forem realmente bons, deverão encontrar abrigo na concorrência, e quem é que vai ocupar a vaga deixada por eles?

    Em bancos normais (tirando as aberrações da agora finada Wall Street), USD 500 mil pode não ser muito, mas não é tão pouco assim.
    Bem, quando a limitação legal não for uma limitação de mercado, não há problema algum, é como se a regra não existisse.

    Sem o apoio do governo, estes banqueiros estariam na rua, sem emprego, porque não haveria mais banco para pagá-los- quebraram.
    Pois é, os caras não defendem o livre mercado? Eles que arrumem outra ocupação, ser gerente financeiro de uma firma em outro estado, vender seguro de vida. Numa escala muito menor, eu passei por isso, e não morri…

    Se o sujeito não gostou da limitação, que vá arrumar outro emprego do genêro…mas onde? Não existe mais. No fundo, o tal teto só se faz necessário porque a turma poderia “legislar em causa própria”, pois a lei da oferta e da procura por CEO/C”qualquer coisa”O já está francamente vendedora.
    O que eu acho que faz muita diferença é que não só os C”qualquer coisa”O – que, como respondido no item anterior, terão que se virar, sinto muito – estão sob essa limitação. E o chefe do M&A do Brasil, que arrebentou de ganhar dinheiro no ano passado e não tem nada a ver com o problema?

    É políticamente e moralmente inaceitável que o imposto do Joe Smith, lá de Ohio, vá parar, ainda que indiretamente, no bolso de um John Lord III, em Wall Street.
    A minha maior crítica é justamente seu caráter populista. O que o Obama quis mesmo foi deixar o Joe Smith de Ohio felizinho… Foi uma atitude de republiqueta de Banana.

  3. Fernando Blanco said, on 20 fevereiro, 2009 at 4:25 pm

    Raul,
    Entendo perfeitamente os teus pontos. Apenas não concordo.
    Confesso que é…puxa vida, jamais imaginei…ideológico, quase dogmático. E, portanto, nem estou preocupado com a argumentação (minha ou sua). Fechei com Obama.
    E o pior é que o dinheiro a ser “economizado” ao pagar-se bonus menores e ínfimo em relação ao tamanho do monstro financeiro Made in USA.
    Mas tem que haver algum tipo de limitação/punição e esta deve ser exemplar.
    Só não tenho contra-argumentos para a sua citação “Repúbliqueta de Bananas”. Acho que os EUA devem estar dizendo “Sou, mas quem não é”.
    Saudações restritivas! F.

  4. Raul Marinho said, on 20 fevereiro, 2009 at 5:33 pm

    Pois é, Fernando, é repugnante pensar nos crápulas de Wall Street com zilhões no cofre, rindo da desgraça alheia, enquanto milhões de coitadinhos perdem a casa em que moram. Acho que é mais forte do que dogmático ou ideológico, é um sentimento quase que instintivo que nos impele a concordar com o Obama num primeiro momento. Mas os Madoff’s da vida não são a regra, as empresas são gigantescas, e a maioria dos “executivos” atingidos pela regulamentação não são “C-qualquercoisa-O” de verdade, mas operadores de mesa, diretores regionais e outros caras que não tem nada a ver com o peixe. Acho que o Obama tem que dar uma resposta à sociedade, mas alguma coisa mais inteligente que isso…


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