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O “cadastro positivo” já existe!!! Tenha logo o seu!!!

Posted in Atualidades, banco, credito by Raul Marinho on 13 fevereiro, 2009

positivo1

Na Folha de hoje, Francisco Valim, presidente da Serasa Experian (e da Experian Latin America) escreve um artigo brilhante sobre crédito. Como o texto é longo e restrito a assinantes, reproduzo abaixo alguns de seus principais pontos (depois, comento & acrescento):

1) A inadimplência é a maior responsável pelos altos spreads praticados no Brasil, sendo responsável por 37,3% da diferença entre as taxas de captação e empréstimo nos bancos, sendo que os 62,7% restantes decorrem de questões monetárias, tributárias, legais e institucionais. Dos componentes do spread, o único item de caráter exclusivamente privado é a inadimplência.

2) Uma medida de extremo impacto sobre a inadimplência é a adoção de “cadastros positivos”, cuja regulamentação tramita na Câmara dos Deputados. Ao contrário do “cadastro negativo”, que aponta o descumprimento de compromissos financeiros (ex.: cheques sem fundos, duplicatas protestadas, empréstimos não honrados etc.), o “positivo” mostra o real comportamento do agente econômico (pessoa física ou jurídica) quanto às suas dívidas. De acordo com estudos acadêmicos, o “cadastro positivo” permite um acréscimo de 90% no número de pessoas que solicitam crédito e são atendidas, a taxa de inadimplência cai praticamente pela metade, e o risco de crédito cai entre um terço e metade.

3) Este trecho está tão bom que eu vou copiá-lo integralmente: “Hoje, no Brasil, socializa-se a inadimplência, cobrando aritmeticamente de toda a sociedade o risco de crédito dos maus pagadores, em vez de utilizar ferramentas para o dimensionamento do risco individual. Tendo o risco individual menor, o risco coletivo também deve cair. Os mercados sem cadastro positivo são caracterizados pela assimetria de informações, prejudicando a avaliação do risco de crédito. Na situação que se encontram, o processo é mais oneroso para ambas as partes: concedentes e tomadores de crédito”.

Comento:

A inadimplência, além de seu custo intrínseco, influencia os demais custos, ou seja: o quadro pode ser ainda mais dramático que o mostrado no item 1. De acordo com os números apresentados, se o banco capta a 10%a.a. e repassa a 30%, os 20% de spread estariam divididos da seguinte forma: 7,46%a.a. para bancar a inadimplência, e 12,54% para os outros custos. Ok, isso está correto, mas o ponto é que a maior parte dos outros custos incidem justamente sobre o spread! Se o custo da inadimplência cair à metade (no nosso exemplo, de 7,46%a.a. para 3,73%a.a.), os outros custos não permanecerão em 12,54%, mas também diminuirão. Possivelmente, os outros custos cairiam em proporção ainda maior que a queda do spread, via ganho de escala e aumento de competitividade, mas é importante ressaltar que a diminuição de 3,73% no custo da inadimplência não resultaria numa taxa final de 26,27%a.a. (ante os 30% originais), mas em menos de 20%a.a. A redução seria, de fato, radical. E, no fim das contas, tudo não passa de um problema de assimeteria de informações, como comentado aqui inúmeras vezes.

Acrescento:

Mesmo sem a aprovação de medidas legais para o “cadastro positivo”, os tomadores – em especial as pequenas e médias empresas – já poderiam atuar para diminuir os spreads que pagam em seus empréstimos. Para isto, bastaria investir um mínimo em relacionamentos bancários, como o proposto neste artigo, que eu e o Fernando Blanco escrevemos no ano passado.

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