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O limite dos ganhos dos executivos nos EUA

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 5 fevereiro, 2009

executivo

Ontem, o presidente Obama limitou o ganho dos executivos de empresas socorridas pelo governo na crise atual a US$500mil/ano. Também haverá restrições quanto a gastos com jatinhos particulares, festas, presentes, etc., que deverão ser explicados ao governo. (Leia mais sobre isso aqui). É uma medida de austeridade, um corte brutal nos rendimentos dos altos executivos estadunidenses, uma medida dura, mas… Será que vai surtir algum efeito? Ou melhor: será que vai surtir algum efeito positivo?

Suponhamos que eu seja um alto executivo da GM ou do Citi que, no ano passado, levou US$10milhões para casa. Com essa nova regra, se eu continuar onde estou, só vou voltar a ganhar US$10milhões depois que minha empresa sair do buraco e pagar o último centavo que tomou emprestado do governo – isso se ela não sucumbir, que é bastante provável. Se tudo der certo, daqui a uns 3 ou 4 anos eu volto a receber salários milionários, talvez até maiores, mas até lá como é que eu faço para manter o altíssimo padrão de vida que eu tenho? O que eu vou falar para o estaleiro que está construindo meu novo iate? E o sinal que eu dei para reservar meu jatinho? E a reforma do meu rancho no Texas, que está na metade? Nesse meio tempo, uma empresa americana que não está no hospital do Obama me convida para trabalhar lá ganhando US$2milhões, ou uma empresa indiana me faz uma oferta de US$3milhões, por que não aceitar?

Na medida em que um executivo aceite desertar, outros tenderão a segui-lo, e deverá haver uma certa quantidade inicial de executivos debandando (não sei se a maioria, mas pelo menos uma parte vai fazer isso, com certeza). Até aí nada de mais, é natural que profissionais se demitam para ganhar mais, o problema é: quem é que vai aceitar ocupar a cadeira que ficou vazia? Que profissional que trabalha numa empresa americana “não-hospitalizada” (ou de fora dos EUA) vai aceitar ir para uma empresa com tão sérias restrições de rendimento (sem contar com a chatice das explicações para festas/jatinhos e, principalmente, o risco implícito em uma empresa que sobrevive com ajuda do governo)? No fim das contas, o que deverá ocorrer é que haverá muita dificuldade para contratar executivos para as empresas em dificuldades, o que deverá agravá-las ainda mais, estimulando os executivos remanescentes a buscar outros empregos, e assim por diante. Ou seja: no médio prazo, essa medida do Obama poderá ser um tiro de canhão no próprio pé, com as empresas que mais precisam de bons executivos sem ninguém qualificado. Ou então, vai ficar provado que altos executivos não servem para nada e que as empresas se saem muito melhor sem eles… Quem viver, verá.

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4 Respostas

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  1. Mauro said, on 5 fevereiro, 2009 at 11:57 am

    Cheguei aqui pelo blog do Reinado Azevedo.

    Não sei se você escolheu um bom exemplo. Tanto o Citi quanto a GM andam mal das pernas há bastante tempo (na verdade, elas não estavam bem nada bem até mesmo durante o período de “vacas gordas” que precedeu a atual crise). No caso delas, eu diria que o seu hipotético executivo de US$ 10 mi está provavelmente mais preocupado com o iate que com o bem-estar da empresa, e merece um belo pé no traseiro.

    É instrutivo comparar a remuneração dos CEOs das empresas que estão sendo socorridas com a de CEOs de empresas americanas que andam muitíssimo bem e não precisam de ajuda estatal:

    * Rich Kinder, CEO da Kinder Morgan: US$ 1/ano
    * Steve Jobs, CEO da Apple: US$ 1/ano
    * Jeff Katzenberg, CEO da DreamWorks: US$ 1/ano
    * Eric Schmidt, CEO do Google: US$ 1/ano

    Não é um milhão, ou mesmo um mil. É exatamente isso: 1 (um) dólar americano. Obviamente a fonte de renda principal desses CEOs vem na forma de opções/ações restritas, o que é um belo incentivo para que eles façam de tudo para que a empresa vá bem.

  2. Raul Marinho said, on 5 fevereiro, 2009 at 1:27 pm

    Mauro, não pretendo fulanizar a discussão: no lugar de Citi e GM, escolha qualquer nome de empresa socorrida pelo governo estadunidense. O que importa é a lógica da medida, que vai dar com os burros n’água no médio prazo, na modesta opinião deste que vos fala. Quanto ao caso da Apple & Cia., é outra história, os CEOs ganham US$1 porque a remuneração variável compensa largamente, num raciocínio análogo ao cara que faz seguro de veículo e tem que escolher entre um seguro de baixo prêmio e alta franquia ou vice-versa. Quero ver como é que o Citi faria para atrair um bom executivo hoje pagando US$1…

  3. […] sobre a limitação do Obama sobre os salários de executivos de empresas em dificuldades (vide esse post, logo abaixo). Neste final de semana, conversei com um amigo que é alto executivo de um banco […]

  4. […] em Atualidades by Raul Marinho em Fevereiro 16th, 2009 Já escrevi dois posts aqui antes (veja O limite dos ganhos dos executivos nos EUA e US$500mil??? Tá de sacanagem, né?) criticando a limitação dos US$500mil anuais de salários, […]


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