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Marolona

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 12 março, 2009

marolona

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Porque sou um “otimista racional”

up-down

Desculpem pelo post autobiográfico, mas a melhor forma que eu encontrei para explicar o momento atual é revivendo os últimos vinte e poucos anos, desde que “virei gente” (i.e.: saí da alienação adolescente – pelo menos, a mais aguda). Entrei na faculdade (FEA-USP) na época do Plano Cruzado, que é quando começa a se delinear o cenário que hoje vivemos. Era uma época esquisita: não houve bife por um bom tempo no bandejão da universidade porque a carne sumira do mercado, e a gente tomava vodca porque a cerveja também desaparecera – um prosaico churrasquinho com uma gelada dependia de contatos obscuros, com o cuidado de não despertar a atenção de nenhum “fiscal do Sarney”. Estava tendo aula de Introdução à Economia II quando a bolsa de N.York quebrou, em 1987, o que de certa forma foi um privilégio acadêmico. Em 1989, a inflação era tão alta que existia um produto bancário chamado “pagamento de impostos”, que nada mais era do que… Pagamento de impostos, mas com um “rebate” para o pagador. Por exemplo: a empresa ABC recolhe um milhão de dinheiros no caixa do banco tal. Acontece que, como esse banco tal demorava X dias para repassar o dinheiro para o Tesouro, havia um “floating“, uma espécie de prazo para o banco pagar. O overnight pagava coisa de 2%a.d. ou mais (veja bem: ao dia, não ao mês). Na maioria dos casos, o floating era superior a cinco dias, algo como 10-15%% pelo período, e 10-15% de muita grana era muita grana também. Para uma empresa que paga um milhão de ICMS, o lucro bruto é de R$100-150mil, um valor que podia ser “rebatido” (dividido) entre o banco e o cliente. Olha que época absurda…

A hiperinflação fazia com que a economia ficasse surreal, mas nada se compara a bizarrice de 1990, com o Plano Collor (e o próprio), a Zélia, o Ibrahim Eris, o PC Farias, um pessoal muito, mas muito estranho mesmo. A primeira coisa que o ex-presidente Fernando Collor fez (ou uma das primeiras) foi decretar feriado bancário. Trabalhava no Citibank na época, e houve expediente interno, a maior parte passada na frente da TV, assistindo às explicações das “torneirinhas” do bloqueio de Cruzados Novos. O governo simplesmente tomou a maior parte do dinheiro de todo mundo, é possível um negócio desses? Logo depois, o plano fracassa, a inflação dispara, a credibilidade do governo vira pó, as reservas do país desaparecem, e o Fernandinho acaba impeachado (ou seria impichado?). A seguir, toma posse o Itamar, que faz beicinho para ressuscitar a produção do Fusca… Imagine o que é um presidente ficar dando pitaco em lançamento de produto, que coisa mais esquisita. Chega 1994 e, no meio dele, um plano mirabolante, que dolarizava a economia com uma moeda virtual (URV, lembram?), e depois desdolarizava convertendo tudo a uma taxa de 2,75:1 (!!!). Por ironia, esse plano fantástico se chamou Real.

No resto dos anos 1990, até 2001, de tempos em tempos estouravam crises internacionais: crise do México, crise dos Tigres Asiáticos, crise da Rússia, a crise cambial brasileira de 1999 (uma crise doméstica com contornos de crise internacional), o estouro da bolha da internet e, finalmente, a crise decorrente dos ataques de 11 de setembro de 2001. De 2002 até o início de 2008, entretanto, fora a balbúrdia na transição FHC-Lula (que nem foi tão dramática assim), vivemos um período excepcionalmente calmo na economia, tão calmo que deu até tempo para discutirmos Ecologia. Mas eis que a crise dos subprimes emerge em 2008, os bancos acabam contaminados, as commodities idem, o crédito e a sua prima, a confiança, desaparecem, e o resultado é a atual crise financeira, que em 2009 está com a corda toda. Será o fim do capitalismo? O sistema financeiro global está condenado à extinção? Ou essa é só mais uma das tantas crises tão comuns outrora, mas que nos desacostumamos a passar?

Certamente não estamos atravessando uma marolinha, mas também não há dúvidas que já vivemos momentos bem piores no passado “recente” (vamos considerar como recente o período do governo Sarney para cá). Como o grande problema que a maior parte do mundo está vivendo tem a ver com os bancos – que, no Brasil pós PROER, são razoavelmente sólidos -, o país está sendo impactado principalmente pela queda no valor das commodities que produzimos, e pelo encolhimento do mercado comprador externo. Lógico que também sofreremos por outros fatores, como as dificuldades por que as multinacionais instaladas aqui deverão passar em suas respectivas matrizes, o calote que tomaremos em nossas exportações, os problemas pelos quais a Petrobras deverá passar devido à depressão no preço do petróleo etc., mas nada de bancos quebrando em massa, descrença no sistema financeiro, e calamidades do gênero.

Na verdade, para um brasileiro é muito menos arriscado acreditar no futuro do que duvidar dele. Como a chance do Brasil se sair melhor que a média dos outros países é muito alta, a turma dos otimistas tem maior probabilidade de se dar bem que a dos pessimistas. Admitindo que o que conta é o sucesso relativo e não o absoluto, perder uma oportunidade (ganhar pouco quando todos os outros ganham muito) é tão danoso quanto entrar numa roubada (perder quando os outros ganham pouco). Por isso, no cenário atual, as apostas otimistas estão pagando muito mais que as pessimistas. Você pode não gostar do presidente Lula, pode achar que o otimismo é uma praga ingênua, sua visão sobre o mundo pode ser sombria até por questões psicológicas, mas se pensar bem vai concluir que a postura otimista é a melhor atualmente em termos racionais.

Matemática marolista

Posted in Atualidades, Just for fun by Raul Marinho on 12 fevereiro, 2009

Acho que o presidente Marorilha se empolgou com os trilhões que o Obama anda pedindo ao congresso estadunidense, e desandou a inflar as cifras dos seus próprios anúncios. Primeiro, o PAC, que, de uma hora para outra, virou trilionário (cerca de R$1,14trilhão ante os R$500bilhões originais, o que já era um absurdo, já que o governo só conseguiu gastar pouco mais de R$17bilhões com o programa em 2008). Depois, o programa de casas populares, que saltou de 500mil para um milhão em questão de uma semana. Como o papel aceita tudo, então pode. Depois ninguém vai lembrar da notícia mesmo…

A seguir, um colega de escola do Marolinha explica como é que se faz a conta certa. (Obs.: Mesmo que você não domine o inglês, dá para entender o vídeo do mesmo jeito).

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Uma crise de otimismo (não no Brasil)

Posted in Atualidades, crise de credito, crise financeira, Ensaios de minha lavra by Raul Marinho on 10 fevereiro, 2009

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A crise financeira mundial vinha caminhando desde fins de 2007 pelos becos escuros dos subprimes e pelas vielas mal frequentadas das commodities até que, subitamente, quebrou o Lehman Brothers – ou melhor, o governo dos EUA se fingiu de morto com a sua quebra, este o verdadeiro problema – em setembro do ano passado. Daí prá frente, a economia mundial vem desembestada ladeira abaixo, como uma jamanta sem freios, atropelando as Freddie Mac’s & Fannie Mae’s da vida. A posse do Obama no final de janeiro seria o começo do fim da crise, mas já no início de fevereiro parece que, mais que um trocadilho, tudo não passará de oba-oba. Enquanto isso, os juros internacionais se aproximam do negativo ao mesmo tempo em que os bancos mantêm represados quase dois trilhões de dólares por medo de emprestar.

Percebe-se que, em termos globais, o problema é, antes de tudo, uma profunda descrença no futuro por parte dos bancos – ou seja: trata-se de uma crise de otimismo. Há um pensamento único no mercado financeiro mundial: a coisa está ruim, deve piorar, e eu quero ficar quietinho no meu canto enquanto isso. O drama é que quem se arrisca a emitir uma opinião minimamente otimista é apedrejado em praça pública, como aconteceu em Davos (veja esse post aqui). Enquanto isso, aqui no Brasil, o papinho de marolinha prá cá, “o problema é dos ricos” prá lá, ao que parece o otimismo não está em crise (em termos relativos, pelo menos). Em janeiro, foi recorde o número de financiamentos imobiliários, principalmente para o público de renda mais baixa – aliás, o tipo de empréstimo que esteve no centro da crise em seu início. Resta saber como encerraremos o trimestre, se finalmente contaminados pelo pessimismo global, ou se alavancando o otimismo no resto do mundo. Será que o rabo irá balançar o cachorro?

Marolinha???

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 20 janeiro, 2009

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Logo no início da atual crise econômica, o presidente Lula minimizou-a com a célebre frase da marolinha. Bem, o tempo passou, e o resultado foi que, em dezembro, houve 650mil demissões no Brasil. Já nos EUA, onde estaria a tsunami, 550mil empregos foram cortados. (E isso sem contar que a população estadunidense é muito maior que a nossa). Como diria o Filósofo: então tá então…

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A última do Marolinha

Posted in Atualidades, Just for fun by Raul Marinho on 21 novembro, 2008

Eu acho que o Obama tem que dizer o que eu disse quando tomei posse em 2003: ‘Não posso errar’ – Marolinha, hoje, ilustrando os ditados “conselho, se fosse bom, ninguém dava, vendia” e “em boca fechada não entra mosquito”.

marolinnha