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A desinformação clovisrrossiana de sempre

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 25 maio, 2009

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A seguir, a coluna do Clóvis Rossi na Folha de ontem. Meus comentários vêm na sequência.

A bolsa ou a vida

A Bolsa de Valores zerou este ano, até agora, as perdas sofridas a partir de outubro, auge da crise. O emprego nem remotamente. O rendimento dos salários tampouco: além de continuar medíocre como é há séculos, ainda retrocedeu algo mais.

Não obstante, há festa no arraial. Sinal de que estamos de volta ao espírito pré-crise: o que importa é a felicidade do capital. A vida, bom, a vida a gente toca como Deus manda, como diria o caboclo no seu conformismo também secular, afogado nas águas ou torrando ao sol das secas impenitentes.

Não é só no Brasil. Na Espanha, por exemplo, a Bolsa, este ano, está em território positivo. Mas, no ano até abril, o número de postos de trabalho decepados bateu em 1,1 milhão, à base portanto de 100 mil por mês, arredondando.

Não obstante, a ministra da Economia, Elena Salgado, vê uma luz no fim do túnel e é capaz de jurar que não se trata de trem vindo em sentido contrário, frase que já deveria ter caído em desuso.

Com isso, a gritaria a respeito da falência do capitalismo selvagem, a pregação quase missionária em favor de uma nova arquitetura financeira global capaz de mitigar os efeitos perversos da jogatina -está indo tudo para o saco.

Tanto que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chama de “trambique” as apostas em derivativos, que afundaram a Sadia. Mas o BNDES, banco público, põe dinheiro para ajudar na compra da empresa supostamente “trambiqueira” pela Perdigão, compra tratada com o codinome de fusão.

Se é trambique, como diz Lula, deveria ser regulado pelo governo, e não incentivado via BNDES, não?

Menos mal que pelo menos Barack Obama já soltou seu plano para regular justamente os tramb… ops, derivativos. Sei não, mas desse jeito os EUA correm o risco de saírem mais sólidos que outros da crise que criaram.

Comento

O colunista da Folha adora misturar conceitos quando trata de economia, às vezes por ignorância, às vezes por má fé; mas, na maioria das vezes, pelos dois motivos – o que parece ser o caso do texto de hoje.

Em primeiro lugar, é para comemorar, sim, a recuperação das bolsas. E quem deveria soltar mais rojões deveriam ser os trabalhadores, já que os especuladores ganham sempre, tanto na alta quanto na baixa. Quando as bolsas estão em alta, há clara sinalização de recuperação econômica, o que significa que os empregos voltarão, que a renda deverá aumentar, etc. Se a recuperação dos empregos ainda não ocorreu é porque existe um tempo necessário para a economia se reorganizar até chegar às (re)contratações, que certamente ocorrerão se os sinais do mercado se mantiverem positivos. (E mesmo que os empregos não voltassem… Que vantagem teriam os trabalhadores com a queda nas bolsas? Divertir-se com amiséria alheia?).

Em segundo lugar, é preciso entender que os derivativos, no Brasil, são muitíssimo bem regulados (até demais, eu diria), diferente do que ocorreu nos EUA. “Trambique” foi a má utilização desses derivativos, como no caso da Sadia. Se o botequim da esquina se financia com o cheque especial do dono, e quebra por causa disso, o que está errado: a regulamentação das operações de empréstimo via cheque especial, ou a capacidade administrativa do proprietário? O diretor da Sadia cometeu um erro técnico-administrativo no uso dos derivativos, foi simplesmente isso o que aconteceu. Nada a ver com o problema dos derivativos nos EUA, monstrengos incontabilizáveis e ininteligíveis criados para gerar ganhos estúpidos para alguns.

E, finalmente: a entrada do BNDES nessa história não tem nada a ver com derivativos. A Sadia (que quebrou por incompetência gerencial, isso precisa ficar claro) deveria ser jogada no lixo, ou seria melhor para o país que se encontrasse uma outra saída para o caso? Ora, a compra da Sadia pela Perdigão (e nisso o Clóvis Rossi acertou: não é uma fusão) com apoio do BNDES foi a melhor saída dada a situação apresentada.

Confiança, confiança, confiança…

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 13 abril, 2009

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A atual crise econômica é, como já cansamos dizer aqui, uma crise de confiança. (Re)veja esses posts sobre o assunto: Confiança com ou sem fiança?, É a confiança, estúpido!*, e Fé x Confiança, e entenda o que eu quero dizer por “crise de confiança”. Depois, leia o artigo abaixo do Peter Baker, publicado hoje pelo The New York Times e reproduzido na Folha (comento brevemente no final). É muita leitura, eu concordo, mas com ela você será capaz de formar um quadro consistente sobre a crise atual e seus possíveis rumos. Logo, vale a pena.

Uma questão de confiança

Obama conseguirá restaurar a sensação de empreendedorismo e coragem nos EUA?

Washington
Confança é o nome do jogo para Barack Obama, presidente que tenta calibrar sua mensagem para se adequar ao momento, buscando uma maneira de inspirar um país temeroso da recessão e transmitir a esperança de que tempos melhores virão. É um equilíbrio delicado de se alcançar. Se ele parecer pessimista demais, poderá deprimir ainda mais um povo desesperado por qualquer sinal de progresso. Se soar otimista demais, correrá o risco de parecer que está tentando enganar a nação.
“Você não quer ignorar os problemas e parecer que não está em contato com os desafios que eles estão enfrentando”, disse Rahm Emanuel, chefe de gabinete da Casa Branca. “Por outro lado, você tem de passar a sensação de que há uma luz no horizonte, visível, para a qual você está apontando.”
E os americanos ficaram mais otimistas sobre a economia e a condução dos EUA desde a posse de Obama, o que sugere que ele goza de certo sucesso em sua tarefa crítica de reconstruir a confiança americana, segundo uma pesquisa New York Times/CBS News divulgada no dia 7.
A tarefa de Obama é igualmente crítica para muitos outros países cujas economias dependem de um consumidor americano confiante. Por isso, quando ele voou para Londres e se reuniu com outros líderes para tentar reverter a economia mundial, prometeu mais uma vez restaurar “a confiança nos mercados financeiros”.
Na França, disse em um encontro na prefeitura que estava “confiante de que podemos enfrentar qualquer desafio desde que estejamos unidos”. Para confirmar, repetiu a frase duas vezes em seus comentários iniciais. E caso os americanos a tivessem perdido, Obama gravou uma mensagem declarando que está “confiante de que vamos superar esse desafio”.
Mas Obama é o líder de uma nação com a confiança desgastada em todo tipo de instituição, dos bancos e da indústria de automóveis ao governo e à mídia noticiosa. O próprio lugar dos EUA no mundo parece em dúvida para alguns, enquanto China e Rússia tentam criar uma nova moeda internacional para substituir o dólar e outros contestam a dominação econômica, militar e cultural do país.
Na verdade, esta não é a primeira vez que um presidente enfrenta tal desafio. Franklin D. Roosevelt possivelmente reverteu o clima de um país que apreciava seu estilo entusiasmado, as conversas tranquilizadoras ao pé da lareira e a certeza de que a única coisa a temer era “o próprio medo”, apesar de a Grande Depressão ter causado estragos por anos. Ronald Reagan assumiu um país, depois do Vietnã e de Watergate, que sofria o que Jimmy Carter chamou de “crise de confiança” e imitou Roosevelt com uma série de pronunciamentos pelo rádio e discursos expressando a fé inabalável no espírito americano.
Não importa quanto crédito eles mereçam, Roosevelt e Reagan, ou suas lendas, levaram sucessivos presidentes a cuidar do tom, sabendo que serão julgados por ele. George W. Bush projetou uma segurança constante na sequência dos atentados de 11 de Setembro.
Mas suas avaliações sempre entusiásticas da guerra no Iraque, mais tarde, o fizeram parecer desconectado. “As pessoas pararam de acreditar nele depois de algum tempo”, disse Alan Brinkley, reitor da Universidade Columbia, em Nova York, e historiador presidencial. “Já Obama é descontraído e calmo, e no entanto pode ser muito carismático. Acho que a sensação de calma e razão é o que faz as pessoas confiarem nele. Não tem o entusiasmo efervescente que Roosevelt e Reagan tinham, mas é um tipo de confiança diferente.”
O equilíbrio escapou a Obama algumas vezes desde sua eleição. Por semanas ele pareceu um arauto da catástrofe, advertendo sobre uma recessão que poderia durar uma década. Em certa altura o ex-presidente Bill Clinton, o homem de Hope [Esperança], Arkansas, pediu que Obama fosse franco com a população sobre a crise, mas enfatizasse sua fé no futuro. “Eu gostaria que ele dissesse que está esperançoso e convencido de que vamos superar isto”, disse Clinton na época.
Bush resistiu ao usar a palavra “recessão” durante vários meses, preferindo “declínio” e “desaceleração”, raciocinando que um presidente que usasse a palavra prematuramente poderia transformá-la em uma conclusão antecipada.
No entanto, alguns especialistas negam a importância da confiança em uma época em que tantos pilares do sistema estão partidos. “Isso não vai consertar a situação”, disse Peter Morici, economista da Universidade de Maryland. “A economia está ruim e as pessoas perderam a confiança, e não o contrário. O fato de as pessoas recuperarem a confiança não vai restaurar a solvência dos bancos ou a demanda do consumidor.”

Comento:

Nos trechos em negrito, destaco a diferença entre o presidente Marolinha e o Obama. O primeiro, mentindo deslavadamente e depois dizendo que a outra opção seria falar sifu; o outro, sendo franco e, ao mesmo tempo, passando uma mensagem otimista sobre o futuro.

Sutilezas

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 2 abril, 2009

Às vezes, é difícil saber se alguém está caçoando de você ou está falando sério, e é justamente essa dubiedade que é a graça da brincadeira. Por exemplo: se eu falo para o Jô Soares que ele é o melhor entrevistador de talk shows do Brasil, ele vai achar que é verdade; se eu acrescento que ele também é o maior escritor da América Latina, ele provavelmente vai começar a desconfiar que é gozação; mas se eu terminar dizendo que, além de tudo, ele é um dos sujeitos mais esbeltos da TV, vai ficar evidente que eu estava brincando o tempo todo. Essa é uma estratégia de piada eficiente: você enumera uma série de qualidades possíveis e inclui uma impossível no final, que irá “contaminar” todas as outras.

Hoje, na reunião do G-20 (vide vídeo abaixo), o Obama falou que “Lula é o cara“, que “Lula é o político mais popular da Terra”, e depois emenda: “E boa pinta!”. Embora o próprio deva ter entendido a gozação, quanto vocês querem apostar como vai ter gente achando que o presidente dos EUA ficou impressionado com o Marolinha?

O pós-crise

Posted in Atualidades, crise financeira by Raul Marinho on 31 março, 2009

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Há um ano, publiquei um artigo no portal administradores.com sobre a boletite, que é o consumismo epidêmico por que passávamos na época, logo antes da crise econômica atual chegar para ficar. Na verdade, o primeiro estágio da crise, o problema dos subprimes, já estava acontecendo, e eu dizia naquele artigo que a sua causa era justamente a boletite que impelia as pessoas a consumir casas cada vez maiores e mais caras.

Alguns meses depois, dei uma palestra sobre o assunto, e propus uma estratégia de combate à boletite baseada numa mudança radical na política tributária das pessoas físicas, hoje focada na renda das pessoas. A idéia é desonerar a parte da renda direcionada à poupança e sobre-onerar a parcela destinada ao consumo, o que faria com que a sociedade ficasse mais saudável em termos econômicos e evitaria a ocorrência de uma corrida consumista insana, a causa original da atual crise econômica. Logo depois, a crise econômica se agravou, o Lula saiu falando para todo mundo comprar TV de plasma a prestação, e ficou impossível continuar com esse debate.

Agora, às vésperas da reunião do G-20, o combate à boletite está voltando ao centro da cena. Veja a coluna do Clóvis Rossi de hoje (logo abaixo). Volto a esse assunto depois.

Além da bruma da crise

Por fim, na vertigem da crise, algumas vozes do establishment começam a olhar além e a tentar adivinhar -ou desejar- como seria o mundo pós-crise.
Uma das vozes atende pelo nome de Luiz Inácio Lula da Silva e diz, em artigo ontem publicado pelo “Le Monde”, que, “mais grave que uma crise econômica, estamos diante de uma crise de civilização. Ela exige novos paradigmas, novos modelos de consumo e novas formas de organização da produção”.
Concorda com ele relatório da Comissão de Desenvolvimento Sustentável, instituto independente de assessoria do governo britânico, que procura separar “prosperidade” de “crescimento”. O texto pede aos governos para “desenvolver um sistema econômico sustentável que não se apoie em um consumo sempre crescente”.
Reforça Malloch Brown, o principal negociador britânico para a cúpula do G20: “Veremos [após a crise] uma recalibrada no estilo de vida, toda uma nova visão de futuro de um mundo menos conduzido pelo consumismo, talvez com o acréscimo de um mundo no qual o poder tenha sido algo mais bem distribuído”.
Fecha o circuito Pascal Lamy, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio e um funcionário internacional ao qual se é obrigado a prestar atenção pela qualidade de suas análises: “O modelo de capitalismo que conhecemos nos últimos 50 anos não se sustenta. A questão fundamental é saber se há que readaptar, arrumar ou reformar o capitalismo ou se é preciso ir além, ser mais profundo nas mudanças e ir mais fundo nos retoques”. Completa: “Creio que não temos que nos satisfazer intelectualmente com o horizonte atual do capitalismo”.
Bem-vindos todos ao clube do “outro mundo é possível”. Mas palavras só não bastam. Vocês que são todos “insiders”, que tal reconstruir a civilização?

Ainda a carta do Tojinho

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 21 março, 2009

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A carta que o delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, enviou ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, é o documento histórico brasileiro mais importante desde a carta-testamento do Getúlio. Pelo menos é nisso que seu autor deveria estar pensando quando a redigiu, e essa deve ser a razão de existirem, além das versões em português (a língua do emitente) e em inglês (a língua do receptor), uma terceira em francês: para facilitar a leitura ao Sarkozy. Aproveitando que o Obama está com uma agenda tranquila, sem fazer muita coisa, é óbvio que o estadunidense vai dar a maior importância para a operação Satiagraha. O Sarkozy que eu não boto muita fé, pois com o mulherão que ele tem em casa, duvido que ele vai perder tempo lendo cartinha de meganha sulamericano.

Mas, a despeito do pensamento megalomaníaco e do evidente comportamento amalucado do delegado (não se sabe se por patologia ou por estratégia, talvez uma mistura dos dois), o fato é que tem coisa importante escrita ali. Olha só esse parágrafo perdido, no meio do texto:

O próprio presidente da república, o Lula, acaba de colocar los amigos para assumir controle do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) com um decreto no dia 19 de fevereiro de 2009, visando obstruir processos relativos à soberania da nação – aliás, uma jogada não muito distante do Patriot Act do presidente G.W. Bush que custou aos EUA um atraso que o senhor pode mensurar melhor do que ninguém. No caso em questão, 11 entidades autônomas, incluindo as forças armadas brasileiras, formavam um conselho consultivo que coordenava a Sisbin. Esse conselho foi agora substituído por um comitê de seis indivíduos amigos de Lula, todos com um passado ético extremamente questionável.

Não é uma informação muito relevante para o Obama, mas internamente o é. Por que o Lula reformulou o Sisbin? Qual a versão oficial?

Santo companheiro PROER, rogai por nós

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 20 março, 2009

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Se eu fosse o Lula, iria para o Vaticano pedir para o Papa canonizar o Pedro Malan e o FHC em vida por eles terem feito o PROER. Foi por causa deles que o circo não está pegando fogo agora e, pelo contrário, o setor bancário é nosso maior trunfo contra a crise. Veja a nota abaixo, da BBC/UOL:

Bancos brasileiros são ‘exceção lucrativa’ no setor, diz Economist
Os bancos brasileiros estão seguros e seriam uma “exceção” no setor em meio à crise, segundo reportagem publicada pela revista britânica Economist que chega às bancas nesta sexta-feira.

Comentando o corte de 1,5 ponto percentual da taxa de juros Selic na semana passada, a revista afirma que o Banco Central conseguiu cortar as taxas “dura e rapidamente”, e que mais cortes são esperados.

“Esta é uma novidade bem vinda: no passado, a frágil moeda e a alta inflação impediam que o país adotasse medidas anti-cíclicas como esta”, afirma a reportagem.

Mas a revista destaca que os cortes nas taxas não estão sendo repassados para os clientes, alimentado a discussão sobre os altos lucros dos bancos com seus spreads (a diferença entre as taxas cobradas sobre o dinheiro que o banco toma emprestado e que ele empresta aos seus clientes).

“Os bancos brasileiros podem ser caros, mas pelo menos eles estão seguros”, diz a Economist, “Até agora, nenhum deles teve problemas com a crise financeira mundial. Isso pode ser porque seus lucros com as atividades diárias são tão altos que eles não precisaram assumir riscos tolos.” A Economist afirma que, segundo um cálculo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), o Brasil tem os spreads bancários mais altos do mundo. O cálculo, no entanto, é disputado pela Federação de Bancos, que alegam que os spreads são inflados pelos impostos sobre as transações bancárias.

De acordo com a revista, a segurança também se deve ao fato de os regulamentos serem mais duros desde que vários bancos quebraram quando a inflação foi domada, em meados dos anos 90.

A Economist comenta ainda que os bancos HSBC e Citibank, que enfrentam problemas no resto do mundo, vão bem no Brasil. “De uma maneira ou de outra, o sistema bancário do Brasil parece que vai continuar a ser a lucrativa exceção aos desastres em outros lugares”, conclui a reportagem.

Marolona

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 12 março, 2009

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Exército da Salvação

Posted in Atualidades, crise de credito, crise financeira by Raul Marinho on 11 março, 2009

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O Financial Times publicou hoje uma lista com as 50 pessoas que serão cruciais para tirar o mundo da crise. Quero só ver quando o presidente Marolinha descobruir que NÂO está entre elas – e, pior, que tem um brasileiro enhtre os 50 (Carlos Ghosn, presidente da Nissan/Renault).

Uma lista de 50 pessoas que ajudarão o mundo a sair da crise

Liderança política e coordenação internacional serão necessárias para acalmar o mundo no decorrer da crise financeira e econômica. Os nossos articulistas identificaram 50 pessoas cujos cargos, habilidades e contatos possibilitarão que sejam definidas as linhas do debate a respeito do que deverá acontecer. Abaixo, uma avaliação feita pelo editor do “Financial Times” Lionel Barber.

Políticos

1 – Barack Obama, 47
Presidente dos Estados Unidos
Até o momento, no que diz respeito aos seus planos de resgate econômico, há avaliações positivas e negativas, mas ainda são aguardados muitos detalhes. Enquanto isso, o presidente está exercendo pressões para a implementação de uma agenda radical de reforma doméstica que inclua serviço de saúde, meio ambiente e educação. Conforme prometido, essa agenda traz uma forte dose de audácia e de esperança.

2 – Wen Jiabao, 66
Primeiro-ministro chinês
O homem que controla a economia da China goza de uma boa reputação no exterior, mas em casa enfrenta os críticos que dizem que ele apertou os freios muito rapidamente no ano passado. Jiabao é geólogo, e ascendeu ao poder devido à sua lealdade e atenção para os detalhes. Ele revelou uma faceta populista – muitos o conhecem como “Vovô Wen”.

3 – Angela Merkel, 54
Chanceler da Alemanha
Integrante do grupo dos defensores de uma resposta regulatória e sistêmica, e não puramente macroeconômica e reativa, ela pediu uma “nova constituição global” para os mercados financeiros. Esta política democrata-cristã disputará um segundo mandato em 27 de setembro.

4 – Nicolas Sarkozy, 54
Presidente da França
Sarkozy acredita ser o líder real da Europa, devido aos problemas domésticos políticos e econômicos de Gordon Brown e à problemática coalizão de Angela Merkel. Durante a presidência francesa da União Europeia ele criou uma aparência de coordenação e unidade, que a seguir dissipou-se. Sarkozy defende a intervenção estatal e condena o capitalismo anglo-saxão.

5 – Gordon Brown, 58
Primeiro-ministro do Reino Unido
Tido como um potencial salvador global pelo economista Paul Krugman após ter recapitalizado os bancos britânicos, o ex-chanceler financeiro trabalhista acredita que está idealmente equipado para enfrentar a crise. Brown será o anfitrião na reunião de cúpula do Grupo das 20 nações industriais e em desenvolvimento (G-20), em 2 de abril, em Londres.

6 – Vladimir Putin, 56
Primeiro-ministro da Rússia
Após ter desfrutado de uma economia em crescimento como presidente, ele viu o mundo mudar desde que deixou o cargo de primeiro-ministro no ano passado. Putin terá que preservar um orçamento governamental que está sofrendo com a queda do preço do petróleo.

7 – Tim Geithner, 47
Secretário do Tesouro dos Estados Unidos
Presidente do New York Federal Reserve quando a crise chegou no final de setembro, ele agora dirige a operação de resgate do sistema financeiro dos Estados Unidos. O seu anúncio, em fevereiro, de diretrizes para o resgate, foi tido como equivocado.

8 – Lawrence Summers, 54
Diretor do Conselho Econômico Nacional
Tendo sido o último secretário do Tesouro de Bill Clinton e sendo o principal assessor econômico de Barack Obama, Larry Summers é sem dúvida a pessoa mais influente no governo. O ex-presidente da universidade Harvard está com um estilo menos contundente do que o que tinha antes. Mas isso ainda é um trabalho em andamento.

9 – Hamad bin Jassem al-Thani, 50
Primeiro-ministro de Qatar; presidente da Autoridade de Investimento de Qatar
Erudito, comunicativo e politicamente influente em um país rico em petróleo que deseja esquivar-se da crise gastando dinheiro e que provavelmente terá sucesso. Autoridade de Investimento de Qatar, um fundo soberano, sairá comprando pechinchas à medida que os preços caírem. O xeque Hamada gerou uma certa agitação ao apoiar a criação da Al Jazira, a popular rede de televisão árabe.

10 – Wang Qishan, 60
Vice-primeiro-ministro da China
Nomeado no ano passado, ele emergiu como figura de ponta na liderança das questões financeiras internacionais. Com um currículo que inclui cargos como o de prefeito de Pequim e presidente do Banco de Construção da China, ele é um dos poucos líderes chineses que sente-se à vontade com a diplomacia da reunião de cúpula do G-20. É uma pessoa famosa pelo seu estilo direto e sem sutilezas.

11 – Barney Frank, 68
Presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos
O parlamentar que deseja ser um dos principais arquitetos da reformulação da regulação financeira dos Estados Unidos quer criar um “regulador de risco sistêmico”, afirmando que o Federal Reserve deveria assumir a tarefa. Frank deseja também a reformulação do financiamento de hipotecas e a prevenção dos abusos por parte dos bancos de financiamento.

12 – Steven Chu, 61
Secretário de Energia dos Estados Unidos
Tendo apenas um curso de nível superior, ele brinca dizendo que foi a “ovelha negra acadêmica” na sua família de acadêmicos norte-americanos descendentes de chineses. Mas Chu teve inteligência suficiente para ganhar o Prêmio Nobel de Física em 1997. Ele liderará as iniciativas para a promoção da energia verde.

13 – Olivier Besancenot, 34
Líder partidário francês
O carteiro trotskista que lidera o Novo Partido Anti-capitalista, o maior grupo de extrema esquerda da França, sonha em usar o tumulto provocado pela recessão para modificar a ordem política e social. Identificado pelas pesquisas de opinião da França como o político oposicionista mais efetivo, ele disputou duas eleições presidenciais, tendo conquistado bem mais de um milhão de votos em cada uma delas.

Presidentes de Bancos Centrais

14 – Ben Bernanke, 55
Presidente do Federal Reserve dos Estados Unidos
Especialista na história da Grande Depressão e nas medidas que os bancos centrais podem adotar em épocas de grande crise, ele tem contado com amplas oportunidades para colocar as suas teorias em prática, usando uma gama cada vez mais ampla de instrumentos para tentar conter o desastre econômico.

15 – Jean-Claude Trichet, 66
Presidente do Banco Central Europeu
Este burocrata francês, que lida com crises econômicas há mais de duas décadas, acredita que os políticos e os bancos centrais precisam fazer tudo o que está ao seu alcance para restaurar a confiança econômica. Ele ajudou a fazer com que governos apoiassem planos de resgate e reformas regulatórias.

16 – Zhou Xiaochuan, 61
Governador do Banco Popular da China
Governador do banco central da China desde 2002, ele é considerado um dos principais defensores das reformas rápidas de mercado. Fluente em inglês, Xiaochuan é respeitado entre os economistas. Ele é responsável pelo controle de reservas em moeda estrangeiras no valor de quase US$ 2 trilhões.

17 – Mervyn King, 60
Governador do Banco da Inglaterra
A elaboração de políticas por parte de King no banco central do Reino Unido tem sido criticada por dar mais ênfase à economia do que à estabilidade financeira. Mas não há dúvidas quanto à sua capacidade intelectual e vínculos econômicos globais.

18 – Masaaki Shirakawa, 59
Governador do Banco do Japão
Embora seja o guia monetário da segunda maior economia do mundo, o seu estilo cauteloso e as suas modestas ambições políticas deixam claro que ele não será uma força propulsora de mudanças drásticas. Shirakawa é um veterano do Banco do Japão que diz que a sua atuação no banco central é não só a sua profissão, mas também o seu hobby.

19 – Mario Draghi, 61
Presidente do Fórum de Estabilidade Financeira e governador do Banco da Itália
Economista que estudou nos Estados Unidos, ex-executivo do Goldman Sachs e respeitado articulador de políticas transatlânticas. Ele defende uma maior regulação, fiscalização e transparência no Fórum de Estabilidade Financeira, um braço do Grupo dos Sete países industrializados (G-7), que deverá desempenhar um papel maior após a reunião de cúpula do G-20.

20 – Mark Carney, 43
Governador do Banco do Canadá
O jovem Carney dá continuidade à tradição notável dos governadores do Banco do Canadá. Tendo um doutorado em economia, 13 anos de Goldman e seis como autoridade que participa de reuniões internacionais, ele está bem posicionado para entender as pressões tanto do sistema bancário quanto das regulações.

21 – Miguel Ordóñez
Governador do Banco da Espanha
Como funcionário graduado do banco central da Espanha, Miguel Angel Fernández Ordóñez manteve um sistema de medidas “anti-cíclicas” para os bancos, que agora é tido como um modelo para o mundo. O Banco da Espanha também rejeitou as unidades “off-balance-sheet” (uma forma de financiamento que não precisa ser reportada no balanço dos acionistas da empresa patrocinadora do projeto, como dívida) que contribuíram para destruir os lucros dos bancos em outros países.

22 – William Dudley, 56
Presidente do Federal Reserve Bank de Nova York
Após uma carreira que combinou a atuação no banco central com a experiência prática, Dudley foi escolhido em janeiro para liderar o braço do sistema bancário central dos Estados Unidos que está mais próximo aos mercados. Formado em economia, ele iniciou a sua carreira no Fed, mas passou a maior parte da sua vida profissional no Goldman Sachs.

23 – Jacques de Larosière, 79
Governador honorário, Banque de France
Diretor de gerenciamento do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 1978 a 1987, quando supervisionou a política para a crise da dívida da América Latina e o acordo Plaza sobre o dólar. À época ele foi governador do Banque de France e presidente do Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento. Um grupo que ele dirigiu no mês passado recomendou a adoção de reguladores poderosos na União Europeia para o sistema bancário, securities e seguros.

Reguladores

24 – Adair Turner, 53
Presidente da Autoridade de Serviços Financeiros
Lord Turner de Ecchinswell começou a atuar na agência reguladora do Reino Unidos após o colapso do Lehman Brothers. Mas no seu primeiro discurso em janeiro, o ex-consultor da McKinsey ofereceu uma das avaliações mais amplas das origens da crise. Essa abordagem é familiar no seu trabalho, desde a análise de problemas relativos a pensões à mudança climática. Neste mês ele deverá apresentar um relatório que consistirá na base para reformas do sistema regulador financeiro do Reino Unido.

25 – Sheila Bair, 54
Presidente da Corporação Federal de Seguros de Depósitos
Supervisiona uma agência que teve os seus poderes bastante expandidos pelos planos de apoio ao sistema bancário. À medida que a lista de bancos “problemáticos” aumenta, novos fracassos implicam em pressões sobre o fundo de seguro de depósitos da Corporação Federal de Seguros de Depósitos.

26 – Mary Schapiro, 53
Presidente da Securities and Exchange Comission (Comissão de Valores Mobiliários)
Tendo trabalhado na área de regulação por mais de 20 anos, ela tem um ótimo currículo e uma grossa “couraça” para lidar com problemas. Mas a Securities and Exchange Comission está sendo criticada por causa da crise e pela suposta fraude de US$ 50 bilhões perpetrada por Bernard Madoff. Ela prometeu ajudar a restaurar a confiança do investidor e a garantir a aplicação das regras.

Chefes de Instituições

27 – Jaime Caruana, 56
Diretor-gerente do Bank for International Settlements
O ex-governador do banco central da Espanha assume a difícil direção do banco que controla os bancos centrais no próximo mês. Tendo presidido as negociações Basiléia II na capital bancária, ele está encarregado de ajudar a encontrar uma alternativa que tenha menor possibilidade de amplificar o presente ciclo econômico.

28 – Dominique Strauss-Kahn, 59
Diretor de Gerência do Fundo Monetário Internacional
Um político hábil, bem como um economista com Ph.D. Assim como o seu congênere no Banco Mundial, ele concentrou-se em tentar aumentar o tamanho da sua instituição para que esta faça frente à crise. Ele tentou também reduzir a controvérsia a respeito da política monetária da China ao manter a questão fora das discussões da diretoria executiva do banco.

29 – Robert Zoellick, 55
Presidente do Banco Mundial
Após uma carreira no serviço público, com uma anômala passagem pelo setor privado, ele tem procurado expandir a capacidade de empréstimo do banco frente a crise.

30 – Pascal Lamy, 61
Diretor-geral da Organização Mundial do Comércio
As corridas de longa distância prepararam Lamy bem para presidir a rodada Doha de negociações comerciais. Mas o ex-comissário da União Europeia conta com pouco poder executivo: ele é capaz de consultar, bajular e advertir, mas não de impor acordos.

Investidores

31 – Lou Jiwei, 58
Presidente da China Investiment Corporation (CIC)
O chefe do ainda novo fundo soberano da China é tido como um membro crucial do “grupo de economia de mercado” composto por autoridades chinesas, entre as quais Zhou Xiaochuan, o governador do banco central. Os desastrosos investimentos da CIC no Blackstone e no Morgan Stanley fizeram dele um alvo de críticas.

32 – George Soros, 78
Fundador da do Fundo Soros de Gerenciamento e da Fundação Sociedade Aberta
Para o gerente de fundos hedge e filantropista, 2008 foi um ano marcante – o seu fundo desafiou um mercado em declínio e acusou lucros de quase 10%. O primeiro peso-pesado de Wall Street a apoiar Barack Obama, ele há muito previu a crise do capitalismo global e encontra-se sintonizado com o “espírito da época” (zeitgeist).

33 – Warren Buffett, 78
Diretor do Berkshire Hathaway
O mais famoso investidor do mundo, e provavelmente o homem mais rico. Defensor do investimento em valor (value investing), ele acredita em vender quando outros encontram-se tomados pela ganância, e em comprar quando eles têm medo. Mas após um apelo pela compra de ações no final de 2008, as vendas aumentaram ainda mais.

34 – Laurence Fink, 56
Diretor-executivo da BlackRock
A BlackRock provavelmente empenhou-se mais do que qualquer outra firma em consertar a bagunça financeira – por exemplo, ao aconselhar o Fed enquanto este emitia swaps de crédito (credit default swaps) à AIG. Pioneiro das securities lastreadas por hipotecas, Larry Fink é tido como um dos poucos líderes de Wall Street que não caíram em descrédito.

Economistas

35 – Robert Shiller, 62
Professor de economia da Universidade Yale
Na vanguarda da economia comportamental – uma área que questiona a ideia de que as pessoas, e especialmente os mercados financeiros, são geralmente movidos por comportamentos racionais. Ele deseja que os cidadãos comuns sejam mais expostos aos derivativos, mas na forma de seguro contra os contratempos da vida.

36 – Montek Singh Ahluwalia, 65
Vice-presidente da Comissão Indiana de Planejamento
Descrito por alguns como o melhor ministro das Finanças da história da Índia, Ahluwalia é associado a reformas que ajudaram a fazer do seu país um promissor mercado emergente. No decorrer dos últimos meses, ele elaborou a gradual resposta de estímulos para conter a crise.

37 – Paul Volcker, 81
Presidente do Comitê Assessor para a Recuperação Econômica
Presidente do Fed de 1979 a 1987, ele é lembrado principalmente pelos remédios monetários que colocaram a inflação sob controle. Membro do Partido Democrata, ele advertiu antecipada e vigorosamente quanto ao perigo representado pelas hipotecas subprime.

38 – Paul Krugman, 56
Professor da Universidade de Princeton; colunista do jornal “The New York Times”
É quase certo que seja o economista mais famoso do mundo. Ele transformou uma formação acadêmica famosa em uma carreira de colunista, blogueiro e eviscerador do conservadorismo ideológico. Krugman conquistou um nicho como consciência liberal dos democratas.

39 – Nouriel Roubini, 49
Presidente da RGE Monitor
Conhecido como “Dr. Doom” (“Doutor Maldição”) por ter sido persistentemente o mais sombrio, e preciso, profeta da crise financeira e dos vínculos desta com a economia mais ampla, o professor Roubini está atualmente prevendo uma “quase-depressão”, a menos que sejam aplicada medidas radicais. Foi assessor de Tim Geithner no Departamento do Tesouro na década de 1990.

40 – Leszek Balcerowicz, 62
Professor de economia da Escola de Economia de Varsóvia
Arquiteto da transição econômica da Polônia, duas vezes vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, e, a seguir, governador do banco central. Crente nos livres mercados, ele é mais conhecido por expor as suas ideias do que por promover consenso.

Banqueiros

41 – Lloyd Blankfein, 54
Diretor-executivo do Goldman Sachs
Tirou o seu banco de investimento de grande parte da rota da destruição que abateu-se sobre Wall Street em 2008: o Goldman apresentou lucros naquele ano. No novo e duro ambiente, a sua tarefa é descobrir novas áreas de crescimento sem afastar-se muito das raízes tradicionais da sua firma.

42 – Jamie Dimon, 52
Presidente do JPMorgan Chase
De rejeitado pelo Citigroup a aclamado como “Rei de Wall Street”, Dimon, que nesta sexta-feira fará 53 anos, tem passado pelos altos e baixos de Wall Street, mas até o momento a crise tem sido generosa para com ele. O JPMorgan foi capaz de comprar barato os rivais Bear Stearns e Washington Mutual.

43 – Stephen Green, 60
Presidente do HSBC
No HSBC desde 1982, ele manifestou forte oposição à necessidade de reforma do sistema bancário. Pregador laico e autor de um livro sobre a reconciliação da religião com os livres mercados, ele criticou os excessos cometidos pelo setor na fase de boom.

44 – Michel Pébereau, 67
Presidente do BNP Paribas
Diretor antigo do maior banco de empréstimos da França, ele trabalhou por detrás dos bastidores para Christine Lagarde, a ministra das Finanças. O fato de liderar o BNP desde pouco antes da sua privatização em 1993 dá a ele uma visão sobre o papel que o Estado deveria desempenhar.

Empresários

45 – Carlos Ghosn, 55
Diretor-executivo da Nissan e Renault
Visto há muito tempo como um exemplo de executivo especializado em cooperação transnacional no setor automobilístico, ele é agora um dos principais porta-vozes do ramo, ocupando a presidência da Associação de Manufatores Automobilísticos Europeus.

46 – Indra Nooyi, 53
Diretora-executiva da PepsiCo
Defensora da globalização que argumenta que esta precisa ser acompanhada de sensibilidade cultural e política, bem como de valores éticos. Neste ano ela advertiu em Davos que “o capitalismo leva à ganância” e que ele precisa de regulação efetiva.

47 – Eric Schmidt, 53
Diretor-executivo do Google
O cientista veterano de computação é um elo fundamental das ligações entre o governo Obama e o Vale do Silício. O seu estilo tecnocrata reflete a atração do governo pela tecnologia. Ele atuou como assessor da equipe de transição de Obama.

Mídia/Academia

48 – Arianna Huffington, 58
Editora-chefe, “The Huffington Post”
A ex-biógrafa recriou a arte do salon hostess de Washington para a era digital. O HuffingtonPost.com, ao contrário de muitos concorrentes, conseguiu manter a sua plateia desde a eleição.

49 – Rush Limbaugh, 58
Apresentador do Rush Limbaugh Show
“Não dá para simplesmente ouvir Rush Limbaugh e realizar as tarefas”, disse Barack Obama aos republicanos durante as negociações sobre o estímulo financeiro. Mais de 20 milhões de ouvintes parecem discordar, ao aceitarem a retórica do show contra o liberalismo.

50 – Kishore Mahbubani, 60
Reitor da Escola de Políticas Públicas Lee Kuan Yew
Embora não seja um defensor exaltado dos “valores asiáticos” superiores, ele afirma que o Ocidente necessita ceder espaço em instituições como o Banco Mundial e o FMI para que a Ásia desempenhe um papel mais construtivo.

Já temos nosso primeiro Nobel

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 10 março, 2009

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No final desse ano, teremos uma barbada nas indicações do Prêmio Nobel: nosso estimado presidente Marolinha, que acha que, por ter 84% de aprovação popular, tornou-se automaticamente um gênio. Pelo menos, é o que se espera ao ler essa matéria do Financial Times, publicada no BGrasil pelo UOL/BBC:

Lula diz no ‘FT’ que quer mundo livre de dogmas econômicos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse esperar um mundo mais “humano” após a eventual recuperação da economia mundial em um artigo exclusivo na página de opinião do jornal “Financial Times” desta terça-feira.

Em artigo exclusivo ao jornal Financial Times, Lula disse esperar um mundo mais “humano” após a eventual recuperação da economia mundial

“Não estou preocupado com o nome que será dado à nova ordem econômica e social que virá depois da crise, desde que seu principal foco seja o ser humano”, diz Lula no jornal.

O texto faz parte de uma série de debates e artigos promovida pelo diário britânico sobre o futuro do capitalismo.

“Hoje ninguém ousa prever qual será o futuro do capitalismo”, afirma Lula. “Como líder de uma grande economia descrita como ‘emergente’, o que posso dizer é que tipo de sociedade espero que apareça depois desta crise… Tenho esperanças de um mundo livre dos dogmas econômicos que invadiram as ideias de muitas pessoas e que foram apresentados como verdades absolutas.”

“Políticas anti-cíclicas não deveriam ser adotadas apenas em épocas de crise. Aplicadas com antecedência – como foi feito no Brasil – elas são a garantia de uma sociedade mais justa e democrática”, escreve o presidente.

Lula ainda descreve outras expectativas que tem para o fim da atual crise econômica global.

“(Espero que surja) uma sociedade que vai valorizar a produção e não a especulação. A função do setor financeiro será de estimular a produtividade – e ele estará sujeito a um controle rigoroso nacional e internacional. O comércio exterior será livre do protecionismo que está mostrando sinais perigosos de estar se intensificando”, diz.

Lula também menciona suas esperanças de uma reforma nas organizações multilaterais e de um novo sistema de governança global.

Em boa parte do artigo, o presidente também relembra sua infância no interior de Pernambuco, o início de sua vida de metalúrgico em São Bernardo do Campo (SP) e sua trajetória política até ser eleito em 2002.

“Para mim o capitalismo nunca foi um conceito abstrato”, escreve.

Mentiras sobre crédito

Posted in Atualidades, banco, credito, crise de credito, crise financeira by Raul Marinho on 6 março, 2009

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O leitor Dinho (que, por sinal, foi um dos ganhadores de áudio-livro da promoção feita por este blog), me enviou um comentário pedindo para divulgar um post-desabafo no blog dele. Divulguei para o Fernando Blanco, do Blog do Crédito, que acho que é o lugar mais indicado para ele neste momento. E, abaixo, respondo ao post-desabafo, que deverá servir para outros leitores. Utilizando a tecnologia do Reinaldo Azevedo: em azul, o post original do Dinho; em vermelho, os meus comentários:
Mais que um simples desabafo, gostaria que este post fosse divulgado por todos que o lerem, e principalmente fosse comentado pela maior quantidade possível de pessoas, para que, caso tenhamos um grande número de opiniões, isso possa repercutir da forma esperada, e que (pelo menos no imaginário) algo seja feito de concreto.
E, por incrível que pareça, há algo a se fazer de concreto, sim, em relação ao crédito para pequenas e médias empresas. O truque é: estabeleça uma estratégia de relacionamentos bancários. Não sei se você sabe, mas os bancos não saem abrindo contas por aí, a esmo, eles têm uma estratégia comercial definida, um mercado-alvo específico, um mix de produtos e preços para cada perfil de cliente, etc, etc, etc. Por que não ter, você também, uma estratégia de relacionamentos para lidar com os bancos? Leia esse artigo aqui.
Pois bem, tem duas coisas que vem me incomodando profundamente nestes dias, e a cada notícia que escuto, me proponho a gritar o mais alto possível dizendo: “Não é verdade, não adianta ficar mentindo para o povo!!!! A Crise está aqui sim, e muito forte!!! Pelo menos para a grande maioria da população e das empresas!!!”
Pois é… Esse blog cansa de se esgoelar toda vez que o Marolinha fala suas asneiras sobre a crise, pode consultar o blogroll. Ao mesmo tempo, a popularidade marolista chegou a 84%, a maior que um presidente já teve no Brasil. A conclusão: o povo quer ouvir o que acha bacana, não a verdade.
A primeira coisa é o desespero tremendo para auxiliar apenas algumas empresas que se dizem “em crise” e que sem auxílio fecharão ou demitirão quase todos os funcionários!!! Pois bem, não adianta nada manter a produção de veículos, dentre outras coisas, se não existe ninguém com a menor capacidade de comprar o que for produzido. Desta forma só estarão empurrando o problema mais para a frente, e o tornando cada vez maior!!!
Aí é uma questão de poder de barganha… Se a empresa X ameaça com mil demissões, pode conseguir concessões que a empresa Y, que tem 10 empregados, jamais conseguiria. É justo? Não, mas é assim que funciona.
E se o problema maior estourar depois das eleições, está resolvido o problema (para o Marolinha). Genial, né?
Meu caro Dinho, nunca antes na história dessepaiz, surgiu um político tão genial como o Marolinha. E sortudo, além de tudo.
As pequenas e médias empresas são responsáveis pela grande maioria dos empregos no Brasil. Seria muito melhor que medidas fossem tomadas para diminuir os custos e facilitar o crédito destas empresas. Com isso, ao invés de garantir emprego de 1000 pessoas em uma única empresa, garantiríamos a sobrevivência de 1000 empresas pequenas, a um custo infinitamente menor!!!! Além claro, de aumentar o poder de compra da população e a manutenção de muito mais empregos diretos e indiretos!!!
Se eu for presidente da república um dia, te chamo para ministro do desenvolvimento.
A segunda coisa é a insistência em afirmarem que o crédito já está normalizado e inclusive maior do que antes da crise!!!! ISSO É A MAIOR MENTIRA QUE EU ESCUTO TODOS OS DIAS!!!! Não sei quem está conseguindo qualquer tipo de limite de crédito, mas eu vi (e continuo vendo ) de perto o que está acontecendo com as pequenas e médias empresas!!!
Leia esse post recém-publicado no Blog do Crédito.
Um caso, por exemplo, é de uma empresa que está com mais de R$ 400.000,00 (isso mesmo) de títulos a receber, depositados em um banco (neste caso o banco é o Itaú), e não consegue sequer negociar adiantamento de recebíveis!!! Esta ladainha já corre há mais de dois meses, e o banco não libera nem 10% do total disponível!!!!!
Então… Voltando ao tema inicial, de estratégia de relacionamentos bancários: se este empresário tivesse feito a lição de casa, não estaria passando por este apuro agora. Não adianta ficar com raiva do Itaú, pois o Bradesco, o Banco do Brasil, o Santander fariam a mesma coisa. A única maneira de resolver esse assunto é administrando o crédito estrategicamente. Dá trabalho (menos do que se imagina, na verdade), mas é fundamental.
Onde está o crédito que existia antes e que todos falam aos 4 ventos nas reportagens!!!!!
Pô, você não viu a Petrobras, que toma bilhões à hora que quer? É lá que está o crédito…
Não podemos ficar olhando simplesmente para esta situação!!!! Temos que gritar para todos ouvirem!!!! Temos que mostrar a todos que o governo só está protegendo os grandes e levando o país para o fundo do poço por não ter capacidade de enfrentar a real situação!!!! Comentem, protestem, discordem mas vamos fazer este tipo de informação circular para todos que queiram (ou não) ouvir!!!!
Bem vindo ao grupo!!!

Demissões na Embraer: não é o que parece

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 20 fevereiro, 2009

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Foram anunciadas 4mil demissões na Embraer ontem (20% da força de trabalho), o que deixou o presidente Marolinha “indignado”, de acordo com a imprensa.  Isso porque a Embraer recebe recursos do BNDES, que por sua vez são oriundos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), logo a empresa não poderia demitir os trabalhadores que, no fim das contas, a financiam. Faz sentido? Sim, tanto quanto a limitação de salários para executivos, do Obama. Na superfície, faz, mas é só explorar o assunto um pouquinho mais a fundo que se percebe a falácia.

Vamos começar entendendo porque a Embraer precisou demitir. Sendo uma fabricante de aviões, seu mercado é, majoritariamente, externo. A empresa fabrica jatos executivos (como o que bateu com o avião da Gol), vendidos para… Bem, para executivos (presidentes e diretores de grandes corporações), que neste momento devem estar com outras prioridades em mente, como salvar a própria pele. Ela também fabrica aviões utilizados em linhas comerciais regulares das companhias aéreas, e que estão sendo fortemente afetadas pela recessão nos países ricos. Logo, é óbvio que o mercado da Embraer foi muito afetado pela crise; mais ainda se pensarmos que o risco dos compradores não pagarem também aumentou. Assim, se a Embraer não reduzisse seu tamanho neste momento, estaria sendo irresponsável, e empresas irresponsáveis não pagam empréstimos do BNDES, logo o cano seria dado no FAT, ou seja, nos trabalhadores.

Mas a Embraer poderia, ao invés de demitir, reduzir a jornada de trabalho e de salários, como algumas empresas, como as montadoras, estão fazendo, o que seria menos traumático para os empregados, certo? Em teoria é lindo, mas o problema é que a legislação trabalhista é confusa, antiquada, e expõe a graves riscos as empresas que fazem isso. Para poder reduzir jornadas e salários, a legislação anacrônica em vigor (de 1965) exige que a empresa prove que está em dificuldades muito graves. Ora, como é que uma empresa saudável, de capital aberto, com ganas de liderar seu segmento, vai assumir em público que está em dificuldades (que, ademais, não está!)? Para uma montadora multinacional, cuja casa matriz está à beira da falência (eventualmente, além), tudo bem fazer esse acordo, mas não para a Embraer.

Se o presidente Marolinha quisesse fazer alguma coisa de útil, deveria trabalhar para modernizar a legislação trabalhista, permitindo acordos de redução de jornada e salário em momentos como o atual.

O poder do Marolinha

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 14 janeiro, 2009

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No começo da atual crise econômica mundial, Lula minimizou-a com a célebre frase da marolinha. Dúzias de declarações otimistas depois, o resultado é que o Brasil é o segundo país mais otimista do mundo quanto à crise – veja mais aqui, no G1. O fato é que, mais uma vez, o Lula deu mostras de seu poder de persuasão. Não é à toa que o hómi está com quase 80% de aprovação…

O conselho do Marolinha

Posted in Atualidades, Just for fun by Raul Marinho on 18 dezembro, 2008

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E a marolinha… Sifu!

Posted in Atualidades, Ensaios de minha lavra by Raul Marinho on 8 dezembro, 2008

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Praticamente não houve novos posts na semana passada, pois nosso magnânimo e insubstituível editor esteve ausente e impossibilitado de publicar novos textos. Retomamos nessa semana com boliviano gás.

Uma nota, porém, não pode deixar de ser dada: a do “sifu”. Como é de amplo e geral conhecimento, Noço Guia teve mais uma diarréia oral num pronunciamento público e, para explicar por que usara a matáfora da marolinha no começo da crise, apelou para outra, ainda mais infeliz. Disse o presidente que, se médico fosse, teria duas opções ante uma grave enfermidade de seu paciente: enrolá-lo com chavões, ou simplesmente dizer “sifu”.

Em primeiro lugar, um bom médico não usaria nem a estratégia enganadora nem a grosseira. Um bom médico exporia a situação como ela é, de fato, com sobriedade e profissionalismo. “Olha, o resultado da biópsia foi positivo e o senhor tem um tumor no fígado. Nós podemos usar tais tais e tais tratamentos, e de acordo com a evolução do quadro, mantemos ou mudamos a estratégia”. Pronto!!! Não é preciso mentir para o paciente nem agredi-lo com um “sifu”, basta ser profissional. Agir assim, entretranto, parece estar fora do alcance intelectual do Noço Guia, que só enxerga duas opções: mentir ou agredir.

Depois, é preciso avaliar se o Presidente da República acertou ao usar a palavra “sifu” – forma reduzida de “se fodeu”, ou seja: você foi abusado sexualmente (como a palavra é usada majoritariamente para homens heterossexuais, o sentido usual é o de que um homem foi penetrado pelo ânus contra a sua vontade). Apesar deste ser um termo utilizado por crianças em todo o Brasil, o emprego de termo de tão baixo calão por um Presidente da República tem um significado totalmente diverso. Se o ocupante do cargo mais importante do país pode falar assim, quando eu estiver no balcão de atendimento do INSS ou da Receita Federal, eu também poderei mandar o fiscal “ir se foder”; se for abordado por um policial, eu também poderei dizer a mesma coisa; e se tiver uma discussão com um Ministro ou com o próprio Presidente, a mesma coisa.

Já que a informalidade é a norma, uma funcionária pública poderá dar expediente num Tribunal com sua calça Gang que usou no baile funk na noite anterior; os deputados poderão ir ao Congresso de bermudas, chinelos e sem camisa; e os juízes do Supremo poderão redigir despachos mais ou menos assim: “Nego provimento ao recurso do réu, e que ele se foda na cadeia por 5 anos”. É isso o que queremos para a nossa sociedade?

Na verdade, um crescimento modesto do PIB, um aumento da taxa de inflação, de juros ou da dívida pública são problemas menores, que podem ser resolvidos em alguns anos. O grande mal que um país pode enfrentar é a corrosão de suas tradições, de seu senso de moral, do que é certo e errado, enfim. Se acharmos normal um Presidente da República falar “sifu” em público, aí sim teremos um problema. Ou melhor: nós já temos um problema.

O homem do saco

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 27 novembro, 2008

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Para manter a tradição, vamos à nossa querida crítica ao Clóvis Rossi, que hoje está provocativo: “Alguém aí paga para ver se a “crise sistêmica” existe?” – e a compara ao “homem do saco”, figura supostamente mítica dos antigamentes, um ser que surgia do nada e sequestrava as criancinhas.

Bem… O homem do saco é um fato documentado (vide foto acima) e real – no caso, o pior homem do saco que o país já teve, responsável pela ruína de milhões de criancinhas brasileiras, que não terão um futuro digno porque foram (e estão sendo) educadas na cultura da esmola-família. Mas o homem do saco que aterrorizava os petizes de décadas atrás era nada mais que o que se convencionou chamar atualmente de pedófilo: o nome técnico do homem do saco (que nem saco precisa ter, aliás nem homem necessariamente ele é). Na verdade, os homens e mulheres do saco reais são marginais que, preferencialmente, atacam crianças pobres, as menos protegidas, e o que funciona mesmo para combatê-los é a erradicação da pobreza (não com esmolas, mas com desenvolvimento econômico).

Ok, mas passemos agora à “lenda da crise sistêmica”, que señor Rossi encara com ceticismo. Será que é tudo papinho para tomar dinheiro do povo e dar para os banqueiros? Uma manobra sórdida dos capitalistas para manter o proletariado oprimido? Não que essa não seja uma boa idéia, e não duvido que os selvagens de Wall Street não sejam capazes de manobras desse tipo. De qualquer maneira, independente do que terá de ser feito para domar as bestas-feras que eventualmente povoem o mercado financeiro, o fato é que a crise sistêmica já está acontecendo: ninguém confia em ninguém, ninguém empresta para ninguém, ninguém compra, ninguém vende, ninguém produz, ninguém emprega. Isso já aconteceu antes – ex. 1929, 1873… -, e foram necessários cerca de 10 anos para superar as crises sistêmicas passadas. Então, para quê esperar chegar à miséria? Para que mais criancinhas indefesas sejam raptadas pelo homem do saco?

Abaixo, o artigo do CR publicado hoje na Folha:

O “homem do saco” e a crise

Quando do lançamento do Plano Cruzado (1986), o então deputado Antonio Delfim Netto produziu uma daquelas suas corrosivas frases: “Se inflação não tem causa, então o plano dará certo”.
Como inflação tem causas, e como as causas não foram atacadas, o plano malogrou, depois de nove mágicos meses.
A frase de Delfim me volta à mente agora toda vez que leio sobre o tsunami de ajudas que os governos do mundo todo estão concedendo ao setor privado.
Se todos os problemas do mundo pudessem ser resolvidos nessa base, nunca haveria problemas no mundo. Bastaria, como agora, privatizar o dinheiro público e estatizar o risco. Bastaria botar para funcionar as máquinas impressoras das casas da moeda -e pronto, nunca haveria crise.
Mas é como diz clássico refrão da economia que ninguém, a não ser por birra, é capaz de contestar: Não há almoço grátis.
Algum dia, os zilhões de ajuda serão pagos, ou na forma de déficit público cada vez maior, que, por sua vez, tende a gerar inflação, que tende a gerar contração da economia ou desorganização; ou na forma de endividamento desorbitado, que, não custa lembrar, é a causa original da presente crise.
O que torna a situação ainda mais dramática é a pergunta que James Horney, diretor de política fiscal federal do Center on Budget and Policy Priorities, de Washington, fez ao notável Sérgio Dávila: “Qual é a alternativa? Se o governo não se mexer para estimular a economia, o resultado poderá ser pior”.
Quando era criança, me diziam que, se não me comportasse, viria o “homem do saco” e me pegaria. Hoje, vivem me dizendo que, sem esses pacotes todos, vem a “crise sistêmica” e me pega.
Nunca vi o “homem do saco”. Alguém aí paga para ver se a “crise sistêmica” existe?

A última do Marolinha

Posted in Atualidades, Just for fun by Raul Marinho on 21 novembro, 2008

Eu acho que o Obama tem que dizer o que eu disse quando tomei posse em 2003: ‘Não posso errar’ – Marolinha, hoje, ilustrando os ditados “conselho, se fosse bom, ninguém dava, vendia” e “em boca fechada não entra mosquito”.

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O maior estelionato intelectual de todos os tempos

Posted in Atualidades, Ensaios de minha lavra by Raul Marinho on 18 novembro, 2008

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Quem acompanha este blog costumeiramente (pelas minhas contas, umas 8 pessoas) deve estar suspeitando que eu tenha alguma desavença pessoal com o Clóvis Rossi. Não é, garanto: nunca vi, conversei ou troquei e-mails com o fodão-do-bairro-Peixoto que escreve na 1a folha da Folha; ele nunca me corneou nem passou cheque sem fundos para mim (e vice-versa). O problema é a quantidade de bobagens, lugares-comuns e análises equivocadas que o cara faz em seus artigos. Como o de hoje, uma obra-prima do mau jornalismo.

Com seu característico viés marxista-bonzinho (da linha “um novo mundo, sustentável e com mais justiça social, é possível”), o CR está indignado com o relatório do G20 ser “da escola liberal”. Queria ele que se escrevesse um texto castrista ou chavista, criticando o imperialismo estadunidense e blá-blá-blá. O texto está abaixo, para que o leitor tire suas próprias conclusões – inclusive que julgue se a Dilma é, de fato, socialista (lembre-se que o Lula também se dizia de esquerda até sentar na cadeira de presidente, em 2003). Só vou comentar o título do artigo (“Agora, falar em socialismo é fraude”).

Falar em socialismo nem sempre é/foi fraude. Tem muita gente bem intencionada que discute o assunto de maneira honesta. Por outro lado, TODOS os regimes socialistas que existem, ou existiram, ou tentaram existir foram enormes estelionatos. Não estou me referindo a governos socialistas franceses e italianos, que não fizeram da França e da Itália regimes socialistas; estou me referindo às experiências socialistas de fato, como as da URSS, da China maoísta, dos vários países africanos e do Leste europeu etc. – inclusive o Chile de Salvador Allende e as (patéticas) tentativas de trazer o socialismo para o Brasil. Ou de “Cuba, Coréia do Norte, e da Venezuela”, como cita o sr. Rossi.

Se o colunista da Folha fosse responder a este post (o que jamais fará, é óbvio), certamente iria atacar os exemplos de capitalismo fraudulento, que também existem, é claro. É o típico comportamento de gente como ele: se o Stalin e e o Mao mataram não-sei-quantos milhões, a defesa é dizer que Hitler e Mussolini também foram genocidas; e se alguém atacar a corrupção chavista, basta dizer que o Strossner foi um chefe de um governo corrupto e de direita no Paraguai que está tudo certo. Só que este raciocínio é uma falácia, pois enquanto 100% dos exemplos de regimes socialistas foram fraudes, o mesmo não acontece em regimes capitalistas/direitistas. Por pior que seja o Bush, não se compara os EUA à Venezuela. O Canadá não é a mesma coisa que a Coréia do Norte; a Suiça não se equivale a Cuba. A única solução possível para a crise, sr. Rossi, passa pelo capitalismo e pelo livre mercado; o socialismo/marxismo não é uma solução viável. Se se encontrará a forma correta de resolver a crise pelas vias capitalistas de mercado, é outra história, mas não há alternativa.

Agora, falar em socialismo é fraude

Esse tal de capitalismo é tão forte, mas tão forte, que consegue ouvir juras e cantos de amor mesmo no meio de uma baita crise.
Diz o documento do G20, composto excepcionalmente no sábado pelos 22 países mais importantes para a economia mundial: “Nosso trabalho será guiado por uma crença compartilhada de que os princípios de mercado, abertura comercial e de regimes de investimento e mercados financeiros eficazmente regulados estimulam o dinamismo, a inovação e o espírito empreendedor, essenciais para o crescimento econômico, o emprego e a redução da pobreza”.
As escolas liberais seriam provavelmente incapazes de afeto maior. O livre mercado até reduz a pobreza, quem diria, hein? Nem é novidade, no entanto, que tenha sido dito, pela simples e boa razão que não há, entre os líderes do G20, qualquer um que se oponha ao capitalismo.
Afinal de contas, Cuba, Coréia do Norte e Venezuela não são membros do grupo.
De todo modo, para efeitos políticos internos, vale notar que um dos líderes que assina a ode ao capitalismo acima reproduzida chama-se Luiz Inácio Lula da Silva (para não falar em Cristina Fernández de Kirchner, da Argentina, e em Hu Jintao, da China, que deixo para os colunistas de seus países).
A conversão radical de Lula ao liberalismo puro e duro tampouco é nova -desde que assumiu, faz seis anos, casou-se sem pudores com os “princípios de mercado”.
Mas há ainda petistas -inclusive a candidata “in pectore” de Lula para 2010, a ministra Dilma Rousseff- que continuam falando em socialismo e que acham o governo de esquerda. A assinatura de Lula no texto do G20 transforma em fraude ideológica insistir nessa tolice.
PS – Cometi domingo o gravíssimo erro de tratar o jornalista Vladimir Herzog como terrorista, o que nunca foi. Perdão.