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Confiança, confiança, confiança…

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 13 abril, 2009

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A atual crise econômica é, como já cansamos dizer aqui, uma crise de confiança. (Re)veja esses posts sobre o assunto: Confiança com ou sem fiança?, É a confiança, estúpido!*, e Fé x Confiança, e entenda o que eu quero dizer por “crise de confiança”. Depois, leia o artigo abaixo do Peter Baker, publicado hoje pelo The New York Times e reproduzido na Folha (comento brevemente no final). É muita leitura, eu concordo, mas com ela você será capaz de formar um quadro consistente sobre a crise atual e seus possíveis rumos. Logo, vale a pena.

Uma questão de confiança

Obama conseguirá restaurar a sensação de empreendedorismo e coragem nos EUA?

Washington
Confança é o nome do jogo para Barack Obama, presidente que tenta calibrar sua mensagem para se adequar ao momento, buscando uma maneira de inspirar um país temeroso da recessão e transmitir a esperança de que tempos melhores virão. É um equilíbrio delicado de se alcançar. Se ele parecer pessimista demais, poderá deprimir ainda mais um povo desesperado por qualquer sinal de progresso. Se soar otimista demais, correrá o risco de parecer que está tentando enganar a nação.
“Você não quer ignorar os problemas e parecer que não está em contato com os desafios que eles estão enfrentando”, disse Rahm Emanuel, chefe de gabinete da Casa Branca. “Por outro lado, você tem de passar a sensação de que há uma luz no horizonte, visível, para a qual você está apontando.”
E os americanos ficaram mais otimistas sobre a economia e a condução dos EUA desde a posse de Obama, o que sugere que ele goza de certo sucesso em sua tarefa crítica de reconstruir a confiança americana, segundo uma pesquisa New York Times/CBS News divulgada no dia 7.
A tarefa de Obama é igualmente crítica para muitos outros países cujas economias dependem de um consumidor americano confiante. Por isso, quando ele voou para Londres e se reuniu com outros líderes para tentar reverter a economia mundial, prometeu mais uma vez restaurar “a confiança nos mercados financeiros”.
Na França, disse em um encontro na prefeitura que estava “confiante de que podemos enfrentar qualquer desafio desde que estejamos unidos”. Para confirmar, repetiu a frase duas vezes em seus comentários iniciais. E caso os americanos a tivessem perdido, Obama gravou uma mensagem declarando que está “confiante de que vamos superar esse desafio”.
Mas Obama é o líder de uma nação com a confiança desgastada em todo tipo de instituição, dos bancos e da indústria de automóveis ao governo e à mídia noticiosa. O próprio lugar dos EUA no mundo parece em dúvida para alguns, enquanto China e Rússia tentam criar uma nova moeda internacional para substituir o dólar e outros contestam a dominação econômica, militar e cultural do país.
Na verdade, esta não é a primeira vez que um presidente enfrenta tal desafio. Franklin D. Roosevelt possivelmente reverteu o clima de um país que apreciava seu estilo entusiasmado, as conversas tranquilizadoras ao pé da lareira e a certeza de que a única coisa a temer era “o próprio medo”, apesar de a Grande Depressão ter causado estragos por anos. Ronald Reagan assumiu um país, depois do Vietnã e de Watergate, que sofria o que Jimmy Carter chamou de “crise de confiança” e imitou Roosevelt com uma série de pronunciamentos pelo rádio e discursos expressando a fé inabalável no espírito americano.
Não importa quanto crédito eles mereçam, Roosevelt e Reagan, ou suas lendas, levaram sucessivos presidentes a cuidar do tom, sabendo que serão julgados por ele. George W. Bush projetou uma segurança constante na sequência dos atentados de 11 de Setembro.
Mas suas avaliações sempre entusiásticas da guerra no Iraque, mais tarde, o fizeram parecer desconectado. “As pessoas pararam de acreditar nele depois de algum tempo”, disse Alan Brinkley, reitor da Universidade Columbia, em Nova York, e historiador presidencial. “Já Obama é descontraído e calmo, e no entanto pode ser muito carismático. Acho que a sensação de calma e razão é o que faz as pessoas confiarem nele. Não tem o entusiasmo efervescente que Roosevelt e Reagan tinham, mas é um tipo de confiança diferente.”
O equilíbrio escapou a Obama algumas vezes desde sua eleição. Por semanas ele pareceu um arauto da catástrofe, advertendo sobre uma recessão que poderia durar uma década. Em certa altura o ex-presidente Bill Clinton, o homem de Hope [Esperança], Arkansas, pediu que Obama fosse franco com a população sobre a crise, mas enfatizasse sua fé no futuro. “Eu gostaria que ele dissesse que está esperançoso e convencido de que vamos superar isto”, disse Clinton na época.
Bush resistiu ao usar a palavra “recessão” durante vários meses, preferindo “declínio” e “desaceleração”, raciocinando que um presidente que usasse a palavra prematuramente poderia transformá-la em uma conclusão antecipada.
No entanto, alguns especialistas negam a importância da confiança em uma época em que tantos pilares do sistema estão partidos. “Isso não vai consertar a situação”, disse Peter Morici, economista da Universidade de Maryland. “A economia está ruim e as pessoas perderam a confiança, e não o contrário. O fato de as pessoas recuperarem a confiança não vai restaurar a solvência dos bancos ou a demanda do consumidor.”

Comento:

Nos trechos em negrito, destaco a diferença entre o presidente Marolinha e o Obama. O primeiro, mentindo deslavadamente e depois dizendo que a outra opção seria falar sifu; o outro, sendo franco e, ao mesmo tempo, passando uma mensagem otimista sobre o futuro.

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O pós-crise

Posted in Atualidades, crise financeira by Raul Marinho on 31 março, 2009

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Há um ano, publiquei um artigo no portal administradores.com sobre a boletite, que é o consumismo epidêmico por que passávamos na época, logo antes da crise econômica atual chegar para ficar. Na verdade, o primeiro estágio da crise, o problema dos subprimes, já estava acontecendo, e eu dizia naquele artigo que a sua causa era justamente a boletite que impelia as pessoas a consumir casas cada vez maiores e mais caras.

Alguns meses depois, dei uma palestra sobre o assunto, e propus uma estratégia de combate à boletite baseada numa mudança radical na política tributária das pessoas físicas, hoje focada na renda das pessoas. A idéia é desonerar a parte da renda direcionada à poupança e sobre-onerar a parcela destinada ao consumo, o que faria com que a sociedade ficasse mais saudável em termos econômicos e evitaria a ocorrência de uma corrida consumista insana, a causa original da atual crise econômica. Logo depois, a crise econômica se agravou, o Lula saiu falando para todo mundo comprar TV de plasma a prestação, e ficou impossível continuar com esse debate.

Agora, às vésperas da reunião do G-20, o combate à boletite está voltando ao centro da cena. Veja a coluna do Clóvis Rossi de hoje (logo abaixo). Volto a esse assunto depois.

Além da bruma da crise

Por fim, na vertigem da crise, algumas vozes do establishment começam a olhar além e a tentar adivinhar -ou desejar- como seria o mundo pós-crise.
Uma das vozes atende pelo nome de Luiz Inácio Lula da Silva e diz, em artigo ontem publicado pelo “Le Monde”, que, “mais grave que uma crise econômica, estamos diante de uma crise de civilização. Ela exige novos paradigmas, novos modelos de consumo e novas formas de organização da produção”.
Concorda com ele relatório da Comissão de Desenvolvimento Sustentável, instituto independente de assessoria do governo britânico, que procura separar “prosperidade” de “crescimento”. O texto pede aos governos para “desenvolver um sistema econômico sustentável que não se apoie em um consumo sempre crescente”.
Reforça Malloch Brown, o principal negociador britânico para a cúpula do G20: “Veremos [após a crise] uma recalibrada no estilo de vida, toda uma nova visão de futuro de um mundo menos conduzido pelo consumismo, talvez com o acréscimo de um mundo no qual o poder tenha sido algo mais bem distribuído”.
Fecha o circuito Pascal Lamy, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio e um funcionário internacional ao qual se é obrigado a prestar atenção pela qualidade de suas análises: “O modelo de capitalismo que conhecemos nos últimos 50 anos não se sustenta. A questão fundamental é saber se há que readaptar, arrumar ou reformar o capitalismo ou se é preciso ir além, ser mais profundo nas mudanças e ir mais fundo nos retoques”. Completa: “Creio que não temos que nos satisfazer intelectualmente com o horizonte atual do capitalismo”.
Bem-vindos todos ao clube do “outro mundo é possível”. Mas palavras só não bastam. Vocês que são todos “insiders”, que tal reconstruir a civilização?

Marolona

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 12 março, 2009

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Demissões na Embraer: não é o que parece

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 20 fevereiro, 2009

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Foram anunciadas 4mil demissões na Embraer ontem (20% da força de trabalho), o que deixou o presidente Marolinha “indignado”, de acordo com a imprensa.  Isso porque a Embraer recebe recursos do BNDES, que por sua vez são oriundos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), logo a empresa não poderia demitir os trabalhadores que, no fim das contas, a financiam. Faz sentido? Sim, tanto quanto a limitação de salários para executivos, do Obama. Na superfície, faz, mas é só explorar o assunto um pouquinho mais a fundo que se percebe a falácia.

Vamos começar entendendo porque a Embraer precisou demitir. Sendo uma fabricante de aviões, seu mercado é, majoritariamente, externo. A empresa fabrica jatos executivos (como o que bateu com o avião da Gol), vendidos para… Bem, para executivos (presidentes e diretores de grandes corporações), que neste momento devem estar com outras prioridades em mente, como salvar a própria pele. Ela também fabrica aviões utilizados em linhas comerciais regulares das companhias aéreas, e que estão sendo fortemente afetadas pela recessão nos países ricos. Logo, é óbvio que o mercado da Embraer foi muito afetado pela crise; mais ainda se pensarmos que o risco dos compradores não pagarem também aumentou. Assim, se a Embraer não reduzisse seu tamanho neste momento, estaria sendo irresponsável, e empresas irresponsáveis não pagam empréstimos do BNDES, logo o cano seria dado no FAT, ou seja, nos trabalhadores.

Mas a Embraer poderia, ao invés de demitir, reduzir a jornada de trabalho e de salários, como algumas empresas, como as montadoras, estão fazendo, o que seria menos traumático para os empregados, certo? Em teoria é lindo, mas o problema é que a legislação trabalhista é confusa, antiquada, e expõe a graves riscos as empresas que fazem isso. Para poder reduzir jornadas e salários, a legislação anacrônica em vigor (de 1965) exige que a empresa prove que está em dificuldades muito graves. Ora, como é que uma empresa saudável, de capital aberto, com ganas de liderar seu segmento, vai assumir em público que está em dificuldades (que, ademais, não está!)? Para uma montadora multinacional, cuja casa matriz está à beira da falência (eventualmente, além), tudo bem fazer esse acordo, mas não para a Embraer.

Se o presidente Marolinha quisesse fazer alguma coisa de útil, deveria trabalhar para modernizar a legislação trabalhista, permitindo acordos de redução de jornada e salário em momentos como o atual.

O poder do Marolinha

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 14 janeiro, 2009

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No começo da atual crise econômica mundial, Lula minimizou-a com a célebre frase da marolinha. Dúzias de declarações otimistas depois, o resultado é que o Brasil é o segundo país mais otimista do mundo quanto à crise – veja mais aqui, no G1. O fato é que, mais uma vez, o Lula deu mostras de seu poder de persuasão. Não é à toa que o hómi está com quase 80% de aprovação…

O conselho do Marolinha

Posted in Atualidades, Just for fun by Raul Marinho on 18 dezembro, 2008

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E a marolinha… Sifu!

Posted in Atualidades, Ensaios de minha lavra by Raul Marinho on 8 dezembro, 2008

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Praticamente não houve novos posts na semana passada, pois nosso magnânimo e insubstituível editor esteve ausente e impossibilitado de publicar novos textos. Retomamos nessa semana com boliviano gás.

Uma nota, porém, não pode deixar de ser dada: a do “sifu”. Como é de amplo e geral conhecimento, Noço Guia teve mais uma diarréia oral num pronunciamento público e, para explicar por que usara a matáfora da marolinha no começo da crise, apelou para outra, ainda mais infeliz. Disse o presidente que, se médico fosse, teria duas opções ante uma grave enfermidade de seu paciente: enrolá-lo com chavões, ou simplesmente dizer “sifu”.

Em primeiro lugar, um bom médico não usaria nem a estratégia enganadora nem a grosseira. Um bom médico exporia a situação como ela é, de fato, com sobriedade e profissionalismo. “Olha, o resultado da biópsia foi positivo e o senhor tem um tumor no fígado. Nós podemos usar tais tais e tais tratamentos, e de acordo com a evolução do quadro, mantemos ou mudamos a estratégia”. Pronto!!! Não é preciso mentir para o paciente nem agredi-lo com um “sifu”, basta ser profissional. Agir assim, entretranto, parece estar fora do alcance intelectual do Noço Guia, que só enxerga duas opções: mentir ou agredir.

Depois, é preciso avaliar se o Presidente da República acertou ao usar a palavra “sifu” – forma reduzida de “se fodeu”, ou seja: você foi abusado sexualmente (como a palavra é usada majoritariamente para homens heterossexuais, o sentido usual é o de que um homem foi penetrado pelo ânus contra a sua vontade). Apesar deste ser um termo utilizado por crianças em todo o Brasil, o emprego de termo de tão baixo calão por um Presidente da República tem um significado totalmente diverso. Se o ocupante do cargo mais importante do país pode falar assim, quando eu estiver no balcão de atendimento do INSS ou da Receita Federal, eu também poderei mandar o fiscal “ir se foder”; se for abordado por um policial, eu também poderei dizer a mesma coisa; e se tiver uma discussão com um Ministro ou com o próprio Presidente, a mesma coisa.

Já que a informalidade é a norma, uma funcionária pública poderá dar expediente num Tribunal com sua calça Gang que usou no baile funk na noite anterior; os deputados poderão ir ao Congresso de bermudas, chinelos e sem camisa; e os juízes do Supremo poderão redigir despachos mais ou menos assim: “Nego provimento ao recurso do réu, e que ele se foda na cadeia por 5 anos”. É isso o que queremos para a nossa sociedade?

Na verdade, um crescimento modesto do PIB, um aumento da taxa de inflação, de juros ou da dívida pública são problemas menores, que podem ser resolvidos em alguns anos. O grande mal que um país pode enfrentar é a corrosão de suas tradições, de seu senso de moral, do que é certo e errado, enfim. Se acharmos normal um Presidente da República falar “sifu” em público, aí sim teremos um problema. Ou melhor: nós já temos um problema.

A última do Marolinha

Posted in Atualidades, Just for fun by Raul Marinho on 21 novembro, 2008

Eu acho que o Obama tem que dizer o que eu disse quando tomei posse em 2003: ‘Não posso errar’ – Marolinha, hoje, ilustrando os ditados “conselho, se fosse bom, ninguém dava, vendia” e “em boca fechada não entra mosquito”.

marolinnha

E a marolinha, hein!? Já tá dando prá pegar jacaré.

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 12 novembro, 2008

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Pelo menos é o que diz o Alexandre Schwartsman.

Mas não dê bola para o Alex, não… Ele é um economista a serviço do capital estrangeiro. Seja patriota e acredite em nosso presidente: corra já prá comprar sua TV de plasma em 120 parcelas neste Natal, que vai ser o melhor da história desse país.

E aí presidente? Como você explica isso?

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 12 novembro, 2008

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Enquanto o nosso presidente Luís Inácio Marolinha da Silva passeia pelo mundo em seu Airbus, nossas crianças continuam morrendo: o Brasil é o 3o pior país em mortalidade infantil na América do Sul, só ganhando da Bolívia e do Paraguai. O que seria inaceitável é, nesse caso, um absurdo, vindo o Lula de onde veio (filho de uma mãe que “nasceu analfabeta”, ele mesmo poderia ter morrido ainda bebê). Mas tudo bem, tenho certeza que o PAC vai resolver também este problema, e que em 2010 nosso país apresentará índices de mortalidade infantil escandinavos.

Aijizuiz…

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 6 novembro, 2008

lula

De acordo com Cristiana Lôbo, do seu blog no G1:

Os brasileiros devem realizar o sonho da casa própria; não devem deixar passar o momento mágico de ter um carro; uma tv de plasma, que todo mundo quer, agora; o seu computador, e até o primeiro sutiã… – Lula, hoje.

Resumindo:

Posted in Atualidades, Just for fun by Raul Marinho on 1 novembro, 2008

Você leus meus últimos posts sobre o comportamento do Lula nesta crise financeira global? Se não, não precisa mais, a charge abaixo os resume. (Saiu na Folha de hoje, e é do Bennet, um chargista que eu não conhecia, mas que tem um blog incrível).