Toca Raul!!! Blog do Raul Marinho

Entrevista na VendaMais

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 29 fevereiro, 2012

Acabou de sair publicada uma entrevista minha na revista VendaMais, que segue copiada abaixo. Eu acho que foi a melhor que eu já dei até hoje.

 

Sobre seu livro

Vamos começar falando do seu livro Prática na teoria. Qual é a principal ideia ou conceito que você defende nele? Por que ele é diferente dos outros materiais sobre o mesmo assunto, que já se encontram disponíveis no mercado?

Prática na teoria está ancorado no mecanismo do “altruísmo recíproco”, que vem da Biologia Evolutiva, a qual é utilizada para explicar por que indivíduos não aparentados cooperam entre si na natureza – por exemplo: por que morcegos hematófagos dividem parte do sangue coletado com “amigos” que eventualmente não obtiveram sucesso em uma noite de caçada. Ocorre que o “altruísmo recíproco” tem sua lógica fundamentada na Teoria dos Jogos, e é por isso que o subtítulo de meu livro é Aplicações da teoria dos jogos e da evolução aos negócios. A ideia central do livro é a de enxergar os relacionamentos humanos pela ótica da Teoria dos Jogos Evolucionários, o que por si só já é completamente diferente de qualquer outro livro sobre o assunto disponível no mercado. Mas como uma abordagem teórica como essa ficaria excessivamente maçante, eu utilizei o enredo da trilogia dos filmes de O poderoso chefão para mostrar, na prática, como essa história toda funciona – e eu acredito que isso é o que torna o livro legível por qualquer pessoa, independentemente de conhecimento prévio sobre as teorias nele abordadas. Por isso, você pode até não gostar do meu livro, mas jamais poderá dizer que ele não é original.

Quem você acha que deveria ler seu livro? Que tipo de conselhos ou conhecimentos esse leitor estaria procurando?

Eu acredito que todo profissional que dependa da eficiência de seus relacionamentos profissionais para alcançar sucesso no trabalho deverá obter benefícios com o meu livro. Por exemplo: um gerente de contas de um banco, o qual vai conseguir ou não bater suas metas dependendo do seu sucesso em convencer seus clientes a manter um relacionamento produtivo com ele. Esse tipo de profissional – vamos chamá-lo de “gestor de relacionamentos profissionais” – aprende a trabalhar na prática, baseado em tentativa e erro, tateando no escuro; digo isso porque foi assim que eu aprendi a trabalhar quando era gerente de contas. O meu livro é uma espécie de lanterna para esse tipo de profissional trabalhar menos no escuro e saber o que está fazendo. Gerir relacionamentos profissionais conhecendo os mecanismos da Teoria dos Jogos Evolucionários é tão importante quanto um engenheiro conhecer física. É até possível construir uma casa de maneira intuitiva, mas ela certamente consumirá mais recursos e será menos segura e confortável do que se o construtor tivesse os conhecimentos de um engenheiro, não é mesmo?

Por outro lado, quem você acha que NÃO deveria ler seu livro? O que as pessoas não irão encontrar nele?

Quem está esperando uma receita de bolo para aplicar em seus relacionamentos profissionais vai se decepcionar. Mesmo nessa segunda edição, em que incorporei um “Manual de gestão de relacionamentos profissionais”, o livro ainda é, essencialmente, uma espécie de gramática para os relacionamentos profissionais. Não se trata de um livro com modelos de textos prontos, só para mudar os nomes dos destinatários e do remetente e assiná-los, se é que estou sendo claro… eu já dei muitas palestras sobre o livro para muitos públicos diferentes e percebi que a compreensão do que falo depende muito da experiência de quem ouve. O livro é sobre teorias que explicam fatos já conhecidos na prática, e não o contrário, que é a abordagem acadêmica mais comum. Por isso, o meu livro faz muito mais sucesso entre profissionais mais experientes e às vezes é um pouco frustrante para os mais jovens – muito embora, é sempre bom deixar claro, não é preciso ser PhD para entendê-lo: qualquer pessoa com o ensino médio completo tem capacidade para tal.

Assim que uma pessoa termina de ler seu livro, qual deve ser a primeira coisa a fazer ou colocar em prática?

A Teoria dos Jogos mostra uma maneira pouco usual de enxergar os relacionamentos humanos, e leva um tempo até que se adquira proficiência na identificação do jogo que está sendo jogado, em que estágio esse jogo está, quem são os jogadores e que estratégia eles estão usando, enfim: até conseguir criar um modelo que reflita adequadamente a realidade. Por isso, acho que a primeiríssima coisa que um leitor do meu livro deveria fazer é… nada! Ele deve apenas observar os relacionamentos que acontecem com ele e com outros à volta dele, ou mesmo em filmes, novelas, no Big Brother (que é, aliás, um programa muito interessante para esse fim – pelo menos para isso ele serve!), e correlacione o que leu com o que está vendo. À medida que você vai ficando mais seguro quanto à identificação dos jogos nas relações que observa, vai adquirindo uma espécie de “dom premonitório” e fica cada vez mais fácil antecipar o que os outros farão, e é aí que você começa a ter algum benefício prático do que o livro explica. Partindo disso, será muito simples começar a construir estratégias de relacionamentos mais eficientes. Mas é importante passar um tempo apenas observando as relações e refletindo, antes de querer aplicar a Teoria dos Jogos no dia a dia dos negócios.

Além do seu próprio siteque endereços você recomenda para quem quer saber mais sobre esses assuntos?

Infelizmente, existe pouco material sobre o assunto em português, e mesmo em inglês existe pouca coisa acessível para quem não possui um treinamento aprofundado em Teoria dos Jogos ou em Evolução do Comportamento. Em termos de sites autorais, eu gosto do Robert H. Frank (www.robert-h-frank.com), um excelente economista comportamental, e do Nassim Nicholas Taleb (www.fooledbyrandomness.com), que é um crítico da Teoria dos Jogos, mas faz análises muito interessantes. No www.gametheory.net, você encontra bons textos sobre Teoria dos Jogos e, se realizar uma busca com os termos “behavioral economy”, “evolutionary psychology” ou “game theory”, você certamente encontrará alguma coisa que valha a pena.

Quais são seus livros ou autores preferidos na área de negócios?

Os mesmos Frank e Taleb que citei acima possuem os melhores livros sobre negócios, em minha opinião – fora os clássicos, evidentemente. O Frank possui um manual enorme chamado Microeconomia e comportamento (uma edição portuguesa da McGraw Hill) que é excelente, uma obra de referência imprescindível. Já o Taleb é autor do A lógica do cisne negro (Editora Best Seller), que considero um dos livros mais inteligentes que eu já li. Também gosto muito dos livros e artigos do Stephen Kanitz, meu amigo pessoal e profissional que admiro muitíssimo. Além disso, há uma lista de uns 150 títulos listados no Prática na teoria, com as principais indicações em negrito, para facilitar.

Como começou sua carreira?

Quando eu fiz o curso de administração de empresas na FEA-USP, no final dos anos 1980, não se ensinava Teoria dos Jogos nas faculdades – hoje ela é ensinada nas melhores –; era a “idade das trevas” da Teoria dos Jogos, quando ela tinha a reputação de ser o “obscurantismo da matemática”, conceito que só caiu definitivamente em 1994, com o Nobel do John Nash. Então, eu só tive o primeiro contato com o assunto em 2000, quando um amigo advogado me apresentou um livro recém-lançado de um jurista americano que usava a Teoria dos Jogos para explicar uma negociação de um contrato de trabalho (Law and social norms, de Eric Posner, Harvard University Press). Na época, eu era diretor comercial de uma empresa de TI e estava passando por uma negociação do meu próprio contrato de trabalho, que o modelo explorado no livro explicava perfeitamente. Alguns meses depois, já em 2001, eu fui convidado pela Maria Tereza Gomes, na época diretora de redação da revista Você S/A, para escrever uma matéria sobre uma experiência empreendedora pela qual eu havia passado. Nessa época eu já estava obcecado pela Teoria dos Jogos, estava lendo muito sobre evolução do comportamento e, em um almoço com a Maria Tereza, tentei vender a ela um artigo sobre negociação usando essas ferramentas – na verdade, esse artigo era baseado no tal livro que aquele amigo advogado me apresentara algum tempo antes e que está até hoje no meu blog, neste endereço:https://raulmarinhog.files.wordpress.com/2008/10/dilemanegociacao.pdf. Não emplaquei a ideia, ela achou que aquilo era muito esquisito para a linha editorial da revista, exótico demais. Mas algum tempo depois, já em 2002, o filme Uma mente brilhante, baseado na biografia do John Nash, ganhou o Oscar, e aí eu vi uma oportunidade de ressuscitar o tema com a Maria Tereza. Finalmente, ela concordou em publicar um artigo meu sobre Teoria dos Jogos no site da revista, o qual fez um baita sucesso com os leitores, e eu acabei virando colunista fixo da Você S/A. Foi assim que a história toda começou.  

Como foi o seu momento profissional mais memorável, o que mais lhe marcou?

Foi justamente essa experiência empreendedora que eu citei e que despertou o interesse da Maria Tereza. Depois de trabalhar cinco anos no Citibank, como gerente de contas para grandes empresas, eu abri uma empresa de factoring, no interior de São Paulo. Lá eu conheci como funciona o mundo real, que não tem nada a ver com o mundo das grandes corporações, em um aprendizado dolorido, mas riquíssimo. Sabe aquela metáfora da “selva do mundo dos negócios”? Nada se aproxima mais da vida selvagem que a atividade de factoring, em minha opinião – pelo menos era assim nos anos 1990, não sei como está hoje, pois me afastei completamente do negócio há mais de 10 anos. Foi exatamente por isso que as teorias darwinistas fizeram tanto sentido para mim, e é esta a razão de o meu livro se chamar Prática na teoria: eu primeiro vivi os relacionamentos na prática e, só depois, conheci a teoria que explicava por que eles ocorriam da maneira como ocorreram. 

E o pior momento?

O mesmo. Eu perdi tudo o que eu tinha em termos materiais com essa empresa de factoring, foi terrível. Mas ficaram a experiência e o conhecimento, que acabaram viabilizando minha coluna na Você S/A e meu livro. Parece filosofia de botequim, mas não é: são as piores experiências que nos fazem crescer. Na verdade, aprende-se muito pouco com o êxito; o fracasso é que é o grande professor. Fórmulas de sucesso não são replicáveis, pois, se fossem, o sucesso não seria escasso – e ele tem de ser, por definição. Por exemplo: agora, o Eike Batista está na moda, e milhares de pessoas comprarão o livro dele para serem “Eikezinhos”… mas não serão; o próximo bilionário terá de criar uma fórmula completamente diferente da que o Eike usou. Não adiantará muito estudar a maneira como o Eike obteve sucesso, percebe? Mas o fracasso, este, sim, se repete. Por isso, se você conhecer o fracasso profundamente, poderá evitá-lo com mais proficiência. Esse método funciona muito bem na instrução aeronáutica, por exemplo – uma área em que, obviamente, o fracasso tem consequências catastróficas. Um bom piloto estuda muito mais os erros do que os acertos.

E qual foi o momento mais cômico?

Os momentos que são verdadeiramente engraçados não poderiam ser publicados, e os menos engraçados, acho que não merecem tanta propaganda.

Qual conselho você daria para alguém que está começando na área de gestão/administração?

Posso dar três conselhos? Primeiro: aproveite para errar enquanto as consequências dos seus erros ainda são pouco relevantes; então, seja arrojado no início da sua carreira. Segundo: nunca descuide da sua reputação, seja inflexível quanto à ética. Terceiro: relaxe e não se leve tão a sério, não tenha pressa em vencer.

E quais conselhos você daria para um veterano da área?

Primeiro: nunca se esqueça de que existem pessoas por trás dos números e que elas são o que realmente importa. Segundo: não se deixe levar pelas disputas de ego; uma vaga melhor no estacionamento não significa que você também seja melhor. Terceiro: a mesma recomendação para o iniciante, “relaxe e não se leve tão a sério”.

Qual é o erro mais comum cometido por gestores? Que sugestões você daria para que eles melhorassem?

Nas grandes empresas, eu acho que o grande erro é o divórcio do mundo real. Os executivos vivem em uma redoma e não têm a menor ideia do que acontece fora dela, é impressionante. Se o executivo for um diretor de um banco de investimentos, o qual lida com outros executivos de outros bancos de investimentos, com donos de corretoras, com gestores de fundos, até que isso não traz consequências tão desastrosas; mas, quando esse executivo trabalha em uma empresa de bens de consumo, de varejo ou de prestação de serviços, aí as consequências são terríveis. Então, para os gestores de grandes empresas, o conselho que eu daria é descer do salto e manter contato com o mundo real. Para os das pequenas empresas, eu daria dois. O primeiro é o de não negligenciar a educação: não é porque a empresa é pequena que a mentalidade do empresário também tem de ser. O segundo é sobre a questão ética. O ambiente do pequeno empresário é muito hostil: o governo atrapalha demais, as grandes empresas sufocam, os funcionários são descomprometidos e egoístas, os bancos, então, nem se fala… a sensação é a de que todos são inimigos. Dá muita vontade de mandar todo mundo para o inferno e “fazer como todo mundo faz”: sonegar, trapacear, enganar. Só que isso não funciona em longo prazo; uma hora a casa cai. Então, não abra mão da ética nos negócios, esse é o único caminho para se ter sucesso em longo prazo.

O que você acha que os gestores deveriam PARAR de fazer? 

Uma coisa que me incomoda muito são as tentativas malsucedidas de sistematizar o atendimento ao cliente: centrais de atendimento malconcebidas, vendedores presos ao “sistema”, esse tipo de coisa. Entre em uma loja de telefonia celular (qualquer uma) para ver como é complicado ser atendido de maneira decente nesse tipo de lugar. Eu não acho possível que os vendedores dessas operadoras sejam todos imbecis, mas eles se comportam como se fossem. Por quê? Porque um “gênio”, em algum momento, criou um sistema absurdo para padronizar o atendimento ao cliente, e os vendedores tiveram de se imbecilizar para poder trabalhar nele. Esses sistemas minam toda possibilidade de criatividade e iniciativa do vendedor; não consigo entender por que fazem isso. Pode reparar que, desde que instituíram o gerundismo no atendimento (“No que posso estar ajudando?”), ficou impossível se relacionar com a área de vendas das empresas. Na época que os vendedores eram pessoas reais, que conversavam com você sem scripts, a relação do consumidor com as empresas era bem melhor.

Ainda sobre liderança: o que você acha que os gerentes fazem pouco e que deveriam fazer mais?

Gerenciar pessoas, não processos. Um gerente financeiro, por exemplo, acha que gerencia as finanças, mas ele, na verdade, gerencia pessoas que gerenciam as finanças. Com um gerente comercial, é a mesma coisa: ele não gerencia as vendas, mas os vendedores. O gerente comercial não é um supervendedor, mas, sim, um sujeito que sabe administrar os conflitos em sua equipe e orientar os vendedores corretamente – e assim por diante. Saber vender é bem diferente de saber gerenciar vendedores, mas parece que a maioria dos gerentes se concentra no primeiro caso.

Qual foi o melhor conselho de gestão/administração ou de vida que você já recebeu?

Eu tive um chefe no Citibank que citava uma metáfora interessante sobre como gerenciar estrategicamente a atividade comercial. Ele dizia que temos de agir como um barco com redes para pescar sardinhas e arpões para fisgar merlins, o qual só seria eficiente se o capitão soubesse equilibrar os esforços em pegar as sardinhas e os merlins. Se focasse só nos merlins, poderia ficar sem recursos para o combustível, se esses peixes sumissem por muito tempo, e, se ficasse só pescando sardinhas, o barco nunca seria lucrativo. No livro do Taleb (A lógica do cisne negro), ele explica esse mesmo conceito de maneira diferente, quando fala de escalabilidade.

Qual dica sobre gestão você vê com frequência e acha estar errada – ou seja, coisas que os outros dizem e com as quais você não concorda?

Em linhas gerais, todas as modinhas que surgem de tempos em tempos são grandes equívocos. Um dos principais exemplos é o conceito de “líder servidor”, do James Hunt. Eu fui convidado para dar uma palestra em Belo Horizonte uma vez, em um evento em que o Hunt também era palestrante, e calhou de eu me sentar ao lado dele no jantar. Conversamos longamente, e eu expus (ou tentei expor) minhas críticas ao seu livro, mas… bem, fico constrangido em dizer isso, pode parecer inveja, já que o sujeito é um best-seller, mas o fato é que ele é muito limitado intelectualmente e foi complicado explicar por que a estratégia que ele propõe é falha. Na época, eu escrevi uma crítica ao livro, que ainda está acessível em:https://raulmarinhog.files.wordpress.com/2008/10/monge_e_executivo.pdf.

Há algum comentário final que gostaria de deixar para nossos leitores?

Em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer ao Raúl Candeloro pela oportunidade da entrevista, sem dúvida a mais completa e inteligente que fizeram comigo até hoje (embora trabalhosa, mas, “no pain, no gain”, certo?). Ela me fez refletir sobre vários aspectos da minha carreira sobre os quais há muito tempo eu não pensava. Muito obrigado, mesmo! Em segundo lugar, eu gostaria de agradecer publicamente ao J.B. Vilhena, que fez uma excelente apresentação do Prática na teoria na VendaMais de janeiro. Repito aqui o que escrevi a ele em um e-mail pessoal, agradecendo a apresentação: “‘Nunca antes na história deste país’ – como dizia o outro – alguém percebeu tão bem minhas reais intenções: o Prática na Teoriaé um livro sobre vendas, escrito para (bons) vendedores, e não um livro sobre teoria dos jogos escrito para acadêmicos!”. E, finalmente, eu gostaria de me colocar à disposição dos leitores que quiserem se aprofundar sobre o assunto: meu e-mail raul@raulmarinho.com.br está às ordens. Muito obrigado, e sucesso a todos!

Novo blog: “Para ser piloto”

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 31 março, 2011

Pessoal,

Estou lançando um novo blog, filhote do Toca Raul!!!, só sobre coaching de formação aeronáutica, chamado “Para ser piloto“.

Por isso, as áreas de comentários dos posts “Como tirar brevê”, “O que é ser piloto profissional”, “PC Prático – Minha experiência” e “PP Prático com Cherokee no ASP” estão fechadas. A partir de agora, todos os comentários destes posts deverão ser feitos na página de comentários do “Para ser piloto”.

 

 

Feliz 2011!!!

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 8 janeiro, 2011

Perco o leitor, mas não perco a piada…

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 22 julho, 2010

Sei que é de péssimo gosto, mas não resisti…

Do Bobagento, que pegou n’O Macho Alpha

Dia de fúria

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 21 julho, 2010

Estive no correio hoje, para mandar uma única carta, não registrada, R$1,90. Demorou 40min., e só havia 2 pessoas na minha frente. Eram 3 atendentes: uma paquerando o cliente, outra atendendo morosamente um boy com umas 15 cartas registradas, e uma terceira aparentemente portadora de transtornos motores e cerebrais. Deu vontade, mas não cheguei ao ponto que esse tio aí chegou:

Após demora em atendimento, aposentado mata servidora da Secretaria da Saúde em SC

JEAN-PHILIP STRUCK

DE SÃO PAULO

Um aposentado matou ontem a tiros uma funcionária da Secretaria Municipal da Saúde de Correia Pinto (258 km de Florianópolis) por causa da demora no atendimento.

Segundo a Polícia Civil, Celso Muniz Coelho, 65, afirmou que havia cerca de um mês vinha procurando a Secretaria de Saúde do município para tratar uma hipertensão e em pelo menos cinco ocasiões voltou para casa sem ser atendido.

Na terça-feira (20), cerca de duas horas antes do crime, o aposentado foi à delegacia da cidade para registrar um boletim de ocorrência por omissão de socorro. Após o registro, segundo a polícia, Coelho voltou para casa e pegou um revólver calibre 38 e uma faca. Por volta de 18h30, se dirigiu para a sede da Secretaria.

Lá, ele disparou cinco vezes contra a servidora Lenimar Aparecida Ribeiro, 41. A polícia não soube informar quantos tiros acertaram a servidora. Ela morreu quando era levada a um hospital no município vizinho de Lages.

Segundo o delegado titular de Correia Pinto, Fabiano Henrique Schmitt, Coelho se entregou à polícia logo após o crime. Ele permanece preso acusado de homicídio doloso (com intenção de matar) e por porte ilegal de arma.

Em depoimento, ele disse que praticou o crime “em nome do povo” e porque não aguentava mais o descaso no atendimento.

A Folha tentou entrar em contato com a Prefeitura de Correia Pinto, mas ninguém atendeu o telefone.

Mais, aqui: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/770322-apos-demora-em-atendimento-aposentado-mata-servidora-da-secretaria-da-saude-em-sc.shtml

A solussão dos seus pobrema

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 20 julho, 2010

Do impagável Aqui tem coisa, que por sua vez pegou do impagável Porão abaixo, que acho que foi quem fez:

Oswaldo Frota-Pessoa

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 25 março, 2010

Foi com profundo pesar que li a nota abaixo, publicada na Folha de hoje, sobre o falecimento do Dr. Oswaldo Frota-Pessoa, geneticista pioneiro do Brasil, e sócio fundador do ICED – Instituto Comportamento, Evolução e Direito.

Morre Frota-Pessoa, pioneiro da genética humana no Brasil

Morreu ontem em São Paulo Oswaldo Frota-Pessoa, um dos maiores biólogos brasileiros do século 20. Pioneiro da genética humana, formou uma geração de pesquisadores e influenciou como poucos sua área de pesquisa. Ele completaria 93 anos na próxima terça-feira. (more…)

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Wanted, dead or alive

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 19 março, 2010

Clique aqui, e veja quem está sendo procurado pela Interpol.

…E bonito, por natureza

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 28 fevereiro, 2010

O mapa acima mostra as falhas geológicas do planeta, lugares em que uma placa sobe em cima da outra e ocorrem terremotos, de acordo com os geólogos. Repare como o lugar ocupado pelo Brasil na América do Sul está longe dos pontos marcados como de alta intensidade sísmica. (O mapa é da Wikipedia).

Tem uma piada (bem manjada, por sinal) em que Deus é questionado por que o Brasil não tem terremotos, maremotos/tsunamis, furacões, desertos, geleiras, etc.; ao que Deus retruca “…mas você não sabe o povinho vagabundo que vamos colocar lá”. Pois é. Esse terremoto nos mostra de onde vem os Arrudas da vida.

Aos 15, de fuzil

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 24 fevereiro, 2010

Leia essa reportagem do G1. Depois, volte aqui, por favor.

O assunto é a liberação de um dos assassinos do menino João Hélio, após somente 3 anos de internação.

-x-

Nos idos do início dos anos 1980, aos 15 anos, eu portava um fuzil FAL-7.62mm, e tinha ordens para atirar para matar em determinadas ocasiões. O FAL era do Estado (mais precisamente, do Exército, arma em que eu servia como aluno da Escola de Cadetes), que achava que um sujeito de 15 anos era perfeitamente maduro para portar uma arma potente como um fuzil. Uma vez, um amigo estava de plantão de madrugada, quando um Opalão invadiu a Vila dos Oficiais cantando pneu. O meu colega atirou três vezes, o carro fugiu, e aparentemente ninguém morreu ou se feriu. Mas poderia ter matado alguém, como aliás um soldado o fez logo que me desliguei (o rapaz atirou no coronel comandante, e foi morto em seguida pelo sub-comandante!).

Em 1985, eu pedi desligamento da EsPCEx, logo depois vem a nova Constituição, mais um tempo o ECA-Estatuto da Criança e do Adolescente: não sei como a coisa está hoje em dia. Mas segundo o site da Escola de Cadetes, os candidatos a uma vaga deverão ter entre 16 e 21 anos, então acredito que ainda existam menores de idade lá matriculados. Ou seja: o Estado, por meio do Exército, oferece (pelo menos, oferecia na minha época) treinamento militar para que se manuseie armas com a intenção de serem usadas sob determinadas circunstâncias. Até aqui, tudo bem?

O problema é que esse mesmo Estado, por meio de instituições dos poderes Judiciário e Ministério Público, resolve que um outro rapaz de 15-16-17 anos, portador de armamento letal, é uma criancinha inocente que não sabe o que está fazendo. Arrastar um menino pela rua? Ah, sou tolinho, num picibi tio… Por que essa diferença? Porque o cara que estuda na Escola de Cadetes é maduro para atirar de FAL num Opala de playboy, e o assassino do João Hélio não é? É preconceito contra o pobre rapaz: ele é tão maduro quanto eu era, nos anos 1980. Não há porque considerar que um jovem adolescente de hoje, com internet, celular, etc., seja menos maduro que um outro, criado sem essas modernidades, ao contrário. Então por que a discriminação?

Na verdade, o que se percebe pela reportagem é que o rapaz é mesmo discriminado, por onde quer que passe – inclusive, e principalmente, pelos outros detentos. Isso mostra o quão errado está o ECA, baseado em premissas irracionais sobre o comportamento humano. É óbvio que quem pratica o tipo de crime que ocorreu, independente da idade, não pode deixar de ser responsabilizado.

(A foto foi tirada daqui)

Cala a bloca Magda!!!

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 19 fevereiro, 2010

Para quem não conhece, Elenita é uma doutora em linguística formada pela UnB que acabou de encerrar sua participação na décima edição do Big Brother Brasil-BBB, um reality-show da Rede Globo. Para os ETs, acrescento que o BBB é um jogo que dura cerca de 3 meses, com eliminações de participantes em “paredões”, geralmente semanais. No último paredão, o sobrevivente ganha um prêmio que, nessa edição, é de R$1,5milhão. A inscrição é feita enviando-se vídeos para Rede Globo. Os selecionados assinam um contrato, e são remunerados para participar da brincadeira (R$500/semana, segundo consta). Todo mundo é maior e vacinado, e muita gente usa o BBB como porta de entrada para o mundo das celebrities – ex.: Sabrina Sato, Kleber Bam-Bam, etc.

A recém-eliminada, como todas, dá várias entrevistas logo após deixar o cativeiro, e a primeira publicada no site UOL está aqui. Dela, copio abaixo 2 trechos, que comento em seguida:

I-Eliminada do “Big Brother Brasil 10” com 52% dos votos nesta terça (16), Elenita não esconde seu maior medo: o rótulo de ex-bbb. Durante entrevista coletiva realizada no Projac após sua saída da casa, a brasiliense não pensou duas vezes na resposta ao ser questionada sobre seu grande arrependimento dentro da casa. “Não ter ido ao confessionário para deixar mesmo o programa. Agora, vou ter de conviver com o fato de que sou uma ex-bbb para o resto da vida. Quem vai me aceitar como professora em uma universidade federal?”, indagou, caindo em lágrimas.

II-Sobre o jogo, Elenita não tem dúvidas de quem é o melhor estrategista. “O Dourado acorda olhando para a câmera. Ele tem uma bagagem que os outros não têm sobre o BBB. É o melhor jogador ali. Por isso, acho que não merece ganhar”, avaliou.

Comento

Se você trabalha num banco, torna-se bancário. Depois, você resolve fazer medicina e vira médico, ou escreve um livro e vira escritor, ou seja lá o que for; aí você será um médico ex-bancário, ou escritor ex-bancário, o que faz todo o sentido. Não para a linguista, que pelo jeito não sabia que, indo trabalhar como participante de reality show, seria reconhecida como ex-participante de reality show após o reality show acabar. Isso, além de tudo, é profundamente elitista, discriminatório e arrogante por parte da PhD chorosa.

Mostrando que lógica não é mesmo seu forte, a srta relata que um dado jogador, por ser o melhor de todos, não mereceria ganhar. Bem… O Robinho então, que faz gol de letra, deveria ser banido do futebol, o Senna e o Schumacker nunca deveria ter tido permissão de correr na F-1, e por aí vai. Quem merece ganhar o jogo é quem joga mal, joga errado, etc.

Ai meus sais…

A verdadeira história da maçã de Newton

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 19 janeiro, 2010

“Um belo dia, estava Newton sentada embaixo de uma macieira quando, ploft!, eis que uma maçã lhe cai sobre a cabeça. No susto, disse o físico: ‘Eis aqui a Teoria da Gravidade!'”. É mais ou menos assim que a fábula da maçã newtoniana encontra-se gravada no imaginário das pessoas. Ocorre que, em verdade, a história não é bem essa. Para começo de conversa, Newton nunca escreveu sobre o incidente com a maçã, e pode ser que ele nunca tenha ocorrido de fato.

Mais de 20 anos após a morte de Newton, um tal William Stukeley escreveu a biografia do físico num livro chamado “Memórias de Sir Isaac Newton”, que agora está disponível no original aqui. Neste documento, a história está assim:

Ele estava lá em estado contemplativo, e uma maçã caiu. Ele questionou por que a maçã sempre desce perpendicularmente ao chão. Por que não vai para os lados, para cima? Por que sempre em direção ao centro da Terra? Seguramente, a razão é que a Terra a atrai. Deve existir um poder de atração na matéria.

Este fato teria ocorrido por volta de 1660, e a biografia fora escrita  em 1752, o que faz muito improvável que a história da maçã tenha de fato ocorrido desta maneira.

Desconstrução da heteronormatividade

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 14 janeiro, 2010

Como diria Didi Mocó…

O novo PNDH, Plano Nacioonal de Direitos Humanos, tanto em sua versão 3.0 quanto 3.1, propõem a “desconstrução da heteronormatividade”. Lindo isso, não?

desconstrução da heteronormatividade”

Como o tempo passa rápido num blog!

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 10 outubro, 2009

estat site

Aos estimados e estimadas leitores e leitoras, parabéns para nós! O Toca Raul!!! está completando um ano de vida. Embora esteja meio devagar ultimamente (vide explicação no post anterior), a produção deste primeiro ano até que foi bem razoável, como se pode ver na tabela acima. São 510 artigos publicados, quase 2 por dia corrido. E mais de 80mil visualizações, o que significa que, todo santo dia, centenas de internautas perdidos na web acessam algum artigo do blog (hoje estão entre 350 e 450 por dia, embora a média do 1o. ano se situe ao redor dos 250). Estou feliz! Espero que vocês também.

Antropologia do IPhone

Posted in Atualidades, Uncategorized by Raul Marinho on 3 agosto, 2009

indio-ao-celular

Essa vem direto da Época dessa semana:

A Apple anunciou orgulhosa que os consumidores já baixaram 1,5 bilhão de programas da loja on-line do iPhone, em um ano de existência. O número representa cerca de milhões em lucros para a Apple. Mas também tem outros sentidos. Analisando o perfil de programas baixados em cada país, é possível também fazer uma espécie de “antropologia do iPhone”. De farra, claro, até porque nenhum estudioso sério se dedicaria a isso, ao menos por enquanto. Diga-me o que carregas em teu iPhone e te direi quem és.

Um curioso que navegue pelas lojas da Apple em vários países com olhar atento descobrirá que, no Brasil, o número um em vendas é um programinha que faz o iPhone apitar toda vez que o motorista passar por um radar. Nos Estados Unidos, prevalecem os games, muitos com o objetivo de dominar o mundo ou atirar a esmo. O que essas escolhas dizem sobre os hábitos de cada população?

Um alienígena que estudasse a civilização brasileira por meio dos programas mais baixados na App Store nacional poderia chegar às seguintes conclusões:

1. não queremos pagar multas, mas queremos andar mais rápido que o permitido, por isso usamos um programa para burlar radares e ele está em primeiro lugar na lista;

2. estamos amedrontados com a gripe suína. Um programinha com informações sobre a doença está em alta nas preferências atuais;

3. gostamos tanto de cerveja que queremos ter uma gelada virtual no iPhone, capaz de simular um copo cheio dela;

4. somos, claro, o país do futebol. Entre os dez países analisados, o Brasil é o único que tem, nos primeiros lugares, um programa com a tabela e a colocação dos times em algum esporte. Está lá o Brasileirão 2009, entre os mais baixados.

Mas isso tudo a gente já sabe. Melhor dar uma espionada nos estrangeiros. Os franceses, por exemplo. São vaidosos. No alto da lista, como era de esperar, um guia de restaurantes e outros serviços. Mas os franceses parecem ser tão vaidosos que usam o iPhone como… espelho! Um programinha que aumenta o poder de refletir da tela do iPhone e o transforma num arremedo de espelho é muito popular. A engenhoca ainda permite que o usuário escolha a moldurinha do espelho. Claro, porque não basta ter um espelhinho, ele tem de ser chique, não? Os franceses também parecem estar sofrendo com mosquitos, no verão de lá. Entre os mais populares está um programa que emite um sinal sonoro para espantar insetos.

Quem quer que já tenha tentado andar no metrô de Paris sabe como é fácil se perder. Para piorar, os parisienses têm a fama – justificada ou não – de não ser gentis com turistas perdidos que não falam seu idioma. A vingança é saber que nem os franceses sabem andar lá, porque, se soubessem, não precisariam tanto de um programinha que mostra as estações de metrô. Você pesquisa uma rua, ele mostra onde fica a estação e como chegar lá. Parece que nem mesmo quem fala francês quer perguntar algo aos franceses.

As encomendas dos indianos na loja da Apple também guardam surpresas. Tecnologia, empregos, economia em ebulição? Nada disso. Os indianos querem sexo no iPhone. Faz sucesso por lá o Kama Sutra, em primeiro lugar, e mais um bando de programas que mostram mulheres em poses sensuais. A Apple não permite nada explícito, apenas biquininhos e olhe lá…

Faça amor, não faça a guerra, dizem os indianos. Mas os americanos não querem saber disso. Jogos de guerra, tiros em bonecas, caça, tudo isso faz o maior sucesso na loja americana. No jogo World War, o objetivo é entrar numa guerra e se tornar a nação dominante do planeta. Em Pocket God, ou Deus de bolso, outro must americano, a brincadeira é ter ainda mais poder. Você é Deus. E um Deus muito mau. Um Deus sádico. Sua diversão é fazer o povo que você domina sofrer.

O aparente amor dos americanos pela violência não reduz a admiração que eles despertam na maior nação emergente do planeta. O programa mais baixado na China é um curso de inglês para iPhone. Os outros campeões de venda chineses são indecifráveis para esse antropólogo amador, porque ele não foi capaz de fazer seu computador reconhecer e traduzir os ideogramas em que estão descritos.

As preferências de cada país:

.                                 BRASIL

iphone

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Onde as mulheres mandam

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 1 junho, 2009

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A interessantíssima entrevista abaixo, de Jürgen Vogt para o Der Spigel, é sobre uma sociedade matrilinear da China. Depois de lê-la, se você ainda tiver paciência, leia este artigo meu sobre o mesmo assunto.

O matriarcado dos Mosuo

Como funciona um matriarcado na realidade? O escritor argentino Ricardo Coler decidiu descobrir e passou dois meses com os Mosuo, no sul da China. “As mulheres tem um jeito diferente de dominar”, explicou o pesquisador à Spiegel Online.

Spiegel Online: Você é da Argentina, que tem fama de ser um país com comportamento machista. Como foi viver por dois meses na sociedade matriarcal dos Mosuo, na China?

Coler: Eu queria saber o que acontece numa sociedade em que as mulheres determinam como as coisas são feitas. Como as mulheres funcionam quando, desde o nascimento, sua posição social as permite decidir tudo? Nós, homens, sabemos o que é um homem, descobrimos isso rapidamente – mas o que constitui uma mulher? Apesar disso, não fiquei mais sábio em relação a esse assunto.

Spiegel Online: A sociedade Mosuo é um paraíso para as feministas?

Coler: Eu esperava encontrar um patriarcado às avessas. Mas a vida dos Mosuo não tem nada a ver com isso. As mulheres têm um jeito diferente de dominar. Quando as mulheres governam, isso faz parte do trabalho delas. Elas gostam quando tudo funciona e a família está bem. Acumular riquezas ou ganhar muito dinheiro não passa pela cabeça delas. A acumulação de capital parece ser uma coisa masculina. Não é sem razão que a sabedoria popular diz que a diferença entre um homem e um menino é o preço de seus brinquedos.

Spiegel Online: Como é a vida do homem no matriarcado?

Coler: Os homens vivem melhor quando as mulheres estão no comando: você não tem quase nenhuma responsabilidade, trabalha bem menos e passa o dia todo com seus amigos. E fica com uma mulher diferente todas as noites. E, além disso, você sempre pode morar na casa da sua mãe. A mulher serve o homem, e isso acontece numa sociedade em que ela lidera e tem o controle do dinheiro. No patriarcado, nós, homens, trabalhamos mais – e de vez em quando temos que lavar os pratos. Na forma de matriarcado original de Mosuo, você é proibido de fazer isso. Quando a posição dominante da mulher está segura, esse tipo arcaico de papeis de gênero não têm muito significado.

Spiegel Online: O que mais o surpreendeu?

Coler: Que não há violência numa sociedade matriarcal. Sei que isso pode descambar para uma idealização – toda sociedade humana tem problemas. Mas resolver os conflitos com violência simplesmente não faz sentido para as mulheres Mosuo. Como elas estão no comando, ninguém briga. Elas não têm sentimentos de culpa ou vingança – é simplesmente vergonhoso brigar. Elas ficam envergonhadas quando o fazem, e isso pode até ameaçar sua posição social.

Spiegel Online: E quando não há solução para um problema?

Coler: Tanto faz, não haverá nenhuma briga. As mulheres decidem o que acontece. Algumas fazem isso de forma mais rígida e outras de forma mais amigável. Elas são mulheres fortes que sabem dar ordens claras. Quando um homem não terminou uma tarefa que recebeu, espera-se que ele admita isso. Ele não é censurado nem punido, mas em vez disso, é tratado como um menino que está aquém da tarefa.

Spiegel Online: Os homens são criados para serem incompetentes?

Coler: Para os Mosuo, as mulheres são simplesmente o gênero mais eficiente e confiável. Entretanto, elas dizem que as decisões “verdadeiramente importantes” – como comprar uma casa ou uma máquina, ou vender uma vaca – são tomadas pelos homens. Os homens são bons para tomar esse tipo de decisão, assim como para o trabalho físico. O líder oficial do governo do vilarejo, o prefeito, é um homem. Eu andei com ele pelo vilarejo – ninguém o cumprimentava ou dava atenção. Um homem não tem nenhuma autoridade.

Spiegel Online: Como essa divisão de papeis funciona no que diz respeito ao amor?

Coler: Na sociedade matriarcal, o amor e o erotismo são onipresentes. Mas há uma grande diferença entre os dois. Eles sempre fazem piadas ambíguas. Sempre tem alguém querendo lhe apresentar uma mulher e sempre há uma mulher sorrindo para você. Como eu disse, são mulheres muito fortes, que dão ordens e gritam com você como se você fosse surdo. Mas quando chega a hora da sedução, elas mudam totalmente. As mulheres agem com timidez, olham para o chão, cantam baixinho para si mesmas e ficam ruborizadas. E elas deixam os homens acreditarem que são eles que escolhem as mulheres e fazem a conquista. Daí eles passam a noite juntos. Na manhã seguinte, o homem vai embora e a mulher continua com seu trabalho como antes.

Spiegel Online: É um paraíso do amor livre, em outras palavras?

Coler: A vida sexual dos Mosuo é muito diferente e muito ativa – troca-se de parceiro com frequência. Mas as mulheres decidem com quem elas querem passar a noite. O lugar onde elas moram tem uma entrada principal, mas toda mulher adulta tem sua própria cabana. Os homens vivem juntos numa casa grande. A porta de cada cabana tem um gancho e todos os homens usam chapéus. Quando um homem visita uma mulher, ele pendura o chapéu nesse gancho. Dessa forma, todo mundo sabe que a mulher está acompanhada. E ninguém vai bater na porta. Se uma mulher se apaixona, ela recebe apenas aquele homem específico, e o homem só vai para falar com aquela mulher.

Spiegel Online: O que torna um homem atraente para uma mulher Mosuo?

Coler: Quando ela pode conversar com um homem, fazer sexo, e sair com ele, então ela está apaixonada. O amor é mais importante para elas do que o compromisso. Elas querem estar apaixonadas. O motivo para ficar com alguém é o amor. Elas não estão interessadas em se casar ou constituir uma família com um homem. Quando o amor acaba, então tudo está acabado. Eles não ficam juntos por causa dos filhos ou por causa do dinheiro ou outro motivo qualquer.

Spiegel Online: O conceito de casamento existe para os Mosuo?

Coler: Sim, as crianças são até mesmo ameaçadas com ele: “Se você não for bom, nós iremos casá-lo”. As crianças entendem o casamento como uma história de terror. Perguntaram para mim como é que nós vivemos. Eu disse: o homem conhece a mulher, eles se apaixonam, têm filhos e vivem juntos para o resto da vida. Ah, disseram, isso deve ser ótimo. Mas no fundo dão risada do fato de nós sempre repetirmos uma coisa que nós mesmos sabemos que não funciona.

Spiegel Online: Podemos perguntar se você também pendurou seu chapéu num gancho?

Coler: Uma mulher quis ter um filho comigo. Eu disse a ela que não, não posso ter um filho com você porque você mora aqui na China e eu moro na Argentina. “E daí?”, foi a reação dela. As crianças sempre ficam com as mães. Eu disse que eu não poderia ter nenhum filho que eu nunca pudesse ver. Ela apenas sorriu, como se eu estivesse levando tudo muito a sério. Quando elas têm filhos, as crianças são só delas – os homens não têm nenhum papel.

Spiegel Online: Na China, a sociedade dá mais valor aos filhos homens do que às filhas – isso é diferente com os Mosuo?

Coler: Uma família sem filhas é uma catástrofe. Além disso, essas famílias são menos prósperas economicamente, porque são as mulheres que controlam o dinheiro. Uma família tem de 15 a 20 membros. Entretanto, há também famílias pequenas com cinco ou seis membros. Os Mosuo podem ter até três filhos, o que é incomum na China, onde a população urbana só pode ter um filho e as pessoas do interior só podem ter dois. Mas os quase 25 mil Mosuos são considerados uma minoria étnica, e portanto podem ter três filhos.

Spiegel Online: Os Mosuo têm uma palavra para “pai”?

Coler: Sim, existe uma palavra, mas não é nada parecido com o nosso conceito do que um pai deve ser. Esses deveres são assumidos pela mãe ou pela família. Normalmente, as mulheres não sabem quem foi que as engravidou. Então, as crianças também não sabem quem é seu pai biológico. Mas, para as mulheres, normalmente isso não é importante porque os homens quase não trabalham e têm pouco controle sobre as coisas de valor material. A família é o que importa, e elas jamais se separariam dela.

e-Rebinboca da parafuseta de 10 megabits

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 1 junho, 2009

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Não sei quanto a você, sabido leitor (ou sabida leitora), mas eu me atrapalho com as característicvas técnicas dos produtos eletrônicos atualmente à venda. Por que uma câmera com 10 megapixels seria melhor que outra, com 8? “Porque tem mais megapixels, né? Dãaaa…” Ok, mas que diferença prática isso me traz? Leia a matéria abaixo, do David Pogue para o The New York Times e entenda mais sobre as manhas & truques do marketing eletrônico:

Desvendando o marketing dos eletrônicos

Existem muitas coisas que tornam incomum a indústria da tecnologia para consumidores. Há, por exemplo, o fator da obsessão, que alcançou novos patamares quando o iPhone chegou ao mercado.

Mas o aspecto da tecnologia para consumidores que talvez seja o mais fascinante é a maneira como ela é promovida. Obviamente, nenhuma empresa quer anunciar as deficiências de seus produtos. Mas às vezes as qualidades que as empresas proclamam estão tão longe do que realmente importa.

Veja um resumo dos argumentos usuais de marketing, contrastados com elementos muito mais importantes que os anunciantes convenientemente evitam mencionar.

Filmadoras

O QUE DIZEM QUE IMPORTA: a potência do zoom

Por que o zoom é tão importante? É claro que é simpático aproximar-se visualmente de seu filho no teatro da escola. Mas quanto zoom é suficiente -20x? 50x? Quanto maior é o zoom, mais irregular se tornam suas imagens; cada ampliação também amplia a instabilidade de sua mão, tornando o vídeo mais difícil de ser visto.

O QUE REALMENTE IMPORTA: ângulo grande

Recentemente testei filmadoras de três grandes empresas, para averiguar a que distância teria que me posicionar para enquadrar uma pessoa de 1,82 metro de altura. Com a melhor das filmadoras -a que proporciona o ângulo maior- tive que me afastar quatro metros. O problema é que fiquei longe demais do objeto para que o microfone pudesse captar suas palavras.

Pense em todos os momentos em que você anseia por um ângulo maior. Aquela partida de futebol, aqueles casamentos. Com uma filmadora camcorder, você não consegue captar nada que se assemelhe àquela vista deslumbrante de montanha, a não ser que aumente e diminua o zoom. O resultado não chega nem perto do impacto que a vista exerce sobre você em pessoa.

Câmeras fotográficas

O QUE DIZEM QUE IMPORTA: Megapixels

A indústria conseguiu convencer os consumidores de que ter mais pontinhos significa fotos de qualidade melhor. Isso pode ter sido verdade na época das máquinas fotográficas de dois megapixels. Mas essa diferença visual evaporou quando as câmeras chegaram a cinco ou seis megapixels. Hoje, seis megapixels bastam perfeitamente, mesmo para impressões enormes, do tamanho de pôsteres.

O QUE REALMENTE IMPORTA: Tamanho do sensor

Um sensor de luz maior implica em sensibilidade melhor à luz, o que significa que o obturador não precisa ficar aberto por tanto tempo, o que significa menos fotos fora de foco. Mas as fabricantes de máquinas fotográficas não querem que você tenha conhecimento dessa estatística -que não consta da embalagem da máquina-, porque é mais fácil e barato divulgar megapixels que o tamanho do sensor.

Celulares

O QUE DIZEM QUE IMPORTA: Cobertura.

O QUE REALMENTE IMPORTA: Cobertura.

Sim, estão anunciando a coisa certa. Não queremos ver zero sinais de recepção e não conseguirmos fazer uma ligação; não queremos que nossos telefonemas sejam interrompidos. Queremos apenas que o aparelho funcione. O problema é que as empresas estão mentindo. Uma pista é que todas elas dizem a mesma coisa: “Maior cobertura”, “menos ligações perdidas”. Não podem todas estar dizendo a verdade. A verdade é que elas estão medindo coisas diferentes: por exemplo, quantas pessoas vivem na área de cobertura, versus quantos quilômetros quadrados tem a área.

Computadores

O QUE DIZEM QUE IMPORTA: Preço

O preço de um computador com certeza é um fator importante -para algumas pessoas, o mais importante de todos.

O QUE REALMENTE IMPORTA: Valor

Quando alguma coisa é produzida exclusivamente para custar pouco, há alguma compensação em outro lugar. Você pode adorar o preço baixo de seu PC, mas pode não gostar do atendimento ao consumidor terceirizado, de baixa qualidade, oferecido pelo fabricante. Ou do motor grande e desajeitado. Ou do software desagradável pré-instalado que faz o computador se arrastar a passo de tartaruga desde a primeira vez em que você o liga.

MuCo – IMPERDÍVEL

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 29 maio, 2009

museu da corrupção[7]

Li no Blog da Bárbara Gancia, e repasso: não deixe de visitar o MuCo – Museu da Corrupção, que fica no site do Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo. Muito bem bolado, imperdível. Tem até a pizzaria Zia Ângela para homenagear a moça da dancinha…

Um psicanalista atravessando a rua

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 28 maio, 2009

atravessando a rua

Muito boa essa crônica do Contardo Calligaris, na Folha de hoje:

Pedestres

Talvez atravessar sem olhar seja um jeito de afirmar que a dignidade importa mais que a vida

HÁ COISAS que a gente só enxerga quando é estrangeiro, ao chegar a um país desconhecido. E há coisas do país onde a gente mora que só nos parecem curiosas por comparação, quando encontramos costumes diferentes.

Foi suficiente estar na Itália nestes dias para me dar conta de um hábito comum entre pedestres paulistanos menos abastados (não sei se a observação vale para todo o Brasil).

O fato é que percebi que pedestres de várias culturas, na hora de atravessar a rua, comportam-se de maneiras diferentes, talvez reveladoras de traços culturais específicos.

Por exemplo, os pedestres de Boston (Massachusetts, EUA), descem da calçada (nas faixas ou fora delas, tanto faz) encarando os carros numa atitude de desafio. Seu olhar e sua cabeça erguida parecem dizer: “Longe de me atropelar, você não ousará sequer me ameaçar, e saiba que não recuarei, pois a Lei (mais do que o Senhor) é meu pastor”. Eles atravessam a rua num ato de fé no valor soberano dos tribunais e das convenções.

Já os pedestres de Nova York descem da calçada apostando só em sua habilidade física. Não contam com a cortesia dos motoristas, nem com a obediência generalizada às regras do trânsito; mas com sua própria destreza. Por isso, se aventuram na rua sem sequer esperar uma interrupção do fluxo dos carros: evitam um, param para deixar passar outro, correm antes que o terceiro chegue e, como corredores olímpicos, pulam para a linha de chegada, que é a calçada oposta. Vistos de longe, se parecem com os toureadores amadores da “Fiesta” de Pamplona, na Espanha, quando todos brincam com uma manada de touros.

Essa diferença entre os pedestres de Boston e os de Nova York é uma apresentação adequada da diferença de espírito entre os cidadãos das duas metrópoles.

Os pedestres europeus são ainda uma terceira categoria. Eles não acreditam nem na lei nem em sua própria destreza: avançam (também dentro ou fora das faixas, tanto faz) desconfiados, tentando adivinhar as intenções dos motoristas e, quando não conseguem adivinhá-las direito, eles param, imóveis no meio do asfalto, supondo que os motoristas saberão evitá-los, na última hora. Há uma relação desse comportamento com a “docilidade transferencial” dos europeus, ou seja, a facilidade com a qual eles parecem reconhecer uma “autoridade”. Essa característica, aliás, faz da Europa o paraíso dos palestrantes: em regra, se alguém pergunta, é sempre com a máxima deferência. Dos anfiteatros às ruas: o pedestre europeu prefere contar com a habilidade dos motoristas do que com a sua própria.

Agora, muitos pedestres paulistanos, sobretudo quando atravessam fora das faixas ou com o sinal vermelho (para eles), exibem um comportamento que lhes é absolutamente próprio: eles não olham. Não digo que eles não olham antes de se aventurar no asfalto, isso vale também para os nova-iorquinos. É durante a travessia que, em vez de se voltar para os carros que se aproximam, eles olham reto para frente. E, caso eles atravessem uma rua de mão única na diagonal (o que já é uma péssima ideia), eles dão as costas para os automóveis que estão chegando.

Duvido que esse comportamento seja a consequência de uma confiança na lei, parecida com a dos bostonianos. Qualquer pedestre no Brasil sabe que os motoristas não se preocupam muito com o Código de Trânsito (quem assistiu a “Happy Hour”, o monólogo de Juca de Oliveira, agora no teatro Jaraguá, em São Paulo, já riu bastante com a vida perigosa do pedestre brasileiro).

O que acontece, então, com os pedestres paulistanos? Será que, fatalistas, deixam o futuro imediato totalmente nas mãos de Deus? Ou desconfiam radicalmente em sua própria habilidade, que lhes permitiria reagir na última hora, esquivando, se for preciso, o carro assassino?

Considerando as compensações irrisórias pagas pelo seguro obrigatório em caso de morte, é de se pensar que talvez o pouco valor atribuído à vida contamine a própria vítima potencial. Algo assim: “Atravesso e nem olho, porque minha vida mal vale o esforço de me precaver”.

Há outra interpretação, mais heroica: talvez, para as vítimas que não valem nada, atravessar sem olhar seja um modo de afirmar que sua dignidade é mais importante que a própria vida: “Acha que sou um escravo? Pois é, sou capaz, como o mestre antigo, de desafiar a morte. Resta saber se você será capaz de me matar”.

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Corujas

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 28 maio, 2009

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Para quem gosta de entender um pouco de Filosofia, mas não tem muita paciência para ler longos tratados, a crônica abaixo, do Luís Fernando Veríssimo publicada no Blog do Noblat de hoje:

A coruja do Hegel

Já me recomendaram que começar um texto citando Hegel (Georg Wilhelm Friedrich, século dezenove, alemão, muito alemão) serve dois propósitos:

criar no leitor uma expectativa de profundidade ou espantá-lo logo nas primeiras linhas, pois quem tem tempo para o Hegel hoje em dia? A você que continua a ler devo avisar que a tal profundidade não virá. Recorro a Hegel, ou à coruja do Hegel, para fins estritamente superficiais.

Hegel certa vez comparou a filosofia com a coruja da deusa Minerva, que carrega toda a sabedoria do mundo mas só voa ao anoitecer, quando não há mais luz para aproveitá-la. O que Hegel quis dizer (eu acho) é que qualquer período histórico só pode ser compreendido quando está no fim, e que a filosofia sempre chega tarde para explicá-lo. No fundo estava denegrindo o seu ofício. Ninguém tratou de interpretar a História com mais densidade do que Hegel mas no fim todas as suas teses e todo o seu palavrório não passavam do vôo tardio de uma coruja inútil, no seu próprio conceito.

Quando aquele outro alemão denso, o Marx, escreveu que os filósofos não podiam mais se contentar em interpretar o mundo e deveriam tentar mudá-lo, estava, sem citá-la, reivindicando um vôo mais conseqüente da coruja e um aproveitamento mais prático da sua sabedoria. O que Marx propunha era que a coruja, voando mais cedo, vencesse o vasto abismo que separava a filosofia da política. Um abismo que não começara com Hegel mas existia desde que Platão, desgostoso com a execução de Sócrates, renunciara à atividade política. Marx recrutava a coruja para a sua revolução. Se todo o marxismo pode ser visto, algo simplistamente, como uma crítica de Marx a Hegel, o que mais diferenciava os dois era sua opinião sobre os usos da filosofia, ou sobre a relevância da coruja e suas explicações.

No fim o que Hegel diz com sua metáfora é o óbvio, que a gente vive para frente mas compreende para trás, e que nenhuma filosofia ajuda a percorrer o caminho já percorrido. Na sua crítica Marx sustenta que o caminho percorrido nos mostra para onde ir e que a filosofia é que diz isso para a História. Por mais atrasada que chegue a coruja.