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A “Lei do Tudo ou Nada” na prática

Posted in Uncategorized by Raul Marinho on 28 janeiro, 2009

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Tudo ou Nada” é um conceito  (e um livro) de Economia Comportamental do brilhante economista estadunidense Robert Frank, sobre mercados altamente “escaláveis” (de acordo com o outro brilhante escritor, Nicholas Taleb, de “A Lógica do Cisne Negro“).

Raramente aparece um exemplo tão claro de como funcionam estes mercados como o que a imprensa veicula hoje, sobre os desdobramentos do caso Madoff e o banco Santander – vide esta matéria do Estadão. Sem entrar no mérito do caso em si, chamo a atenção para o fato de que existe um escritório de advocacia especializado na recuperação de recursos – no caso, o Motta, Fernandes & Rocha Advogados. Desconheço o trabalho do esritório, assim como nenhum de seus advogados, empregados ou sócios é meu amigo, e não tenho interesse algum no seu sucesso ou no seu fracasso, a opinião apresentada é meramente ilustrativa (assim como as cifras e percentuais apresentados, inclusive os honorários). Vamos agora entrar no terreno das suposições.

Imagine-se um magnata que possui US$10milhões investidos no fundo gerido pelo Madoff no Santander. Você sabe que o Motta, Fernandes & Rocha está defendendo o interesse de outros 20 investidores, num total de US$200milhões. Por outro lado, o sobrinho do seu vizinho é um bom advogado, formado pela USP, com mestrado na FGV, com 15 anos de experiência em grandes escritórios de São Paulo, e que está indo bem com seu escritório próprio, que abriu com um ex-colega de faculdade há 5 anos. E, muito importante: ao contrário do Motta, que pediu 10% de honorários para lhe defender, o sobrinho do seu amigo aceita o caso por 5%. Veja bem: estamos falando de uma causa de US$10milhões, e a diferença de honorários entre o Motta e o sobrinho do seu amigo representa US$500mil. Qual dos dois você contratará?

Por mais que o sobrinho do seu amigo seja um sujeito cativante, inteligente, e mostre experiência em litígios do tipo – além de cobrar bem menos -, mesmo que o advogado que lhe atende no Motta seja arrogante e só fale o óbvio, você dificilmente deixará de contratar o segundo, apesar do preço mais alto. Sim, são US$500mil a mais de honorários, mas também são US$10milhões sobre a mesa, e você jamais arriscaria tanto dinheiro com um escritório desconhecido. No fim das contas, se o escritório líder perder a causa, pelo menos você “fez o que pode”; mas se o sobrinho do seu amigo fracassar, ficará a sensação de “por que eu fui dar de engraçadinho com tanto dinheiro!!!???”. É por isso que o Motto deverá ficar cada vez maior, e escritórios obscuros têm tanta dificuldade em se sobressair… Não é justo, não é legal, mas é assim que funciona essa tal de “Lei do Tudo ou nada”.

4 Respostas

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  1. Edu said, on 28 janeiro, 2009 at 3:10 pm

    Texto muito bom!!
    A foto muita massa!
    kkkk
    http://rapaduraefarinha.wordpress.com/

  2. Rodrigo said, on 30 janeiro, 2009 at 4:12 pm

    Ralph, é por isso que existe uma briga de foice entre os escritórios para ver quem é o maior ou quem tem mais advogados.
    Mas essa lógica só funciona para casos isolados, não sendo aplicável para relacionamentos negócios continuados, a longo prazo. AINDA BEM…

  3. Raul Marinho said, on 30 janeiro, 2009 at 4:53 pm

    Rodrigo, não é que essa lógica “só funcione para casos isolados”… É que existem várias formas de organizar um escritório de advocacia em termos de escalabilidade. Por exemplo: um escritório que só trabalhe com causas trabalhistas, defendendo os interesses de trabalhadores de renda média/baixa – suponhamos, com um ganho médio de R$1mil/processo – vai ter um desepneho parecido com o de um escritório de contabilidade, um consultório de oftalmologia, uma oficina mecânica, ou seja: embora dificilmente deixe seus sócios multimilionários, esta estratégia também não deverá fazer com que falte dinheiro para o supermercado. Por outro lado, um escritório de direito tributário focado em causas de valor muito elevado, se tiver sucesso arrebenta de ganhar dinheiro, mesmo que o mais provável é que os sócios acabem sem dinheiro para por gasolina no carro. E entre estes extremos, existem infinitas estratégias mistas… Não sei se me fiz entender.

  4. […] então partir para uma atividade não-escalável – que, segundo o Nicholas Taleb, seria a alternativa mais […]


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