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Educação sexual

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 26 janeiro, 2009

No final do ano passado, fiquei chocado com a notícia de que, nas escolas públicas paulistas, as aulas de educação sexual para crianças de 12 anos incluiriam o manuseio de dildos, com todas elas experimentando colocar camisinhas nas réplicas de pênis feitas de borracha. Não sou velho nem reacionário, mas confesso que me incomodou imaginar minha filha (que, até o momento, não existe) tendo esse tipo de aula na escolinha…

Hoje, entretanto, o Luiz Felipe Pondé escreveu um artigo impecável sobre o tema, na Folha (que segue abaixo), que só não é melhor que o escracho do Monty Python no vídeo acima.

Terrorismo sexual

QUEM É a favor do ensino religioso? Mesmo quem concorda com o ensino religioso discorda do conteúdo: ensinar o quê? Deus, orixás, gnomos, homens-bomba? Outros são contra: religião não é assunto do Estado e da escola, é assunto da vida privada e familiar -guardem esse argumento na memória porque voltarei a ele.
Não vou discutir o ensino religioso, mas sim outra questão que me chama a atenção: a educação sexual nas escolas. Digo logo: sou contra. E mais: acho que sexo é assunto da vida privada e familiar (usei o mesmo argumento dos “contra o ensino religioso”, como havia prometido, lembram?) e nenhuma escola ou pedagoga maníaca por sexo deveria entrar nas cabeças das crianças com suas fantasias travestidas de teorias.
Aliás, quem são os teóricos de confiança? Quem descobriu o sexo correto? Normalmente, o sexo correto é aquele que a pedagoga maníaca por sexo acha que seja correto, e nada mais. Tapinha pode?
Claro, no futuro, talvez revoguem a lei contra pedofilia em nome dos “avanços contra os preconceitos”, e a pedofilia também venha a ser correta. Uma “última lei qualquer” decidirá que as crianças serão obrigadas a fazer prova sobre como é bonita a pedofilia?
Como ninguém faz uma daquelas campanhas diárias de repúdio à educação sexual nas escolas? Claro que hoje é mais normal num jantar inteligente você contar sua vida sexual com seu pastor alemão do que confessar em lágrimas que acredita em Deus, mas, mesmo assim, como não ver que a educação sexual nas escolas é ridícula? Ensina-se o quê? Posições? Gemidos? Aparelhos engraçadinhos? Que tal se meninos e meninas aprendessem a colocar camisinha com a boca?
Neste caso (nos EUA), a intenção da professora seria não fazer distinção de “gênero”? Daríamos Barbies aos meninos para desenvolver neles o “gênero feminino”? Espadas para as meninas? E, se você “gosta” de plantas, tudo bem, porque tudo é natural? Qual teste se faria para checar o conhecimento da professora? Que tal um “prático”?
Quem atesta a sanidade mental dessa professora? Gente “infeliz” na vida sexual pode dar aula sobre sexo? Quem seria a “consultora” desta “infelicidade”?
Aulas de biologia são bem-vindas, é claro. Mas e daí? O que ensinar para uma menina de dez anos sobre sexo? Usaremos fotos? Espero que as fotos sejam legais… Melhor deixá-las falar de “quem beijou quem e quem botou a mão em quem, como e no quê” entre suas amigas nas férias de verão ou no intervalo das aulas. E os meninos? Vendo revista “Playboy” (ou similares) escondido. E deixemos a vida correr, como corre há milênios. Digamos a verdade: quem dá aula de matemática é bom em matemática, quem dá aula de educação sexual é bom no quê? De novo: posições, gemidos, aparelhos engraçadinhos, colocar camisinha com carinho, sexo com plantas?
Todo mundo é mal resolvido em sexo (quem diz o contrário mente). Há algo no sexo que mistura a obviedade do animal com o inefável do ser humano (romantismo, taras e traumas) que não pode ser reduzido a lição de casa. Sexo saudável é sexo pelo sexo, sem preconceitos? Conversa fiada, sexo é sempre “difícil” porque seu “contexto” passa por fantasias, mentiras, inseguranças e infidelidades. Muito sexo sem afeto é coisa de gente fracassada no amor. E não existe aula sobre o “amor certo”.
Educação sexual é uma armadilha a serviço de todo tipo de lobby. Vou dar dois exemplos “opostos” para ficar claro. Primeiro: se os pedagogos maníacos por sexo fossem tomados de assalto por católicos? Seria matéria de aula a virgindade até o casamento? E você pai e mãe, que acham esse negócio de casar virgem muito repressor, concordariam?
Segundo: se o bando da educação sexual fosse de “homoafetivos” e obrigassem as crianças lerem histórias em quadrinhos onde meninos beijam meninos? Você, pai e mãe, “heteroafetivos”, aceitariam somente porque o bando em questão acusaria vocês de maioria esmagadora preconceituosa?
Sexo nos seres humanos é erotismo. Uma muçulmana toda coberta pode ser mais sensual com apenas seu olho à vista do que uma brasileira pelada na praia. Como “ensinar” essa diferença? Não há educação para tal sutileza. O bando da educação sexual, que insiste em assaltar as crianças com sua pedagogia grosseira, define sexo como algo tão “natural quanto ter sede”. Mas, se assim for, sua pedagogia é como obrigar crianças a beber litros de água sem que tenham sede.

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4 Respostas

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  1. Raul Marinho said, on 27 janeiro, 2009 at 10:07 am

    Comentário de leitora que se assina “SOLANGE MEZZAROBA , doutora em educação pela Unesp-Marília (Londrina, PR)”, no Painel do Leitor da Folha de hoje:
    “É lamentável que um jornal que se intitula “a serviço do Brasil” veicule em suas páginas texto tão preconceituoso, ofensivo e com tamanha falta de conhecimento em relação ao assunto quanto o de ontem do senhor Luiz Felipe Pondé (“Terrorismo sexual”, Ilustrada).
    Sugiro que o autor se informe melhor sobre o tema educação sexual antes de tecer, volto a dizer, suas impressões preconceituosas e ofensivas.”
    Sim… Quem conhece educação sexual é a dra em educação, não é mesmo? Quem é o Pondé para falar sobre o tema?

  2. Gui Rodrigues said, on 27 janeiro, 2009 at 7:17 pm

    Essa história de “deixa isso com quem entende do assunto” é ultrajante, seja no direito, seja na política, seja aonde for, pois não passa de uma tentativa de sufocar o debate: pura desonestidade intelectual.

  3. Raul Marinho said, on 2 fevereiro, 2009 at 3:52 pm

    A seguir, o artigo do Pondé na Folha de hoje, uma continuação do anterior:

    Título: A contaminação

    Sub-título: Há grande risco de contaminação ideológica e psicológica na educação sexual

    HOJE ESCLARECEREI DÚVIDAS dos leitores sobre o “terrorismo sexual”. Agradeço pelos elogios (um bálsamo para um ego sempre inseguro) e críticas (remédio sempre amargo para vaidade).
    Reconheço que o termo “educação sexual” é vago e restrito demais.
    Vago porque aulas essenciais de reprodução humana e de riscos médicos associados fazem parte da disciplina. Aqui, minha crítica [Ilustrada de 26/1] não procede. Quem seria contra isso?! Dizia da importância de aulas de biologia e com isso pensava em temas (científicos) como esses, mas não fui claro. Restrito porque riscos de contaminação ideológica e psicológica existem fora dessa disciplina; por exemplo, em aulas sobre ética ou cidadania.
    O problema vai além da disciplina em questão. E o debate vai além do Brasil. Práticas internacionais (alguns dos exemplos que dava) também nos contaminam.
    Chamava a atenção para a semelhança desta questão com o debate sobre ensino religioso. Os “contra” veem risco de contaminação ideológica e confessional no ensino religioso. Religião é assunto da esfera privada e não do Estado ou da escola. Eis a semelhança: há risco de contaminação ideológica e psicológica também no tratamento escolar do sexo. Muitos leitores que atuam seriamente na área parecem desconhecer esse fato.
    A tendência a irmos além dos temas científicos é grande. O que é essa contaminação? Discutirmos formas “corretas” ou “incorretas” de sexo. A sexualidade não é vista apenas como mecânica reprodutiva e seus riscos. Há ecos no debate: ética e sexo, amor e sexo, preconceito e sexo, política e sexo. O que “atesta” o conceito de “ética”, “amor”, “preconceito” e “política” de quem fala com os alunos? Suas crenças teóricas (suas “manias”). E aí, nós estamos em terra de ninguém, tudo é possível. Devemos ensinar a usar camisinha? Como?
    As fronteiras aqui são tênues.
    Essa tendência piora com o acúmulo de material produzido sobre sexualidade em várias frentes. Esse material refluirá para disciplinas desse tipo. Como atuo em pós-graduação, penso na formação dos professores em questão. Parte desse material é militante e, por isso, não isento de viés ideológico. Esse viés pode facilmente chegar à escola sem que se tenha possibilidade de pô-lo sob análise por parte dos pais. Por isso, vejo a “educação sexual” na escola como parte do risco de ingerência de grupos ideológicos dentro da vida familiar e privada, e esse risco é fato.
    Nós educadores somos influenciáveis por modas de todos os tipos e os burocratas da educação assumem conteúdos que lhes parecem simpáticos rapidamente. Uma vez que esses conteúdos venham a ser tomados como “certos”, facilmente viram parâmetros curriculares (que mudam ao sabor das modas).
    Voltarei aos exemplos “didáticos” dos dois “grupos opostos” que dei anteriormente: católicos e homoafetivos. Por “opostos” refiro-me ao espectro usualmente entendido como grupos que representam posturas “conservadoras” ou “progressistas” no debate acerca dos comportamentos sexuais e com isso quero apontar os riscos de ambos os lados. Desta feita, os exemplos são reforçados por testemunhos de leitores e um deles dado pela imprensa recente, e que fala exatamente do tipo de material produzido com viés ideológico a que fiz referência acima.
    Leitoras contam sua experiência quando tiveram aulas sob tutela de grupos católicos contra o aborto.
    Relatam que sua vida sexual foi marcada (medo, culpa) pelas imagens de fetos abortados que viram em aula. A problemática moral aqui presente não deve ser objeto da burocracia da educação. Aborto não deve ser objeto de “propaganda” (pró ou contra) na escola.
    Recentemente a imprensa informou (e um leitor também me lembrou) que uma importante universidade brasileira prepara estudo que visa a introdução em livros didáticos de “formas alternativas de orientação sexual”. Tais grupos, por razões ideológicas, querem discutir isso com alunos em sala de aula. Homoerotismo não deve ser objeto de “propaganda” (pró ou contra) na escola.
    Não “comparo” os dois casos.
    Aborto é crime ou não, homoerotismo é apenas um comportamento sexual minoritário e legítimo.
    Quanto à “pedagoga maníaca”, ela é uma metáfora, não descreve a categoria, mas sim o militante ideológico que faz da “educação sexual” uma forma de política.

  4. Luiz Barros said, on 11 junho, 2013 at 1:27 am

    Nunca vi uma pessoa que se diz “intelectual” falar tanta besteira em tão pouco tempo. É nítida a preocupação “ideológica”, tanto nas afirmações quanto nas negações, do autor. Ora, se ele já inicia a segunda participação fazendo “clichezinho” filosófico do tipo….agrada, não agrada, tudo se torna relativo e nefasto na sua própria hipocrisia de associar um especulado conhecimento ou comportamento social, com a emissão de julgamento. Ele, Pondé, torna-se a materialização grosseira do que procura desqualificar. Fora isso, já algum tempo, muitas circunstâncias da vida privada deixaram de ser privadas quando, deliberadamente em nome da “pós-modernindade”, elas se tornaram uma espécie de “senso comum” da estética do comportamento. Se erotizamos demais a sociedade em nome da liberdade, se aceitamos, deliberadamente, a “fetichização” do corpo, temos argumentos aceitáveis para dizermos: precisamos esclarecer o que é isso…o que pode acontecer com o corpo, com os valores, com a vida, afinal…milhões de crianças e adolescentes não merecem, APENAS, serem bombardeados por apenas um lado da retórica. A dialética ainda é uma grande ferramenta para a civilização! E vamos parar de associar o sexo com sexualidade…muitas vezes confusa no texto do filósofo. Antes mesmo de classificar essas “chamadas intervenções” de político-ideológica, ele deveria pensar, já que fez uma analogia com a religião, na organização social de pessoas que carecem, AINDA, de dignidade humana, familiar, cidadã e social.


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