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Blue Friday para as finanças no Brasil

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 31 janeiro, 2009

Ontem, este modesto blog teve uma enxurrada de acessos no post “Eu prefiro o Alcides Amaral“, um texto antigo, de 21/11/2008 (mais de 2 meses, hoje). O WordPress, que me hospeda, tem um bom serviço de estatísticas, inclusive investigando os termos de busca que os leitores usaram para chegar a até mim. Fui ver se achava uma pista do motivo dos acessos e encontrei referências a suicídio associadas ao nome Alcides Amaral para chegar a até mim. Bastou uma googlada para ver de onde vinha tanto alarde: de fato, ontem, o ex-presidente do Citibank no Brasil, Alcides Amaral, morreu. De acordo com a imprensa, foi suicídio (ele se atirou do 12º andar do prédio em que morava, no Itaim) motivado por uma forte depressão.
Uma pessoa infectada pelo vírus da AIDS não morre de AIDS, mas de insuficiência respiratória decorrente de uma pneumonia oportunista ou algo do gênero. Da mesma forma, a depressão em si não mata, mas a “infecção” é mental, portanto, imaterial. O problema é que a mente é um “órgão” vital para a sobrevivência, tanto quanto os pulmões, o fígado, os rins; e se a “infecção” for muito grave, ela mata, seja definhando, seja causando um desconforto tão absurdo que a morte surge como o melhor negócio possível. O suicida depressivo não é um sujeito que, em sã consciência, conclui não valer a pena viver porque tomou um chute da(o) namorada(o), porque faliu, porque a(o) esposa/marido/filho/a etc. faleceu, porque se descobriu doente terminal. Também não é um harakiri, ou qualquer outro tipo de comportamento do tipo “escorpião ferroando a si próprio quando ameaçado pelo fogo” (aliás, parece que não é bem assim que o escorpião se comporta na realidade, mas tudo bem). Já vi muito filme de guerra, e se existe um pingo de realismo em filmes como “Cartas de Iwojima”, o soldado japonês suicida que, cercado pelos estadunidenses, segura a granada no ventre e tira o pino, assim o faz por que: 1)está pressionado pelo superior, que pode matá-lo se não cometer suicídio; 2)acredita que poderá ser torturado e acabar morrendo igualmente se o inimigo o pegar; e 3)por vergonha, respeito às tradições, sentimento de honra, etc. Nada a ver com o suicida acometido pela doença mental conhecida por depressão, que tira a própria vida por causa da doença. Desconheço o posicionamento da Teologia, e acredito que grande parte das denominações religiosas não concorde comigo, mas não entendo ser razoável admitirmos que o depressivo que tira a vida possa ser entendido como um suicida “comum”. Pelo menos não é assim que eu vejo o caso do ex-presidente, jornalista, blogueiro, escritor, e lenda do mercado bancário, que morreu ontem.
Daqui a pouco eu volto ao assunto.

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Uma resposta

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  1. Ricardo Amaral said, on 28 fevereiro, 2009 at 5:14 pm

    Raul,

    Fico impressionado ao ler, em suas palavras, o que sinto e no que piamente acredito. Obrigado.

    ‘Googuei’, pela primeira vez, des de o o corrido, o nome de meu pai. Saio daqui mais feliz do que cheguei.

    Um Abraço,

    Ricardo


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