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Fábula ayahuasqueira

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 19 março, 2010

Com a morte do cartunista Glauco, lembrei de uma antiga história de morte de pai e filho, mais ou menos assim:

Contos & lendas do sertão

Em Saramandaia no Sul, litoral da Paraíba, havia um sujeito que vendia cachaça (e tomava umas de vez em quando também), o Jair. Jair não gostava de trabalhar, mas frequentava o pesqueiro do Tião, que às vezes deixava o amigo entrar com um estoque de caninha para vender para os outros clientes do pesqueiro. Tomava também Tião um traguinho, vez por outra, que a marvada do Tião era boa.

Mas, apesar da maiora no pesqueiro só tomar cerveja, às vezes o Tião comprava a pinga do Jair e revendia para os outros clientes do estabelecimento. E, em muitas outras, o próprio Jair ia lá para tomar uma caninha com uma cervejunha nas horas de folga, já que o filho do Tião era muito amigo do Jair. Um dia, o negócio de comprar cachaça por um preço aqui, vender por outro ali, deixar contas penduradas, compensar cerveja com comissão de venda de caninha, essas coisas de negócios, acabou azedando.

Aí, o Jair, que era meio fraco das idéias, tomou um porre, misturou cerveja com cachaça, começou a ver elefante cor-de-rosa flutuando no ar, e matou o Tião com quatro peixeiradas. Por azar, o filho do Tião apareceu na hora, e levou mais quatro. Jair fugiu na garupa do cavalo do Tonho, outro que não gostava do batente, mas ajudava o Jair em troca de uma branquinha.

Não sei como a história termina, quando me contaram o Jair e o Tonho estavam sumidos. Mas, se fosse feita justiça, os dois deveriam estar no xadrez. O fato do Tião (e do filho dele, parece) ser chegado numa branquinha e vender cerveja no pesqueiro não é justificativa para ser morto, mas também é certo que a bebida deixou o Jair com as idéias atrapalhadas…

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2 Respostas

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  1. Laércio said, on 20 março, 2010 at 12:34 am

    Pois é, Raul, se tivessem liberado o chá nesse pesqueiro nada disso teria acontecido (não com peixeira, lógico).

    P.S: Gostei tanto da sua versão postada no blog do Reinaldo que reproduzi (citando a fonte, óbvio) nos comentários da Folha e do Estadão.

  2. Raul Marinho said, on 20 março, 2010 at 12:49 am

    Pois é, cara, cê sabe que eu tava tomando banho, pensando na vida… Aí me ocorreu essa história, que é verdadeira parcialmente, pelo menos. Na verdade, é um tipo de “treta” bem comum na vida real, coisa corriqueira no Jardim Perifa. Se vc abstrair o fato da vítima ser famosa e querida da imprensa, da igreja ser – digamos… – exótica, do assassino ter cara de doido, e das drogas, o assassinato do Glauco e do filho é um crime corriqueiro.
    (Que fique claro que eu não culpo a vítima, nem relativize a culpa dos assassinos, muito menos que eu banalize a violência. É uma questão de fatos, somente)


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