Toca Raul!!! Blog do Raul Marinho

Apertem os cintos, o piloto faliu

Posted in Aviação by Raul Marinho on 23 julho, 2010

Sem alarde, está sendo feita uma reforma na legislação aeronáutica que vai deixar o filet mignon da aviação com os pilotos estrangeiros. Aos nativos, restarão os aviões Paulistinha, de pau, pano e cano.

Em grande parte do mundo, há restrições para que pilotos não-nativos atuem como pilotos profissionais. Nenhum piloto brasileiro (sem Green Card) pode pilotar profissionalmente nos EUA, por exemplo; e em contrapartida, somente os brasileiros natos ou naturalizados estão aptos a serem contratados pelas companhias aéreas, táxis aéreos e demais proprietários de aeronaves do Brasil. Esta reserva de mercado, aparentemente antiquada e anacrônica, na verdade existe porque o peculiar segmento da aviação ficaria estruturalmente fragilizado se ela não existisse – como, aliás, é frágil em países que não restringem o mercado para estrangeiros, como a China.

Um dos principais motivos para que se mantenha a reserva de mercado para pilotos, mesmo em países liberais como os EUA, refere-se à questão do custo da instrução aeronáutica. Formar um piloto – especialmente um piloto mais sofisticado, habilitado a conduzir jatos intercontinentais ou os gigantescos helicópteros das plataformas de petróleo – requer investimentos de centenas de milhares de dólares em instrução teórica, simuladores e horas de vôo de instrução. Esse custo é tão elevado que os pilotos não têm como bancá-lo: normalmente, os pilotos pagam do próprio bolso somente a instrução básica (até conseguirem a carteira de piloto comercial), ficando a cargo dos empregadores a instrução mais sofisticada, que os habilita a operar os equipamentos sofisticados. Isso representa investimentos muito vultosos para os empregadores – e, pior ainda, um investimento de alto risco, uma vez que não há como garantir que um piloto recém treinado para pilotar um Boeing, por exemplo, não vá pedir demissão para ganhar mais no concorrente, ou mesmo que ele venha a sofrer algum problema de saúde que o impeça de pilotar.

Por isso, se não houvesse restrição à contratação de pilotos estrangeiros, grande parte dos contratantes poderia optar por trazer pilotos já formados do exterior. Mesmo que fosse necessário pagar salários mais elevados, ainda assim compensaria financeiramente, uma vez que esses pilotos não requereriam investimentos em treinamento especializado (além de evitar todos os riscos a ele associados). Uma vez que as empresas contratam os pilotos mais sofisticados já formados no exterior para pilotarem os Airbus e Agusta da vida, os pilotos nativos persistirão pilotando os Paulistinha e demais relíquias de pau e pano, que não requerem investimentos elevados em treinamento. No fim das contas, um país que promovesse a abertura do mercado aos estrangeiros condenaria as futuras gerações de aeronautas a comer carne de pescoço, já que o filet mignon estaria reservado aos de fora. É isso o que acontece na China hoje, país que, inclusive, possui muitos brasileiros conduzindo seus Airbus e Boeings. Desnecessário dizer que países verdadeiramente preocupados com a aviação, como os EUA, nem cogitam quebrar a reserva de mercado para seus pilotos nativos.

Recentemente, porém, o presidente da Líder Aviação, a maior empresa de táxi aéreo do Brasil, Eduardo Vaz, afirmou, numa matéria da IstoÉ Dinheiro sobre a entrada da TAM no mercado de táxi aéreo para o pré-sal (“TAM aterrissa no pré-sal”, IstoÉ Dinheiro de 09/07/2010), que um dos maiores problemas que a concorrente iria enfrentar deveria ser a carência de mão-de-obra, e que “a TAM tem duas opções: ou usa sua experiência em treinar equipe própria ou pode contar com a aprovação de um projeto de lei que tramita no Congresso que permitirá ’importar’ pilotos do Exterior.” Espera aí!!! Que projeto de lei é esse que permitirá “importar” pilotos??? Isso não está sendo discutido na imprensa (nem na imprensa especializada em aviação), ninguém dos sindicatos e das associações de pilotos está reclamando, as rodas de pilotos nos aeroclubes Brasil afora não estão comentando. O que está acontecendo, afinal de contas?

Eu participo de um fórum de discussões na web chamado “Contato Radar”, e foi por esse meio que eu fiquei sabendo, em 18/07, que havia mesmo um Projeto de Lei tramitando no Congresso, o PL 6716/09, que propunha uma mudança no artigo 158 do Código Brasileiro de Aviação-CBA, que ficaria com a seguinte redação:

“Art. 158. Será admitida a contratação de mão de obra estrangeira como tripulantes e instrutores, em caráter provisório, na falta de tripulantes brasileiros.

§ 1º. O prazo do contrato de instrutores estrangeiros, de que trata este artigo, não poderá exceder a 6 (seis) meses.”

§ 2º. O prazo do contrato de tripulantes estrangeiros, de que trata este artigo, não poderá exceder a 60 (sessenta) meses.”

Ora, mas se o PL existe, por que o silêncio? Ninguém fala nada, nenhum piloto reclama, tudo na santa paz. Não é estranho isso? Vejamos, então, como tudo aconteceu:

O PL 6716/09, que trata da quebra da reserva, é originário do Senado, com uma proposta do sen. Paulo Octávio (DEM-DF), focado única e exclusivamente no aumento da participação do capital estrangeiro nas empresas de aviação civil, de 1/5 (20%) para 49%. Esse PL propõe alterar o artigo 181 do CBA, que trata somente dos limites ao capital estrangeiro, NÃO FALA NADA SOBRE A PERMISSÃO PARA TRIPULANTES ESTRANGEIROS ATUAREM NO BRASIL. Este PL foi encaminhado para a Câmara dos Deputados em 22/12/2009 por meio do ofício 3223/SF, que pode ser conferido aqui: http://www.camara.gov.br/sileg/integras/728252.pdf. Veja que é um texto curtíssimo, de duas páginas, focado, como já disse, no aumento da participação de capital estrangeiro nas companhias aéreas, nada mais do que isso. Até aqui, a coisa está tranqüila, mas…

Na Câmara, é formada uma Comissão Especial, presidida pelo dep. Luiz Sérgio (PT-RJ) e relatada pelo dep. Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), que pega o magérrimo PL do Senado e o engorda com a inclusão de outros 31 (isso mesmo: TRINTA E UM!!!) Projetos de Lei sobre o tema “aviação” latu sensu. Ou seja: do PL original, que tratava única e exclusivamente do aumento do capital estrangeiro nas cias. aéreas, agora temos um Substitutivo (um novo PL, turbinado) que trata de uma infinidade de outros assuntos, incluindo direitos do consumidor no caso de overbooking, regras para a emissão de passagens, normas técnicas para aeroportos, mais uma penca de outras coisas, e… escondidinho lá num canto, perdido e sozinho, o simplório artigo 158, que permite que tripulantes estrangeiros atuem no Brasil.

Isso quer dizer o seguinte: a “importação de pilotos” não vem do PL original do Senado, esse assunto, materializado pelo artigo 158, é originário do Substitutivo da Câmara. Mais do que isso: NENHUM DOS 31 PROJETOS DE LEI QUE O SUBSTITUTIVO INCORPORA TRATA DA “IMPORTAÇÃO DE PILOTOS”. Na verdade, o artigo 158 é originário do voto do relator Rodrigo Rocha Loures, que começa assim: “A aviação civil tornou-se atividade essencial à vida moderna: enquanto sua disponibilidade promove, sua falta compromete o desenvolvimento humano.”, e vai desfiando platitudes e palavras bonitas. São exatas 1.121 palavras em seu voto, dispostas em quatro páginas. E sabem onde está a referência à “importação de pilotos”? Num parágrafo de 299 palavras em que ele resume (!!!) seu substitutivo, entre dois pontos e vírgulas lá no final, em que se lê que um dos objetivos do seu relatório é regulamentar “a permissão da contratação de mão de obra estrangeira, por tempo limitado“. O QUE EU QUERO DIZER COM ISSO É QUE A QUESTÃO DA ”IMPORTAÇÃO DE PILOTOS”, QUE NOS É TÃO CARA, NA VERDADE ENTROU DE CONTRABANDO NO PROJETO DE LEI!!! (Mais detalhes aqui: http://www.camara.gov.br/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=465324)

Mais do que isso, estiveram presentes na comissão, o Sindicato Nacional dos Aeronautas-SNA, a Associação dos Tripulantes da TAM-ATT, a Associação dos Aeronautas da GOL, o Sindicato dos Trabalhadores Aeroviários… E todos se calaram quanto a essa mudança! O ponto é que eles se calaram porque o assunto não foi discutido!!! E por quê!?

Eu sei que a grande maioria dos congressistas brasileiros é composta por homens probos, patriotas a serviço do progresso da nação, como é o caso de José Sarney, Renan Calheiros, Paulo Maluf, Fernando Collor, e tantos outros. Mas sei também que, eventualmente, algum cidadão não tão bem intencionado acaba por ingressar no Parlamento. Não sei em que categoria se enquadra o ilustre relator deste Projeto de Lei, mas acredito firmemente que, como deputado do PMDB, partido da base aliada do governo, este senhor seja absolutamente honesto e defensor dos interesses nacionais – tanto quanto o candidato a Vice-Presidente da nossa querida Dilma Rousseff, Michel Temer. Por isso, recuso-me a acreditar que haja algo mais sórdido por trás desta história, e que a inclusão do artigo 158 quebrando a reserva de mercado para os pilotos tenha ocorrido por algum equívoco – provavelmente algum estagiário desatento tenha usado uma versão errada do arquivo do texto, ou algo assim. Se foi isso o que ocorreu, gostaria de avisar ao ilustre deputado sobre o equívoco, de modo que haja como consertá-lo antes que a lei seja aprovada desta forma.

Para ajudar o deputado a se lembrar de corrigir o artigo 158, um colega do “Contato Radar” está liderando um abaixo-assinado, que pode ser acessado no endereço http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/6595. Seria interessante também que este assunto seja divulgado ao máximo de pessoas possível, principalmente à imprensa, aos parlamentares e demais formadores de opinião do Brasil, para que seja possível corrigir esse equívoco a tempo.

Um grande abraço,

Raul Marinho

25 Respostas

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  1. Toca Raul!!! Blog do Raul Marinho said, on 23 julho, 2010 at 8:56 pm

    […] e ninguém faz nada para impedir?” Pois é… Na verdade, não. Leia mais sobre isto aqui: https://raulmarinhog.wordpress.com/2010/07/23/apertem-os-cintos-o-piloto-faliu/, depois volte que tem […]

  2. José Manuel García said, on 28 julho, 2010 at 10:20 pm

    Oi Raul:

    Sou estrangeiro, concretamente espanhol, lá me forméi como piloto privado e fiz bastantes horas de vôo. Moro no Brasil há um ano e tenho feito o curso de piloto comercial. Eu começei a faze-lo e, pouco tempo depois, fiquei sabendo que não era permitido aos estrangeiros trabalhar como pilotos no Brasil. Apos de um grande investimento e ilusão parecía que todo o meu mundo se derrubaba.

    Estou casado com uma brasileira a 10 anos é, em pouco tempo, estaré me naturalizando para poder ter direito a trabalhar.

    Eu obviamente não concordo com os seus argumentos. Sé o Brasil quer ser um país moderno e aberto, tem que começar a mudar esse tipo de leis proteccionistas. Na Europa e nos EUA, qualquer pessoa com permanencia definitiva ou permissão de trabalho, pode virar piloto comercial é trabalhar no mercado, não precisa ser naturalizado.

    Eu gostéi muito da instrução e formação recebida no país, o seu padrão não e mais baixo que o padrão europeio na formação de pilotos. Realmente não sei porque pensa que as empresas van preferir contratar estrangeiros e não brasileiros. O piloto brasileiro e bem formado, consegue aprender muito e está preparado, se não fosse assim voce acha que tería tanto piloto brasileiro trabalhando lá fora?

    A permissão de entrada de estrangeiros no mercado de trabalho interno não vai significar que um monto de pessoas de outros paises vam largar todo para vir a trabalhar como pilotos no Brasil, e uma decisão muito difícil, e eu estou falando por experiencia propria. Qualquer pessoa que mora em um país mais avanzado, vai pensar muito na hora de decidir vir para trabalhar no Brasil. Eu não preciso dizer quais são os problemas deste país, voces conhecen melhor que eu. Alem disso, não é todo o mundo que tem a oportunidade de obter a permanencia definitiva (tem que ser casado, ter filhos brasileiros ou alguma circunstancia esquisita).

    Eu gosto deste país, mais eu vinhe por causa da minha esposa e a decisão foi realmente muito difícil para mim. Agora que estou aqui vou tentar dar o melhor de mim, para a minha propria realização pessoal e professional, e para o progresso do pais, que em definitiva é o país aonde moro e vou morar.

    Se me permiten fazer a minha aportação, mesmo contando com os argumentos anteriores, se voces queren proteger o mercado interno de pilotos, pensen em elaborar uma norma que obrigue as companhías a manter uma porcentagem “X” de pilotos brasileiros. Deste modo, a multiculturalidade, a convivença com outros de fora com suas aportações ao conhecimento, etc, faram a aviação brasileira mais forte e melhor.

  3. Raul Marinho said, on 29 julho, 2010 at 8:49 am

    José Manuel,

    Acredito que você não tenha entendido corretamente o problema. Eu não acho que os pilotos brasileiros são piores que os estrangeiros, não é essa a questão. Quando falo em “qualificação”, estou me referindo ao treinamento específico que um profissional precisa receber para estar apto a desempenhar determinadas funções – treinamento este que é caríssimo no caso da aviação. Acompanhe meu raciocínio:

    Quando você se tornar PC, você vai estar apto a sentar na esquerda de um Airbus A330 e levar 400 passageiros de São Paulo para Madri? Claro que não! Embora você já seja habilitado, vai ser necessário que você se qualifique para desempenhar um papel tão complexo, o que significa que alguém vai ter que investir centenas de milhares de euros na sua qualificação. Mas, quem é que vai realizar esse investimento? Você? Não, em nenhum lugar do mundo existem pilotos com disponibilidade financeira para tal, quem normalmente investe na qualificação dos pilotos são as companhias aéreas. Agora, pense como um executivo de uma companhia aérea. Você tem duas opções: A)Investir centenas de milhares de euros na formação de um piloto brasileiro (que, após formado, pode pedir demissão a qualquer momento, e nessde caso você vai perder todo o investimento realizado); ou B)Contratar um piloto estrangeiro já formado, pagando alguns milhares de euros a mais por mês, mas evuitando que seja preciso investir um tostão na sua formação (o que significa que também não haverá risco de perder o investimento). O que você faria?
    Entendeu por que a reserva de mercado é necessária? Ela existe para evitar que as empresas deixem de investir na formação dos pilotos do Brasil. Não tem nada a ver com medo de estrangeiros ou qualquer coisa do gênero. Na verdade, essa lei existe para proteger pessoas como você, que vão precisar receber formação avançada.
    Fique à vontade para continuar a discussão.

    Um grande abraço,

    Raul

  4. José Manuel García said, on 29 julho, 2010 at 8:11 pm

    Prezado Raúl:

    Eu entendo o seu ponto de vista, mais não acho que isso possa acontecer. Voçê acha que um piloto, por exemplo alemâo, completamente formado em um equipamento concreto, por exemplo A330, com inúmeras horas de vôo e, que esteja trabalhando em una companhía europeia, chinesa ou do oriente próximo, ganhando não menos de 12.000-15.000 euros por mes, vai largar tudo para vir ao Brasil a trabalhar na TAM, por exemplo, aonde o salario de um comandante e de 10.000-12.000 reais? Quanto tem que mudar as companhias brasileiras para poder oferecer uma carreira interessante a um piloto com essa formação?

    No pior dos casos que eu conheço, um copiloto da Ryanair, está ganhando não menos de 6.000 eur/mes, morando na Europa com boas condições de vida.

    O que eu sei, é que um piloto pouco experiente (500-1000 horas), passa para uma companhía e lá, recibe uma formação inicial importante mais nem tão costosa, em termos económicos. Aos poucos começa a voar como copiloto, e vai adquirindo experiencia. O custo não fica tão absurdo como você diz.

    A lei atual, realmente prejudica a pessoas como eu, pessoas que tentamos nos formar neste pais para trabalhar aqui, com a intenção de fazer a nossa vida aqui.

    Lembre-se que o mundo atual, é um mundo global, onde cada vez todo elemento produtivo deve ficar com o maximo de movilidade.

    Qualquer pessoa que quer ir para trabalhar a um outro pais, precisa de ter uma permisão de trabalho, é uma das formas de controlar a entrada de estrangeiros. Ninguem vai poder trabalhar como piloto se não tiver essa permisão. Alem disso, uma modificação na lei, que abre-se mais um pouco as chances dos estrangeiros, acho que sería precisa para poder facilitar o progresso do pais em acompanhamento a evolução da sociedade global. Essa modificação da lei, devería abrir mão um pouco, mesmo colocando algum tipo de limitações, para “proteger” o direito dos pilotos brasileiros natos.

    A imprensa está cheia de oportunidades de trabalho para pilotos experientes, no site do sindicato de pilotos você pode achar inúmeras ofertas, muito bem remuneradas. Você realmente acha que as companhias brasileiras, com um esquema a cada día mas low-cost, poderam conseguir ficar atraentes em termos de remuneração, benefiços sociais, desenvolvimento profissional, etc, para conseguir a entrada de aqueles pilotos top de linha?

    Hoje em día, so tem disposição a viajar o piloto inexperiente, como e o meu caso, que precisa de fazer horas e curriculum para poder ter alguma coisa que oferecer, e ter aceso a um trabalho melhor. São issos os pilotos que podem significar alguma ameaça para o mercado interno, não os outros.

    Por tanto, mesmo que vocês fiquem com receio, acho que aquele medo, não tem uma justificativa clara, pois é algo que não acontecerá.

    Fique a vontade, não quero criar confusão, so estou tentando expor os meus argumentos.

    Um abraço

  5. Raul Marinho said, on 29 julho, 2010 at 10:01 pm

    José Manuel:

    “Voçê acha que um piloto, por exemplo alemâo, completamente formado em um equipamento concreto, por exemplo A330, com inúmeras horas de vôo e, que esteja trabalhando em una companhía europeia, chinesa ou do oriente próximo, ganhando não menos de 12.000-15.000 euros por mes, vai largar tudo para vir ao Brasil a trabalhar na TAM, por exemplo, aonde o salario de um comandante e de 10.000-12.000 reais? Quanto tem que mudar as companhias brasileiras para poder oferecer uma carreira interessante a um piloto com essa formação?”
    Em primeiro lugar, este piloto alemão não precisa largar tudo na Alemanha e vir para o Brasil. Assim como os pilotos brasileiros que atuam na Índia continuam residindo no Brasil e passando temporadas de 2-3 semanas na Índia, a mesma coisa aconteceria com o piloto alemão, que passaria algumas semanas no Brasil e depois retornaria para sua Gerta na Renânia. Na verdade, seria até mais fácil, já que esse piloto poderia ser encaixado numa rota São Paulo-Frankfurt embarcando na Alemanha ao invés do Brasil. Aliás, um comandante de A330 numa linha internacional não ganha R$12mil, mas algo próximo de 10mil euros, daí você vê como não é nada complicado para a TAM contratar o Hans ao invés do Jonas.
    Mas o que importa é que num cenário em que as companhias aéreas têm liberdade para contratar no exterior, os pilotos brasileiros qualificados tenderão a desaparecer. Nenhuma empresa gosta de investir, ainda mais se este investimento implicar numa alta taxa de risco. Por isso, enquanto for possível evitar esse investimento, as empresas assim o farão, e será muito mais vantajoso contratar pilotos estrangeiros já treinados do que investir na formação dos pilotos brasileiros. No caso de pilotos de helicópteros que atuam em plataformas, isso é ainda mais dramático, uma vez que esse tipo de profissional é ainda mais escasso no Brasil e caríssimo para ser formado. Leia meu outro post sobre esse tema que você entenderá isso com mais facilidade: https://raulmarinhog.wordpress.com/2010/07/23/2557/ .

    “No pior dos casos que eu conheço, um copiloto da Ryanair, está ganhando não menos de 6.000 eur/mes, morando na Europa com boas condições de vida.”
    Isso representa mais ou menos o dobro do que ganha um copila da TAM, operando um A32X no Brasil. Hoje, esse sujeito não viria para o Brasil, realmente, mas e no longo prazo?

    “O que eu sei, é que um piloto pouco experiente (500-1000 horas), passa para uma companhía e lá, recibe uma formação inicial importante mais nem tão costosa, em termos económicos. Aos poucos começa a voar como copiloto, e vai adquirindo experiencia. O custo não fica tão absurdo como você diz.”
    Vamos pensar na formação de um comandante de A330, como você sugeriu. Entre cursos teóricos e simuladores, esse piloto vai consumir uns 100mil euros – fora passagem e estadia, já que esse profissional deverá ser treinado no exterior. A maior parte do treinamento deste piloto vai acontecer “on the job”, com o sujeito voando em trajetos comerciais, mas uma parte deverá ocorrer com o avião vazio, e nesse caso, o custo das horas de vôo serão integralmente debitadas no treinamento. Isso não sai por menos de 300-400mil euros. Isso para, depois de 5 anos, quando o cara está apto a assumir o comando, aparecer um problema de saúde qualquer e o piloto tão sofridamente treinado perde o CCF – ou ele vai trabalhar na África ganhando o triplo. Como o risco é alto, o custo de treinamento, que já era muito elevado, vai para as nuvens, percebe? No fim das contas, esse custo é absurdo sim, pode pesquisar.

    “A lei atual, realmente prejudica a pessoas como eu, pessoas que tentamos nos formar neste pais para trabalhar aqui, com a intenção de fazer a nossa vida aqui.”
    Mais ou menos… Você pode pilotar na Europa, coisa que é bem complicada para um brasileiro.

    “Lembre-se que o mundo atual, é um mundo global, onde cada vez todo elemento produtivo deve ficar com o maximo de movilidade.”
    Então porque os EUA, o país mais globalizado do mundo, também protege o emprego de seus pilotos?

    “Qualquer pessoa que quer ir para trabalhar a um outro pais, precisa de ter uma permisão de trabalho, é uma das formas de controlar a entrada de estrangeiros. Ninguem vai poder trabalhar como piloto se não tiver essa permisão. Alem disso, uma modificação na lei, que abre-se mais um pouco as chances dos estrangeiros, acho que sería precisa para poder facilitar o progresso do pais em acompanhamento a evolução da sociedade global. Essa modificação da lei, devería abrir mão um pouco, mesmo colocando algum tipo de limitações, para “proteger” o direito dos pilotos brasileiros natos.”
    No caso da aviação, todo piloto de alto nível estuda, faz simulador, realiza vôos de instrução no exterior, não há o risco dos aviadores brasileiros ficarem defasados do resto do mundo. E a lei atual tem esses mecanismos de limitação, justamente aí que está o problema.

    “A imprensa está cheia de oportunidades de trabalho para pilotos experientes, no site do sindicato de pilotos você pode achar inúmeras ofertas, muito bem remuneradas.”
    Isso, pilotos qualificados tem um nível de remuneração de 1º mundo, daí a facilidade de atraí-los para o Brasil.

    “Você realmente acha que as companhias brasileiras, com um esquema a cada día mas low-cost, poderam conseguir ficar atraentes em termos de remuneração, benefiços sociais, desenvolvimento profissional, etc, para conseguir a entrada de aqueles pilotos top de linha?”
    Poderiam, justamente por serem low-cost… O que sai caro é o investimento, não o eventual salário mais alto.

    “Hoje em día, so tem disposição a viajar o piloto inexperiente, como e o meu caso, que precisa de fazer horas e curriculum para poder ter alguma coisa que oferecer, e ter aceso a um trabalho melhor. São issos os pilotos que podem significar alguma ameaça para o mercado interno, não os outros.”
    Não entendi muito bem a sua colocação, você poderia explicar melhor?

    “Por tanto, mesmo que vocês fiquem com receio, acho que aquele medo, não tem uma justificativa clara, pois é algo que não acontecerá.”
    Tomara que não precisemos ver se acontecerá mesmo ou não…

    “Fique a vontade, não quero criar confusão, so estou tentando expor os meus argumentos.”
    Estou à vontade, e fique tranqüilo que não há confusão alguma.

    “Um abraço”
    Outro

  6. Marcelo Rates Quaranta said, on 31 julho, 2010 at 1:39 pm

    Prezado Jose Mauel Garcial

    Indiscutível é a vontade e a soberanoia de um povo sobre seu país. Os países que admitem estrangeiros não o fazem por bondade, mas por terem carência de mão de obra interessada, e não só qualificada.

    Aqui no Brasil temos as duas coisas, e queremos derrubar essa cultura de “piloto pronto”. As empresas devem investir na qualificação sim, em vez de priorizarem os profissionais já prontos.

    Aqui ainda temos mão de obra o suficiente pra suprir as companhias. Basta que elas acabem com critérios excludentes, como por exemplo, a exigência de que o piloto tenha até 38 anos. Enquanto prevalecer “a amizade” pra entrar nas empresas, significa que mão de obra há, e não precisamos de ninguém de fora.

    A política salarial também deve favorecer o retorno dos que foram pro exterior, e garanto-lhe, é mão de obra qualificadíssima, e com um nível técnico muito superior à dos milhares de estrangeiros que viriam pra cá em busca de oportunidades.

    Quando eu digo milhares de estrangeiros, são sulamericanos, indianos, africanos… Não pense que espanhóis, ingleses e etc viriam pra cá… Ou melhor, até viriam, mas apenas pra tentar ganhar experiência e se qualificarem para empregos nos seus países de origem. Um trampolim que custaria o emprego de muitos brasileiros.

    Então, como se diz no bom e velho português, cada um no seu quadrado! Quando vivemos uma crise na aviação, que durou 20 anos, ninguém admitia pilotos brasileiros lá fora, com PC/multi e IFR. O cara tinha que ser no mínimo comandante de 737. E porque é que vamos admitir os manicacas de fora? ô… na hora de arrumar o salão, somos nós que arrumamos, e na hora de comer o bolo todo mundo quer?

    O nome disso não é globalização. É burrice. Tente ir pros USA! Tente ir voar no Canadá! Vamos ver se lá vai ser uma mãe, como esse país aqui é. Eu queria ir voar na Ibéria, posso? Mas quero ir com PC/Multi e IFR (apesar de eu ser PLA).

    Continuo com o velho, direto e indiscutível “GO HOME!”

  7. José Manuel García said, on 31 julho, 2010 at 7:29 pm

    Prezado amigo, sento dizer que eu não concordo. Porque você acha que um pedreiro, engenhero, arquitecto, bancario, etc. estrangeiro, pode vir a trabalhar ao Brasil e um piloto não? Por acaso você acha que esos trabalhadores não estão qualificados?

    No meu caso, eu sou graduado em administração de empresas. Trabalhé em banca 12 anos, durante os quais as empresas para as quais trabalhé, investiram um monto de dinheiro em formação. Agora estou aqui, com toda essa formação paga e pronto, você acha que eu vou desbancar a outros brasileiros que ja estejam trabalhando e formados nesse mercado a muito tempo, só porque a empresa brasileira acha que vai poupar dinhero na minha formação?

    Meu querido amigo, eu sou uma pessoa de mente aberta. o mundo caminha em pro da globalização, o mercado americano do qual voçe tanto fala, tem anos tendo um mercado de trabalho muito movil, e muito flexivel, e estamos falando da maior economía do mundo. A Europa nem tanto, mais mesmo assim a movilidade de capital humano entre os paises da UE e livre, você pode se formar em qualquer pais, ganhar uma grande preparação em qualquer deles e trabalhar em uma empresa de outro.

    O mercado tem que se abrir, e o único caminho para conseguir progresos no mundo atual. Manter uma lei que restringe a possibilidade de trabalhar aos estrangeiros e um anacronismo.

    O estado, país, governo, deve liberar isso é depois, regular a entrada de estrangeiros com as políticas migratorias, no caso de algum setor ficar ameaçado ou prejudicar ao povo brasileiro.

    Saiba que o mercado se autoregula, são leis naturais, em algum momento alguem tira avantagem, mais depois todo se equilibra.

    Cada pessoa tem que ter igualdade de oportunidades e o mercado, saberá escolher ao melhor em cada momento.

    O triunfo da União Europea e dos EUA, é precisamente a liberação dos mercados, aonde o capital tanto financeiro como humano circula livremente.

    Eu pessoalmente posso viajar para os EUA, mais com certeza não vou poder ficar, mais não pelo fato de ser piloto comercial, se não pelo fato de ser estrangeiro. Repito, o problema não e restringir a possibilidade de trabalhar aos pilotos (único setor protegido no Brasil), é aplicar politicas migratorias que consegam controlar o fluxo de imigrantes para atender as necessidades do setor productivo, vigiando não prejudicar aos brasileiros.

    Em relação a qualificação, saiba que na Europa ja tem companhias nas quais o piloto aspirante tem que investir o seu dinhero na formação para voar o equipamento em questão. O mundo da aviação comercial está virando dificil para todo o mundo, o esquema low-cost está demostrando ser ó mais viavel, e por isso que cada vez mais, as empresas tentan poupar na formação, mais não somente aqui.

    Respondendo ao seu medo a que outros estrangeiros entrarem no Brasil (africanos, sulamericanos, etc), acho realmente dificil pois que eu saiba, são eles quem normalmente vem para se formar no pais, eles não chegam formados (angolanos por exemplo). Então, a possibilidade de eles virem para o Brasil como pilotos bem formados acho difícil.

    Acho legitimo o fato de voçê querer proteger os seus interesses, mais não consigo ver um grande risgo.

    Abraço

  8. Rocha Lima said, on 1 agosto, 2010 at 3:34 pm

    Acho que vc não se enquadra com o qual combatemos José. Você está aqui há 10 anos como disse antes e é casado com um brasileira,etc. Daqui há pouco conseguirá sua naturalização caso desejar. Vc é mais do que benvindo,pois assumirá a pátria Brasil.

    Quanto a abertura de mercado para os estrangeiros,é um absurdo,pelo simples fato de não precisarmos. Acontecendo isso o que vai acontecer vai ser a venda de pacote de horas de jato pra Candidatos a co-pilotos estrangeiros(Europeus) para voarem quase de graça no Brasil,como fazem em alguns países do leste europeu e ásia,para depois retornarem a seus países com carteira de jato e algumas horas no bolso pra ingressarem numa boa posição e salário ou até irem voar no Oriente Médio ou China.

    Um outro ponto importante é que essa abertura vai ser usada pra contratar pilotos de helicópteros para vôo em plataformas de petróleo ( OFF SHORE). Aliás o famigerado Deputado está com o projeto para o pré sal e para o crescimento dessa área depende tb a grande mão de obra de pilotos de helicóptero que serão empregados na área.

    Concluindo espero que vc, José consiga seu emprego no Brasil,vc não é nem de longe o alvo dos nossos esforços contra essa lei criado por mais um DEPUTADO FEDERAL.

    Abraços,

    Ricardo

  9. Marcelo Rates Quaranta said, on 1 agosto, 2010 at 4:54 pm

    Jose Manuel

    Será que estamos falando do mesmo planeta? Será que estamos falando da França com sua política de segregação camuflada e também dos Estados Unidos, cuja entrada é restringida de todas as formas possíveis? Ou de Portugal, que mandou nossos dentistas de volta, e agora a turma lá reclama que estamos nos movimentando por aqui?

    Na visão do estrangeiro o Brasil é sinônimo de “casa da mãe joana” e tem que acolher em seus braços a todos que quiserem vir, não é? E isso em nome da “globalização”, cujos critérios são apertadíssimos quando se trata de nós irmos trabalhar em qualquer lugar e enquanto os outros países mantém políticas preservacionistas.

    Nós temos a segunda maior frota de aeronaves executivas do mundo. Os USA têm a primeira. Logo, na ordem de preferência dos estrangeiros, os USA deveriam vir em primeiro lugar. Porque é que o pessoal não cogita ir pra lá? Ah… deve ser porque o green card é fácil demais, e vendido em qualquer banca de jornal.

    A coisa é mais complexa do que você imagina. Quando é que uma abertura de mercado se justificaria?

    1. Se tivéssemos um órgão regulador que ajudasse ao profissional, e não criasse dificuldades e embaraços, como é o que ascontece.

    2. Se houvesse investimento público de incentivo à formação de brasileiros, e não o contrário, com os impostos altos e custos elevados;

    3. Depois que após os milhares de profissionais brasileiros que estão desempregados estivessem colocados (salvo os que por razões pessoais não conseguem colocação);

    4.Se a política salarial das empresas incentivasse o retorno dos que estão no exterior.

    Se depois de tudo isso o país ainda precisasse de mão de obra estrangeira, aí sim se poderia fazer essa consideração, mas não do jeito que ainda está.

    Abrir o mercado agora, com a gente ainda tendo inúmeras dificuldades aqui, seria como se diz no bom português: “fazer graça pra maluco bater palmas.”

    Um abraço.

  10. José Manuel García said, on 1 agosto, 2010 at 7:43 pm

    Oi Rocha, concordo com suas manifestações, essa é uma possibilidade certa mais é algo que tem ocorrido desde muitos anos atrás. Já conhecí muitos pilotos espanhois indo para os EUA para fazer horas de võo, comprando pacotes super baratos, é também é algo que tem ocorrido aqui no Brasil, muitos de vocês já foram nos EUA a fazer horas.

    Certamente, o meu caso não e o caso de outros, nem tambén o tema de debate, mais entenda que qualquer chance de abertura na lei que proibe trabalhar a estrangeiros como pilotos, para mim abriría portas anticipadamente.

    No caso dos pilotos de helicoptero desconheço o problema, somente lei o outro día que estabam faltando pelo menos 250 novos pilotos para atender as demandas das plataformas.

    Oi Marcelo, também entendo bem o que você fala, vocês tem sofrido muito com leis de imigração muito duras em paises como os EUA o ná Europa, mais nem é tâo difícil. Eu conheço muitos brasileiros que moran na Espanha, o caso da minha mulher foi mais um. Ela foi para fazer uma posgraduação, é fico durante bastante tempo. A gente cassou e ela pegou a cidadanía espanhola. Todo é possivel e pessoalmente, acho tão difícil ir para fora, como vir para o Brasil. O povo brasileiro e muito acolhedor, mas a lei existe e não é tão fácil obter a permanencia. Todo cheio de burocracia, inúmeras despesas em documentação, traduções, legalizações, etc, e longas esperas.

    Eu considero quase um fato, que em pouco tempo vão faltar pilotos. E Vox Populi, a propria ANAC crióu aquelas bolsas para formar novos pilotos diante a previsão de falta em um futuro próximo. Sería absurdo pensar que todo piloto vai trabalhar em uma companhia aerea de primer nível, mais trabalho deve haber para todo o que está procurando e sé formando.

    Depois de todo o escutado de vocês, entendo que o tema de discusão está bem centrado nos problemas que vai criar a nova lei, se for aprovada, nos níveis superiores da aviação (linhas aéreas principalmente). Eu simplesmente sentí ilusão e esperança ao escutar que possivelmente a lei mudaría é eu tería uma chance máis próxima, já que ainda estou com o processo e vai demorar, mais fiquem com isso, não quero criar polémicas, tenho certeza de que vocês estam defendendo o seu direito, é isso é completamente legitimo.

    Abraço

  11. Marcelo Rates Quaranta said, on 1 agosto, 2010 at 10:29 pm

    José Manuel, obrigado pela sua compreensão..

    Digo que cada caso é um caso. Veja, você é casado com brasileira, tem mais de 10 anos no Brasil, não veio pra cá especificamente pra isso e iniciou sua carreira de piloto aqui. PÔ, velho, aí é diferente e ninguém nem tem que contestar o fato de você querer ir pra uma linha aérea, voar executiva ou seja lá o que for, aqui. Ao meu ver, isso já é direito adquirido seu!

    Eu evitei de falar isso asim tão abertamente, mas não tem outro jeito. Vou falar. Olha, nunca achamos a maior maravilha do mundo o cara se aposentar na FAB e vir voar na civil. Isso sempre foi péssimo para nós, pois os caras já tem a aposentadoria e muitas vezes aceitam voar por pouca grana. Isso eu vi na empresa que eu trabalhava, onde hoje prevalece um numero maior de ex-militares do que de civis. Por quê? Porque pra empresa é uma maravilha! Eles nunca reclamam de nada.

    Agora imagine a situação: Tudo que é ex-militar das forças aéreas sul-americanas baixariam por aqui atrás de empregos.Na primeira crise que a Argentina venha a ter, o pessoal da Aerolineas corre pra cá. Ex-militares e civis do Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru… viriam todos pra cá por uma razão bem simples:
    Perto de casa e ganhando menos que a gente, mas mais do que ganham lá.

    Para o empresário brasileiro ia ser uma festa! Diriam: “Porque é que eu vou pagar oito mil pra você, se eu tenho um que voa por cinco mil?” Ou aceita isso, ou boto um “hermano” no teu lugar.

    Aí teria outra situação: Regulamentação? Babau! “Ou voce aceita voar 25 horas por dia, ou boto um “hermano” no teu lugar.

    A questão do excesso de oferta de profissionais baixando o nível dos empregos, porque o empresário brasileiro precisa ainda amadurecer neste ponto. Não se estaria supondo uma falta de mão de obra, mas sim, dando uma poderosa ferramenta de opressão. E não pense que depois o mercado se ajustaria. Aqui no Brasil o uso do cachimbo deixa a boca torta.

    Abraço

  12. Raul Marinho said, on 2 agosto, 2010 at 9:52 am

    José Manuel:
    Porque você acha que um pedreiro, engenhero, arquitecto, bancario, etc. estrangeiro, pode vir a trabalhar ao Brasil e um piloto não? Por acaso você acha que esos trabalhadores não estão qualificados?
    No meu caso, eu sou graduado em administração de empresas. Trabalhé em banca 12 anos, durante os quais as empresas para as quais trabalhé, investiram um monto de dinheiro em formação. Agora estou aqui, com toda essa formação paga e pronto, você acha que eu vou desbancar a outros brasileiros que ja estejam trabalhando e formados nesse mercado a muito tempo, só porque a empresa brasileira acha que vai poupar dinhero na minha formação?

    Por coincidência, eu também sou administrador de empresas, e também trabalhei no setor bancário. Fui trainee do Citibank em 1990, e participei do programa de treinamento mais conceituado do Brasil naquela época. Sabe quanto o banco investiu em mim? Trinta mil dólares!!! Mesmo que se leve em conta a inflação do dólar de 1990 para cá, o aumento real dos custos, etc., o valor investido em treinamento de bancários é uma fração ínfima do custo de formação de pilotos. Além disso, um bancário treinado em Londres, Madri ou Hong Kong não conseguirá aplicar toda sua expertise no Brasil, ao contrário do piloto de A330, que não verá a menor dificuldade em pilotar em qualquer lugar do planeta.

    …eu sou uma pessoa de mente aberta. o mundo caminha em pro da globalização (…) O mercado tem que se abrir, e o único caminho para conseguir progresos no mundo atual. (…) O estado, país, governo, deve liberar isso é depois, regular a entrada de estrangeiros (…) Saiba que o mercado se autoregula, são leis naturais, em algum momento alguem tira avantagem, mais depois todo se equilibra.(…)
    Foi exatamente este pensamento ultraliberal que levou à crise econômica em que a sua Espanha está até hoje afundada. Em contrapartida, veja o que aconteceu com o mercado financeiro do Brasil, ultra-regulado (embora livre). Qual modelo é melhor?

    Acho legitimo o fato de voçê querer proteger os seus interesses, mais não consigo ver um grande risgo.”
    A questão do risco é elementar. Se o mercado se abrir, não há hipótese de que a situação melhore para o piloto brasileiro. Pode piorar pouco, muito, ou até não piorar; mas melhorar, jamais, por definição. Não importa se o risco é grande, médio ou pequeno, percebe?

    “Já conhecí muitos pilotos espanhois indo para os EUA para fazer horas de võo, comprando pacotes super baratos, é também é algo que tem ocorrido aqui no Brasil, muitos de vocês já foram nos EUA a fazer horas.”
    Sim, fazendo horas pagando, o que é completamente diferente de fazer horas recebendo!!! Por supuesto, né Zé Mané!!!???

    “Eu considero quase um fato, que em pouco tempo vão faltar pilotos.”
    Já está faltando em determinados sub-setores! E isto por ineficiência das companhias aéreas, que não investem na formação de tripulantes. E que agora têm que arcar com a conseqüência, não fazer lobby para resolver no tapetão, como está ocorrendo!!!

    “E Vox Populi, a propria ANAC crióu aquelas bolsas para formar novos pilotos diante a previsão de falta em um futuro próximo.”
    As bolsas da ANAC são um engodo, uma brincadeira de mau gosto, uma palhaçada que só serve para tentar melhorar a imagem da agência ante a opinião pública, mas que não tem nenhum impacto na formação de tripulantes no Brasil.

    “Eu simplesmente sentí ilusão e esperança ao escutar que possivelmente a lei mudaría é eu tería uma chance máis próxima, já que ainda estou com o processo e vai demorar (…)”
    Até esse projeto ser aprovado na Câmara, no Senado, virar Lei, e ser regulamentado, vai levar muito tempo também, provavelmente mais do que o seu processo de naturalização. E, no fim das contas, se o artigo 158 for aprovado conforme proposto, isso vai prejudicar também você, como outros já apontaram aqui. Por isso, se eu fosse você, assinaria também o abaixo-assinado do Marcelo Quaranta!!!

  13. José Manuel García said, on 4 agosto, 2010 at 7:55 pm

    Marcelo e Raúl, depois de ler suas argumentações acho que realmente a sua preocupação é uma possivel invasão de pilotos formados do proprio continente sulamericano. Aí não posso falar, pois desconheço qual é a formação deles e a situação do setor nesses paises. Concordo então na sua reivindicação de melhoras para um setor profissional que já está bastante desvalorizado. No final, somos os pilotos os que perdemos.

    Mesmo assim, continuo pensando que essa lei é anacrónica e que devería ser removida, mesmo colocando restrições nas leis migratorias que puderem restringir ou proteger o mercado interno.

    Ao respeito da economía espanhola, e porem, europeia, tenha certeza de que o modelo funciona, o que não funciona e á avaricia de muitos, que quiseram ganhar acima do lógico arriscando muitas vezes, o dinheiro que não era de eles.

    A crise lá está brava, mais a leitura deve ser feita considerando muitos mais parametros. Uma crise em um país de Africa, significa a morte de fome de muitas pessoas, uma crise na Europa, significa que muitos não poderão trocar de carro esse ano, ou que as ferias terão que ser adiadas para o ano seguinte. A Espanha tem uma renda per capita de 30.000 USD, é isso não foi um presentinho dos EUA o da UE, foi o resultado de políticas de crescimento e liberalização feitas ao longo dos últimos 35 anos (apos a ditadura de Franco), tirando fronteiras com Europa, tirando politicas arancelarias e de proteção nos mercados de produtos e serviços, financeiros e humanos.

    Lógicamente, todo isso prejudicou muitos setores produtivos e de capital humano que ficaram expostos a competencia pura, diante de outras economías muito mais desenvolvidas- Que foi o que aconteceu? Pois que o bom conseguiu resistir e melhorar a sua competitividade, e o menos bom, se adaptou ou desapareceu.

    O estado também jogóu o seu papel, criando mecanismos para proteger determinados setores mediante subvenções e politicas de melhora da competitividade, alem de enormes mudanças de caráter estrutural para flexibilizar todos os mercados, assim como privatizando inúmeras companhías e serviços que antes eram nacionais.

    Esta é uma visão macroeconómica que, fica fora do que a gente comenta, mais só quero lhe mostrar porque e que eu creio que o país necessita se abrir aos poucos para potencializar o seu crescimento e melhorar a competitividade.

    Depois de toda essa força que vocês mostram, lutando em contra de uma lei que nem sabem se realmente vai ter um impacto, porque não lutan diretamente por os seus interesses?, eu me pergunto, porque não aplicam essa força em tentar melhorar as suas condiçoes de trabalho atuando com uma única voz diante dos empregadores?

    Acaso o mercado não precisa de vocês? Vocês sabem qual é a força do sindicato de pilotos na Espanha (SEPLA)? Eles conseguiram parar o pais varias vezes, por que aqui e diferente?

    Entendam, só estou perguntando pois um día pretendo ser parte de vocês é quero conhecer a sua realidade.

    Obrigado

  14. Raul Marinho said, on 5 agosto, 2010 at 11:42 am

    Recado do amigo Marcelo Quaranta sobre o tema:

    A reunião com o Deputado Otávio Leite, que está do nosso lado pela retirada do texto e nos representará junto ao Rocha Loures e será

    Terça,dia 10, às 18:30 h. ESPAÇO IDEAL. Rua Santa Luzia, 760 – Centro – Rio de Janeiro
    tel 253318778
    Favor chegar com antecedência, que é pra já trocarmos algumas idéias.

  15. Marcelo Rates Quaranta said, on 5 agosto, 2010 at 1:52 pm

    Jose Manuel

    “Depois de toda essa força que vocês mostram, lutando em contra de uma lei que nem sabem se realmente vai ter um impacto, porque não lutan diretamente por os seus interesses?, eu me pergunto, porque não aplicam essa força em tentar melhorar as suas condiçoes de trabalho atuando com uma única voz diante dos empregadores?”

    Bem, vou responder com a mais pura realidade:

    A luta pelos nossos interesses passa exatamente pelo combate à essa Lei, e por impedir que pelo menos agora o mercado se abra para estrangeiros.

    Porquê? Porque ninguém pode convidar outros para sua casa, se a geladeira não estiver cheia e não tiver lugar pra sentar. Convida, e alguém vai ficar em pé… provavelmente os de casa. Se ainda não há alimentação suficiente para os de casa, não tem porquê dar banquete.

    Essa liberalidade tem uma face muito dura, que eu já te falei aqui: Pilotos de fora, especialmente os sulamericanos, vindo acabar com o mercado aqui no Brasil, pois voarão por valores mais altos do que em seus países de origem, e mais baixos do que ganhamos aqui. Isso vai causar uma concorrência desleal!

    A abertura não prevê reciprocidade plena, e mesmo que previsse, eles não tem o que nos oferecer. Então, na festa do leite só nós entramos com a vaca. E eu já disse: temos pilotos suficientemente qualificados no mercado.

    Há outras informações que por questões estratégicas eu não posso revelar aqui, mas que são estarrecedoras. Com essas, qualquer argumentação sua cairia como um castelo de cartas, porém ainda devo guardá-las na manga. Mas garanto-lhe que há mais coisas entre o céu e a terra, do que possa imaginar nossa vã filosofia.

    Quanto ao sindicato dos pilotos nos EUA, infelizmente não podemos comparar com o nosso. Por falar em comparar, veja que interessante: No outro dia eu vi uma associação de prostitutas brigando pelo reconhecimento da profissão, e pelo direito à previdência social, aposentadoria e etc. O nosso sindicato nem sequer foi à reunião que tratava da mudança do Art, 158, e também não justificou a ausência. Vai dar pra comparar, amigo?

    O impacto dessa Lei virá, com certeza (caso venhamos a perder a luta), mas será fulminante para a aviação. O que hoje lutamos é justamente para melhorar nossas condições de trabalho e pela facilitação de qualificação (leia-se proporcionar meios de qualificação).

    Amigo, creia-me, se soubesse um terço apenas do que nós sabemos a respeito do assunto, você mudaria completamente de opinião. Só que ainda não é hora de colocarmos em pauta.

    Grande abraço.

  16. Raul Marinho said, on 5 agosto, 2010 at 6:38 pm

    Segue abaixo a troca de e-mails entre o blogueiro que assina este espaço e o nobre deputado:

    —– Original Message —–
    From: Dep. Rodrigo Rocha Loures
    To: Raul Marinho
    Sent: Thursday, August 05, 2010 5:46 PM
    Subject: RES: PL 6716/09

    Prezado Sr. Raul,

    Agradeço seu contato e suas ponderações, mas informo que em várias audiências públicas que participei o mesmo problema foi apontado tanto pelos representantes das empresas aéreas quanto pelos representantes dos aeronautas e aeroviários: o tempo de formação de pilotos e mecânicos é longo demais e não está conseguindo acompanhar o crescimento do setor. Foi informado, ainda, que o tempo médio de formação desses profissionais é de cinco anos, razão pela qual estabeleci em meu relatório esse prazo.

    Sei que os problemas de investimento no setor são graves e que ainda demandará algum tempo, mas gostaria que o senhor soubesse que tenho empreendido esforços junto ao governo federal para que essa situação se reverta, ou seja, haja estímulo à criação de mais escolas de formação, bem como que a categoria consiga salários compatíveis com as funções desempenhadas.

    Não tenho interesse em deixá-los desempregados, pelo contrário. Quero estimular uma maior capacitação e valorização do setor, mas não podemos, enquanto isso não acontece, deixar as empresas de aviação comercial e geral desassistidas, visto que, como dito anteriormente, não se formam pilotos e mecânicos de um dia para o outro.

    As companhias aéreas brasileiras registraram um aumento de 42,89% no movimento de passageiros nos voos domésticos em fevereiro, em relação ao mesmo período de 2009.

    Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), trata-se do maior crescimento percentual do setor já registrado desde setembro de 2003, quando os dados começaram a ser computados.

    Quanto à aviação regional, a Trip Linhas Aéreas e a Passaredo são exemplos de índices elevados do aumento de demanda. De janeiro a maio deste ano, cresceram respectivamente 109% e 155%, em comparação ao mesmo período do ano anterior, ou seja, mais que dobraram o número de passageiros transportados.

    Outra questão que não pode ser esquecida é que teremos brevemente uma Copa do Mundo e uma Olimpíada, com um volume de passageiros ainda maior, não sendo aceitável que esses passageiros não possam voar.

    Tenho trabalhado também para que os cursos de formação sejam mais acessíveis, posto que outra informação obtida nas audiências públicas é o alto custo dos cursos, o que desestimula muitos interessados que não tem como pagar. Que fique claro que trabalhar pela redução dos custos não significa perda de qualidade.

    Chamo a atenção, ainda, para a redação do art. 158, que prevê a contratação de mão se obra estrangeira em caráter provisório e na falta de mão de obra brasileira. Isso ocorrerá até que o setor tenha recebido os investimentos necessários para se desenvolver por si só.

    Esperando ter sanado as dúvidas e deixado claro que trabalho para um Brasil melhor, agradeço e coloco-me à disposição.

    Atenciosamente,

    Rodrigo Rocha Loures

    PMDB/PR

    ——————————————————————————–
    De: Raul Marinho [mailto:raul@raulmarinho.com.br]
    Enviada em: quarta-feira, 21 de julho de 2010 11:37
    Para: Dep. Rodrigo Rocha Loures
    Assunto: PL 6716/09

    Prezado deputado,

    Como piloto, gostaria de entender a razão do senhor ter incluído o artigo 158 no substitutivo do PL 6716/09, permitindo assim a contratação de tripulantes estrangeiros no Brasil.

    Atenciosamente,

    Raul Marinho

  17. José Manuel García said, on 6 agosto, 2010 at 5:24 pm

    Boa tarde, so quería saber se é livre a assistencia ao encontro.

    Obrigado

  18. Raul Marinho said, on 6 agosto, 2010 at 11:27 pm

    Sí, por supuesto…

  19. Joelson said, on 17 outubro, 2010 at 6:08 pm

    Deixa que o governo abra as portas para os estrangeiros trabalharem no Brasil.
    Agora eu quero que me apresentem o babaca estrangeiro que vai largar seu salário de 10-15mil euros para trabalhar ou morar no Brasil, onde o salário dificilmente ultrapassa R$10mil e o padrão de vida será certamente inferior ao do exterior.

    Conclusão: Se fizerem isso as empresas brasileiras irão a falência, pois nao tem como bancar o salário.
    Mas enfim deixa rola pq político é muito, mais muito MESMO idiota.

    Abraço

  20. […] outro aspecto a se considerar é a perspectiva de que o mercado de pilotos seja aberto para a mão-de-obra estrangeira. Atualmente, existe uma restrição legal para que não brasileiros pilotem aeronaves de matrícula […]

  21. […] o meu post originalmente publicado aqui: Apertem os cintos, o piloto […]

  22. yomkippur1 said, on 10 maio, 2012 at 4:36 pm

    Caro Raul, admirei seu post, e gostaria de acrescentar que o PL de origem no Senado é o PLS nº 184/2004 do SENADOR – Paulo Octávio, com a seguinte Ementa: Altera a Lei nº 7565, de 19 de dezembro de 1986 (Código Brasileiro de Aeronáutica), para ampliar a possibilidade de participação do capital externo nas empresas de transporte aéreo, que pode ser visto em http://www.senado.gov.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=68451.

    Quando enviado para a Camara dos Deputados após a votação no Senado recebeu o nº PL 6716/2009 com a situação atual seguinte: Local: 22/12/2009 – SECRETARIA DE EXPEDIENTE
    Situação: 22/12/2009 – REMETIDA À CÂMARA DOS DEPUTADOS

    Tivemos ainda dois outros PLS que foram apensados ao PLS originário nº 184/2004:

    PLS – PROJETO DE LEI DO SENADO, Nº 258 de 2006

    Autor: SENADOR – Valdir Raupp
    Ementa: Altera a Lei nº 7.565, de 19 de dezembro de 1986 (Código Brasileiro de Aeronáutica), para autorizar a prestação de serviços de transporte aéreo doméstico entre pontos de escala de linhas internacionais, e dá outras providências.
    Assunto: Jurídico – Direito aeronáutico e direito espacial
    Data de apresentação: 05/09/2006
    Situação atual: Local: 28/01/2010 – Secretaria de Arquivo
    Situação: 18/12/2009 – REJEITADA

    e o PLS – PROJETO DE LEI DO SENADO, Nº 259 de 2006

    Autor: SENADOR – Tião Viana
    Ver imagem das assinaturas
    Ementa: Altera a Lei nº 7.565, de 19 de dezembro de 1986 (Código Brasileiro de Aeronáutica), para revogar restrições à oferta de serviços aéreos.
    Assunto: Jurídico – Direito aeronáutico e direito espacial
    Data de apresentação: 05/09/2006
    Situação atual: Local: 31/01/2011 – Secretaria de Arquivo
    Situação: 10/01/2011 – ARQUIVADA AO FINAL DA LEGISLATURA

  23. […] E antes até da criação deste blog, eu já alertava sobre o problema da mudança do texto do CBA-Código Brasileiro de Aeronáutica para permitir o ingresso de pilotos estrangeiros na aviação brasileira, neste post do meu outro blog, o “Toca Raul!!!”: “Apertem os cintos, o piloto faliu!“. […]

  24. […] né? Além disso, desde que eu comecei a tratar deste assunto, ainda no meu outro blog, o “Toca Raul!!!” (na época, o “Para Ser Piloto” nem havia sido criado ainda), eu já falava das […]

  25. Manuel Alves said, on 6 abril, 2014 at 2:00 pm

    Querido José Manuel García, me llamo Manuel, y llegué a Brasil el 31 de agosto de 2010, y voy a empezar la carrera de PP, con la mira puesta en PC. Vivo en Paraná. Me podrías dar unas pautas o alguna indicación que me pueda ayudar un poco a vislumbrar la luz al final del túnel. (Yo también me llevé las manos a la cabeza cuando leí lo del genial requisito de tener que estar “naturalizado”) Mi proceso lleva 6 meses y está actualmente “Aguardando Inclusão em Portaria” que no sé muy bien lo que significa. Estoy casado con brasileña y con un hijo

    Me alegro de encontrar un paisano mío y encima con mis mismos intereses y objetivos.
    Um grande abraço.
    Manuel Alves, de PARANÁ.


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