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O irresistível charme das orientais

Posted in Atualidades, Evolução & comportamento by Raul Marinho on 17 julho, 2009

japa girl

De acordo com o artigo abaixo, da Sylvie Kauffmann para o Le Monde, as orientais atraem muito mais os ocidentais do que o contrário por questões meramente culturais. Eu concordo parcialmente. Acredito que também existam questões ligadas à neotenia (pele delicada, cabelos muito finos, etc.) que também sejam responsáveis pela beleza feminina das orientais. Pelo mesmo motivo, os orientais não fazem tanto sucesso entre as ocidentais (e nem entre as próprias orientais, como o artigo aponta).

…Ou seria uma confirmação do conhecido esterótipo sobre os japoneses tão difundido no Brasil?

Por que as mulheres orientais atraem mais os ocidentais do que o contrário?

Para o ignorante vindo do Ocidente, o Oriente encerra mistérios insondáveis. Na família Polo, Nicolau, Matteo e Marco gastaram muita energia tentando desvendá-los, mas, sete séculos depois, a Ásia, em muitos sentidos, continua fascinando os aventureiros da globalização.

Um dos enigmas mais preocupantes, na verdade, inquieta mais às ignorantes do que aos ignorantes: por que, na época do grande caldeirão de raças mundial, os casais mistos ocidental-asiáticos se formam apenas em um sentido? Dito de outra forma, por que os homens vindos do Ocidente se sentem tão irresistivelmente atraídos pelas mulheres da Ásia, enquanto os asiáticos e as ocidentais não se juntam?

A questão é séria, principalmente para os batalhões cada vez maiores de jovens mulheres que vão viver lá, não mais de braços dados com seus maridos, como na época das colônicas, mas sim armadas de diplomas, e atraídas, tanto quanto seus colegas masculinos, pelo dinamismo das economias emergentes. Apesar de o aspecto econômico costumar cumprir suas promessas, pelo lado amoroso, entretanto, uma grande decepção as espera. Nesse sentido não surge nada além da perspectiva de inumeráveis “noites entre amigas”.

O que acontece é que seus amigos ocidentais são tão solicitados que já não têm tempo para elas. “É muito simples”, resume uma alta executiva francesa de 35 anos de idade e solteira. “Os chineses nem me dirigem o olhar, e os ocidentais não têm olhos a não ser para as chinesas… ou para os chineses, se forem gays.”

O escritor e jornalista norte-americano Richard Bernstein se interessou por este fenômeno, com mais profundidade, e escreveu um livro que acabou de ser publicado em Nova York com o título “O Leste, o Oeste e o sexo”. Nele, Bernstein descreve a atração erótica exercita pelo Oriente sobre os conquistadores vindos do Ocidente, desde a fascinação exercida pelo harém otomano até o sórdido turismo sexual da Tailândia e do Camboja. A busca sexual da Europa no Oriente, escreve, é “um aspecto do dinamismo ocidental, do espírito de aventura europeu, comparado com a relativa passividade dos asiáticos. O Ocidente é animado por um vivo desejo de conhecer o Oriente, enquanto o Oriente tem muito pouco interesse no Ocidente”. Para o ocidental que vai para a Ásia, acrescenta, “a relação com uma oriental faz parte da aventura”.

Ele mesmo ri ao recordar sua chegada a Hong Kong, como um jovem jornalista, onde um amigo lhe propôs conhecer uma mulher chamada Diana Li. Sentado à mesa do Clube de Correspondentes Estrangeiros no dia combinado, ele esperava com impaciência sua primeira conhecida chinesa, quando escutou alguém dizer: “Você é Richard? Eu sou Diana Lee”.

“Não pude esconder minha decepção”, confessa o jornalista. “Ela era loira e de olhos azuis”. Muitos anos depois, Richard se consolou casando-se com uma verdadeira chinesa.

Isso não resolve o problema de Diana Lee e de todas as loiras estrangeiras que vivem na Ásia. Não tenhamos medo de generalizar: aos olhos dos asiáticos, as ocidentais são inquietantes incendiárias, muito grandes e com muita carne, obcecadas por seu aspecto físico e pelos exercícios de Pilates, educadas numa atmosfera perigosa de igualdade entre os sexos. Poderíamos citar, como um anti-exemplo, Marguerite Duras e seu “Amante” da Indochina, mas isso aconteceu há muito tempo e ela tinha 15 anos. A ópera, a literatura e o cinema popularizaram “Madame Butterfly”, “Miss Saigon”, “Shogun” e as gueixas. O estereótipo da mulher asiática submissa à vida dura “é um fantasma desgastado, sem dúvida, mas mesmo assim incrivelmente influente”, observa Sheridan Prasso, autor de “A mística asiática”, obra lançada em 2006.

Essa vida é tão dura que as mulheres asiáticas não vacilam ao entrar no jogo, se for preciso, para bajular o ocidental crédulo. Na gíria das ruas de Xangai, relata Bernstein, o estrangeiro é chamado de “passagem de avião”, enquanto que na Tailândia é conhecido como “caixa automático”.

Há outra explicação possível. “Os homens asiáticos já têm medo das mulheres asiáticas; como poderão se sentir atraídos pelas norte-americanas?”, ironiza um intelectual chinês. A indiferença dos homens da Ásia pelas mulheres do Ocidente, portanto, é um problema cultural: o macho, tanto oriental como ocidental, detesta ter a impressão de ser dominado, sobretudo se a mulher é da mesma cultura que a sua. Em Cingapura, por exemplo, cada vez há menos casamentos entre cingapurianos. Os homens acham as mulheres de seu país muito diplomadas, muito exigentes, muito sofisticadas, e preferem as vietnamitas e as nativas da China continental.

A brecha não se abre apenas em Cingapura. Anita Jain, nascida nos Estados Unidos, para onde seus pais emigraram desde a Índia, formada em Harvard, relata num livro hilariante, “O casamento de Anita”, que foi morar em Nova Déli para procurar o marido que, desesperada, não encontrava em Nova York. E que até hoje continua procurando.

Post-scriptum

O país da moda, nesse momento, é a Indonésia. Não só o arquipélago, primeira economia do sudeste asiático, resiste notavelmente à crise mundial; não só sua tradição de um Islã aberto e tolerante resiste notavelmente às pressões fundamentalistas; não só 18% dos deputados são mulheres; mas também a eleição presidencial que se desenrolou em 8 de julho reconduziu ao poder, segundo os resultados oficiais, o presidente reformista Susilo Bambang Yudhoyono e consolidou essa jovem democracia de 248 milhões de habitantes. Há, portanto, lugares onde as coisas funcionam.

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