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Gatilho anti-incesto

Posted in Evolução & comportamento, teoria da evolução by Raul Marinho on 26 maio, 2009

incesto

Interessante a nota abaixo, publicada na Folha de hoje, sobre pesquisas desenvolvidas no Brasil na área de genética comportamental – no caso, sobre mecanismos biológicos para previnir o incesto ou relacionamentos com indivíduos aparentados. Não que os resultados sejam inéditos, mas o fato deste tipo de pesquisa ser realizada no Brasil é um alento para a Biologia do Comportamento, tão desprezada por estas paragens.

Diferença genética ajuda a eleger parceiro, diz estudo

Segundo cientista do Paraná, casais tendem a ter DNA distinto no sistema imune

Diversidade supostamente beneficia saúde da prole, diz geneticista, cujo trabalho foi apresentado ontem em um congresso em Viena

Na hora do escolher alguém para namorar, os opostos realmente se atraem. Seres humanos tendem a buscar parceiros que sejam geneticamente distintos, diz um estudo da Universidade Federal do Paraná apresentado ontem num congresso na Áustria.

Os pesquisadores descobriram que pessoas casadas têm, em uma certa região do genoma, mais diferenças genéticas entre si do que pares de desconhecidos. A região é responsável pelo sistema imunológico.

Segundo a geneticista Maria da Graça Bicalho, líder da equipe de cientistas, trata-se de uma estratégia evolutiva. Dessa maneira, os filhos terão maior variabilidade genética.

“Pais com genes diferentes podem oferecer aos seus filhos mais chance de evitar infecções porque o sistema imunológico deles será mais diverso.”

Além disso, essa atração pelo diferente evita o incesto ou mesmo relacionamentos dentro da mesma família.

“Embora possa ser tentador pensar que humanos escolhem seus parceiros porque são parecidos com eles, a nossa pesquisa mostrou claramente que o desejo subconsciente de ter crianças saudáveis é importante na hora de escolher alguém”.

E como saber quem é geneticamente diferente? Estudos anteriores diziam que animais podem usar o cheiro como guia para identificar possíveis parceiros como geneticamente parecidos ou diferentes.

Em um deles, dedicadas voluntárias cheiravam camisetas suadas de homens desconhecidos e diziam quais odores eram mais atraentes. Resultado: elas gostavam mais daquelas cujos donos tinham sistemas imunológicos mais distintos dos seus. Mas outros fatores também podem estar envolvidos.

O grupo paranaense publica trabalhos nessa área desde 1998. Desta vez, estudaram 484 pessoas, divididas em 90 casais e 152 pares aleatórios. O trecho do genoma analisado por eles é conhecido como Complexo Principal de Histocompatibilidade (MHC, na sigla em inglês). Ele tem um papel fundamental na saúde da prole e é encontrada na maioria dos vertebrados.

O trabalho foi apresentado numa conferência da Sociedade Europeia de Genética Humana, em Viena.

“Nós queremos continuar com esse trabalho, observando as influências sociais e culturais, assim como as biológicas, na hora da escolha de um parceiro e relacionando isso com a diversidade genética da região do MHC”, diz Bicalho.

Mas, claro, ninguém escolhe seus amores só pelo cheiro. “Não concordamos com a teoria de que se uma pessoa tem um gene em particular isso vai determinar o seu comportamento. Mas achamos que o aspecto evolutivo inconsciente não deve ser ignorado”, afirma.

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