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Psicologia evolutiva aplicada ao crédito?

Posted in Atualidades, banco, credito, Evolução & comportamento by Raul Marinho on 18 maio, 2009

bank women

Leia a entrevista abaixo, da Susanne Arnann para o Der Spigel. Nela, a presidente do “Banco Mundial Feminino” (!!!???) faz algumas afirmações perturbadoras, supostamente apoiadas em conhecimento científico (trechos sublinhados em negrito). Gostaria muito de saber quais trabalhos científicos apoiam essas afirmações. Pelo que conheço da Psicologia Evolutiva, o que a sra. Iskenderian disse não passa de especulação e desinformação preconceituosa.

“Os homens são programados para se arriscarem mais”, diz presidente de ONG de microfinanciamento para mulheres

Segundo Mary Iskenderian, a presidente do Women’s World Banking, as instituições de microfinanciamento não estão sendo atingidas com força total pela crise financeira. Nesta entrevista ao “Spiegel Online“, ela explicou por que e falou também sobre as vantagens de contar com clientes mulheres.

Spiegel Online – Os bancos e as instituições financeiras de todo o mundo estão sofrendo com a crise financeira. Mas os bancos que você representa não estão. Por que isso?

Iskenderian – As instituições de microfinanciamento são muito cuidadosas. No passado, as renovações de empréstimos eram muito comuns e fáceis de serem obtidas. Agora estamos nos certificando de que as instituições estão sendo cuidadosas com a renovação do crédito, mas, em sua maioria, a qualidade das carteiras é boa.

Spiegel Online – Então, vocês realmente não sentiram os efeitos da crise?

Iskenderian – Estamos percebendo um impacto na forma de restrições ao crédito e da redução da capacidade das instituições de captar dinheiro e continuar financiando o crescimento. Ainda há fundos denominados em dólares e euros disponíveis. Mas o que secou completamente foi o financiamento em moeda local. A minha organização está tentando fornecer garantias de empréstimos às instituições de forma que elas possam tomar dinheiro emprestado dos bancos locais.

Spiegel Online – Os bancos não possuem reservas de equity para ajudá-los a contornar este tipo de escassez de capital?

Iskenderian – Até o momento a maioria das instituições de microfinanciamento não via de fato a poupança como fonte de financiamento. Isso era um produto que elas ofereciam àqueles clientes ansiosos por encontrar um local seguro para colocar o seu dinheiro, em uma instituição na qual confiassem, mas não como uma fonte de financiamento. Onde estamos sendo bastante ativos com os nossos membros é na elaboração de produtos de poupança. Depósitos muito pequenos que entram e saem no banco várias vezes por mês são muito caros. É necessária uma poupança de longo prazo com balanços crescentes para fazer com que valha a pena para a instituição oferecer esse tipo de produto.

Spiegel Online – No mundo em desenvolvimento, as mulheres estão sendo particularmente atingidas pela crise – mas quem de fato provocou a crise foram os homens. Será que a crise financeira teria ocorrido se um número maior de mulheres trabalhasse nos mercados financeiros?

IskenderianExistem atualmente trabalhos e pesquisas analisando por que motivo melhores decisões são feitas por grupos mais diversificados de pessoas trabalhando em conjunto. Os homens são quase que programados pelos hormônios para se arriscarem mais, o que é ótimo nos ciclos de prosperidade, quando eles obtêm retornos amplificados dos investimentos. Mas as mulheres proporcionam retornos bem mais estáveis no decorrer do tempo. Participei de muitos grupos nos quais, quando existia uma massa crítica de mulheres ou de pessoas de cor, ou qualquer outra coisa diferente da dominante hierarquia masculina branca, havia simplesmente uma outra abordagem dessa questão.

Spiegel Online – A maior parte dos empréstimos que você concede é para as mulheres. Por que isso?

Iskenderian – As mulheres são o ponto de entrada para o resto da família. Quando se fortalece economicamente a mulher, e ela é capaz de investir em um negócio, as maneiras como ela reinveste os rendimentos são as mesmas em qualquer lugar: a educação dos filhos, serviços de saúde para a família e moradia. Esses são os benefícios inter-gerações de longo prazo dos quais o lar inteiro se beneficia.

Spiegel Online – E isso não funcionaria se os empréstimos fossem concedidos aos homens?

IskenderianEu não quero entrar em uma discussão do tipo “os homens são maus e as mulheres são boas”. O que ocorre é uma divisão de trabalho ou prioridades. As mulheres reinvestem na família, no lar e nos filhos, e os homens reinvestem nos negócios, de forma que estes tendem a crescer mais rapidamente. Se todo o rendimento obtido ficasse no lar, isso seria um fato positivo. Infelizmente, o que vemos com frequência é que grande parte do dinheiro gerado pelos homens é desviado do lar. Eu vi uma estimativa não oficial segundo a qual cerca de 20 centavos de cada dólar em uma residência de baixa renda é gasto com jogo, prostituição, álcool e refrigerantes açucarados. E você provavelmente sabe que membro da família está gastando o dinheiro dessa forma.

Spiegel Online – Se o modelo de microcrédito tem tanto sucesso, por que os bancos tradicionais não passam a oferecê-lo? Será que se trata de algo de fato tão diferente do negócio central desses bancos?

Iskenderian – Existe um interesse crescente dos bancos em avaliar como eles poderiam atingir essa parcela da população – em muitos países os segmentos de baixa renda são os únicos que estão crescendo como mercados. Portanto, os bancos estão bem ansiosos. Mas as suas estruturas de custos fazem com que seja muito difícil conceder empréstimos muito pequenos. O valor médio dos nossos empréstimos é um pouco superior a US$ 500, e a melhor prática para uma instituição de microcrédito é contar com 450 clientes por agente de financiamento, algo que não existe nos bancos tradicionais. Os nossos juros variam de 30% a 40% – para cobrir os custos operacionais. Trata-se de um negócio bem caro porque há um grande foco nos clientes e em conhecer a dinâmica domiciliar deles.

Spiegel Online – A crise financeira fez com que ficasse mais difícil obter crédito no mundo desenvolvido. Será que o microfinanciamento poderia ser um modelo útil?

Iskenderian – Estamos sendo inundados por pedidos de crédito. E alguns membros da minha diretoria estão rogando que nos voltemos para os Estados Unidos. Mas neste país ainda existe bastante acesso ao crédito e, até o momento, o microfinanciamento não teve sucesso nos Estados Unidos. Alguns países desenvolvidos tiveram mais sucesso nessa área. A Espanha, por exemplo. E houve também algum sucesso, mesmo nos Estados Unidos, das operações junto a comunidades étnicas. Mas, e não quero parecer pessimista, onde ainda existe acesso ao crédito, é difícil para o microfinanciamento ganhar muito terreno.

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