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Origens do estresse

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 14 abril, 2009

stressed-out

Imagine a vida de nossos antepassados há 100mil anos, nas savanas africanas. Era predador para todo lado, outros grupos humanos agressivos armando emboscadas, dificuldades dentro do próprio grupo social, escassez de alimentos, nada em termos de medicina… Enfim, um ambiente ultra-estressante. Comparando o dia-a-dia do pleistoceno com o atual, não deveríamos ter estresse algum, especialmente entre os que vivem nas camadas mais abastadas do primeiro mundo. Mas, de acordo com este artigo publicado no blog do Noblat, da co-musa deste blog, Sandra Paulsen, as pessoas na Suécia estão ultra-estressadas. Uma boa pista para entender o estresse sueco é a do “descompasso entre ambição e capacidade”, que é a aposta do Aleksander Perski, pesquisador da Universidade de Estocolmo – que, sinceramente, não me convenceu por completo. Na verdade, acho que o “não poder errar” que a Sandra sugere no final do artigo é que gera a maior parte do estresse. Em sociedades modernas, como a sueca, isso se traduz no descompasso ambição-capacidade; e nas sociedades mais simples, como a de nossos antepassados das savanas, significa o risco de não sobreviver ao próximo leão das redondezas, ou à próxima estiagem. Mas, em qualquer uma das situações, o comprometimento absoluto com o sucesso é que realmente nos estressa.

Uma sobre o estresse

Outro dia, falei da palestra na igreja, sobre o ser humano e o estresse. Aleksander Perski é um pesquisador da Universidade de Estocolmo, que além de pesquisar, também atende pacientes na conhecida Clínica do Estresse. Achei muito interessante o que ouvi e decidi contar um pouco, aqui.

Perski explicou o que acontece com a gente que vive sob constante estresse e como nosso corpo reage à pressão permanente. Para ele, o estresse nada mais é do que o resultado de um desequilíbrio entre a ambição e a capacidade. Se entendi bem, nós queremos muito e tanto, que desrespeitamos nossa capacidade de alcançar o que queremos. Em suma, queremos acima das nossas possibilidades. Ao não conseguir o que queremos, nos estressamos e lutamos, mais e mais, para atingir o inalcançável.

Como era de se esperar, 70% daqueles que procuram ajuda na Clínica do Estresse são mulheres. Há algum tempo, eram mulheres na meia idade. Hoje em dia, mais e mais jovens adolescentes procuram ajuda médica, para os distúrbios provocados pela tensão diária.

Você perguntará: qual a razão de tanto estresse, numa sociedade afluente, onde as pessoas se sentem protegidas, pelo Estado de Bem Estar Social?

É, eu também não sei explicar não. Mas eu nunca havia visto tanta gente tão estressada como a gente vê por aqui.

Segundo Perski, o estresse das mulheres se deve à dupla jornada: trabalho e casa. Mesmo nesta sociedade moderna e igualitária, ainda são as mulheres que arcam com a maior parte do trabalho doméstico. E, ao contrário do Brasil, onde as que trabalham fora de casa contam com as que trabalham dentro de casa, para que as tarefas sejam cumpridas, aqui não tem disso. A faxina, a cozinha, a lavagem de roupas, a limpeza das janelas, a retirada do lixo e o cuidado das plantas, tudo tem que ser administrado e executado pela dona ou pelo dono de casa, ou pelos dois. Isso sem contar com o cuidado dos filhos pequenos. Aliás, uma das recomendações do especialista para reduzir o estresse das mulheres é, exatamente, exigir igualdade de deveres na esfera doméstica.

Outra fonte de estresse é o que Perski chama de “armadilha da capacidade”. Quanto mais capaz você é, mais você dá importância ao seu desempenho e à sua performance, e mais você exige de si mesmo. As chamadas “princesas do alto rendimento”, aqueles homens e mulheres que são exigentes consigo mesmos e compensam sua baixa autoestima com os bons resultados na carreira, são as maiores vítimas do estresse moderno.

Enfim, segundo Aleksander Perski, a explicação para tudo está na autoestima e em como a gente compensa sua falta: via drogas, distúrbios da alimentação, através das relações que a gente estabelece, ou através do trabalho.

O palestrante contou que o primeiro sinal de estresse costuma ser a dificuldade para dormir. A partir daí, a pessoa fica cansada durante o dia, tem dificuldade para se concentrar no trabalho, está sempre apressada, fica ansiosa. No final das contas, a pessoa acaba afetada em sua psique, sofre de irritação, agressividade, angústia e pânico.

Os conselhos para quem já está estressado são simples, mas nem sempre fáceis de seguir: cuidar de si mesmo; não pensar, ao deitar-se, nos problemas de amanhã; dormir um bom número de horas; aprender a dizer não; exigir menos de si mesmo; fazer coisas que dão prazer e compartilhar o trabalho doméstico.

Saí da palestra pensativa. E achando que aqui, em uma sociedade onde todo mundo tem de fazer tudo certinho, tudo direito, tudo perfeito, o estresse deve ser o preço a pagar… Há algo mais estressante do que nunca poder errar?

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Uma resposta

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  1. Rafael Antunes Filho said, on 19 outubro, 2009 at 8:07 am

    realmente esse documentario sobre estresse esta rico em informações que antes sabia mas não riqueza de detalhes. abraços voçês estão de parabens.


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