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Escravidão

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 6 abril, 2009

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A despeito do post abaixo, sobre as cotas, vale a pena ler o artigo abaixo, do Tomás Alcoverro publicado no La Vanguardia de hoje:

Viagem à origem da escravidão
Houve um tempo em que penas de aves impregnadas de ouro em pó, chamadas de metical, que hoje é o nome da moeda nacional da república, serviam como instrumento de troca nestas vastas terras africanas. A ilha de Moçambique era a capital desta antiga colônia portuguesa, escala no caminho para as Índias, empório florescente do tráfico de escravos, do comércio de ouro e de marfim. Há outras ilhas, coladas ao continente, como a do extinto sultanato de Zanzibar na Tanzânia, e a de Gore no Senegal, que também foram utilizadas durante séculos pelos comerciantes de escravos, árabes e europeus, como centros de concentração e portos para exportá-los ao Oriente Médio, Brasil e Cuba.

Por uma ponte estreita de três quilômetros e meio, chega-se a esta ilha no norte de Moçambique. A população se dividiu, desde a época colonial portuguesa, entre a cidade de Pedra, com sua grande fortaleza, seus fortes, igrejas, palácios e casas bem construídas, e a cidade Macuti, assim chamada porque é o nome, na língua macua, das folhas de palmeira que cobrem desde sempre as cabanas habitadas pelos negros. Em Zanzibar também há um antigo núcleo urbano de pedra, que foi habitado por árabes e ingleses, e bairros mais vulneráveis e pobres da população negra de escravos. Foram seus descendentes, como narra Kapuscinski, que armados com trabucos e facões, derrubaram, nos anos 60, o governo do sultão.

A cidade de Macuti é superpovoada devido aos refugiados que, afugentados pela longa guerra civil moçambicana que começou depois da guerra de independência contra Portugal, vieram da vizinha terra firme.

A indigência e a pauperização de seus habitantes – crianças em farrapos, sujas, de cabeças raspadas; mulheres descalças envoltas em saias ou capulanas [pano colorido usado como saia]; homens envelhecidos e indolentes (a expectativa de vida não chega aos 50 anos) – são ainda mais evidentes em meio à fecundidade e exuberância dessas paisagens, vivificada pelas chuvas do trópico. Na ilha de Moçambique, a maioria da população é muçulmana, como em outras regiões do norte da república, e há mesquitas humildes dispersas, pintadas de verdade, desprovidas de minaretes. A influência árabe, através da língua swahili e dos costumes da ilha, é muito patente na vida diária.

Em sua praia cheia de lixo, onde o peixe é vendido, há, debaixo de uma rede, um pobre mercado de cocos. Os dhoves, tradicionais embarcações do golfo Pérsico e do Oceano Índico, com suas velas coloridas, ficam encalhados na areia.

A cidade de Pedra, com seus monumentos, ficou abandonada desde que os portugueses a deixaram. Muitas de suas mansões e casas estão fechadas e vazias. O grande hospital, com suas escadas majestosas e seus pavilhões, está desativado. Só em algumas dependências acontecem consultas médias. A malária e a Aids foram especialmente virulentas para a população de Moçambique.

Ironicamente, a fortaleza de São Sebastião, o palácio de São Paulo, antiga residência do governador, e os demais monumentos erigidos desde o século 15 pelos portugueses se mantêm em bom estado para a visitação dos turistas. Todos têm a grande ilusão de que algum dia, graças ao turismo, esta cidade bela e sensual se transforme numa cidade jardim.

A contemplação da elegância de seus móveis e porcelanas palacianas procedentes da Índia, a riqueza de seus objetos sagrados barrocos, recolhidos de igrejas e capelas, é uma tortura quando se rememora o imenso sofrimento dos escravos na ilha antes de embarcarem rumo à América.

Pelo relatório de um dos governadores lusitanos da época, sabemos que todos os materiais da construção dos edifícios foram carregados sobre as costas dos escravos, porque não havia carroças nem animais de carga na ilha. Os negros escavavam os canteiros para extrair a pedra e construir as casas dos brancos. Até o ano de 1974, existiam riquixás na ilha, veículos de transporte de duas rodas, muito comuns na Índia, movidos graças à extenuante tração humana.

Ao perambular por essas praças e ruas em decadência, com belas acácias, é preciso conter a tentação de sentir nostalgia pelo passado dessa cidade de diversas etnias, culturas e línguas, lembrando os insondáveis sofrimentos de sua população ancestral, porque a exploração dos negros foi o que lhe conferiu prosperidade ao longo dos séculos.

À noite, em meu pequeno hotel, em meio a uma súbita tempestade tropical, ouve-se uma canção popular que em macua, a língua mais falada pela população do norte de Moçambique, chama-se Tenha Paciência.

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2 Respostas

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  1. quilombonnq said, on 11 maio, 2009 at 4:01 am

    REVOLUÇÃO QUILOMBOLIVARIANA !
    A COMUNIDADE NEGRA AFRO-LATINA BRASILEIRA
    APOIA E É SOLIDARIA AO POVO PALESTINO.VIVA A PALESTINA!
    Viva! Chàvez! Viva Che!Viva! Simon Bolívar! Viva! Zumbi!
    Movimento Chàvista Brasileiro

    Manifesto em solidariedade, liberdade e desenvolvimento dos povos afro-ameríndio latinos, no dia 01 de maio dia do trabalhador foi lançado o manifesto da Revolução Quilombolivariana fruto de inúmeras discussões que questionavam a situação dos negros, índios da América Latina, que apesar de estarmos no 3º milênio em pleno avanço tecnológico, o nosso coletivo se encontra a margem e marginalizados de todos de todos os benefícios da sociedade capitalista euro-americano, que em pese que esse grupo de países a pirâmide do topo da sociedade mundial e que ditam o que e certo e o que é errado, determinando as linhas de comportamento dos povos comandando pelo imperialismo norte-americano, que decide quem é do bem e quem do mal, quem é aliado e quem é inimigo, sendo que essas diretrizes da colonização do 3º Mundo, Ásia, África e em nosso caso América Latina, tendo como exemplo o nosso Brasil, que alias é uma força de expressão, pois quem nos domina é a elite associada à elite mundial é de conhecimento que no Brasil que hoje nos temos mais de 30 bilionários, sendo que a alguns destes dessas fortunas foram formadas como um passe de mágica em menos de trinta anos, e até casos de em menos de 10 anos, sendo que algumas dessas fortunas vieram do tempo da escravidão, e outras pessoas que fugidas do nazismo que vieram para cá sem nada, e hoje são donos deste país, ocupando posições estratégicas na sociedade civil e pública, tomando para si todos os canais de comunicação uma das mais perversas mediáticas do Mundo. A exclusão dos negros e a usurpação das terras indígenas criaram-se mais e 100 milhões de brasileiros sendo estes afro-ameríndios descendentes vivendo num patamar de escravidão, vivendo no desemprego e no subemprego com um dos piores salários mínimos do Mundo, e milhões vivendo abaixo da linha de pobreza, sendo as maiores vitimas da violência social, o sucateamento da saúde publica e o péssimo sistema de ensino, onde milhões de alunos tem dificuldades de uma simples soma ou leitura, dando argumentos demagógicos de sustentação a vários políticos que o problema do Brasil e a educação, sendo que na realidade o problema do Brasil são as péssimas condições de vida das dezenas de milhões dos excluídos e alienados pelo sistema capitalista oligárquico que faz da elite do Brasil tão poderosa quantos as do 1º Mundo. É inadmissível o salário dos professores, dos assistentes de saúde, até mesmo da policia e os trabalhadores de uma forma geral, vemos o surrealismo de dezenas de salários pagos pelos sistemas de televisão Globo, SBT e outros aos seus artistas, jornalistas, apresentadores e diretores e etc.
    Manifesto da Revolução Quilombolivariana vem ocupar os nossos direito e anseios com os movimentos negros afro-ameríndios e simpatizantes para a grande tomada da conscientização que este país e os países irmãos não podem mais viver no inferno, sustentando o paraíso da elite dominante este manifesto Quilombolivariano é a unificação e redenção dos ideais do grande líder zumbi do Quilombo dos Palmares a 1º Republica feita por negros e índios iguais, sentimento este do grande líder libertador e construí dor Simon Bolívar que em sua luta de liberdade e justiça das Américas se tornou um mártir vivo dentro desses ideais e princípios vamos lutar pelos nossos direitos e resgatar a história dos nossos heróis mártires como Che Guevara, o Gigante Osvaldão líder da Guerrilha do Araguaia. São dezenas de histórias que o Imperialismo e Ditadura esconderam. Há mais de 160 anos houve o Massacre de Porongos os lanceiros negros da Farroupilha o que aconteceu com as mulheres da praça de 1º de maio? O que aconteceu com diversos povos indígenas da nossa América Latina, o que aconteceu com tantos homens e mulheres que foram martirizados, por desejarem liberdade e justiça? Existem muitas barreiras uma ocultas e outras declaradamente que nos excluem dos conhecimentos gerais infelizmente o negro brasileiro não conhece a riqueza cultural social de um irmão Colombiano, Uruguaio, Venezuelano, Argentino, Porto-Riquenho ou Cubano. Há uma presença física e espiritual em nossa história os mesmos que nos cerceiam de nossos valores são os mesmos que atacam os estadistas Hugo Chávez e Evo Morales Ayma,Rafael Correa, Fernando Lugo não admitem que esses lideres de origem nativa e afro-descendente busquem e tomem a autonomia para seus iguais, são esses mesmos que no discriminam e que nos oprime de nossa liberdade de nossas expressões que não seculares, e sim milenares. Neste 1º de maio de diversas capitais e centenas de cidades e milhares de pessoas em sua maioria jovem afro-ameríndio descendente e simpatizante leram o manifesto Revolução Quilombolivariana e bradaram Viva a,Viva Simon Bolívar Viva Zumbi, Viva Che, Viva Martin Luther King, Viva Osvaldão, Viva Mandela, Viva Chávez, Viva Evo Ayma, Viva a União dos Povos Latinos afro-ameríndios, Viva 1º de maio, Viva os Trabalhadores e Trabalhadoras dos Brasil e de todos os povos irmanados.
    O.N.N.QUILOMBO –FUNDAÇÃO 20/11/1970
    quilombonnq@bol.com.br

  2. Raul Marinho said, on 11 maio, 2009 at 11:50 am

    Aprovei esse comentário como curiosidade histórica.


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