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Cotas raciais

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 6 abril, 2009

revista-epoca-cotas-raciais

Nos comentários desse post, tentei iniciar uma discussão sobre as cotas raciais com o leitor que assina Spirito. Como a conversa está muito escondida, resolvi trazê-la para esse post. Vamos ver se a coisa anima agora que o assunto está na capa da revista Época. Repito abaixo o meu último comentário:

A idéia das cotas é boa: “reparar uma injustiça histórica” (marxistas adoram abordagens historicistas). Como o Estado errou ao raptar indivíduos na África (ou concordar com que outros assim o fizessem) e obrigá-los a executar trabalhos forçados no Brasil, e continuou errando ao abandonar esses indivíduos à própria sorte após a revogação da escravidão; logo, ele (o Estado) deveria pagar pelos seus pecados, concedendo privilégios às vítimas do erro (ou aos seus descendentes) como uma forma de reparação. Na teoria, lindo. Na prática: impossível, inviável, ingênuo e tolo.
O critério para a concessão de privilégios é baseado na aparência física atual do sujeito, o que por si só não diz nada numa comunidade miscigenada como a nossa. Nos EUA, onde negros e brancos mantêm-se relativamente segregados, branco é branco, preto é preto, é fácil saber quem é quem; não aqui, onde todo mundo é parcialmente branco e negro. O fato de o Joãozinho ser mais escurinho que o Pedrinho não significa que os ancestrais do Joãozinho foram mais prejudicados que os do Pedrinho: significa somente que os genes para a cor da pele escura acabaram se sobressaindo mais em um do que em outro. Ademais, alguém 70% negro é mais merecedor de reparação que outro, com 68% de ancestralidade negra? Qual a lógica disso? Logo de saída, a política de cotas se revela impraticável, mas os problemas não param por aí.
Depois de 1888, outros grupos étnicos (não negros) foram trazidos para o Brasil para realizar o trabalho braçal, como italianos e japoneses. Estes não vieram nos porões dos navios negreiros, mas suas condições de vida e de trabalho, além da dignidade de seu tratamento não eram significativamente melhores, e o principal: estes grupos também foram negligenciados pelo Estado. Se os descendentes dos escravos africanos merecem reparação, os netos de italianos e japoneses também, e no fim das contas todo brasileiro terá um ancestral que justifique estar entre os beneficiados por programas reparadores.
Finalmente, há que se considerar que o fato de um grupo específico precisar ser tratado com condescendência já ser, por si só, racismo e discriminação. Se eu sou negro e toda a sociedade sabe que pessoas da minha raça precisam de tratamento diferenciado para que eu possa vencer na vida, minhas vitórias serão sempre entendidas como decorrentes deste tratamento diferenciado. Ou seja: por causa de cotas e outras “ações afirmativas”, eu sempre estarei em desvantagem frente os demais. Entendeu por que eu sou contra as cotas para negros?

2 Respostas

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  1. Raul Marinho said, on 8 abril, 2009 at 10:02 am

    A discussão continua acontecendo no post original (“Consciência negra? Tá de sacanagem…”). Por favor, faça seus comentários lá.

  2. antonio jesus sllva said, on 20 abril, 2009 at 5:57 pm

    REVOLUÇÃO QUILOMBOLIVARIANA !
    A COMUNIDADE NEGRA AFRO-LATINA BRASILEIRA
    APOIA E É SOLIDARIA AO POVO PALESTINO.VIVA A PALESTINA!
    Viva! Chàvez! Viva Che!Viva! Simon Bolívar! Viva! Zumbi!
    Movimento Chàvista Brasileiro

    Manifesto em solidariedade, liberdade e desenvolvimento dos povos afro-ameríndio latinos, no dia 01 de maio dia do trabalhador foi lançado o manifesto da Revolução Quilombolivariana fruto de inúmeras discussões que questionavam a situação dos negros, índios da América Latina, que apesar de estarmos no 3º milênio em pleno avanço tecnológico, o nosso coletivo se encontra a margem e marginalizados de todos de todos os benefícios da sociedade capitalista euro-americano, que em pese que esse grupo de países a pirâmide do topo da sociedade mundial e que ditam o que e certo e o que é errado, determinando as linhas de comportamento dos povos comandando pelo imperialismo norte-americano, que decide quem é do bem e quem do mal, quem é aliado e quem é inimigo, sendo que essas diretrizes da colonização do 3º Mundo, Ásia, África e em nosso caso América Latina, tendo como exemplo o nosso Brasil, que alias é uma força de expressão, pois quem nos domina é a elite associada à elite mundial é de conhecimento que no Brasil que hoje nos temos mais de 30 bilionários, sendo que a alguns destes dessas fortunas foram formadas como um passe de mágica em menos de trinta anos, e até casos de em menos de 10 anos, sendo que algumas dessas fortunas vieram do tempo da escravidão, e outras pessoas que fugidas do nazismo que vieram para cá sem nada, e hoje são donos deste país, ocupando posições estratégicas na sociedade civil e pública, tomando para si todos os canais de comunicação uma das mais perversas mediáticas do Mundo. A exclusão dos negros e a usurpação das terras indígenas criaram-se mais e 100 milhões de brasileiros sendo estes afro-ameríndios descendentes vivendo num patamar de escravidão, vivendo no desemprego e no subemprego com um dos piores salários mínimos do Mundo, e milhões vivendo abaixo da linha de pobreza, sendo as maiores vitimas da violência social, o sucateamento da saúde publica e o péssimo sistema de ensino, onde milhões de alunos tem dificuldades de uma simples soma ou leitura, dando argumentos demagógicos de sustentação a vários políticos que o problema do Brasil e a educação, sendo que na realidade o problema do Brasil são as péssimas condições de vida das dezenas de milhões dos excluídos e alienados pelo sistema capitalista oligárquico que faz da elite do Brasil tão poderosa quantos as do 1º Mundo. É inadmissível o salário dos professores, dos assistentes de saúde, até mesmo da policia e os trabalhadores de uma forma geral, vemos o surrealismo de dezenas de salários pagos pelos sistemas de televisão Globo, SBT e outros aos seus artistas, jornalistas, apresentadores e diretores e etc.
    Manifesto da Revolução Quilombolivariana vem ocupar os nossos direito e anseios com os movimentos negros afro-ameríndios e simpatizantes para a grande tomada da conscientização que este país e os países irmãos não podem mais viver no inferno, sustentando o paraíso da elite dominante este manifesto Quilombolivariano é a unificação e redenção dos ideais do grande líder zumbi do Quilombo dos Palmares a 1º Republica feita por negros e índios iguais, sentimento este do grande líder libertador e construí dor Simon Bolívar que em sua luta de liberdade e justiça das Américas se tornou um mártir vivo dentro desses ideais e princípios vamos lutar pelos nossos direitos e resgatar a história dos nossos heróis mártires como Che Guevara, o Gigante Osvaldão líder da Guerrilha do Araguaia. São dezenas de histórias que o Imperialismo e Ditadura esconderam. Há mais de 160 anos houve o Massacre de Porongos os lanceiros negros da Farroupilha o que aconteceu com as mulheres da praça de 1º de maio? O que aconteceu com diversos povos indígenas da nossa América Latina, o que aconteceu com tantos homens e mulheres que foram martirizados, por desejarem liberdade e justiça? Existem muitas barreiras uma ocultas e outras declaradamente que nos excluem dos conhecimentos gerais infelizmente o negro brasileiro não conhece a riqueza cultural social de um irmão Colombiano, Uruguaio, Venezuelano, Argentino, Porto-Riquenho ou Cubano. Há uma presença física e espiritual em nossa história os mesmos que nos cerceiam de nossos valores são os mesmos que atacam os estadistas Hugo Chávez e Evo Morales Ayma,Rafael Correa, Fernando Lugo não admitem que esses lideres de origem nativa e afro-descendente busquem e tomem a autonomia para seus iguais, são esses mesmos que no discriminam e que nos oprime de nossa liberdade de nossas expressões que não seculares, e sim milenares. Neste 1º de maio de diversas capitais e centenas de cidades e milhares de pessoas em sua maioria jovem afro-ameríndio descendente e simpatizante leram o manifesto Revolução Quilombolivariana e bradaram Viva a,Viva Simon Bolívar Viva Zumbi, Viva Che, Viva Martin Luther King, Viva Osvaldão, Viva Mandela, Viva Chávez, Viva Evo Ayma, Viva a União dos Povos Latinos afro-ameríndios, Viva 1º de maio, Viva os Trabalhadores e Trabalhadoras dos Brasil e de todos os povos irmanados.
    O.N.N.QUILOMBO –FUNDAÇÃO 20/11/1970
    quilombonnq@bol.com.br


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