Toca Raul!!! Blog do Raul Marinho

Sindicalistas-celebridade

Posted in Ensaios de minha lavra, Evolução & comportamento, teoria dos jogos by Raul Marinho on 2 abril, 2009

lulasindicalista

Neste post, comento o trabalho de pesquisadores dos EUA sobre os executivos-celebridade, que jogam muito mais no time deles mesmos do que no da empresa. O estudo mostra que esses executivos, embora muito bons em obter altos rendimentos para eles próprios, não são tão bons assim para as empresas que os contratam. São precisamente estes os casos dos executivos das AIGs da vida, que tanta polêmica estão causando atualmente nos EUA.

Ocorre que, do outro lado do balcão, entre os operários, também acontece efeito semelhante. O Reinaldo Azevedo comentan hoje em seu blog: “Almocei, não faz muito tempo, com um empresário que integrava o famoso Grupo 14 da Fiesp, quando Lula era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. Ele me contou das conversas animadas que o Grande Líder mantinha com a “craçe dominânti”, mediadas por um bom uísque 12 anos. Acertavam-se ali os passos da radicalização e do acordo possível — incluindo greve, gritaria, passeata e tudo mais”. O que o Reinaldo quer dizer é que o Lula (e, justiça seja feita, não foi só o Lula que agiu/age assim, essa é a regra entre os sindicalistas-celebridade) se comportava, quando sindicalista-celebridade, exatamente igual aos executivos-celebridade da pesquisa acima referida, agindo em favor de seus próprios interesses, e iludindo seus patrocinadores – no caso dos sindicalistas, os trabalhadores; no caso dos executivos, os acionistas.

Celebridades, sejam elas executivos ou sindicalistas, são, antes de tudo, agentes econômicos racionais, que tentam maximizar seu resultado individual. É a mesma coisa que acontece com as celebridades propriamente ditas (atores, apresentadores de TV, jogadores de futebol, etc.): o Fausto Silva, a Xuxa e o Tarcísio Meira jogam no time deles, não no na Globo, assim como o Ronaldinho não morre de amores pelo Corinthians. A diferença é que os sindicalistas-celebridade precisam dar contornos ideológicos ao seu discurso para convencer os trabalhadores de que eles são a melhor opção para os representarem – justamente por serem celebridades, esses seres mágicos. É muito parecido com o que ocorre entre os executivos-celebridade e os acionistas, embora a ideologia em questão seja diametralmente oposta.

9 Respostas

Subscribe to comments with RSS.

  1. Wilson Alves said, on 9 abril, 2009 at 5:05 pm

    Um empresário integrante do grupo14 da FIESP falou, então não pode ser mentira, né Raul. Claro que um empresário jamais usaria da perfídia, da falsidade.
    Não um empresário, talvez um diretor ou gerente; um sindicalista com toda certeza, ainda mais estando embriagado com uma boa safra de Black Label, gentimente cedida por um impoluto empresário.
    O Reinaldo Azevedo, também jamais mentiria, nem tampouco o Diogo Mainardi, os processos que estes perderam na justiça foram, por certo, obra de algum juiz comprado pelo PT ou pelo “Cara”.

  2. Raul Marinho said, on 9 abril, 2009 at 5:24 pm

    Na verdade, pouco importa se os fatos são ou não verídicos, o relato do Reinaldo serve somente como ilustração para comparar comportamentos. O objetivo do post é mostrar que o comportamento humano pouco varia, seja o indivíduo em questão um executivo ou um sindicalista. Aliás, esse não é um blog de discussão política, por isso volto a lhe recomendar que procure outros blogs, mais focados neste tipo de debate.

  3. Wilson Alves said, on 9 abril, 2009 at 6:26 pm

    O comportamento humano varia sim, Raul. E varia muito porque o caráter das pessoas são muito dispares.
    Pra se ter uma vaga idéia disto basta atentar, por exemplo, que existem pais que são capazes de defenestrar seus próprios filhos, e pais que criam filhos de outrem com total desvelo.
    Existem alguns homens de bem, outros nem tanto e ainda outros tantos que se aprazem na senda do mal por puro egoísmo e/ou orgulho. Esforce-se, meu amigo, para pertencer à categoria dos primeiros, para que futuramente não venhas a colher dissabores.

  4. Raul Marinho said, on 9 abril, 2009 at 7:20 pm

    Os comentários aqui são moderados, meu caro Wilson: não é do meu interesse manter registros de gente me xingando ou ameaçando, como vc já fez. Se vc pichar o muro da minha casa, eu vou repintar em cima, independente do que vc escrever for verdade ou não. Foi por isso que seus comentários de ontem foram excluídos, e serão sempre que forem ofensivos. Agora, vc mudou de estratégia e partiu para a lição de moral. Aprovei seu comentário desta vez porque o assunto abordado me interessa, mas peço a vc a gentileza de abster-se desse tipo de atitude daqui prá frente. Muito do que vc escreve é interessante, e acho uma pena ter de excluir suas intervenções. Abaixo, a resposta ao seu comentário, com o seu texto copiado em negrito:

    O comportamento humano varia sim, Raul.
    Evidente que varia! O que eu disse é que não varia de qualquer maneira, varia dentro de certos limites, ou seja: varia pouco. Se variasse muito, veríamos executivos e sindicalistas (e líderes religiosos, e dirigentes de ONGs, e comandantes militares, etc.) agindo de maneiras muito diferentes.
    E varia muito porque o caráter das pessoas são muito dispares.
    De fato, no que varia (que, ao contrário do que dizes, não é muito), o que importa é o caráter. O duro é descobrir o verdadeiro caráter de alguém… Tem gente que é casado com uma mesma pessoa por 30 anos, e só quando se separa é que descobre qual era o verdadeiro caráter do (ou da) f.d.p. …
    Pra se ter uma vaga idéia disto basta atentar, por exemplo, que existem pais que são capazes de defenestrar seus próprios filhos, e pais que criam filhos de outrem com total desvelo.
    Exato! E tem pai que estupra a filha de 6 anos, e pai que se joga embaixo de um caminhão para salvá-la, e blá blá blá. Isso mostra que existe variação, o que não significa que todos os comportamentos possíveis são igualmente prováveis. Estou preocupado com as semelhanças, não com as diferenças. Se vc tomar como amostra os líderes-celebridade da área sindical, política, empresarial, religiosa, etc., vai encontrar muito pouca variação no comportamento (desde que vc tenha uma amostra estatisticamente significativa, se vc quiser uma observação mais técnica). O post é sobre isso, não pretendo mudar de assunto.
    Existem alguns homens de bem, outros nem tanto e ainda outros tantos que se aprazem na senda do mal por puro egoísmo e/ou orgulho.
    E existem homens magros, outros baixos, uns são canhotos…
    Esforce-se, meu amigo, para pertencer à categoria dos primeiros, para que futuramente não venhas a colher dissabores.
    E vc, passe protetor solar e coma muita fibra.

  5. Wilson Alves said, on 10 abril, 2009 at 8:58 am

    Compreendi perfeitamente aonde você quis chegar, Raul Marinho, e a coerência não me permite discordar.
    Realmente se analisarmos o comportamento humano, de modo geral verificaremos que as variações são mesmo pequenas.
    Quero também desculpar-me por ter usado a segunda pessoa do singular, ao invés da segunda do plural, quando fiz referencia a classificação entre os homens, este fato, só demonstra o quão atrasado ainda estou na escala espiritual .
    Por ultimo, e não menos importante, devo ressaltar que seu post muito embora revele uma realidade estatística momentânea não leva em conta o que a humanidade evolui porque as sociedades possuem em seu interior homens diferenciados que fazem a diferença entre tantos iguais.
    Fico imaginado… Se você tivesse escrito que um empresário inglês, num jantar entre patrícios, havia dito que conheceu Mahatma Gandhi quando este ainda fazia acordos espúrios com as oligarquias vigentes… Será que alguém lhe cobraria posicionamento? Será que você diria para esse alguém que a verdade pouco importa, o que importa é seu estudo estatístico, nem que para isso seja necessário assassinar a moral alheia?
    Os fins justificam os meios!(?)
    Talvez, seja por isso Raul, que NÓS, vez por outra, confundamos homens bons, com homens baixos ou magros, homens indignos com homens de barba ou faltando um dedo, quando uma coisa nada tem a ver com outra.
    PS. Jamais o ameacei, Raul, se lhe dei esta impressão foi por não ter me expressado bem. Credite isto ao meu português limitado.

  6. Raul Marinho said, on 10 abril, 2009 at 10:29 am

    Ora, meu caro Wilson… Comparar Ghandi na Índia colonial com o Lula no Brasil de hoje doeu no fígado. Mas tudo bem, deixa prá lá.

  7. Wilson Alves said, on 10 abril, 2009 at 10:52 am

    Claro meu caro Raul, que vamos deixar pra lá, até porque aversões viscerais tendem mesmo a incomodar, entretanto, já que estamos no campo especulativo, imaginemos hipoteticamente que alguém conhecedor do caráter de Gandhi contestasse a retórica do suposto empresário inglês, recordando que Jesus também teve seus detratores, por sinal, até mais renhidos…
    Você há de convir que nesse caso, hipotético claro, seria bem pior, afinal, ainda não podíamos adquirir “epatovis” nas pharmacias.

  8. Raul Marinho said, on 10 abril, 2009 at 12:14 pm

    Lula=Ghandi=Jesus???
    Sugerir isso numa sexta-feira santa dá excomunhão!!!
    Deixa o bispo de Recife saber disso…

  9. Wilson Alves said, on 10 abril, 2009 at 3:00 pm

    Aaaah! Como eu gostaria de ser excomungado por sua eminência Don José Cardoso Sobrinho, seria meu atestado de idoneidade.


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: