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Remexendo no vespeiro

Posted in Evolução & comportamento by Raul Marinho on 30 março, 2009

vespeiro1

Em 12 de dezembro do ano passado, publiquei esse post aqui. O meu texto tinha exatas 8 linhas, em que dizia três coisas: 1)Que haveria um outro texto logo abaixo, o artigo da Bárbara Gancia na Folha daquele dia, sobre o término atribulado do romance da atriz Susana Vieira com um homem muito mais novo, que acabara de morrer; 2)Que aquele tipo de evento abordado pela articulista fazia parte das discussões do HBES – uma entidade estadunidense que estuda Psicologia Evolutiva, da qual participo; e 3)Que, no fundo, no fundo, o ocorrido era um conflito evolutivo clássico, uma vez que o Marcelo era um homem jovem com um largo horizonte reprodutivo, ao passo que a Susana já “havia encerrado o expediente”, digamos assim. Se vocês repararem no post, verão que não há comentários. Na verdade, houve, mas eu não os aprovei porque continham ofensas pessoais. Agora, volto ao assunto-tabu: mulheres velhas com homens novos – e, de antemão, aviso que ofensas gratuitas não serão toleradas, mas se for dentro contexto, como isso aqui, tudo bem.

Eu gosto da Susana Vieira, acho-a uma boa atriz e uma pessoa carismática. E não tenho nada contra ela namorar quem quer que seja, o problema é dela. Na verdade, o comportamento da Susana é uma dádiva para quem se mete a explicar o comportamento humano com ferramentas da Psicologia Evolutiva, como eu – não há como encontrar melhor exemplo do que o dela. Acrescento, ainda, que se eu fosse uma mulher solteira, sexagenária, e que gostasse do agito, talvez até fizesse o mesmo que a Susana! Mas tudo isso não impede que se faça uma análise racional do comportamento da atriz, que é o que faremos doravante.

A Psicologia Evolutiva parte do princípio básico de que nós somos primatas evoluídos de ancestrais das savanas africanas de cerca de 100mil anos atrás. E que, para que fosse possível existirmos hoje, foi necessário incorporar determinados comportamentos eficientes em termos reprodutivos, como o cuidado parental, por exemplo. Para nossa espécie, é fundamental que haja uma grande preocupação com o bem estar dos bebês, pois se fosse diferente, estes morreriam antes de que pudessem se reproduzir e nossa espécie acabaria extinta. Não é o que ocorre, por exemplo, com as tartarugas marinhas, que botam os ovos na praia e se mandam, deixando os bebês-tartaruguinhas à própria sorte – mas isso é como as tartarugas evoluíram, problema delas, a gente evoluiu de outro jeito.

Da mesma forma, se os homens de nossa espécie fossem especializados em se acasalar com mulheres “velhas” (isto é, que já passaram da menopausa), é certo que nossa espécie se extinguiria também. Se existimos, é porque existe uma tendência clara dos homens para gostar de mulheres “jovens” (férteis), ou pelo menos que assim se pareçam. Mas nosso comportamento é bem mais complexo do que isso, e nossos grandes cérebros possibilitaram desenvolvermos estratégias mistas mais elaboradas, como, por exemplo, a de homens que obtêm recursos com uma mulher “velha” para gastá-los com a mulher “jovem”. É exatamente isso o que fez o Marcelo, a propósito, quando trocou Susana por uma jovem mais nova até que ele mesmo.

Agora, a imprensa noticia que Susana está de namoro novo. “Tenho predisposição para a felicidade” é o nome da reportagem em que a sexagenária anuncia seu novo romance, desta vez com um rapaz de 25 anos, Sandro, que ganha a vida como “empresário, ator, mágico, malabarista e dançarino”. Algum palpite sobre onde essa história vai parar? Não sei se haverá um desfecho dramático como o que ocorreu com o Marcelo (provavelmente, não), mas se esse romance durar, o que deverá ocorrer é que Sandro sairá dele bem melhor do que entrou. Sua carreira de empresário-ator-mágico-malabarista-dançarino deverá ser beneficiada com o envolvimento com uma atriz global de 1o. time, e isso irá contribuir para aumentar o potencial reprodutivo do rapaz – isto é: as mulheres jovens deverão se interessar muito mais por ele do que se interessariam se ele nunca tivesse se envolvido com a atriz. Nesse momento – suponhamos, daqui a 5 anos – a atriz estará com 71 anos e uma dificuldade muito maior para continuar a atrair garotões, enquanto o rapaz já estará com 30 e pronto para desfrutar da fama e dos recursos conquistados. Aí, o conflito é inevitável.

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