Toca Raul!!! Blog do Raul Marinho

Riquistão & The Wealth Report

Volta e meia eu falo aqui sobre o Riquistão (foto acima) e o The Wealth Report, e toda vez eu tenho que explicar o que é. Por isso, resolvi publicar esse post de referência sobre o assunto.

Em 2003, o jornalista Robert Frank, do Wall Street Journal, estava escrevendo um artigo sobre os bônus pagos por grandes corporações nos EUA, quando percebeu que os milionários estadunidenses estavam crescendo a uma taxa alarmante, tendo praticamente dobrado desde 1995. Foi aí que ele teve o insight que acabou se tornando um livro, “Riquistão – Como vivem os novos-ricos e como construíram suas megafortunas“, publicado no Brasil em 2008 pela editora Manole (nos EUA, saiu em 2007 com o título “Richistan”) e um blog, o The Wealth Report, hospedado no mesmo WSJ.

A sacada do Frank foi que havia tanta gente com patrimônio superior a US$1milhão nos EUA (aproximadamente 10 milhões de lares!!!), e essa gente tinha um comportamento tão diferente da média, que eles formavam um país imaginário dentro dos EUA – e o nome desse país seria Riquistão, o título do livro. O Riquistão estaria dividido em 4 regiões, de acordo com o patrimônio de seus habitantes:

1- O Baixo Riquistão, que fica na periferia do país, e faz fronteira com a classe média:

-Patrimônio líquido familiar: entre US$1milhão e US$10milhões

-População: 7,5 milhões de lares

-Valor médio da residência principal: US$810mil

-Valor médio de alguns bens adquiridos: relógios-US$2,1mil, carros-US$44mil, jóias-US$9,2mil, serviços de spa-US$5,3mil.

2- O Médio Riquistão, cujos habitantes já começam a ostentar padrões de consumo extravagantes:

-Patrimônio líquido familiar: entre US$10milhões e US$100milhões

-População: 2 milhões de lares

-Valor médio da residência principal: US$3,8milhões

-Valor médio de alguns bens adquiridos: relógios-US$71mil, carros-US$158mil, jóias-US$126mil, serviços de spa-US$42mil.

3- O Alto Riquistão, um lugar bastante exclusivo no país, frequentado por celebridades, altos executivos e grandes empresários:

-Patrimônio líquido familiar: entre US$100milhões e US$1bilhão

-População: alguns milhares de lares

-Valor médio da residência principal: US$16,2milhões

-Valor médio de alguns bens adquiridos: relógios-US$182mil, carros-US$311mil, jóias-US$397mil, serviços de spa-US$169mil.

4- Billionaireville, um reduto exótico encrustado no meio do país, habitado somente por quem ostenta um patrimônio líquido familiar acima de US$1bilhão – ou seja: está na lista da Forbes. Eram somente 13 famílias em 1995, e em 2006 chegaram a 400. Veja esse trecho tirado do livro para entender quem são os habitantes do Billionaireville:

“Tim Blixseth, bilionário magnata do setor de construção e dono de resorts, contou-me a respeito de uma ocasião em que um multibilionário chegou em sua propriedade, onde tem um campo de golfe particular, e, após 18 holes, disse-lhe que havia gostado tanto do local que queria comprá-lo. Entregou a Tim um pedaço de papel com sua oferta: US$400milhões. Tim recusou a proposta, mas não sem se espantar com o ponto ao qual um desejo poderia levar um comprador impulsivo. ‘Agora, esse cara…’, declarou Blixseth, “…esse era rico”.

Pois é, o Billionaireville é habitado somente por esses caras.

Tanto o livro Riquistão quanto o blog The Wealth Report são particularmente interessantes para quem acha divertido acompanhar o comportramento dos muito ricos (o Frank foca os habitantes do Alto Riquistão e do Billionaireville) – é mais ou menos como ler uma revista Caras levada às últimas consequencias, com a diferença que o Frank não puxa o saco dos ricos, pelo contrário, sua especialidade é a ironia e o escracho. Nesse sentido, o blog está particularmente divertido nestes  tempos de crise financeira global, que está afetando muito mais os ricos dos EUA que qualquer outro grupo social. E como quase todo mundo acha divertido ver rico se dando mal, é uma leitura imperdível hoje em dia.

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Uma resposta

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  1. […] no início do século XX. Agora, a atual crise está gerando um enorme movimento migratório no Riquistão, de acordo com esse post do The Wealth Report, só que em sentido inverso: as pessoas estão […]


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