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Quanto custa um ano de cadeia?

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 10 março, 2009

prisoner

Para um criminoso médio, um ano de cadeia deveria custar a soma do “faturamento” perdido no período (com roubos, tráfico, etc.) com o desconforto de estar dentro da prisão. Ok, mas quanto é isso em R$s ou em US$s? Difícil saber, mas a matéria publicada na Folha de hoje (reportagem de Mário César Carvalho) e reproduzida no final deste post dá uma boa pista.

Um fuzil custava, antes do Estatuto do Desarmamento, cerca de US$6mil, contra cerca de US$30mil a US$40mil atualmente –  digamos, US$35mil, em média. A diferença, de US$29mil (ou US$30mil, para arredondar) se deve ao aumento da pena, que era de 1 a 2 anos (1,5 ano em média) e subiu para 3 a 6 anos (média de 4,5anos). Ou seja: para um incremento médio de 3 anos de prisão, o preço subiu US$30mil, onde se conclui que o ano de prisão está cotado a US$10mil no submundo do crime.

Preço de um fuzil sobe mais de 500% após lei que elevou penas

A combinação de dois ingredientes pode explicar por que dois depósitos de armas foram roubados em menos de uma semana: o preço de fuzis no mercado paralelo explodiu após o Estatuto do Desarmamento, promulgado em dezembro de 2003, e a facilidade de entrar em depósitos, seja privado ou mantido pelas Forças Armadas.
“O preço de um fuzil aumentou mais de 500% nos últimos cinco anos”, diz o delegado da Polícia Federal Victor Lopes, titular da Delegacia de Repressão ao Tráfico Ilícito de Armas do Paraná -a PF criou essa divisão em 2003.
Um fuzil é vendido por preços que vão de US$ 30 mil e US$ 40 mil (de R$ 71,4 mil a R$ 95,2 mil) numa favela no Rio de Janeiro, segundo Lopes. Antes, custava cerca de US$ 6 mil (R$ 14,3 mil). No Paraguai, a arma é comprada por US$ 3 mil (R$ 7,1 mil), de acordo com o delegado.
O aumento de preço ocorreu porque o Estatuto do Desarmamento aumentou as penas de prisão, segundo o delegado. Antes da mudança, a posse de um fuzil -armamento de uso exclusivo das Forças Armadas- era punida com prisão de um a dois anos. Com o estatuto, a pena subiu para três a seis anos de prisão e o crime é inafiançável -o criminoso não pode deixar a prisão ao pagar taxa.
A repressão nas fronteiras ainda é um sonho, segundo policiais ouvidos pela Folha. A delegacia especializada na repressão do tráfico internacional “apenas engatinha”, na visão de Lopes. No Paraná, Estado que concentra os principais pontos de entrada do armamento contrabandeado (Foz de Iguaçu e Guaíra, na fronteira com o Paraguai), há só seis policiais encarregados de reprimir o comércio ilícito.
A Folha tentou obter o número de armas apreendidas em Foz de Iguaçu, mas a PF daquela cidade não informou. A assessoria de comunicação em Foz só informou que o número era extremamente baixo.
Em Foz de Iguaçu, o controle é mais eficaz porque o posto na fronteira tem mais estrutura. É por isso que o tráfico migrou para Guaíra, onde a PF ainda tem uma estrutura incipiente, segundo dois policiais federais ouvidos pela Folha sob a condição de que seus nomes não fossem citados.
O coronel reformado José Vicente da Silva Filho, que dirigiu a Secretaria Nacional da Segurança Pública no governo de FHC, diz que a facilidade é a principal mola desses assaltos.
“As Forças Armadas precisam melhorar substancialmente a segurança desse material. Precisa aumentar a seriedade, com normas e supervisão constante, e a competência nesse tipo de armazenamento.”

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Uma resposta

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  1. Antonio Maia said, on 11 março, 2009 at 10:06 am

    Essa notícia também lança luzes naquela velha questão: o que mais influencia a opção pelo crime, o aumento da pena ou a maior probabilidade de ser pego. Na verdade, mostra que é um falso dilema, pois ambas as opções são variáveis que influenciam economicamente a tomada de decisão pela ação criminosa.


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