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Eu sei o que vocês fizeram no verão passado

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 9 março, 2009

mind-reader

Você está com medo da crise econômica mundial, do aquecimento global, do Collor, Sarney & Renan dominando a política brasileira? Bobagem… O que você tem que ter medo mesmo é do que trata esse excelente artigo, do International Herald Tribune, assinado por Michael Johnson:

Cuidado com o que você pensa

Quando a polícia me parou por passar no sinal vermelho recentemente, eu pensei: “Vocês não têm nada melhor para fazer?” Mas as palavras que saíram da minha boca foram bem mais policiadas, algo como: “Desculpe, achei que estava verde”. Às vezes é bom se passar pelo estrangeiro burro.

A policial, uma mulher durona fumando um cigarro, olhou para mim. Será que ela estava lendo meus pensamentos? Não, acho que não, porque ela só me chamou a atenção. Mas tome cuidado, dentro de poucos anos ela poderá ter um aparelho que pode ler pensamentos.

A pesquisa avança rapidamente para permitir a decodificação de pensamentos através da tecnologia de escaneamento do cérebro, e isso me mata de medo. Eu não quero que ninguém mais dentro da minha cabeça, muito menos a polícia.

Com que frequência seus pensamentos estão sincronizados com suas ações? A menos que você seja um sociopata, provavelmente não com muita frequência. As convenções culturais, a educação familiar, boas maneiras e uma precaução totalmente animal evitam que você ceda ao impulso de dizer o que se passa de verdade em sua mente.

Mas agora os neurocientistas nos Estados Unidos estão catalogando padrões cerebrais relacionados às palavras, sentenças e intenções. Um pesquisador explica: “A nova concepção é de que cada pensamento está associado com um padrão de atividade cerebral”.

Dezenas de voluntários, incluindo alguns jornalistas, foram convidados pela Universidade Carnegie Mellon em Pittsburgh, Pensilvânia, para testar a tecnologia desenvolvida ali. Mark Roth, que escreve para o jornal Pittsburgh Post-Gazette, passou por um escaneamento e escreveu que o computador se mostrou “acurado”. Ele disse que ficou impressionado. Eu também.

Os cientistas admitem que esses primeiros resultados apenas começam a mostrar o caminho. O computador reconheceu que Roth estava pensando em “milho” e não em “chaminé”, “martelo” ou “casa”. Mas é um começo. Cada pensamento que passa por nossa mente produz um padrão que pode ser visto através da mágica das fMRI (imagens de ressonância magnética funcional).

Agora a equipe de cientistas está montando uma base de dados de padrões cerebrais comuns entre os seres humanos. O modelo básico relaciona um dicionário de substantivos com verbos associados às funções sensoriais ou motoras, como a visão, a audição ou o paladar. Textos totalizando um total de um trilhão de palavras foram analisados para estabelecer as relações em comum e permitir a previsão dos pensamentos.

Nesse estágio, o escaneamento requer que a pessoa se deite imóvel dentro de um aparelho de ressonância magnética e responda a questões enquanto as imagens do cérebro são dissecadas em fatias. Especialistas identificaram áreas do cérebro onde alguns conceitos são armazenados.

As aplicações da pesquisa são tão amplas quanto eticamente preocupantes. O que isso pode significar para os direitos humanos e especialmente para o direito à privacidade, que é pedra angular das liberdades civis?

Mais especificamente, será que os suspeitos de crimes serão forçados a se submeter aos testes? Provavelmente. Este será um pequeno passo além da obrigatoriedade de retirar amostras de DNA vigente em alguns Estados americanos. Será que os aeroportos dos EUA acrescentarão essas unidades de escaneamento à parafernália de impressões digitais e fotografia usada com os visitantes estrangeiros? Provavelmente. Será que a polícia jogará no lixo seus velhos detectores de mentiras e passará a entrar diretamente no cérebro? Certamente.

Por fim, os cientistas estão trabalhando no monitoramento remoto de padrões cerebrais usando detectores móveis infravermelhos conectados a uma faixa presa em torno da cabeça para facilitar o uso.

O software está sendo desenvolvido na Carnegie Mellon num projeto conjunto dos departamentos de psicologia e ciência da computação.

O Dr. Marcel Just, chefe do programa, diz que pode levar algum tempo para chegar lá. Estimativas giram em torno de cinco a 50 anos, mas o objetivo é claro: identificar os pensamentos com a mesma precisão que os padrões de discurso podem ser interpretados hoje em dia. Um relatório científico sobre as descobertas da equipe foi publicado no mês passado no jornal PLoS One, alegando 78% de acuidade nos experimentos básicos conduzidos até agora.

Os romances psicológicos jogam com o que está dentro das cabeças de seus personagens desde Stendhal e Dostoievsky. Considere a descrição de pensamento versus ação feita num velho romance de Somerset Maugham.
O herói, estudante de medicina, está irritado com seu amor não correspondido por uma garçonete. Sentado ao seu lado, ele imagina cortar-lhe a garganta com uma faca de manteiga, acreditando que seria capaz de cortar a artéria carótida. O que sai de sua boca é um pouco mais cauteloso: “Eu te amo”.

Maugham teria de repensar essa cena se a garçonete suspeitasse de seu admirador e colocasse uma faixa detectora na cabeça dele.

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