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Uma história real de crédito

Posted in Atualidades, banco by Raul Marinho on 4 fevereiro, 2009

Em dezembro do ano passado, um grande amigo, médico e fazendeiro, passou por uma situação que vale a pena ser contada para ilustrar como os bancos são ruins na gestão de crédito de seus clientes. Este amigo – vamos chamá-lo Fred – é uma pessoa abastada, com um patrimônio de cerca de R$2,5milhões, a maior parte na forma de terras e gado. Como fazendeiro, Fred consegue obter uma renda média de R$30mil/mês, e como profissional liberal, mais uns R$20mil/mês, incluindo seu salário como médico concursado em um hospital público, que representa R$5mil/mês (ou cerca de 10% de sua renda total de R$50mil/mês). Toda essa renda é comprovada por documentos e declarada para o Imposto de Renda, e o Fred é atendido pelo segmento VIP de um grande banco brasileiro, onde tem conta há mais de 20 anos.

Logo após a redução de IPI dos automóveis, uma concessionária fez uma oferta tentadora ao Fred: vender uma Mercedes zero km com um desconto extraordinário, desde que o pagamento fosse à vista. Naquele momento, o Fred não tinha disponível todo o dinheiro para comprar a Mercedes, ficaria faltando uns R$25mil, que ele não queria financiar porque esses recursos ficariam disponíveis em pouco tempo, seja pela venda de seu carro antigo, seja pela renda de sua fazenda. Assim, Fred ligou para o gerente de sua conta para cotar um empréstimo de R$25mil (cerca de 50% de sua renda mensal ou 1% de seu patrimônio) por um máximo de 90 dias. Era início de dezembro, e a crise econômica estava nas manchetes dos jornais, mas o valor do empréstimo em comparação ao cadastro do Fred não foi complicado de ser aprovado; o complicado mesmo foi a taxa oferecida: 7,5%a.m. O mais incrível foi que o mesmo empréstimo, se fosse feito sob a modalidade de crédito consignado (que ele tinha direito por ser funcionário público) cairia para 1,5%a.m. Ou seja: o mesmo banco, emprestando o mesmo valor, pelo mesmo prazo, para a mesma pessoa, cobrava juros 5 vezes menores se a garantia fosse dada pelo Estado, sendo que a garantia pessoal do Fred era muito superior à necessária. O Fred preferiu liquidar algumas cabeças de gado a ficar longe do banco.

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