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Por que os spreads são tão altos no Brasil?

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 3 fevereiro, 2009

No post anterior, mostrei que essa história de que existe uma sala secreta na FEBRABAN onde os banqueiros combinam as taxas de juros é uma lenda urbana sem o menor sentido. Ficou faltando explicar por que, então, os spreads brasileiros são tão elevados, que é o que tentarei fazer nesse post. Antes, porém, é preciso contextualizar onde os spreads são exagerados. A Petrobras, quando captou bilhões no mercado em fins de 2008, pagou um spread minúsculo, assim como toda grande corporação paga muito pouco pela intermediação financeira dos bancos. Empréstimos consignados (aqueles com desconto em folha de pagamento, para funcionários públicos e/ou aposentados), e os financiamentos para aquisição de veículos ou imóveis também são razoavelmente civilizados. Mas o crédito para pessoas físicas e para pequenas e médias empresas, em compensação, são absurdamente caros, e é sobre esta modalidade de empréstimos que iremos tratar.

Sem maiores rodeios, vamos direto ao ponto: no Brasil, só paga um empréstimo quem quer, a lei protege o caloteiro. Salários são impenhoráveis, a casa onde a pessoa mora, também, os processos judiciais são absurdamente morosos e caros, tudo conspira para a impunidade do mau pagador. É por isso, principalmente, que o crédito é tão caro no Brasil: o risco também é muito elevado. Porém, os próprios tomadores contribuem para o elevado spread que grassa em Pindorama, de várias maneiras. Nosso nível educacional é baixíssimo, como se sabe, mas em Matemática nós somos um horror: ninguém sabe fazer conta, ainda mais quando se trata de juros compostos, que necessitam de conhecimento sobre cálculo exponencial. As décadas de inflação alta deseducaram toda uma geração, e mesmo hoje, 15 depois da morte da hiper-inflação, ainda temos dificuldade em entender o real valor do Real (com o perdão do trocadilho). E, para as empresas, falta um mínimo de conhecimento sobre o funcionamento do mercado de crédito, sobre relacionamento bancário, e sobre estratégia financeira.

Uma resposta

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  1. Fernando Blanco said, on 4 fevereiro, 2009 at 3:14 am

    Um pitaco: vale a pena também refletir sobre os juros como sendo o preço de um tipo exótico de aluguel, chamado empréstimo. Sim, porque os bancos alugam dinheiro para mim e para você. Tanto aluga que, ao final do empréstimo, a gente entrega de volta a “mercadoria”, não é? – assim como fazemos quando alugamos um apê ou um carro numa viagem.

    E sabem o que eu aprendi em 20 anos de banco, passando milhares de horas dentro de comitês de crédito e visitando empresas? Que os juros que pagamos (e o spread que está ali embutido) são, em grande parte, sujeitos à lei da oferta e procura – assim como o preço da batata, da soja, etc.

    Quem tem mais oferta de crédito em relação às suas necessidade, paga menos juros do que aquele que tem menos oferta. Comprovei minha tese milhares de vezes, ao ver empresas similares (em solidez, porte, etc.) pagando juros berrantemente diferentes. É que uma tinha um monte de bancos oferecendo-lhe grana, enquanto tinha um ou dois bancos apenas – e eram similares.

    E como fazer para ter mais oferta de crédito? Ah, esta é uma ciência milenar, que ficou perdida por muito tempo e que só agora começa a ser difundida por aí. O Raul sabe.

    Pitaco longo esse, não?! Abs,

    Fernando Blanco
    http://blogdocredito.wordpress.com


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