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Papai Noel

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 16 dezembro, 2008

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Eu me lembro perfeitamente quando descobri que Papai Noel não existia. Tinha uns 5 ou 6 anos, e estava no cinema num domingo de manhã (na época, havia sessões de cinema para crianças aos domingos de manhã, era a “Sessão Zig-Zag”), assistindo ao Canal 100 (noticiário que passava antes dos filmes) com meu primo. Como ele era uns 4 anos mais velho que eu, já sabia da farsa natalina há tempos, e resolveu me sacanear: “Você sabe que essa história de Papai-Noel é mentira, né?”. Lógico que não dei o braço a torcer, e embora estivesse chorando por dentro, disfarcei e fingi que já sabia que Papai Noel era uma fantasia, mas foi um choque para mim, um baita choque. (O interessante é que, hoje em dia, esse mesmo primo é um sujeito extremamente místico, já tendo morado, inclusive, em uma comunidade do Santo Daime por diversos anos, no meio da floresta, ao passo que eu sou o extremo oposto, um sujeito de um ceticismo muitíssimo arraigado – mas essa é uma outra história).

Se você quiser ler uma outra crônica sobre o Papai Noel e os mitos de Natal, não perca o excelente texto abaixo, da Altenéia Feijó, direto do blog do Noblat:

E se Papai Noel existir?

Nos meus tempos de criança só ganhava presente de Natal quem acreditasse em Papai Noel. Então a gente escrevia (ou ditava) carta, prometia se comportar bem e fazia um pedido dando várias opções para o presente. Eu só pedia o que estava dentro das possibilidades da minha família. Quem disse que não há intuição ou sabedoria infantil? Ah, antes de me deitar, deixava um sapatinho perto da janela aberta do quarto e tentava ficar acordada a fim de flagrar a chegada do bom velhinho. Aí minha mãe me explicava que, enquanto eu não adormecesse, ele não viria. Depois, quando já não acreditava mais na lenda, fingia dormir para meu pai continuar colocando um brinquedo novo no meu sapato.

Um belo dia, muitos anos após, chegava eu do trabalho quando meu filho, na época com 6 anos, me cercou e foi direto na pergunta:

– Mamãe, Papai Noel existe de verdade?

– Enquanto você acreditar nele, existe!

– Vou continuar acreditando…

Hoje, em quase cada esquina comercial dá para avistar uma figura humana fantasiada de Papai Noel. Banalizou-se o lendário bom velhinho. Quem diria, transformou-se em figuração remunerada. E nada de espantos porque isso faz tempo. A notícia é que neste fim de ano os shoppings brasileiros contrataram 700 pessoas em todo o país para trabalhar como papais noéis. Segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), alguns podem ganhar até R$ 8 mil durante a temporada. Sim, a remuneração se diferencia por vários e interessantes aspectos. Por exemplo: ganha um cachê mais alto quem tiver uma barba branca verdadeira e bem cuidada, melhor desempenho na encenação e empatia. Além disso, existem cursos para preparar candidatos, ensinando-lhes técnicas de maquiagem, como compor e vestir a fantasia, como tratar as crianças e algo mais.

Na realidade, se não houver um certo talento, em vez de atrair e encantar os pequenos o Papai Noel contemporâneo pode assustá-los. Afinal, apesar de ter virado uma atividade no mercado de trabalho, sua figura precisa continuar tendo algum apelo lúdico. Nos shoppings essa preocupação é mais explícita. Sem conseguir escapar da competição capitalista, papais noéis se esforçam para se manterem “ludicamente” atraentes. Isso é ruim? Não. Pelo menos é um trabalho temporário bem remunerado, favorece a criatividade, agrada consumidores adultos e a criançada.

A origem do bom velhinho embasada na história do bispo São Nicolau que presenteava crianças por gosto, na região da atual Turquia, quase ninguém mais conhece. No século XVII a lenda foi levada pelos holandeses para os Estados Unidos. Aí, em 1931, a Coca-Cola realizou uma campanha publicitária na qual o artista Habdon Sundblom remodelou a imagem do Santa Claus (o São Nicolau). Tornou-o bonachão e comunicativo. Mais. Substituiu sua roupa de inverno marrom pelo vistoso traje vermelho. Deu certo. Agora, com esta crise mundial, parece desejo do presidente Lula que se invente um Papai Noel brasileiro. Bem… Se a gente quiser acreditar… Ho, ho, ho.

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