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Balada energética

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 1 dezembro, 2008

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Deu na versão em português (publicada pela Folha aqui) do New York Times:

Clubbers geram eletricidade dançando

O agito na pista ajuda a reduzir o consumo de eletricidade em 50%

Por ELISABETH ROSENTHAL

ROTERDÃ, Holanda – Se você achou que o ambiente na nova casa noturna da moda desta cidade holandesa, o Club Watt, é um tanto elétrico, acertou: o Watt tem um novo tipo de pista de dança que capta a energia gerada pelos saltos e giros e a transforma em eletricidade. É uma entre diversas pistas de dança geradoras de energia no mundo, a maioria ainda experimental.
Com sua engenharia humana, o Watt se abastece parcialmente de energia: quanto melhor a música, mais pessoas dançam e mais eletricidade sai da pista. No Watt, que se descreve como “o primeiro clube de dança sustentável”, a eletricidade é usada para acionar o show de luzes na pista e ao redor dela.
O Watt é em grande parte uma criação do Sustainable Dance Club, uma companhia formada no ano passado por um grupo de inventores ecológicos, engenheiros e investidores holandeses hoje liderados pelo consultor Michel Smit. Levou mais de um ano para ser feito, e é um espaço enorme, onde não apenas a pista de dança é sustentável, mas também os banheiros são alimentados com água da chuva e os bares praticam baixo desperdício (tudo é reciclado). Seu calor é obtido dos amplificadores e outros equipamentos musicais das bandas.
“Nossa idéia é que existe energia suficiente no mundo, basta usá-la da maneira certa”, disse Smit. “Se você tem um clube de dança lotado, há muita energia lá e você só precisa transformá-la em um produto utilizável.”
A dança ecológica evidentemente não solucionará o problema das crescentes emissões de gases do efeito estufa, que os cientistas dizem que são responsáveis pelo aquecimento global. Com seus amplificadores e suas luzes estroboscópicas, os clubes noturnos são devoradores de eletricidade e provavelmente nunca serão neutros em carbono, mesmo que os cientistas conseguissem captar a energia de um “mosh pit” (a área em frente ao palco onde as pessoas se comprimem e se atiram).
Mas a energia produzida por uma pessoa média dançando é de cerca de 20 watts, portanto duas pessoas poderiam acender uma lâmpada, como descobriram os consultores científicos do Club Watt. Aryan Tieleman, um dos donos do clube, espera que a pista de dança sustentável consiga produzir 10% da eletricidade do lugar. Inovações verdes no local vão reduzir o consumo de energia em 50% e o de água em 30%, em comparação com o clube anterior que havia no prédio, ele disse. “O conceito é que você se diverte como sempre, mas aqui será melhor para a Terra”, disse Smit.
O Watt é o equivalente em clube noturno a dirigir um carro híbrido. Os clientes parecem gostar. “Claro, eu me importo com o meio ambiente e fico feliz em fazer minha parte dessa maneira”, disse o estudante Bas Muller na saída dos banheiros, que têm mictórios sem água e vasos alimentados com água da chuva.
O Club Watt, com capacidade para cerca de 1.400 pessoas, é em parte um conscientizador e em parte um experimento de energia verde – e em grande parte pura diversão.
“Eu quis fazer um pouquinho pelo planeta”, disse Tieleman, que decidiu construir um clube totalmente verde depois de ver uma apresentação na pista de dança do Sustainable Dance Club, que funciona com uma tecnologia chamada piezoeletricidade. “Ficarei satisfeito com toda a energia que pudermos retirar da pista de dança. E como empresário eu sei que isso chama a atenção.”
Tieleman gastou cerca de US$ 257 mil na pista de dança, um investimento que não será recuperado com a economia de energia, ele disse, porque como modelo de primeira geração é bastante ineficiente.
A pista aproveita o efeito piezoelétrico: alguns materiais, quando espremidos, desenvolvem uma carga e produzem eletricidade.
Quando as pessoas estão dançando, a pista de dança sustentável abaixa cerca de um centímetro, comprimindo células que contêm material piezoelétrico por baixo. Na teoria, as pistas piezoelétricas podem retirar energia de qualquer passo ou salto e transformá-la em eletricidade, só que esse processo hoje é caro e ineficaz. Mas a tecnologia está evoluindo.
Smit disse que está trabalhando para desenvolver materiais mais baratos e eficientes para captar energia. “Você poderá usá-los em qualquer lugar onde houver movimento”, disse o consultor. “Mas a questão agora é: quando eles se tornarão custo-eficientes?”

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