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Orgulho de ser brasileiro(a)!

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 18 novembro, 2008

brasileira

Para não dizerem que eu só meto o paun na Folha, segue abaixo um excelente artigo copiado da edição de hoje (e de autoria de um membro do conselho editorial):

A apoteose do besteirol energético

ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE

O ponto que todos pensávamos ser inatingível foi enfim alcançado: o apogeu do besteirol energético brasileiro

UM MOMENTO histórico! O clímax, o ponto que todos pensávamos ser inatingível foi enfim alcançado. O apogeu do besteirol energético brasileiro. Se não vejamos.
Há três ou quatro anos que um dos mais renomados e respeitados físicos brasileiros, Roberto Salmeron, vem insistindo com autoridades do país para que o Brasil se associe ao esforço internacional em prol do desenvolvimento da fusão nuclear para produção de energia. O esforço seria concentrado em uma instituição multinacional denominada Iter (International Thermonuclear Experimental Reactor).
Essa tecnologia é o sonho de cientistas para a solução definitiva do excruciante problema de fornecimento de energia no futuro. É uma alternativa não poluente, ou seja, limpa, não contribuindo de maneira significativa seja para o efeito estufa, seja para diferentes formas de impactos negativos locais ao meio ambiente. É um combustível abundante, inesgotável quase e democraticamente distribuído (são principalmente isótopos do hidrogênio, portanto, encontrado onde houver água).
De acordo com essa proposta, o Brasil associar-se-ia a Portugal, o que seria garantido por acordos já existentes entre os dois países. O Brasil teria pleno e irrestrito acesso a resultados experimentais, nossos pesquisadores podendo (ou melhor, devendo) participar dos experimentos e dos cálculos. A adesão custaria aproximadamente US$ 1 milhão. A proposta rolou, rolou… e nada aconteceu.
Mas eis que agora ressurge com roupagem nova. O Brasil participaria como membro independente, com os mesmos direitos de participação nas pesquisas e acesso ao conhecimento a ser gerado. Todavia, teria adicionalmente direitos à propriedade intelectual. E teria ainda a vantagem de pagar US$ 1 bilhão em vez de US$ 1 milhão, o que acarretaria um status incrementado (US$ 1 bilhão é muito mais gostoso do que US$ 1 milhão, isso ninguém pode negar).
Temos aqui que enaltecer as autoridades nucleares brasileiras pela sua visão de futuro, pois certamente essa tecnologia não será comercialmente efetiva antes de pelo menos 50 anos.
Essa é a conclusão do Grupo de Trabalho de Energia da União Internacional de Física Pura e Aplicada. Ora, se a única diferença concreta entre a proposta anterior, de US$ 1 milhão, e a atual, de US$ 1 bilhão, é o direito proprietário, temos que olhar a questão do ponto de vista financeiro. Em 50 anos, US$ 1 bilhão significaria, a juros do BNDES, um capital de pelo menos US$ 30 bilhões.
Então, como investimento financeiro, é difícil justificar a escolha, mesmo porque não há a mínima certeza de que essa tecnologia um dia venha a ser comercialmente bem-sucedida. Mas quem vai duvidar da visão estratégica de nossos nucleocratas? Temos também que elogiar a percepção pragmática dos nossos estrategistas quando oferecem em pagamento o nióbio, metal classificado como refratário e do qual o Brasil possui abundantes reservas.
Ouvi falar de um caso em que o dono de uma fazenda foi a uma concessionária da Mercedes para comprar o seu modelo super luxo 750, oferecendo uma dúzia de cachos de bananas e o restante em dinheiro. Como se vê, os nossos nucleocratas, para não dizer nucleopatas, não inventaram nada. Já houve quem propusesse pagar a dívida externa brasileira com nióbio.
Ainda hoje em Papua-Nova Guiné, o noivo compra sua futura esposa com porcos. O preço justo fica entre 12 e 15 porcos por noiva. E, não faz muito tempo, no interior de Minas e São Paulo, o caboclo pagava o médico com penosas e ovos. Todavia, depois que foi implantado o sistema monetário, a troca direta de bens tem caído em desuso. Apesar disso, não podemos deixar de admirar a imaginação criativa de nossos nucleocratas.
Aliás, essa última iniciativa nucleopata deve ser elogiada também pela parcimônia em comparação com o recente anúncio de um projeto de implantação de 50 reatores, além de quatro já negociados, e a melancólica Angra 3.
É bom dizer que esse esforço de nuclearização do país é emblemático e confirma o pioneirismo temerário brasileiro, pois nenhum país desenvolvido está construindo usinas nucleares, apesar de já não possuírem reservas hídricas tecnicamente viáveis. Mesmo os emergentes recorrem antes ao carvão e ao gás natural, pois já não dispõem de reservas hídricas.
O Brasil é o único país do mundo que, com significativa disponibilidade de potenciais hídricos, que permitiriam geração de eletricidade a custos entre três e quatro vezes menores, prefere a nuclear. Não é para nos orgulharmos de ser brasileiros?

ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE , 77, físico, é professor emérito da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), presidente do Conselho de Administração da ABTLuS (Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron) e membro do Conselho Editorial da Folha.

4 Respostas

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  1. Wanderley Pires de Sa said, on 20 novembro, 2008 at 3:31 pm

    Caros…
    O artigo do Rógeria Cezar de Cerqueira Leite apresenta informacões que não são verdadeiras e não tem fundamentos.
    O Governo Brasileiro não irá participar no ITER como membro pleno, pagando 10% do seu valor. Em todas as reuniões, onde participaram EURATON, CNEN, ITER, Governo Brasileiro, isto está muito claro e decidido.
    Aconselho a entrarem em contato com os membros da CNEN e da Rede Nacional de Fusão (RNF), para se informarem de como andam as negociacões a respeito da participacão do Brasil no Projeto ITER, seus benefícios, vantagens e desvantagens. Bem como o que representa a fusão nuclear e a pesquisa em física de plasmas para o cenário energético atual e futuro.

  2. Raul Marinho said, on 21 novembro, 2008 at 1:00 pm

    Comentário anotado, mas vale notar que somente replicamos o texto do Cerqueira. Seria coveniente que você incluísse links com as referências do que alega nos seus comentários.

  3. Isabela Kojin said, on 14 janeiro, 2009 at 2:15 pm

    Olá,
    gostaria de expressar uma opinião pessoal e profissional. Por favor, não coloque mais artigos do Rógeria Cezar de Cerqueira Leite… algumas coisas importantes que ele escreve sobre o meio ambiente, tal como sobre as ongs são terriveis, mentirosas e sem fundamento e acaba influenciando muita gente. É muito fácil julgar e meter pau.
    Admiro seu trabalho cientifico, mas pessoas como ele não vieram ajudar… só aumentar a baderna… sinceramente, ele deveria se aposentar, ficar calado e ir curtir a vida.
    Desculpe-me. Estou completamente revoltada. Ele me dá nojo.
    Fica aqui um conselho. Se não quiser seguir, entendo completamente….
    E se quiser entender mais a minha opinião, ouvir argumentos e tal, fique a vontade para me mandar um email.

    Tudo de bom para você.
    Isabela

  4. Raul Marinho said, on 14 janeiro, 2009 at 2:36 pm

    Isabela,

    Sinta-se à vontade para complementar sua opinião sobre o dr.Rogério. Se vc puder incluir referências, melhor ainda. O espaço é seu e sua opinião é bem vinda.

    Tks,

    Raul


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