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O maior estelionato intelectual de todos os tempos

Posted in Atualidades, Ensaios de minha lavra by Raul Marinho on 18 novembro, 2008

socialismo-do-seculo-xxi

Quem acompanha este blog costumeiramente (pelas minhas contas, umas 8 pessoas) deve estar suspeitando que eu tenha alguma desavença pessoal com o Clóvis Rossi. Não é, garanto: nunca vi, conversei ou troquei e-mails com o fodão-do-bairro-Peixoto que escreve na 1a folha da Folha; ele nunca me corneou nem passou cheque sem fundos para mim (e vice-versa). O problema é a quantidade de bobagens, lugares-comuns e análises equivocadas que o cara faz em seus artigos. Como o de hoje, uma obra-prima do mau jornalismo.

Com seu característico viés marxista-bonzinho (da linha “um novo mundo, sustentável e com mais justiça social, é possível”), o CR está indignado com o relatório do G20 ser “da escola liberal”. Queria ele que se escrevesse um texto castrista ou chavista, criticando o imperialismo estadunidense e blá-blá-blá. O texto está abaixo, para que o leitor tire suas próprias conclusões – inclusive que julgue se a Dilma é, de fato, socialista (lembre-se que o Lula também se dizia de esquerda até sentar na cadeira de presidente, em 2003). Só vou comentar o título do artigo (“Agora, falar em socialismo é fraude”).

Falar em socialismo nem sempre é/foi fraude. Tem muita gente bem intencionada que discute o assunto de maneira honesta. Por outro lado, TODOS os regimes socialistas que existem, ou existiram, ou tentaram existir foram enormes estelionatos. Não estou me referindo a governos socialistas franceses e italianos, que não fizeram da França e da Itália regimes socialistas; estou me referindo às experiências socialistas de fato, como as da URSS, da China maoísta, dos vários países africanos e do Leste europeu etc. – inclusive o Chile de Salvador Allende e as (patéticas) tentativas de trazer o socialismo para o Brasil. Ou de “Cuba, Coréia do Norte, e da Venezuela”, como cita o sr. Rossi.

Se o colunista da Folha fosse responder a este post (o que jamais fará, é óbvio), certamente iria atacar os exemplos de capitalismo fraudulento, que também existem, é claro. É o típico comportamento de gente como ele: se o Stalin e e o Mao mataram não-sei-quantos milhões, a defesa é dizer que Hitler e Mussolini também foram genocidas; e se alguém atacar a corrupção chavista, basta dizer que o Strossner foi um chefe de um governo corrupto e de direita no Paraguai que está tudo certo. Só que este raciocínio é uma falácia, pois enquanto 100% dos exemplos de regimes socialistas foram fraudes, o mesmo não acontece em regimes capitalistas/direitistas. Por pior que seja o Bush, não se compara os EUA à Venezuela. O Canadá não é a mesma coisa que a Coréia do Norte; a Suiça não se equivale a Cuba. A única solução possível para a crise, sr. Rossi, passa pelo capitalismo e pelo livre mercado; o socialismo/marxismo não é uma solução viável. Se se encontrará a forma correta de resolver a crise pelas vias capitalistas de mercado, é outra história, mas não há alternativa.

Agora, falar em socialismo é fraude

Esse tal de capitalismo é tão forte, mas tão forte, que consegue ouvir juras e cantos de amor mesmo no meio de uma baita crise.
Diz o documento do G20, composto excepcionalmente no sábado pelos 22 países mais importantes para a economia mundial: “Nosso trabalho será guiado por uma crença compartilhada de que os princípios de mercado, abertura comercial e de regimes de investimento e mercados financeiros eficazmente regulados estimulam o dinamismo, a inovação e o espírito empreendedor, essenciais para o crescimento econômico, o emprego e a redução da pobreza”.
As escolas liberais seriam provavelmente incapazes de afeto maior. O livre mercado até reduz a pobreza, quem diria, hein? Nem é novidade, no entanto, que tenha sido dito, pela simples e boa razão que não há, entre os líderes do G20, qualquer um que se oponha ao capitalismo.
Afinal de contas, Cuba, Coréia do Norte e Venezuela não são membros do grupo.
De todo modo, para efeitos políticos internos, vale notar que um dos líderes que assina a ode ao capitalismo acima reproduzida chama-se Luiz Inácio Lula da Silva (para não falar em Cristina Fernández de Kirchner, da Argentina, e em Hu Jintao, da China, que deixo para os colunistas de seus países).
A conversão radical de Lula ao liberalismo puro e duro tampouco é nova -desde que assumiu, faz seis anos, casou-se sem pudores com os “princípios de mercado”.
Mas há ainda petistas -inclusive a candidata “in pectore” de Lula para 2010, a ministra Dilma Rousseff- que continuam falando em socialismo e que acham o governo de esquerda. A assinatura de Lula no texto do G20 transforma em fraude ideológica insistir nessa tolice.
PS – Cometi domingo o gravíssimo erro de tratar o jornalista Vladimir Herzog como terrorista, o que nunca foi. Perdão.

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