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Estratégia & evolução

Posted in Evolução & comportamento by Raul Marinho on 14 novembro, 2008

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Se aparecer um leão na sua frente, você correrá em sentido oposto, certo? Sim, afinal você tem um cérebro enorme para te ajudar a não cometer uma insanidade como correr em direção ao leão. Mas… E se você tivesse um cérebro minúsculo, será que seria diferente? Se você acha que sim, leia o artigo abaixo, da Folha de hoje, e supreenda-se:

Baratas têm estratégia para rota de fuga

Animais escapam em um ângulo que varia entre 90 e 180 da direção da ameaça, segundo pesquisa

RICARDO BONALUME NETO – DA REPORTAGEM LOCAL

Você acende a luz da cozinha e topa com ela: grande, marrom, cascuda. Uma barata de respeitável tamanho. Enquanto o ser humano hesita entre o inseticida e o chinelo, ela começa uma rápida trajetória de escape na direção oposta. Feito barata tonta? Não.
Segundo um estudo de quatro pesquisadores de Itália, Reino Unido e EUA, a barata escapa em direções predeterminadas e preferidas, em um ângulo que varia entre 90 e 180 da direção da ameaça.
Baratas são um bom modelo biológico para estudar o comportamento de fuga de um animal frente a um predador. Aparentemente elas parecem fugir ao acaso, mas experimentos mostraram que há estratégia por trás das rotas de fuga.
Os pesquisadores, liderados por Paolo Domenici, do Instituto de Metodologia Química, do Conselho Nacional de Pesquisa italiano, publicaram seus resultados na última edição da revista “Current Biology”.
O experimento básico consistia em simular um predador usando uma rajada de vento que a barata captaria e interpretaria como uma potencial ameaça. Cinco baratas de uma espécie comum (Periplaneta americana) tiveram suas trajetórias gravadas em vídeo, depois de estimuladas com vento, entre 75 e 93 vezes. Os cientistas mediam o ângulo entre a direção do vento e a da fuga.
O resultado indicou pelo menos quatro picos de rotas de fuga, aproximadamente nos ângulos de 90, 120, 150 e 180. Os números foram confirmados por outra bateria de testes, desta vez com 86 outras baratas, “assustadas” apenas uma vez. “Direções ao acaso também incluiriam direções para a boca do predador, por isso o acaso completo não é desejável. Da seleção natural se espera que evolua um mecanismo que seja suficientemente imprevisível para que os predadores não possam aprender um padrão de fuga específico, repetitivo por parte da presa”, disse Domenici à Folha.
“Sobre por que existem trajetórias preferidas em vez de trajetórias igualmente possíveis, isso pode ter algo a ver com como as escapadas são controladas, possivelmente pelo modo como os neurônios direcionalmente sensíveis controlam a escapada”, continua.
Ainda não se conhece o mecanismo biológico responsável pela estratégia de escape das baratas. “Nosso trabalho ressalta a necessidade de revisitar a base neurobiológica do comportamento de fuga das baratas”, diz ele. “O comportamento de fuga é controlado por um número de neurônios que são direcionalmente sensíveis. Portanto, as direções específicas de escape podem ser o resultado desses neurônios”, conclui Domenici.
A pesquisa também tem seu lado prático. Confrontado com uma barata, já se pode prever o melhor lugar para mirar o chinelo. “Embora nós gostemos de baratas e não recomendamos o esmagamento. Cada animal é especial à sua própria maneira”, diz o pesquisador.

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