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Superação

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 13 novembro, 2008

superacao

O mau jornalismo que o sr. Clóvis Rossi pratica na Folha de São Paulo hoje atingiu nível desesperador. Veja o artigo abaixo. Nele, o CR leva o incauto leitor a acreditar que as verbas liberadas pelos governos dos Estados de São Paulo e de Minas Gerais são de socorro aos bancos, iguais aos que o FED liberou nos EUA para os bancos estadunidenses em situação pré-falimentar. Na verdade, os governos estaduais daqui estão liberando recursos para os bancos reemprestarem ao consumidor, principalmente na compra de automóveis. Esse dinheiro não tem objetivo de salvar banco algum, mas de ressuscitar o consumo (de veículos, principalmente) e evitar demissões, queda na atividade econômica e, não menos importante, queda na arrecadação (lembre-se que a maior parte de um carro é imposto).

Dinheiro, sim; controles, não

O velho sábio que habitava esta Folha ficava indignado com os freqüentes pedidos de “papai, mande dinheiro”, como ele designava os apelos do empresariado para que o governo os socorresse nos momentos de dificuldade (e, a bem da verdade, até nos momentos de facilidade).
Não tivesse morrido, estaria estupefato ante a quantidade de “filhos” que pedem dinheiro a “papai-Estado”. E mais ainda ante a facilidade com que o Estado abre os cofres, de que dão prova, apenas a mais recente, os governadores José Serra e Aécio Neves.
O pior é que os “filhos” (no caso, os bancos) não se arrependem nem um tiquinho da overdose de ativos tóxicos que ingeriram e os levaram ao coma (e ao apelo a “papai”).
Ao contrário. Comunicado do Instituto de Finanças Internacionais, que reúne cerca de 350 dos maiores bancos do mundo, louva os pacotes oficiais de auxílio ao setor , mas afirma, em seguida, que tais pacotes “não devem dar margem a um papel mais amplo e permanente do setor público no sistema financeiro internacional”.
Tampouco querem uma regulação que lhes impeça de beber demais, porque “ameaçaria as perspectivas de reativar o crescimento da produção e dos empregos, ao estender ineficiências nos mercados globais”.
É uma desfaçatez fora do normal, porque deixa de lado que foi o excesso de desregulação -e não o excesso de regulação- que causou a presente “ineficiência” (quase colapso) dos mercados globais.
A propósito, meu cardiologista -na verdade o médico da família, o napolitano Giuseppe Dioguardi- perguntava se depois de tanta doação de dinheiro público os governos ainda teriam coragem de negar dinheiro para a saúde, como fazem sistematicamente.
Ah, Beppe, santa ingenuidade. Esse “filho”, a saúde, não financia campanhas eleitorais.

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2 Respostas

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  1. Fernando Blanco said, on 13 novembro, 2008 at 7:39 pm

    Mas há controvérsias, Raul…
    Abs

  2. Raul Marinho said, on 14 novembro, 2008 at 10:01 am

    Há muitas controvérsias, meu caro amigo Fernando, esse é que é o problema! O negócio é complicado, existem inúmeras crises diferentes ocorrendo ao mesmo tempo, que requerem análises diferentes, e tudo que o público não precisa é de alguém misturando as coisas na Folha de S.Paulo. Não se pode dizer que o dinheiro liberado pelos governos de SP e MG tenha por objetivo salvar banco de falência, que é o que o CR pareceu querer dizer (na verdade, ele escreve tão mal, que o texto é sempre dúbio – ou é meio de vida, vai saber…).
    Leia o primeiro parágrafo: o autor fala de “socorro em momentos de dificuldade” na 1a oração, ou seja: de um tipo de operação que só o BaCen poderia fazer (o que vc e eu sabemos, pois somos do mercado, mas o público em geral, não). No mesmo parágrafo, logo mais à frente o r escreve “E mais ainda ante a facilidade com que o Estado abre os cofres, de que dão prova, apenas a mais recente, os governadores José Serra e Aécio Neves.”. Agora me diga: que governador de estado faria papel de BaCen? E mesmo que fizesse, que diferença faz alguns pares de bilhões de reais numa crise do tamanho dessa? É pura desinformação para o leitor comum!!! (Na verdade, isso é a antítese do que você faz na sua coluna, traduzindo os acontecimentos para um leitor comum… Mas já dizia o Velho Guerreiro: “Eu vim para confundir, não para explicar”, não é mesmo?).


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