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Prá vc que achava que sabia tudo de internet…

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 12 novembro, 2008

gripe

Vc sabia que a Google está utilizando seus mecanismos de busca para rastrear epidemias de gripe? Se você não costuma ler o The New York Times (onde a matéria abaixo foi publicada originalmente), regizije-se de ser um leitor deste afamado veículo midiático (e não se esqueça de incluir o Toca Raul!!! nos seus favoritos).

Google usa buscas na Internet para rastrear disseminação de gripe
Miguel Helft
Em San Francisco

Há um novo sintoma comum de gripe, além das habituais dores, tosses, febres e gargantas irritadas. Agora muitos americanos doentes realizam busca por frases como “sintomas de gripe” no Google e outras ferramentas de busca antes de procurarem seus médicos.

Este ato simples, multiplicado por milhões de teclados em lares por todo o país, deu origem a um novo sistema de alerta para surtos de gripe de rápida disseminação, chamado Google Flu Trends.

Os testes da nova ferramenta de Internet do Google.org, a unidade filantrópica da empresa, sugerem que ela pode ser capaz de detectar surtos regionais de gripe uma semana a 10 dias antes de serem informados pelos Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).

No início de fevereiro, por exemplo, os CDC informaram que os casos de gripe tinham atingido um pico nos Estados centrais da Costa Leste. Mas o Google diz que seus dados de pesquisa mostram um pico nas buscas por sintomas de gripe duas semanas antes da divulgação do relatório. Seu novo serviço no endereço google.org/flutrends analisa essas buscas assim que são feitas, criando gráficos e mapas do país que, de forma ideal, mostrarão para onde a gripe está se disseminando.

Os relatórios dos CDC são mais lentos porque dependem de dados coletados e compilados por milhares de provedores de atendimento de saúde, laboratórios e outras fontes. Alguns especialistas em saúde pública dizem que os dados do Google podem ajudar a acelerar a resposta de médicos, hospitais e autoridades de saúde pública a uma temporada mais grave de gripe, reduzindo a disseminação da doença e, potencialmente, salvando vidas.

“Quanto mais cedo o alerta, mais cedo medidas de prevenção e controle podem ser implantadas, e isso pode impedir casos de gripe”, disse a dra. Lyn Finelli, chefe de vigilância da divisão de gripe dos CDC. Entre 5% e 20% da população do país contrai gripe a cada ano, ela disse, levando a cerca de 36 mil mortes em média.

Por ora, o serviço cobre apenas os Estados Unidos, mas o Google espera futuramente usar a mesma técnica para ajudar a rastrear a gripe e outras doenças em todo o mundo.

“Do ponto de vista tecnológico, é o início”, disse Eric E. Schmidt, presidente-executivo do Google.

A premissa por trás do Google Flu Trends – que parece ser um casamento frutífero de comportamento de massa e medicina- é validada por um estudo não relacionado que aponta que os dados coletados pelo Yahoo, o principal rival do Google em busca na Internet, também pode ajudar em detectar mais cedo a gripe.

“Em teoria, nós também poderíamos usar esta corrente de informação para aprender sobre outras tendências de doenças”, disse o dr. Philip M. Polgreen, professor assistente de medicina e epidemiologia da Universidade de Iowa e um autor do estudo baseado nos dados do Yahoo.

Ainda assim, algumas autoridades de saúde pública notam que muitos departamentos de saúde já usam outras abordagens, como coleta de dados de visitas aos pronto-socorros, para manter um controle diário das tendências de doenças em suas comunidades.

“Nós não temos nenhuma evidência de que isso é mais oportuno do que nossos dados de pronto-socorros”, disse o dr. Farzad Mostashari, comissário assistente do Departamento de Saúde e Higiene Mental de Nova York.

Se o Google fornecer detalhes para as autoridades de saúde sobre o funcionamento do sistema, para que possa ser validado cientificamente, os dados poderiam servir como uma forma adicional, gratuita, de detectar a gripe, disse Mostashari, que também é presidente da Sociedade Internacional para Vigilância de Doenças.

Um estudo sobre a metodologia do Flu Trends deverá ser publicado na revista “Nature”.

Os pesquisadores há muito dizem que o material publicado na Internet representa uma forma de “inteligência coletiva” que pode ser usada para detectar tendências e fazer previsões.

Mas os dados coletados pelas ferramentas de busca são particularmente poderosos, porque as frases e palavras-chave que as pessoas digitam nelas representam suas intenções mais imediatas. As pessoas podem procurar por “hotel em Kauai” quando estão planejando férias e “execução hipotecária” quando estão tendo problemas com o pagamento de sua hipoteca. Essas consultas expressam as necessidades e desejos coletivos do mundo, seus gostos e anseios.

Pesquisa interna no Yahoo sugere que aumentos nas buscas por certos termos podem ajudar a prever que produtos de tecnologia farão sucesso, por exemplo. O Yahoo começou a usar o tráfego de busca para ajudá-lo a decidir que material exibir em seu site.

Há dois anos, o Google começou a abrir seus dados de busca no Google Trends, uma ferramenta que permite a qualquer um rastrear a popularidade relativa de termos de busca. O Google também oferece ferramentas de busca de tráfego mais sofisticadas que profissionais de marketing podem usar para ajustar suas campanhas. E internamente, a empresa tem testado o uso dos dados de busca para chegar a conclusões sobre tendências econômicas, marketing e entretenimento.

“Grande parte das previsões é basicamente uma extrapolação de tendências”, disse Hal Varian, o economista chefe do Google. “Isso funciona notavelmente bem, mas tende a não captar momentos de virada, os momentos em que os dados mudam de direção. Nossa esperança é de que os dados do Google possam nos ajudar com este problema.”

Prabhakar Raghavan, que está encarregado do Yahoo Labs e da estratégia de busca da empresa, também disse que os dados de busca podem ser valiosos para previsores e cientistas, mas preocupações com privacidade geralmente impedem que sejam compartilhados fora do meio acadêmico.

O Google Flu Trends evita problemas de privacidade ao fazer uso apenas de dados agregados que não podem ser rastreados aos autores individuais das buscas. Para desenvolver o serviço, os engenheiros do Google elaboraram uma cesta de frases e palavras-chave relacionados a gripe, incluindo termômetro, sintomas de gripe, dores musculares, peito congestionado e muitos outros.

O Google também então seu banco de dados, extraiu cinco anos de dados dessas consultas e comparou o mapeamento aos relatórios de gripe dos CDC. O Google encontrou uma forte correlação entre seus dados e os relatórios da agência, que o aconselhou no desenvolvimento do novo serviço.

“Nós sabemos que casa muito bem com a forma como a gripe se desenvolveu no ano passado”, disse o dr. Larry Brilliant, diretor executivo do Google.org. Tanto Finelli dos CDC quanto Brilliant alertaram que os dados precisam ser monitorados para assegurar que a correlação com a atividade da gripe continue válida.

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