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Como ter sorte nos negócios – parte I

Posted in Ensaios de minha lavra by Raul Marinho on 12 novembro, 2008

sorte

O que é “ter sorte nos negócios”? Abrir uma empresa sem nenhum capital e, 2 anos depois, faturar R$1milhão por mês é ter sorte; mas… e se essa mesma empresa falir um ano depois, deixando para seu fundador dívidas da ordem de R$10milhões? No instante T+2anos, diríamos que esse empreendedor é sortudo, mas em T+3anos, não falaríamos a mesma coisa. Isso nos leva à primeira definição importante quanto a “ter sorte nos negócios”: só é possível saber se é sorte ou se é azar no longo prazo, especialmente quando a atividade desenvolvida implicar em riscos muito altos (praticamente todas as que permitem enriquecer rapidamente).

No SEBRAE, 80% do que se ensina ao micro-empresário é relativo a controles de fluxo de caixa e planos de negócios. Dizem os consultores da para-estatal que isso é fundamental para um negócio prosperar.  De fato, controles financeiros eficientes e planejamento são itens que ajudam, mas o que o pessoal do SEBRAE não diz é que milhares de empresas muito bem controladas e planejadas vão para o vinagre todos os anos simplesmente porque não tiveram sorte. Sim, por puro azar: ou porque um sócio arrumou uma amante e desfalcou o cvaixa, ou porque surgiu uma nova tecnologia na Índia que a inviabilizou, ou porque o seu maior cliente declarou concordata de uma hora para outra… Enfim, as razões são inúmeras, mas a realidade é que a empresa teve azar. Isso acontece todo dia.

Sorte é, via de regra, associada ao sobrenatural, ao esotérico, ao místico. Muita gente reza, e mais gente ainda carrega objetos que entendem mágicos para atrair a sorte. O problema é que, de acordo com o “paradoxo do campeonato baiano” (aquela piada que diz que, se macumba funcionasse, os campeonatos de futebol na Bahia terminariam empatados), não dá para todo mundo ter sorte ao mesmo tempo. Se a minha padaria tiver mais sucesso que a padaria em frente, e tanto eu quanto o padeiro concorrente rezarmos, posso concluir que a minha reza traz mais sorte que a reza do outro; ou seja: rezar não garante boa sorte. E se o pé-de -coelho atraísse boa sorte, o coitado do animalzinho (que doou quatro desses amuletos) não teria sido morto e esquartejado… Na verdade, rezar, portar amuletos, fazer promessas e novenas etc., geralmente não atrapalha – mas tampouco garante boa sorte. É preciso outra abordagem.

Muita gente pensa que o jogo dos negócios é parecido com um jogo de xadrez, e que o jogador com a melhor técnica vence. Outros – principalmente os jornalistas que cobrem o mercado financeiro em época de turbulência – já acham que se trata de um jogo do tipo da roleta, totalmente aleatório. A realidade dos fatos é que não é nem um nem outro, mas um jogo que envolve, além de técnica e acaso, a habilidade para “ajudar a sorte”, como no gamão. (É por isso, aliás, que eu incluí um tutorial para ensinar a jogar gamão nesse blog, e recomendo que o leitor aprenda o jogo para os próximos posts desta série). O gamão é um jopgo que combina técnica (raciocínio matemático/estatístico estratégico), sorte (afinal, joga-se com 2 dados), e habilidade em apostas (tanto propô-las, quanto aceitar ou recusar propostas do adversário). O interessante do jogo é que as apostas crescem em progressão geométrica (2, 4, 8, 16, 32…), o que faz do jogador habilidoso no uso do “dadão” (o dado de apostas) aquele que tende a ganhar o jogo, no fim das contas. E, assim como nos negócios, existem formas de ajudar e de atrapalhar a sorte, sem mágica, e sem nada sobrenatural.

É o que veremos nos próximos posts, não perca.

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3 Respostas

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  1. […] I e II desta série. Etiquetado como:Como ter sorte nos negócios, crooked dices, Estatística, […]

  2. […] fundamentais para ter sucesso. A série de artigos “como ter sorte nos negócios” – 1, 2 e 3 descreve estratégias para “ajudar a sorte”. Mas, de qualquer maneira, conhecer a […]

  3. Toca Raul!!! Blog do Raul Marinho said, on 21 junho, 2009 at 2:45 pm

    […] escrevi em diversas oportunidades (como aqui, aqui e aqui) sobre a importância da sorte para vencer disputas em mercados de tudo ou nada. Uma […]


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