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O descobridor da roda

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 6 novembro, 2008

roda-primitiva

Carlos Heitor Cony, o cronista-mor da Folha de São Paulo, acabou de inventar a roda. Imaginem vocês que o perspicaz escriba, num momento de inspiração divina, intuiu que o mundo dos negócios é um jogo, tipo Banco Imobiliário!!! Que seria de nós sem uma mente astuta como essa para nos alertar de algo tão interessante? Pena que o von Neumann, criador da Teoria dos Jogos, não esteja mais no Reino dos Vivos para lhe dar os parabéns pessoalmente.

A seguir, o artigo comentado que os assinantes da Folha acessam aqui:

Banco imobiliário

Não sei se ainda existe, mas sou do tempo em que havia um joguinho de dados(*1) chamado Banco Imobiliário. Distribuíam-se notas simbólicas de dinheiro entre cinco ou seis participantes e cada um ia atirando os dados num tabuleiro onde estavam marcados os hospitais, escolas, hotéis, restaurantes, usinas, ferrovias, aeroportos, navios, minas disso e daquilo etc.
À medida que cada jogador atingia uma casa, ficava dono do negócio respectivo. Quem depois caísse numa dessas empresas, pagava alguma coisa ao proprietário. Com a continuação dos lances, depois de muitas rodadas, um dos jogadores ficava dono de tudo e de todo o dinheiro circulante.
No sistema do capitalismo globalizado, a tendência é repetir o mesmo jogo(*2). Não se trata de simples ganância, mas de sobrevivência empresarial(*3). Não se pode prever(*4), mas, sem mudança nas regras do jogo, fatalmente um determinado grupo ou mesmo um determinado indivíduo poderá ficar dono de todas as fontes de produção e riqueza(*5).
As fusões, nacionais ou internacionais, são etapas deste processo. Não adianta louvá-las nem satanizá-las. São e serão necessárias para garantir a normalidade do capitalismo liberal, a menos que o capitalismo estatal intervenha violentamente e interrompa a cadeia(*6).
A recente fusão de dois grandes bancos brasileiros criou um gigante. Tanto o Itaú como o Unibanco têm tradição no mercado cultural, mantendo entidades que se destacam na promoção das artes e patrocínios. O promoção das artes e patrocínios criaram uma tradição e uma rotina que certamente serão ampliadas(*7). O Itaú Cultural e o Instituto Moreira Salles criaram uma tradição e uma rotina que certamente serão ampliadas.
É bem verdade que, no dia-a-dia do cidadão comum, ao pagar suas contas e taxas, o sistema bancário continuará sendo a expressão mais truculenta do capitalismo que alguns chamam de selvagem(*8).

Comentários:

*1-“Joguinho de dados”? O Cony tá de sacanagem, não? Esse “joguinho” tem mais de 500 milhões de praticantes, e é o jogo de tabuleiro mais bem sucedido da história!

*2-Será que o brilhante cronista está querendo dizer que toda uma geração de homens de negócios foi catequiizada no Banco Imobiliário? Claro que não, né? Os pontos são:

a)O jogo foi patenteado em 1935, portanto não tinha como ter sido inventado como um espelho do “mundo capitalista globalizado”, o que prova que essa é uma expressão puramente retórica.

b)”Repete-se o jogo” (no sentido econômico) porque sua dinâmica é coerente com o mundo real, da mesma maneira como a gravidade é monotonamente repetida todas as vezes que se lança uma pedra para cima. Foi justamente isso que os pioneiros da Teoria dos Jogos se basearam para construir toda uma nova área do conhecimento.

*3-Pronto… Lá vem as explicações de darwinismo econômico de quem nunca leu Darwin.

*4-Prever é coisa para a mãe Dinah (ou para o Roubini, o que dá no mesmo), mas de acordo com os teóricos dos jogos, tudo o que está acontecendo na presente crise é explicável por modelos de Teoria dos Jogos.

*5-Agora, além de inventar a roda, CAC inventa também a pólvora! Ô moço sabido esse Cony hein!?

*6-“Capitalismo estatal”??? Tá maluco, véio??? Quem está colocando ordem no galinheiro é o Estado propriamente dito, diretamente ou por meio de agências. Parece firula, mas não é: seria capitalismo estatal, por exemplo, o Banco do Brasil comprar o Banco X em dificuldades; o que está acontecendo (o governo dos EUA comprar ações de bancos) é outra coisa.

*7-Ah tá, só por que ele quer. Se o Itaú gastava com patrocínio cultural $X e o Unibanco $Y, acredita o cronista que o Itaú+Unibanco irá gastar $X+$Y? Para melhorar a imagem de uma única marca? Se isso acontecer, eu juro que mando uma denúncia à CVM acusando a gestão do banco de inapta.

*8-Lá vem a mensagem subliminar do darwinismo econômico de novo… Mas entendo perfeitamente: depois que o Cony ficou milionário com a indenização pelos inenarráveis abusos a atrocidades sofridos pela ditadura militar, ele não pode desperdiçar uma chance de se identificar com os chavões da “esquerda”.

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