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Participe da campanha “mendigo também é gente”

Posted in Atualidades, Ensaios de minha lavra, Evolução & comportamento, Uncategorized by Raul Marinho on 18 outubro, 2008

Se um pedreiro que ganha R$1mil/mês recebe o convite para ser porteiro de prédio ganhando $1,5mil, é de se esperar que ele aceite. Caso um diretor de marketing de uma fábrica de sabão que ganha R$10mil/mês seja sondado por um headhunter para ser presidente de uma fábrica de TVs com salário anual de R$1milhão/ano, acho impossível que ele recuse. Quando um piloto de F1 que ganha €80milhões ouve uima proposta para ir para a F-Indy ganhando US$400milhões, ninguém pode esperar que ele não aceite. A mesma coisa acontece com um mendigo, que é tão Homo sapiens quanto o pedreiro, o executivo ou o piloto: todo mundo está tentando fazer a melhor escolha possível dentro de suas possibilidades. (Eventualmente, as pessoas fazem escolhas erradas por vários motivos diferentes, mas essa é uma outra história).

O problema é que muita, mas muita gente mesmo acredita que mendigo é um bicho de uma outra espécie, que pensa diferente de alguém da raça humana. Só pode ser este o motivo de as pessoas darem esmolas, um incentivo para que uma pessoa que está hoje mendigando no semáforo, lá permaneça indefinidamente. Quem pede esmolas procede desta maneira porque a outra opção – trabalhar duro, passar 4 horas por dia na rua indo e voltando para o trabalho, pagar as contas, etc. – é menos interessante, ou então porque padece de alguma patologia psiquiátrica. Ninguém que pede esmolas de forma crônica o faz por falta de opção, embora possa haver cassos de “mendicância emergencial” (pessoas que pedem ajuda em público por curtos períodos e em situações execpcionais, como a perda dos bens em catástrofes naturais). O Brasil é um país pobre, cheio de miseráveis, a educação é de péssima qualidade, a injustiça social é absurda, as elites massacram a plebe, os políticos são corruptos, e temos uma série de vícios culturais históricos, isso não se discute. Mas o Estado e a dita “sociedade civil organizada”, além das igrejas e dos assistencialistas estrangeiros oferecem uma rede de proteção mínima que poderia tirar 100% dos mendigos das ruas imediatamente. Isso não acontece por 2 motivos: 1)Os mendigos tomam decisões pelos mesmos critérios que qualquer outro agente econômico; e 2)A população acha que, ao dar esmolas, está ajudando o pedinte.

Estamos nos aproximando da época de Natal, quando as pessoas tendem a ficar muito mais generosas com os mendigos. Se você ama seu semelhante como prega o cristianismo, não caia na tentação de dar esmolas, principalmente para crianças. Não dê sopão embaixo das pontes, dê oportunidades. Provavelmente, você será hostilizado, como vi várias vezes meu pai ser lá em Rio Preto, na minha infância. Sempre que alguém tocava a campainha pedindo uma-ajuda-pelo-amor-de-Deus, meu pai fazia uma cotraproposta: pagava o equivalente a uma diária de servente de pedreiro (o equivalente a uns R$20 ou R$30 hoje) para o pedinte arrancar as tiriricas que apareciam na grama do jardim. Nunca, jamais alguém aceitou, mas vários saíram xingando, e teve casos de mendigos jogando pedras na minha casa. É isso o que você poderá esperar ao recusar-se a contribuir com a miséria do mendigo, mas o que você deve fazer se quiser ajudar seu semelhante.

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Uma resposta

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  1. Felipe Ferreira said, on 15 abril, 2012 at 11:27 am

    Você já pensou em publicar isso na Veja? Acho que está bem dentro da linha editorial. Dá uma palavrinha com o Mainardi.

    Abraços !


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