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Bobagem a quilo

Posted in Atualidades by Raul Marinho on 8 outubro, 2008

Clóvis Rossi, o czar da opinião da Folha (que eu leio religiosamente trodos os dias para dar umas risadas) publica hoje uma de suas maiores pérolas jornalísticas (e olhe que, em se tratando de CR, isso não é pouco). Reproduzo o texto abaixo e depois comento – e adianto que, hoje, estou sem nenhuma paciência com a mediocridade.

Começa a era da incerteza

MADRI – As falhas grosseiras que o mercado apresentou e as sucessivas intervenções dos governos levaram à suposição de que o liberalismo morreu ou está em coma e que o intervencionismo estatal está de volta com toda a força, certo?
Errado, escreve Daniel Innerarity, professor de filosofia da Universidade de Zaragoza, em artigo para o jornal “El País”.
“Se estivéssemos ante o final do neoliberalismo e o retorno das certezas social-democratas, talvez nos sentíssemos mais aliviados, mas não teríamos entendido que o que se acaba é outra coisa: uma determinada concepção de nosso saber acerca da realidade social e de nossa capacidade de decidir sobre ela”, escreve.
Conseqüência: “Agora, nos toca acostumarmo-nos à instabilidade e à incerteza, tanto no que diz respeito às predições dos economistas, ao comportamento do mercado ou ao exercício das lideranças políticas”, acrescenta o filósofo.
Fecha com: “Nosso principal desafio é a governança do risco, que não é a renúncia a regulá-lo nem a ilusão de que poderíamos eliminá-lo completamente”.
Desagradável, não é? Os seres humanos, com poucas exceções, preferimos as certezas, mesmo que sejam ilusórias. Os mercados ofereceram certezas absolutas, acompanhados pelo coro que lhes conferia características de semideuses ou de “Mestres do Universo”, para remeter a Tom Wolfe e a sua “Fogueira das Vaidades”.
Agora vem o papa Bento 16 e constata: “Vemos que, na queda dos grandes bancos, o dinheiro se desfaz e que todas essas coisas que parecem a única verdade são na realidade de segunda ordem”. Sorte do papa (e dos crentes), para quem “só a palavra de Deus é uma realidade sólida”.
Para todos os demais (e mesmo para os crentes que têm dinheiro nas Bolsas), resta administrar a instabilidade e a incerteza.

Comentários:

  • “Começa a era da incerteza”????? Como assim, começa? Nunca houve outra era que não fosse de incerteza, e se havia alguma ilusão de haver certezas, era apenas isso: ilusão.
  • Quem supôs que “o liberalismo morreu”, que “o capitalismo já era” e outras bobagens, foi ele: CR. Qualquer pessoa minimamente sensata vê que isso é um absurdo, uma vez que não há modelo alternativo (pelo menos, um que funcione).
  • “Agora, nos toca acostumarmo-nos à instabilidade e à incerteza, tanto no que diz respeito às predições dos economistas, ao comportamento do mercado ou ao exercício das lideranças políticas”. Pelo jeitão que o CR cita esse texto (do tal do Daniel Innerarity), presumo que ele o ache genial. Então, se ele acha esse texto genial, necessariamente ele me acha genial, pois penso assim há mais de 20 anos.
  • “Os seres humanos, com poucas exceções, preferimos as certezas, mesmo que sejam ilusórias.” Vixe, descobriu a roda!!! Todas as religiões do mundo estão fundamentadas nisso. Nossas incertezas sobre Deus e o que será de nós após a nossa morte é o que as move.
  • “Os mercados ofereceram certezas absolutas, acompanhados pelo coro que lhes conferia características de semideuses ou de ‘Mestres do Universo’, para remeter a Tom Wolfe e a sua ‘Fogueira das Vaidades’.” Só um jornalista medíocre como o CR para acreditar que os mercados oferecem certezas absolutas…
  • “Agora vem o papa Bento 16 e constata: ‘Vemos que, na queda dos grandes bancos, o dinheiro se desfaz e que todas essas coisas que parecem a única verdade são na realidade de segunda ordem’. Sorte do papa (e dos crentes), para quem ‘só a palavra de Deus é uma realidade sólida’.” Essa foi no fígado. Citar o Papa como uma opinião sensata nesse momento e assunto é como pedir para a Luciana Gimenez opinar sobre Física quando da inauguração do acelerador de partículas sub-atômicas.
  • “Para todos os demais (e mesmo para os crentes que têm dinheiro nas Bolsas), resta administrar a instabilidade e a incerteza.” Nada como uma obviedade do tamanho de um elefante para “fechar com chave de ouro”!!!!
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