Como o tempo passa rápido num blog!

Aos estimados e estimadas leitores e leitoras, parabéns para nós! O Toca Raul!!! está completando um ano de vida. Embora esteja meio devagar ultimamente (vide explicação no post anterior), a produção deste primeiro ano até que foi bem razoável, como se pode ver na tabela acima. São 510 artigos publicados, quase 2 por dia corrido. E mais de 80mil visualizações, o que significa que, todo santo dia, centenas de internautas perdidos na web acessam algum artigo do blog (hoje estão entre 350 e 450 por dia, embora a média do 1o. ano se situe ao redor dos 250). Estou feliz! Espero que vocês também.
Antropologia do IPhone

Essa vem direto da Época dessa semana:
A Apple anunciou orgulhosa que os consumidores já baixaram 1,5 bilhão de programas da loja on-line do iPhone, em um ano de existência. O número representa cerca de milhões em lucros para a Apple. Mas também tem outros sentidos. Analisando o perfil de programas baixados em cada país, é possível também fazer uma espécie de “antropologia do iPhone”. De farra, claro, até porque nenhum estudioso sério se dedicaria a isso, ao menos por enquanto. Diga-me o que carregas em teu iPhone e te direi quem és.
Um curioso que navegue pelas lojas da Apple em vários países com olhar atento descobrirá que, no Brasil, o número um em vendas é um programinha que faz o iPhone apitar toda vez que o motorista passar por um radar. Nos Estados Unidos, prevalecem os games, muitos com o objetivo de dominar o mundo ou atirar a esmo. O que essas escolhas dizem sobre os hábitos de cada população?
Um alienígena que estudasse a civilização brasileira por meio dos programas mais baixados na App Store nacional poderia chegar às seguintes conclusões:
1. não queremos pagar multas, mas queremos andar mais rápido que o permitido, por isso usamos um programa para burlar radares e ele está em primeiro lugar na lista;
2. estamos amedrontados com a gripe suína. Um programinha com informações sobre a doença está em alta nas preferências atuais;
3. gostamos tanto de cerveja que queremos ter uma gelada virtual no iPhone, capaz de simular um copo cheio dela;
4. somos, claro, o país do futebol. Entre os dez países analisados, o Brasil é o único que tem, nos primeiros lugares, um programa com a tabela e a colocação dos times em algum esporte. Está lá o Brasileirão 2009, entre os mais baixados.
Mas isso tudo a gente já sabe. Melhor dar uma espionada nos estrangeiros. Os franceses, por exemplo. São vaidosos. No alto da lista, como era de esperar, um guia de restaurantes e outros serviços. Mas os franceses parecem ser tão vaidosos que usam o iPhone como… espelho! Um programinha que aumenta o poder de refletir da tela do iPhone e o transforma num arremedo de espelho é muito popular. A engenhoca ainda permite que o usuário escolha a moldurinha do espelho. Claro, porque não basta ter um espelhinho, ele tem de ser chique, não? Os franceses também parecem estar sofrendo com mosquitos, no verão de lá. Entre os mais populares está um programa que emite um sinal sonoro para espantar insetos.
Quem quer que já tenha tentado andar no metrô de Paris sabe como é fácil se perder. Para piorar, os parisienses têm a fama – justificada ou não – de não ser gentis com turistas perdidos que não falam seu idioma. A vingança é saber que nem os franceses sabem andar lá, porque, se soubessem, não precisariam tanto de um programinha que mostra as estações de metrô. Você pesquisa uma rua, ele mostra onde fica a estação e como chegar lá. Parece que nem mesmo quem fala francês quer perguntar algo aos franceses.
As encomendas dos indianos na loja da Apple também guardam surpresas. Tecnologia, empregos, economia em ebulição? Nada disso. Os indianos querem sexo no iPhone. Faz sucesso por lá o Kama Sutra, em primeiro lugar, e mais um bando de programas que mostram mulheres em poses sensuais. A Apple não permite nada explícito, apenas biquininhos e olhe lá…
Faça amor, não faça a guerra, dizem os indianos. Mas os americanos não querem saber disso. Jogos de guerra, tiros em bonecas, caça, tudo isso faz o maior sucesso na loja americana. No jogo World War, o objetivo é entrar numa guerra e se tornar a nação dominante do planeta. Em Pocket God, ou Deus de bolso, outro must americano, a brincadeira é ter ainda mais poder. Você é Deus. E um Deus muito mau. Um Deus sádico. Sua diversão é fazer o povo que você domina sofrer.
O aparente amor dos americanos pela violência não reduz a admiração que eles despertam na maior nação emergente do planeta. O programa mais baixado na China é um curso de inglês para iPhone. Os outros campeões de venda chineses são indecifráveis para esse antropólogo amador, porque ele não foi capaz de fazer seu computador reconhecer e traduzir os ideogramas em que estão descritos.
As preferências de cada país:
. BRASIL

Onde as mulheres mandam

A interessantíssima entrevista abaixo, de Jürgen Vogt para o Der Spigel, é sobre uma sociedade matrilinear da China. Depois de lê-la, se você ainda tiver paciência, leia este artigo meu sobre o mesmo assunto.
O matriarcado dos Mosuo
Como funciona um matriarcado na realidade? O escritor argentino Ricardo Coler decidiu descobrir e passou dois meses com os Mosuo, no sul da China. “As mulheres tem um jeito diferente de dominar”, explicou o pesquisador à Spiegel Online.
Spiegel Online: Você é da Argentina, que tem fama de ser um país com comportamento machista. Como foi viver por dois meses na sociedade matriarcal dos Mosuo, na China?
Coler: Eu queria saber o que acontece numa sociedade em que as mulheres determinam como as coisas são feitas. Como as mulheres funcionam quando, desde o nascimento, sua posição social as permite decidir tudo? Nós, homens, sabemos o que é um homem, descobrimos isso rapidamente – mas o que constitui uma mulher? Apesar disso, não fiquei mais sábio em relação a esse assunto.
Spiegel Online: A sociedade Mosuo é um paraíso para as feministas?
Coler: Eu esperava encontrar um patriarcado às avessas. Mas a vida dos Mosuo não tem nada a ver com isso. As mulheres têm um jeito diferente de dominar. Quando as mulheres governam, isso faz parte do trabalho delas. Elas gostam quando tudo funciona e a família está bem. Acumular riquezas ou ganhar muito dinheiro não passa pela cabeça delas. A acumulação de capital parece ser uma coisa masculina. Não é sem razão que a sabedoria popular diz que a diferença entre um homem e um menino é o preço de seus brinquedos.
Spiegel Online: Como é a vida do homem no matriarcado?
Coler: Os homens vivem melhor quando as mulheres estão no comando: você não tem quase nenhuma responsabilidade, trabalha bem menos e passa o dia todo com seus amigos. E fica com uma mulher diferente todas as noites. E, além disso, você sempre pode morar na casa da sua mãe. A mulher serve o homem, e isso acontece numa sociedade em que ela lidera e tem o controle do dinheiro. No patriarcado, nós, homens, trabalhamos mais – e de vez em quando temos que lavar os pratos. Na forma de matriarcado original de Mosuo, você é proibido de fazer isso. Quando a posição dominante da mulher está segura, esse tipo arcaico de papeis de gênero não têm muito significado.
Spiegel Online: O que mais o surpreendeu?
Coler: Que não há violência numa sociedade matriarcal. Sei que isso pode descambar para uma idealização – toda sociedade humana tem problemas. Mas resolver os conflitos com violência simplesmente não faz sentido para as mulheres Mosuo. Como elas estão no comando, ninguém briga. Elas não têm sentimentos de culpa ou vingança – é simplesmente vergonhoso brigar. Elas ficam envergonhadas quando o fazem, e isso pode até ameaçar sua posição social.
Spiegel Online: E quando não há solução para um problema?
Coler: Tanto faz, não haverá nenhuma briga. As mulheres decidem o que acontece. Algumas fazem isso de forma mais rígida e outras de forma mais amigável. Elas são mulheres fortes que sabem dar ordens claras. Quando um homem não terminou uma tarefa que recebeu, espera-se que ele admita isso. Ele não é censurado nem punido, mas em vez disso, é tratado como um menino que está aquém da tarefa.
Spiegel Online: Os homens são criados para serem incompetentes?
Coler: Para os Mosuo, as mulheres são simplesmente o gênero mais eficiente e confiável. Entretanto, elas dizem que as decisões “verdadeiramente importantes” – como comprar uma casa ou uma máquina, ou vender uma vaca – são tomadas pelos homens. Os homens são bons para tomar esse tipo de decisão, assim como para o trabalho físico. O líder oficial do governo do vilarejo, o prefeito, é um homem. Eu andei com ele pelo vilarejo – ninguém o cumprimentava ou dava atenção. Um homem não tem nenhuma autoridade.
Spiegel Online: Como essa divisão de papeis funciona no que diz respeito ao amor?
Coler: Na sociedade matriarcal, o amor e o erotismo são onipresentes. Mas há uma grande diferença entre os dois. Eles sempre fazem piadas ambíguas. Sempre tem alguém querendo lhe apresentar uma mulher e sempre há uma mulher sorrindo para você. Como eu disse, são mulheres muito fortes, que dão ordens e gritam com você como se você fosse surdo. Mas quando chega a hora da sedução, elas mudam totalmente. As mulheres agem com timidez, olham para o chão, cantam baixinho para si mesmas e ficam ruborizadas. E elas deixam os homens acreditarem que são eles que escolhem as mulheres e fazem a conquista. Daí eles passam a noite juntos. Na manhã seguinte, o homem vai embora e a mulher continua com seu trabalho como antes.
Spiegel Online: É um paraíso do amor livre, em outras palavras?
Coler: A vida sexual dos Mosuo é muito diferente e muito ativa – troca-se de parceiro com frequência. Mas as mulheres decidem com quem elas querem passar a noite. O lugar onde elas moram tem uma entrada principal, mas toda mulher adulta tem sua própria cabana. Os homens vivem juntos numa casa grande. A porta de cada cabana tem um gancho e todos os homens usam chapéus. Quando um homem visita uma mulher, ele pendura o chapéu nesse gancho. Dessa forma, todo mundo sabe que a mulher está acompanhada. E ninguém vai bater na porta. Se uma mulher se apaixona, ela recebe apenas aquele homem específico, e o homem só vai para falar com aquela mulher.
Spiegel Online: O que torna um homem atraente para uma mulher Mosuo?
Coler: Quando ela pode conversar com um homem, fazer sexo, e sair com ele, então ela está apaixonada. O amor é mais importante para elas do que o compromisso. Elas querem estar apaixonadas. O motivo para ficar com alguém é o amor. Elas não estão interessadas em se casar ou constituir uma família com um homem. Quando o amor acaba, então tudo está acabado. Eles não ficam juntos por causa dos filhos ou por causa do dinheiro ou outro motivo qualquer.
Spiegel Online: O conceito de casamento existe para os Mosuo?
Coler: Sim, as crianças são até mesmo ameaçadas com ele: “Se você não for bom, nós iremos casá-lo”. As crianças entendem o casamento como uma história de terror. Perguntaram para mim como é que nós vivemos. Eu disse: o homem conhece a mulher, eles se apaixonam, têm filhos e vivem juntos para o resto da vida. Ah, disseram, isso deve ser ótimo. Mas no fundo dão risada do fato de nós sempre repetirmos uma coisa que nós mesmos sabemos que não funciona.
Spiegel Online: Podemos perguntar se você também pendurou seu chapéu num gancho?
Coler: Uma mulher quis ter um filho comigo. Eu disse a ela que não, não posso ter um filho com você porque você mora aqui na China e eu moro na Argentina. “E daí?”, foi a reação dela. As crianças sempre ficam com as mães. Eu disse que eu não poderia ter nenhum filho que eu nunca pudesse ver. Ela apenas sorriu, como se eu estivesse levando tudo muito a sério. Quando elas têm filhos, as crianças são só delas – os homens não têm nenhum papel.
Spiegel Online: Na China, a sociedade dá mais valor aos filhos homens do que às filhas – isso é diferente com os Mosuo?
Coler: Uma família sem filhas é uma catástrofe. Além disso, essas famílias são menos prósperas economicamente, porque são as mulheres que controlam o dinheiro. Uma família tem de 15 a 20 membros. Entretanto, há também famílias pequenas com cinco ou seis membros. Os Mosuo podem ter até três filhos, o que é incomum na China, onde a população urbana só pode ter um filho e as pessoas do interior só podem ter dois. Mas os quase 25 mil Mosuos são considerados uma minoria étnica, e portanto podem ter três filhos.
Spiegel Online: Os Mosuo têm uma palavra para “pai”?
Coler: Sim, existe uma palavra, mas não é nada parecido com o nosso conceito do que um pai deve ser. Esses deveres são assumidos pela mãe ou pela família. Normalmente, as mulheres não sabem quem foi que as engravidou. Então, as crianças também não sabem quem é seu pai biológico. Mas, para as mulheres, normalmente isso não é importante porque os homens quase não trabalham e têm pouco controle sobre as coisas de valor material. A família é o que importa, e elas jamais se separariam dela.
e-Rebinboca da parafuseta de 10 megabits
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Não sei quanto a você, sabido leitor (ou sabida leitora), mas eu me atrapalho com as característicvas técnicas dos produtos eletrônicos atualmente à venda. Por que uma câmera com 10 megapixels seria melhor que outra, com 8? “Porque tem mais megapixels, né? Dãaaa…” Ok, mas que diferença prática isso me traz? Leia a matéria abaixo, do David Pogue para o The New York Times e entenda mais sobre as manhas & truques do marketing eletrônico:
Desvendando o marketing dos eletrônicos
Existem muitas coisas que tornam incomum a indústria da tecnologia para consumidores. Há, por exemplo, o fator da obsessão, que alcançou novos patamares quando o iPhone chegou ao mercado.
Mas o aspecto da tecnologia para consumidores que talvez seja o mais fascinante é a maneira como ela é promovida. Obviamente, nenhuma empresa quer anunciar as deficiências de seus produtos. Mas às vezes as qualidades que as empresas proclamam estão tão longe do que realmente importa.
Veja um resumo dos argumentos usuais de marketing, contrastados com elementos muito mais importantes que os anunciantes convenientemente evitam mencionar.
Filmadoras
O QUE DIZEM QUE IMPORTA: a potência do zoom
Por que o zoom é tão importante? É claro que é simpático aproximar-se visualmente de seu filho no teatro da escola. Mas quanto zoom é suficiente -20x? 50x? Quanto maior é o zoom, mais irregular se tornam suas imagens; cada ampliação também amplia a instabilidade de sua mão, tornando o vídeo mais difícil de ser visto.
O QUE REALMENTE IMPORTA: ângulo grande
Recentemente testei filmadoras de três grandes empresas, para averiguar a que distância teria que me posicionar para enquadrar uma pessoa de 1,82 metro de altura. Com a melhor das filmadoras -a que proporciona o ângulo maior- tive que me afastar quatro metros. O problema é que fiquei longe demais do objeto para que o microfone pudesse captar suas palavras.
Pense em todos os momentos em que você anseia por um ângulo maior. Aquela partida de futebol, aqueles casamentos. Com uma filmadora camcorder, você não consegue captar nada que se assemelhe àquela vista deslumbrante de montanha, a não ser que aumente e diminua o zoom. O resultado não chega nem perto do impacto que a vista exerce sobre você em pessoa.
Câmeras fotográficas
O QUE DIZEM QUE IMPORTA: Megapixels
A indústria conseguiu convencer os consumidores de que ter mais pontinhos significa fotos de qualidade melhor. Isso pode ter sido verdade na época das máquinas fotográficas de dois megapixels. Mas essa diferença visual evaporou quando as câmeras chegaram a cinco ou seis megapixels. Hoje, seis megapixels bastam perfeitamente, mesmo para impressões enormes, do tamanho de pôsteres.
O QUE REALMENTE IMPORTA: Tamanho do sensor
Um sensor de luz maior implica em sensibilidade melhor à luz, o que significa que o obturador não precisa ficar aberto por tanto tempo, o que significa menos fotos fora de foco. Mas as fabricantes de máquinas fotográficas não querem que você tenha conhecimento dessa estatística -que não consta da embalagem da máquina-, porque é mais fácil e barato divulgar megapixels que o tamanho do sensor.
Celulares
O QUE DIZEM QUE IMPORTA: Cobertura.
O QUE REALMENTE IMPORTA: Cobertura.
Sim, estão anunciando a coisa certa. Não queremos ver zero sinais de recepção e não conseguirmos fazer uma ligação; não queremos que nossos telefonemas sejam interrompidos. Queremos apenas que o aparelho funcione. O problema é que as empresas estão mentindo. Uma pista é que todas elas dizem a mesma coisa: “Maior cobertura”, “menos ligações perdidas”. Não podem todas estar dizendo a verdade. A verdade é que elas estão medindo coisas diferentes: por exemplo, quantas pessoas vivem na área de cobertura, versus quantos quilômetros quadrados tem a área.
Computadores
O QUE DIZEM QUE IMPORTA: Preço
O preço de um computador com certeza é um fator importante -para algumas pessoas, o mais importante de todos.
O QUE REALMENTE IMPORTA: Valor
Quando alguma coisa é produzida exclusivamente para custar pouco, há alguma compensação em outro lugar. Você pode adorar o preço baixo de seu PC, mas pode não gostar do atendimento ao consumidor terceirizado, de baixa qualidade, oferecido pelo fabricante. Ou do motor grande e desajeitado. Ou do software desagradável pré-instalado que faz o computador se arrastar a passo de tartaruga desde a primeira vez em que você o liga.
MuCo – IMPERDÍVEL
![museu da corrupção[7] museu da corrupção[7]](http://raulmarinhog.files.wordpress.com/2009/05/museu-da-corrupcao7.jpg?w=427&h=299)
Li no Blog da Bárbara Gancia, e repasso: não deixe de visitar o MuCo – Museu da Corrupção, que fica no site do Diário do Comércio da Associação Comercial de São Paulo. Muito bem bolado, imperdível. Tem até a pizzaria Zia Ângela para homenagear a moça da dancinha…
Um psicanalista atravessando a rua

Muito boa essa crônica do Contardo Calligaris, na Folha de hoje:
Pedestres
Talvez atravessar sem olhar seja um jeito de afirmar que a dignidade importa mais que a vida
HÁ COISAS que a gente só enxerga quando é estrangeiro, ao chegar a um país desconhecido. E há coisas do país onde a gente mora que só nos parecem curiosas por comparação, quando encontramos costumes diferentes.
Foi suficiente estar na Itália nestes dias para me dar conta de um hábito comum entre pedestres paulistanos menos abastados (não sei se a observação vale para todo o Brasil).
O fato é que percebi que pedestres de várias culturas, na hora de atravessar a rua, comportam-se de maneiras diferentes, talvez reveladoras de traços culturais específicos.
Por exemplo, os pedestres de Boston (Massachusetts, EUA), descem da calçada (nas faixas ou fora delas, tanto faz) encarando os carros numa atitude de desafio. Seu olhar e sua cabeça erguida parecem dizer: “Longe de me atropelar, você não ousará sequer me ameaçar, e saiba que não recuarei, pois a Lei (mais do que o Senhor) é meu pastor”. Eles atravessam a rua num ato de fé no valor soberano dos tribunais e das convenções.
Já os pedestres de Nova York descem da calçada apostando só em sua habilidade física. Não contam com a cortesia dos motoristas, nem com a obediência generalizada às regras do trânsito; mas com sua própria destreza. Por isso, se aventuram na rua sem sequer esperar uma interrupção do fluxo dos carros: evitam um, param para deixar passar outro, correm antes que o terceiro chegue e, como corredores olímpicos, pulam para a linha de chegada, que é a calçada oposta. Vistos de longe, se parecem com os toureadores amadores da “Fiesta” de Pamplona, na Espanha, quando todos brincam com uma manada de touros.
Essa diferença entre os pedestres de Boston e os de Nova York é uma apresentação adequada da diferença de espírito entre os cidadãos das duas metrópoles.
Os pedestres europeus são ainda uma terceira categoria. Eles não acreditam nem na lei nem em sua própria destreza: avançam (também dentro ou fora das faixas, tanto faz) desconfiados, tentando adivinhar as intenções dos motoristas e, quando não conseguem adivinhá-las direito, eles param, imóveis no meio do asfalto, supondo que os motoristas saberão evitá-los, na última hora. Há uma relação desse comportamento com a “docilidade transferencial” dos europeus, ou seja, a facilidade com a qual eles parecem reconhecer uma “autoridade”. Essa característica, aliás, faz da Europa o paraíso dos palestrantes: em regra, se alguém pergunta, é sempre com a máxima deferência. Dos anfiteatros às ruas: o pedestre europeu prefere contar com a habilidade dos motoristas do que com a sua própria.
Agora, muitos pedestres paulistanos, sobretudo quando atravessam fora das faixas ou com o sinal vermelho (para eles), exibem um comportamento que lhes é absolutamente próprio: eles não olham. Não digo que eles não olham antes de se aventurar no asfalto, isso vale também para os nova-iorquinos. É durante a travessia que, em vez de se voltar para os carros que se aproximam, eles olham reto para frente. E, caso eles atravessem uma rua de mão única na diagonal (o que já é uma péssima ideia), eles dão as costas para os automóveis que estão chegando.
Duvido que esse comportamento seja a consequência de uma confiança na lei, parecida com a dos bostonianos. Qualquer pedestre no Brasil sabe que os motoristas não se preocupam muito com o Código de Trânsito (quem assistiu a “Happy Hour”, o monólogo de Juca de Oliveira, agora no teatro Jaraguá, em São Paulo, já riu bastante com a vida perigosa do pedestre brasileiro).
O que acontece, então, com os pedestres paulistanos? Será que, fatalistas, deixam o futuro imediato totalmente nas mãos de Deus? Ou desconfiam radicalmente em sua própria habilidade, que lhes permitiria reagir na última hora, esquivando, se for preciso, o carro assassino?
Considerando as compensações irrisórias pagas pelo seguro obrigatório em caso de morte, é de se pensar que talvez o pouco valor atribuído à vida contamine a própria vítima potencial. Algo assim: “Atravesso e nem olho, porque minha vida mal vale o esforço de me precaver”.
Há outra interpretação, mais heroica: talvez, para as vítimas que não valem nada, atravessar sem olhar seja um modo de afirmar que sua dignidade é mais importante que a própria vida: “Acha que sou um escravo? Pois é, sou capaz, como o mestre antigo, de desafiar a morte. Resta saber se você será capaz de me matar”.
Corujas

Para quem gosta de entender um pouco de Filosofia, mas não tem muita paciência para ler longos tratados, a crônica abaixo, do Luís Fernando Veríssimo publicada no Blog do Noblat de hoje:
A coruja do Hegel
Já me recomendaram que começar um texto citando Hegel (Georg Wilhelm Friedrich, século dezenove, alemão, muito alemão) serve dois propósitos:
criar no leitor uma expectativa de profundidade ou espantá-lo logo nas primeiras linhas, pois quem tem tempo para o Hegel hoje em dia? A você que continua a ler devo avisar que a tal profundidade não virá. Recorro a Hegel, ou à coruja do Hegel, para fins estritamente superficiais.
Hegel certa vez comparou a filosofia com a coruja da deusa Minerva, que carrega toda a sabedoria do mundo mas só voa ao anoitecer, quando não há mais luz para aproveitá-la. O que Hegel quis dizer (eu acho) é que qualquer período histórico só pode ser compreendido quando está no fim, e que a filosofia sempre chega tarde para explicá-lo. No fundo estava denegrindo o seu ofício. Ninguém tratou de interpretar a História com mais densidade do que Hegel mas no fim todas as suas teses e todo o seu palavrório não passavam do vôo tardio de uma coruja inútil, no seu próprio conceito.
Quando aquele outro alemão denso, o Marx, escreveu que os filósofos não podiam mais se contentar em interpretar o mundo e deveriam tentar mudá-lo, estava, sem citá-la, reivindicando um vôo mais conseqüente da coruja e um aproveitamento mais prático da sua sabedoria. O que Marx propunha era que a coruja, voando mais cedo, vencesse o vasto abismo que separava a filosofia da política. Um abismo que não começara com Hegel mas existia desde que Platão, desgostoso com a execução de Sócrates, renunciara à atividade política. Marx recrutava a coruja para a sua revolução. Se todo o marxismo pode ser visto, algo simplistamente, como uma crítica de Marx a Hegel, o que mais diferenciava os dois era sua opinião sobre os usos da filosofia, ou sobre a relevância da coruja e suas explicações.
No fim o que Hegel diz com sua metáfora é o óbvio, que a gente vive para frente mas compreende para trás, e que nenhuma filosofia ajuda a percorrer o caminho já percorrido. Na sua crítica Marx sustenta que o caminho percorrido nos mostra para onde ir e que a filosofia é que diz isso para a História. Por mais atrasada que chegue a coruja.
Artigo campeão

Nem o Clóvis Rossi, num dia inspirado, conseguiria escrever tanta groselha. Nem o Lula, em cima de um palanque depois de uns aperitivos, falaria tanta barbaridade. Não há livro de auto-ajuda que chegue perto, nem os da linha do “Eram os deuses astronautas“. Diria até que nem eu escrevo tanta bobagem quanto esse frei Leonardo Boff. Perto do artigo abaixo, o famoso discurso do Chefe Seattle é alta literatura.
(Na foto acima, um flagrante do frei refletindo sobre seu próximo texto).
Do blog do Noblat:
A quem pertence a Terra?
No Brasil se discute muito a questão da internacionalização da Amazônia ou a quem pertence essa rica porção do planeta Terra. Sem querer entrar nesta discussão que um dia retomarei, percebo que ela remete a outra ainda mais fundamental: a quem pertence a Terra?
Muitas são as respostas possíveis, algumas verdadeiras, outras insuficientes ou até falsas. Com certa naturalidade poderíamos responder: a Terra pertence aos humanos. Apelamos até à palavra das Escrituras que nos dizem: ”entrego-vos tudo…propagai-vos pela Terra e dominai-a”(Gn 9,3.7). Estranhamente, os humanos irromperam no cenário da evolução quando a Terra estava em 99,98% pronta. Eles não assistiram ao seu nascimento nem ela precisou deles para organizar sua complexidade e biodiversidade. Como pode lhes pertencer? Só a ignorância unida à arrogância os faz pretender a posse da Terra.
Poderíamos ainda responder: a Terra pertence aos seres mais numerosos que a habitam. Então ela pertenceria aos microorganismos – bactérias, fungos, vírus – pois constituem 95% de todos os seres vivos. Segundo o conceituado biólogo E. Wilson um grama de terra contem cerca de 10 bilhões de bactérias de 6 mil espécies diferentes. Imaginemos os quintilhões de quintilhões de micro-organismos que habitam a totalidade dos solos terrestres. Todos estes têm mais direito de posse da Terra do que nós, seja por sua ancestralidade, seja pelo número seja pela função de garantir a vitalidade do planeta.
Ou ela pertence à totalidade dos ecossistemas que servem à comunidade de vida, regulando os climas e a composição fiísico-química do planeta. Esta resposta é boa mas insuficiente porque esquece as relações que a Terra entretém com as energias e os elementos do universo.
Assim, a Terra pertence ao sistema solar que, por sua vez, pertence à nossa galáxia, a Via Láctea que, por fim, pertence ao cosmos. Ela é um momento de um processo evolucionário de 13,7 bilhões de anos.
Mas esta resposta não nos satisfaz pois ela remete a uma pergunta ulterior: e o cosmos a quem pertence? Pertence àquela Energia de fundo, ao Vácuo Quântico, ao Abismo alimentador de todos os seres, à Fonte originária de tudo. Esta é a resposta que os astrofísicos e cosmólogos costumam dar. E é correta. Mas não é ainda a última.
Cabe uma derradeira pergunta: a quem pertence a Energia de fundo do universo? Alguém poderia simplesmente responder: ela não pertence a ninguém, pois pertence a si mesma. Esta resposta é simplesmente uma não-resposta porque nos coloca diante de um muro. Ela nos remete à teologia, a Deus.
Mudando de registro e caindo na nossa realidade cotidiana e brutal dos negócios: a quem pertence a Terra? Ela, na verdade, pertence aos que detém poder, aos que controlam os rmercados, aos que vendem e compram seu chão, seus bens e serviços, água, genes, sementes, órgãos humanos, pessoas feitas também mercadorias. Estes pretendem ser os donos da Terra e dispõem dela como bem entendem.
Mas são donos ridículos pois esquecem que não são donos deles mesmos, nem de sua origem nem de sua morte.
A quem pertence à Terra? Fico com a resposta mais sensata e satisfatória das religiões, bem representadas pela judaico-cristã. Nesta Deus diz: “Minha é a Terra e tudo o que ela contem e vocês são meus hóspedes e inquilinos”(Lv 25,23). Só Deus é senhor da Terra e não passou escritura de posse a ninguém. Nós somos hóspedes temporários e simples cuidadores com a missão de torná-la o que um dia foi: o Jardim do Éden.
Bom selvagem? Tá de sacanagem…

Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, com é possível comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra da floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das arvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.
O texto acima é o parágrafo inicial do que ficou conhecido como “A carta do chefe Seattle“. Para se ter uma idéia de sua popularidade, clique aqui e veja a quantidade de links sobre a carta no Google – hoje, passa de 104milhões, só em português. Essa carta, onipresente nos textos ambientalistóides, é a reencarnação do conceito do bom selvagem, tão caro às esquerdas. O problema é que, a cada milímetro que se avança no entendimento dos povos “primitivos”, percebe-se que o bom selvagem é tão verdadeiro quanto o Saci Pererê e a Mula Sem Cabeça. A propósito, a tal carta do chefe Seattle foi redigida para um programa de TV estadunidense nos anos 1970, e o chefe Seattle era um vendido aos brancos e proprietário de escravos.
Tudo isso para introduzir duas reportagens publicadas na Folha de hoje (a primeira do Cláudio Ângelo, e a segunda da própria redação), sobre a poluição gerada pelos povos pré-colombianos no Peru:
Índio poluía o ar há 3.500 anos no Peru
Estudo detectou concentrações de mercúrio até 30 vezes mais altas que o natural em antiga zona de mineração indígena
Contaminação foi causada pela mineração de cinábrio, usado pelos incas e por seus antecessores para fabricar tinta vermelha, diz cientista
Além de terem desenvolvido a agricultura irrigada, a astronomia e a construção de pirâmides, as primeiras civilizações sul-americanas também inventaram algo menos glorioso: a poluição por metais pesados. Há 3.500 anos, no Peru, elas já contaminavam o ar com mercúrio, produto da mineração.
Um estudo realizado por pesquisadores do Canadá, dos EUA e da Alemanha descobriu evidências “incontroversas” de poluição atmosférica por mercúrio milênios antes da conquista espanhola. O metal está acumulado nos sedimentos de três lagos na região de Huancavelica, que abriga a maior jazida de mercúrio das Américas.
Extraindo colunas de sedimento do fundo desses lagos e datando-as, o grupo liderado por Colin Cooke, da Universidade de Alberta, descobriu que a contaminação começou em 1400 a.C. e atingiu valores máximos em 500 a.C. e 1450 d.C.
Estas últimas datas correspondem, respectivamente, ao apogeu da cultura Chavín -considerada o primeiro Estado sul-americano- e da inca.
Essas civilizações exploravam a região de Huancavelica em busca de cinábrio (HgS), um mineral composto de mercúrio e enxofre.
O cinábrio é moído para a produção de vermelhão, corante que compõe as tinhas vermelhas vivas que culturas como a Chavín, a mochica e a inca usavam como pintura corporal ou para cobrir objetos de ouro.
O mercúrio é altamente tóxico, e exposição a seus compostos causa problemas sérios ao sistema nervoso, aos rins e ao sistema endócrino. Os maias usavam pedras de cinábrio em seus sarcófagos, entre outras coisas, para evitar que eles fossem saqueados.
A produção local de vermelhão foi a primeira fonte de poluição por mercúrio em Huancavelica. O pó de cinábrio, emitido na extração e na moagem do minério, fez a concentração de mercúrio nos sedimentos saltar pela primeira vez acima do nível natural. De 7 microgramas por metro quadrado ao ano ela vai para até 28 microgramas por metro quadrado.
Com o estabelecimento da cultura Chavín, o uso de mercúrio -e a contaminação- cresceu exponencialmente. O nível do metal nos sedimentos se multiplicou por dez em relação à quantidade natural.
A partir daí, a poluição começa a declinar novamente, para explodir a partir do ano 1400, com a chegada do império inca às minas de cinábrio.
Os incas também trouxeram uma inovação tecnológica que deve ter causado problemas sérios aos habitantes de Huancavelica: “O tipo de poluição mudou de pó de minério para mercúrio elementar gasoso”, disse Cooke à Folha. O aquecimento do minério separa o enxofre do mercúrio, produzindo o metal prateado. Foram os vapores letais desse elemento que se espalharam pelo ar na região. Nos sedimentos de idade pós-incaica analisados pelo grupo de Cooke, o mercúrio aparece em concentrações 30 vezes superiores à natural.
Cooke diz que é difícil saber qual era o grau de exposição da população ao poluente -que também contaminou a água- e que tipo de impacto a contaminação deve à saúde. “É difícil especular quais eram os riscos”, afirma, “mas qualquer quantidade de mercúrio é potencialmente tóxica”.
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Contaminação pré-hispânica pode ameaçar população atual
O estudo do canadense Colin Cooke e colegas, publicado na edição de hoje do periódico científico “PNAS”, mostra como o acaso pode ajudar os esforçados em ciência.
Ao apontarem suas brocas para o fundo dos lagos nos Andes, os pesquisadores não tinham nem ideia de que os índios usaram tanto cinábrio a ponto de contaminar o ar.
“Nós estávamos procurando traços de poluição de mercúrio relacionada à mineração espanhola em Huancavelica”, afirmou o pesquisador. “Nunca esperaríamos encontrar poluição pré-hispânica, menos ainda 3.500 anos de poluição por mercúrio”, continuou.
E quanta poluição. O grupo encontrou mercúrio até mesmo no fundo de um lago a 225 quilômetros de Huancavelica, onde ficam as minas. Isso indica que, durante o império inca, o mercúrio deixou de ser um problema local para se tornar um problema regional.
Essa herança maldita dos índios pode ser um risco para a população de Huancavelica até hoje. “Não sabemos qual é o nível de risco, no entanto”, disse Cooke. Boa parte do mercúrio está trancafiada nas profundezas da coluna de sedimentos, mas parte dele está no topo dessa coluna. Isso pode facilitar a transformação de mercúrio inorgânico em metilmercúrio, a forma mais tóxica do elemento. “Sem dúvida ele ocorre nos lagos que estudamos perto de Huancavelica. Um desses lagos tem peixes que a comunidade comia regularmente. Eles podem estar contaminados com metilmercúrio”, disse Cooke.
Porque não tem mais graça fumar

Fumei por 25 anos, e já estou há mais de um ano sem fumar. Ainda sinto vontade, mas não é nada torturante, dá para aguentar. Parei não porque estivesse me sentindo mal ou por medo de câncer, parei simplesmente porque estava ficando chato fumar – e olha que eu nem imaginava que a lei anti-fumo de São Paulo iria ser aprovada. Fumar só faz sentido se você puder satisfazer o seu vício sempre que necessário, senão vira tortura. Explico.
A maioria das drogas são “positivas”, você se sente melhor depois de usá-las. Um fumante de crack, por exemplo, sente um enorme prazer depois de aspirar a fumaça do seu cachimbo. Já o cigarro é uma droga “negativa”: ele não te dá nenhum barato, você simplesmente deixa de sentir o desconforto por estar há muito tempo sem fumar. E é aí que está o problema: com tantas restrições ao fumo, está cada vez mais difícil se livrar desse desconforto, e o resultado é que o fumante sofre demais.
Quando comecei a fumar, podia fumar no avião. Na minha época de faculdade, fumava na sala, durante a aula (os professores também). No trabalho, todo mundo podia fumar na própria estação de trabalho (exceção feita aos funcionários das refinarias). Fumava-se em praticamente todo lugar, até nos hospitais (pelos médicos, inclusive). Aí, fumar é bom: sempre que você sentir o organismo reclamando da falta de nicotina, é só acender um cigarro. Genial! Mas aí…
…Ficou proibido fumar no avião, e você faz uma viagem internacional de 14 horas, leva mais umas duas horas até pegar as malas, passar pela imigração, free-shop, e alfândega, e é obrigado a ir acender seu cigarro na rua, fora do aeroporto, embaixo de neve.
…Você passa 5 horas por dia na faculdade sem poder fumar, ou então tem que sair na rua no intervalo, e vai perder o cafezinho com os amigos.
…Inventaram o maldito fumódromo nas empresas, e depois, de uma hora para outra, jogaram os fumantes no meio da rua.
…Aprovaram a lei anti-fumo, o que significa que você só vai poder fumar andando na calçada, dentro do seu carro (desde que você não esteja dirigindo, pois aí é infração de trânsito), ou na sua casa, se seu marido/mulher/filho/pai/avô não implicar.
Portanto, meu caro amigo fumante… Pare, que a coisa ficou sem graça. Uma sugestão: tome Zyban. Comigo funcionou.
D/Z-Dossiê Zelite já está no ar

Queridas e queridos leitoras e leitores:
Conforme anunciado, o D/Z-Dossiê Zelite, blog sobre a vida dos ricos do Brasil, já está no ar. Clique aqui ou digite http://dossiezelite.wordpress.com/.
Nos últimos dias, estive escrevendo os primeiros posts e páginas, e estruturando o D/Z, por isso o Toca Raul!!! acabou ficando sem atualizações. Mas, a partir de amanhã, este blog voltará a ser atualizado diariamente.
Muito obrigado pela compreensão e desculpem o transtorno.
Um grande abraço,
Raul Marinho
Tá feia a coisa… Mas divertida!

Queridas e queridos leitoras e leitores,
Está difícil postar ultimamente por vários motivos, principalmente devido a problemas técnicos no WordPress (onde este blog está hospedado), que está barrando a edição de novos posts. Além disso, também está faltando tempo para escrever, pois além de estar iniciando um novo projeto na área de inovação tecnológica (depois eu posto o que é), estou estudando para me tornar piloto privado de avião. Em breve, vou anunciar algumas mudanças aqui no blog, que vai ficar, realmente, com uma taxa menor de atualização. Em compensação, vou abrir dois novos blogs, ambos temáticos: um sobre o comportamento dos ricos (uma versão brasileira do The Wealth Report, que eu já falei várias vezes aqui), outro sobre a aviação privada (sobre os pilotos de jatinhos e helicópteros). Pretendo manter esses dois novos blogs e o Toca Raul!!! atualizados a uma taxa de, pelo menos, um post diário para cada um.
É isso… Daqui a pouco eu dou mais detalhes.
E as gordinhas, dona Déborah?

Leio na Folha de hoje que a promotora Déborah Kelly Afonso, do Grupo de Atuação Especial de Inclusão (*) do Ministério Público paulista está querendo criar cotas para negros no São Paulo Fashion Week. De acordo com a autoridade, a ação legal se justificaria porque somente 3% das modelos do evento são negras, contra quase 50% da população.
Legal! Quer dizer que o SPFW deve representar fielmente a população, então? Já que é assim, acho que as gordinhas, que representam 0% das modelos do evento, não poderiam ficar de fora. Nem as tiazinhas, já que só tem menor de 30 desfilando. E o fato dos modelos homens ganharem menos que as modelos mulheres, não caberia uma ação também?
Depois do SPFW, espero que a promotora se volte aos outros excluídos. Como é que fica a falta de brancos e amarelos nos times de basquete, nos conjuntos de pagode, e como puxadores de escola de samba? E a notória falta de nipônicos atuando como atores de filmes pornôs? Tá vendo, dona Déborah, como tem trabalho pela frente?
(*)Interessante notar que o acrônimo para o Grupo de Atuação Especial de Inclusão seria GAEI, muito parecido com GAY, o que é uma curiosa coincidência, em se tratando de uma ação referente ao mundo fashion, tradicionalmente afeito ao público homossexual.
Sugar Daddy & Sugar Baby

Nesse post, citei o site seekingarragent.com, que promove o encontro entre senhores ricos e moçoilas ambiciosas, mas não lhe dei a devida importância, já que o foco era mostrar uma situação de extorsão associada a uma estratégia de seleção sexual masculina. Voltemos aos site agora, que merece ser mais bem explorado.
Embora haja espaço para senhoras ricas e rapazes ambiciosos, a esmagadora maiora dos 300mil usuários da engenhoca cibernética é de Sugar Daddies e Sugar Babes (mulheres). Vou traduzir literalmente como o site define estes personagens em sua primeira página:
Sugar Daddy: Rico e de sucesso. Solteiro ou casado, você não tem tempo para jogos. Você está procurando patrocinar ou agradar alguém especial – talvez uma “secretária pessoal”[as aspas são originais]? Uma amante secreta? Uma estudante? Ou uma concubina em um relacionamento extra-conjugal?
Sugar Baby: Atraente, ambiciosa e jovem. Sugar Babess são estudantes de faculdade, aspirantes a atrizes, ou alguém tentando começar a vida. Você procura um generoso patrocinador para te agradar, instruir e tomar conta de você – talvez ajudá-la financeiramente?
Nos perfis típicos dos Sugar Daddies do site, como em qualquer site de relacionamentos, também existem os campos para a pessoa colocar características pessoais (peso, altura, cor dos olhos, idade, etc.), gostos, hobbies etc. Mas o interessante é que, no caso desse site, são requeridas informações sobre o parimônio pessoal, a renda anual e o valor que se pretende dispender com o “patrocínio”. Mas não é somente apenas isso não!!! Um Sugar Daddy que se preza tem que ser um Sugar Daddy certificado, e o site oferece, pela módica quantia de US$1.250/ano, o certificado diamante. A seguir, o texto literal do site sobre o assunto:
Um Sugar Daddy certificado terá sua identidade, renda e patrimônio verificados pelo SeekingArrangement.com, permitindo que ele mantenha seu anonimato e privacidade. Para aderir à elite do Clube Diamante, todo membro deverá concordar em tratar todas as Sugar Babes com respeito.
Ipressionante, não? Não sei se dou risada ou se lamento.
Situação constrangedora
Faça um exercício de criatividade. Imagine-se uma pomba conversando com uma amiga sua, outra pomba:
-E aí Mirtes, como anda a vida?
-Comigo, tudo bem, Geralda, tirando o que aconteceu com a Mircélia, minha irmã…
-Nossa, mas o que aconteceu com a Celinha?
-Morreu, você não soube?
-De quê, menina? O gato pegou?
-Não… Antes fosse…
-…
-Um cágado. Morreu afogada por um cágado!
-!!!
Dica para gerentes de contas

Para ser um bom vendedor, é preciso entusiasmo, otimismo. Imagine que você esteja numa loja querendo comprar uma geladeira, e o vendedor começa a falar da crise, do desemprego, do aquecimento global, da volta do Sarney e do Collor… Em menos de cinco minutos, você já deverá ter desistido da geladeira, não é verdade? Vendedores entusiasmados são a regra em quse todos os mercados, mas no segmento bancário a coisa é um pouco diferente. Os “vendedores de dinheiro”, também conhecidos como gerentes de contas, não podem ser muito otimistas porque eles precisam realizar duas vendas: a primeira, para o cliente propriamente dito (onde o otimismo continua sendo necessário), e a segunda para o comitê de crédito que vai aprovar ou não a operação. E, para este segundo público, muito otimismo e entusiasmo pode ser entendido como ingenuidade e falta de conhecimento, o que vai diminuir as chances de sua operação ser aprovada e a venda acabará não acontecendo. Por isso, um gerente de contas do mercado bancário deve ter uma postura equilibrada, um certo “otimismo responsável”, confiar no futuro sem ufanismos estridentes (como o do presidente Marolinha). Isso não é fácil – mas, se fácil fosse, esse trabalho não precisaria de um sujeito genial como você, não é mesmo?
Por isso, gostaria de recomendar a todos os vendedores e gerentes de contas, mas principalmente aos gerentes de contas dos bancos, que leiam o blog do Stephen Kanitz, O Brasil que dá certo. Lá, você vai encontrar o tipo de informação que vai pegar bem com o mais sisudo dos diretores de crédito do seu banco e, ao mesmo tempo, vai lhe dar munição para desenvolver uma conversa agradável com o seu cliente.
Receita para se dar bem no Brasil

Do excelente e viciante blog Aqui tem coisa:
Vai transar?…. – O governo dá camisinha.
Já transou? – O governo dá a pílula do dia seguinte.
Teve filho? – O governo dá o Bolsa Família.
Tá desempregado? – O governo dá Bolsa Desemprego.
Vai prestar vestibular? – O governo dá o Bolsa Cota.
Não tem terra? – O governo dá a Bolsa Invasão e ainda te aposenta.
Quer ir ao cinema? – O governo anda falando em Bolsa Cultura.
AGORA……
Experimenta estudar… trabalhar e andar na linha pra ver o que é que te acontece!!!!!
VOCÊ VAI GANHAR UMA BOLSA DE IMPOSTOS NUNCA VISTA EM LUGAR ALGUM DO MUNDO!!!
Toca Raul!!! também no Twitter
A Toca Raul!!! Corporation, sempre antenada com as últimas novidades da mídia, a partir de agora também está no Twitter. Siga esse blog em http://twitter.com/raulmarinho





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