Toca Raul!!! Blog do Raul Marinho

Templo é dinheiro…

Publicado em Atualidades por Raul Marinho em 26 Novembro, 2008

…Ou Iglesia és plata?

iglesiauniversa

Conforme atesta a imagem acima, na Argentina também existe Igreja Universal. Quando estive em Buenos Aires um mês atrás, quase caí de costas quando, ao zapear a TV, dei de cara com o “Fala que eu te escuto” em espanhol, e apresentado por um pastor brasileiro (com um portunhol pior que o meu, a propósito). Já o programa brasileiro parece que está gerando um certo problema interno na TV Record, de acordo com esta nota que saiu no UOL hoje…

Memória, sempre ela

Publicado em Atualidades por Raul Marinho em 26 Novembro, 2008

delfim

O Delfim Netto publicou um artigo muito interessante hoje, na Folha. Lendo a primeira vez, parece até que faz sentido, mas o leitor deste portentoso veículo midiático não cairá nesse papinho do gordo (daquele gordo, bem entendido) porque sabe que não é possível fazer qualquer tipo de previsão sobre os desdobramentos da atual crtise econômica (vide esse post de ontem). E também não é tolo para situar a “idade da pedra” há meros 250 anos… De qualquer maneira, é um bom exemplo de como a manipulação de estatísticas constrói um argumento convincente.

Falta de memória

É CADA VEZ mais evidente a enorme disfuncionalidade da excessiva liberdade deixada ao setor financeiro pela política monetária laxista (na teologia moral, “tendência a fugir ao dever e à lei, com base em razões pouco ou mal fundamentadas”) dos Bancos Centrais. Uma das coisas mais surpreendentes é a memória curta dos mercados.
Em janeiro de 2002 (em resposta a uma série de escândalos), o Congresso americano aprovou a lei Sarbanes-Oxley, que fixou normas de proteção aos investidores. Pois bem, apenas três anos depois da lei e quatro anos depois do estouro da “bolha” de ativos (e do escândalo da Enron), o presidente Bush indicou em 2006 para “chairman” da Security and Exchange Commission, Christopher Cox, um congressista conhecido por sua fúria desregulatória. O próprio secretário do Tesouro, Paulson, empossado também em 2006, disse, em seu discurso de posse, que vinha para acabar com todo o resíduo de regulação que entravava a liberdade financeira produtora do desenvolvimento da economia real.
Completava-se, assim, mais um dos ciclos da dialética infernal de laxidão e controle produzidos pelas “bolhas” dos mercados de ativos e as fraudes ínsitas à sua história.
Agora é a vez de o G20 sugerir mais controle. O tempo se encarregará de corroê-lo à medida que a infinita imaginação dos agentes financeiros for descobrindo novos “produtos exóticos” que os Bancos Centrais só entenderão quando ocorrer a próxima crise. Mas por quê? Apenas porque é assim que funciona o sistema que trouxe os homens da Idade da Pedra à Idade da Informática nos últimos 250 anos…
O que talvez interesse agora é tentar adivinhar quanto durará a crise da economia real depois do acerto da economia financeira. A tarefa é impossível, mas o passado talvez nos dê algumas informações.
Se tomarmos a média das sete últimas crises sofridas pela economia dos EUA e fizermos uma uniformização do PIB nos “picos” igual a 100, encontramos que ela se agrava durante os primeiros dois ou três trimestres e inicia uma recuperação entre o quinto e sexto semestre (quando retorna ao “pico” = 100), a partir do qual volta a subir para completar outro ciclo.
Nessas condições, deve-se esperar que a redução da atividade e do emprego na economia mundial prossigam até setembro/outubro de 2009 e se inicie uma volta ao nível de atividade de 2007 que será atingido no segundo semestre de 2010. Esse parece ser o tempo no qual teremos de usar nosso mercado interno com inteligência e ousadia para sustentar um razoável crescimento e o nível de emprego.

Troféu Bambi

Publicado em Atualidades, Just for fun por Raul Marinho em 26 Novembro, 2008

sp

Por incrível que pareça, é sério (e não tem nada a ver com o time do São Paulo): trata-se de um prêmio alemão para jovens de sucesso que o Hamilton (piloto da F1 campeão deste ano) acabou de ganhar. Para mais detalhes, leia essa nota aqui.

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A idéia é boa, mas…

Publicado em Atualidades por Raul Marinho em 26 Novembro, 2008

Você faria igual?

hamlet

Na Inglaterra, um sujeito doou seu próprio crânio para uma companhia de teatro utilizá-lo nas encenações de Hamlet (vide nota do G1). A idéia é boa, afinal o que você vai fazer com seu crânio após sua morte? Entretanto, é uma atitude no mínimo exótica… E você, toparia doar o seu crânio para uma companhia de teatro? Responda a enquete abaixo e veja como pensam os leitores do Toca Raul!!!:

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No tempo das boas cantadas

Publicado em Uncategorized por Raul Marinho em 26 Novembro, 2008

cantada

Da Folha de hoje, do Ruy Castro:

Lévi-Strauss a dois

Claude Lévi-Strauss, o antropólogo francês, está fazendo 100 anos. Em 1935, ele era um jovem marxista com uma visão mecânica da vida, como tantos. Mas veio para o Brasil, embrenhou-se no mato com os nossos bororos e nambiquaras, comeu do cru e do cozido, e isso abalou suas certezas. Em 1955, a experiência rendeu-lhe um livro, “Tristes Trópicos”.
Nos anos 50, Lévi-Strauss já acusava o homem de ser o vilão da ecologia, quando os dicionários ainda não tinham chegado a um acordo nem sobre o significado da palavra. Contrariando o espírito da época, também nunca aceitou a idéia de que, com a alfabetização em massa, o progresso da humanidade seria fatal -quem éramos nós para sair alfabetizando populações que viviam tão bem sem o alfabeto?
Por defender a necessidade de preservar as identidades étnicas e culturais, combateu a idéia da globalização ainda no berço. Para ele, a globalização conduziria à uniformização, à anulação das diferenças -e o fim das diferenças levaria à indiferença, que é uma das piores pragas que poderiam nos afligir. Pois é o que está acontecendo, e bem que ele avisou.
Minha geração tem vários motivos para ser grata a Lévi-Strauss. Em 1968, um pretexto infalível para um rapaz e uma moça se encontrarem era ler e discutir o último livro do autor da moda. Eram grandes noites, que, de fato, começavam pela leitura de um capítulo do livro, geralmente o primeiro. Mas nunca se chegava ao segundo.
Naquele ano, o campeão disparado de tais leituras era “Eros e Civilização”, de Herbert Marcuse. Mas, então, “Tristes Trópicos” saiu no Brasil, e Lévi-Strauss tomou-lhe o lugar. Eu tinha 20 anos, morava no Solar da Fossa, em Botafogo, e era incrível como não se passava uma noite sem uma discussão a dois sobre Lévi-Strauss.

Geni

Publicado em Atualidades por Raul Marinho em 26 Novembro, 2008

citi

Por suas qualidades e pelos seus defeitos, o Citi é a Geni da vez – e para quem não se lembra da música do Chico Buarque (do tempo em que o Chico fazia boas músicas), segue a letra abaixo:

Geni e o zepelin


De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Com os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir

Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo – Mudei de idéia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniqüidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela formosa dama
- Esta noite me servir

Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão

Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni

Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir

Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni