Templo é dinheiro…
…Ou Iglesia és plata?
Conforme atesta a imagem acima, na Argentina também existe Igreja Universal. Quando estive em Buenos Aires um mês atrás, quase caí de costas quando, ao zapear a TV, dei de cara com o “Fala que eu te escuto” em espanhol, e apresentado por um pastor brasileiro (com um portunhol pior que o meu, a propósito). Já o programa brasileiro parece que está gerando um certo problema interno na TV Record, de acordo com esta nota que saiu no UOL hoje…
Memória, sempre ela
O Delfim Netto publicou um artigo muito interessante hoje, na Folha. Lendo a primeira vez, parece até que faz sentido, mas o leitor deste portentoso veículo midiático não cairá nesse papinho do gordo (daquele gordo, bem entendido) porque sabe que não é possível fazer qualquer tipo de previsão sobre os desdobramentos da atual crtise econômica (vide esse post de ontem). E também não é tolo para situar a “idade da pedra” há meros 250 anos… De qualquer maneira, é um bom exemplo de como a manipulação de estatísticas constrói um argumento convincente.
Falta de memória
É CADA VEZ mais evidente a enorme disfuncionalidade da excessiva liberdade deixada ao setor financeiro pela política monetária laxista (na teologia moral, “tendência a fugir ao dever e à lei, com base em razões pouco ou mal fundamentadas”) dos Bancos Centrais. Uma das coisas mais surpreendentes é a memória curta dos mercados.
Em janeiro de 2002 (em resposta a uma série de escândalos), o Congresso americano aprovou a lei Sarbanes-Oxley, que fixou normas de proteção aos investidores. Pois bem, apenas três anos depois da lei e quatro anos depois do estouro da “bolha” de ativos (e do escândalo da Enron), o presidente Bush indicou em 2006 para “chairman” da Security and Exchange Commission, Christopher Cox, um congressista conhecido por sua fúria desregulatória. O próprio secretário do Tesouro, Paulson, empossado também em 2006, disse, em seu discurso de posse, que vinha para acabar com todo o resíduo de regulação que entravava a liberdade financeira produtora do desenvolvimento da economia real.
Completava-se, assim, mais um dos ciclos da dialética infernal de laxidão e controle produzidos pelas “bolhas” dos mercados de ativos e as fraudes ínsitas à sua história.
Agora é a vez de o G20 sugerir mais controle. O tempo se encarregará de corroê-lo à medida que a infinita imaginação dos agentes financeiros for descobrindo novos “produtos exóticos” que os Bancos Centrais só entenderão quando ocorrer a próxima crise. Mas por quê? Apenas porque é assim que funciona o sistema que trouxe os homens da Idade da Pedra à Idade da Informática nos últimos 250 anos…
O que talvez interesse agora é tentar adivinhar quanto durará a crise da economia real depois do acerto da economia financeira. A tarefa é impossível, mas o passado talvez nos dê algumas informações.
Se tomarmos a média das sete últimas crises sofridas pela economia dos EUA e fizermos uma uniformização do PIB nos “picos” igual a 100, encontramos que ela se agrava durante os primeiros dois ou três trimestres e inicia uma recuperação entre o quinto e sexto semestre (quando retorna ao “pico” = 100), a partir do qual volta a subir para completar outro ciclo.
Nessas condições, deve-se esperar que a redução da atividade e do emprego na economia mundial prossigam até setembro/outubro de 2009 e se inicie uma volta ao nível de atividade de 2007 que será atingido no segundo semestre de 2010. Esse parece ser o tempo no qual teremos de usar nosso mercado interno com inteligência e ousadia para sustentar um razoável crescimento e o nível de emprego.
Troféu Bambi
Por incrível que pareça, é sério (e não tem nada a ver com o time do São Paulo): trata-se de um prêmio alemão para jovens de sucesso que o Hamilton (piloto da F1 campeão deste ano) acabou de ganhar. Para mais detalhes, leia essa nota aqui.
A idéia é boa, mas…
Você faria igual?
Na Inglaterra, um sujeito doou seu próprio crânio para uma companhia de teatro utilizá-lo nas encenações de Hamlet (vide nota do G1). A idéia é boa, afinal o que você vai fazer com seu crânio após sua morte? Entretanto, é uma atitude no mínimo exótica… E você, toparia doar o seu crânio para uma companhia de teatro? Responda a enquete abaixo e veja como pensam os leitores do Toca Raul!!!:
No tempo das boas cantadas
Da Folha de hoje, do Ruy Castro:
Lévi-Strauss a dois
Claude Lévi-Strauss, o antropólogo francês, está fazendo 100 anos. Em 1935, ele era um jovem marxista com uma visão mecânica da vida, como tantos. Mas veio para o Brasil, embrenhou-se no mato com os nossos bororos e nambiquaras, comeu do cru e do cozido, e isso abalou suas certezas. Em 1955, a experiência rendeu-lhe um livro, “Tristes Trópicos”.
Nos anos 50, Lévi-Strauss já acusava o homem de ser o vilão da ecologia, quando os dicionários ainda não tinham chegado a um acordo nem sobre o significado da palavra. Contrariando o espírito da época, também nunca aceitou a idéia de que, com a alfabetização em massa, o progresso da humanidade seria fatal -quem éramos nós para sair alfabetizando populações que viviam tão bem sem o alfabeto?
Por defender a necessidade de preservar as identidades étnicas e culturais, combateu a idéia da globalização ainda no berço. Para ele, a globalização conduziria à uniformização, à anulação das diferenças -e o fim das diferenças levaria à indiferença, que é uma das piores pragas que poderiam nos afligir. Pois é o que está acontecendo, e bem que ele avisou.
Minha geração tem vários motivos para ser grata a Lévi-Strauss. Em 1968, um pretexto infalível para um rapaz e uma moça se encontrarem era ler e discutir o último livro do autor da moda. Eram grandes noites, que, de fato, começavam pela leitura de um capítulo do livro, geralmente o primeiro. Mas nunca se chegava ao segundo.
Naquele ano, o campeão disparado de tais leituras era “Eros e Civilização”, de Herbert Marcuse. Mas, então, “Tristes Trópicos” saiu no Brasil, e Lévi-Strauss tomou-lhe o lugar. Eu tinha 20 anos, morava no Solar da Fossa, em Botafogo, e era incrível como não se passava uma noite sem uma discussão a dois sobre Lévi-Strauss.
Geni
Por suas qualidades e pelos seus defeitos, o Citi é a Geni da vez – e para quem não se lembra da música do Chico Buarque (do tempo em que o Chico fazia boas músicas), segue a letra abaixo:
Geni e o zepelin






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