Toca Raul!!! Blog do Raul Marinho

A última do Marolinha

Publicado em Atualidades, Just for fun por Raul Marinho em 21 Novembro, 2008

Eu acho que o Obama tem que dizer o que eu disse quando tomei posse em 2003: ‘Não posso errar’ – Marolinha, hoje, ilustrando os ditados “conselho, se fosse bom, ninguém dava, vendia” e “em boca fechada não entra mosquito”.

marolinnha

O começo do fim do Islã

Publicado em Atualidades por Raul Marinho em 21 Novembro, 2008

michael_jackson_leaves_neverland_for_bah

O Islã, a mais nova das religiões monoteístas modernas, tinha tudo para ser dominante no planeta. Mas eis que, quando menos se esperava, esta religião sofre um golpe devastador que, muito provavelmente, lhe será fatal. Michael Jackson se converte ao Islã, de acordo com essa nota aqui. (E os xeques se preocupando com chargistas e escritores…).

Etiquetado como:, ,

Um belo artigo da “escurinha”

Publicado em Atualidades por Raul Marinho em 21 Novembro, 2008

neguinha

Já foi dito aqui, mais de uma vez, que os artigos da Sandra Paulsen (que é tão afrodescendente quanto eu) publicados no Blog do Noblat são sensacionais. Pois hoje tem um melhor que a média, que segue abaixo. Depois, ousarei fazer um poequeno comentário sobre o trecho destacado em itálico.

Racismo, identificação e empoderamento

Recentemente, li na Veja o artigo de Roberto Pompeu de Toledo sobre a eleição de um negro para a presidência dos Estados Unidos e o «black is beautiful fase 2».

Pompeu de Toledo, brilhante como sempre, falava do efeito que ver as filhas de Barack Hussein Obama na televisão pode ter sobre a menina negra brasileira, que «não sentirá, a rebaixá-la, a diferença de cor».

Entendi o sentido e gostei muito do artigo. Só não gostei muito da escolha da palavra. A diferença de cor não tem por que rebaixar ninguém. Se o faz, é justamente por causa da nossa própria educação, cultura e hábitos, nosso sistema de valores.

Mas, sem dúvida, o melhor de Obama, além da esperança que traz, está no efeito demonstração e identificação. O mesmo efeito, aliás, que se busca através das famosas quotas, as quais tendo a aceitar quando se referem a mulheres, e de cuja adoção discordo quando se referem à raça ou cor da pele (devido à dificuldade para definir quem é negro e quem não é).

A presença de negros, pessoas com deficiências físicas, mulheres ou quaisquer outros grupos menos privilegiados no mercado de trabalho, ocupando espaços na política ou nas altas hierarquias das empresas, «chegando lá», contribui para diminuir o preconceito e a segregação.

E eu acho que se identificar com as filhas do presidente dos Estados Unidos tem o efeito de «empoderamento» que nenhuma quota pode ter.

Eu sou mestiça. De tudo. Ou quase. Tenho sangue branco, negro, índio e libanês nas veias. Graças a Deus, sempre senti orgulho de ter a herança de quatro dos cinco continentes do mundo nos meus gens!

Nunca me senti afetada pelo racismo, até os 22 anos de idade. Aí, em uma curta visita à vizinha Argentina, senti pela primeira vez os custos do «ser escurinha», como me disse lá uma senhora italiana de olhos azuis. E voltei a me chocar depois, no Chile, quando uma médica, numa clínica do Bairro Alto, explicou uma erupção na pele da minha filha como «um problema típico da mistura de raças».

Mas, minha pior experiência de racismo não foram esses dois episódios. Nem foi escutar de colegas de trabalho, na volta de umas férias na praia, com os cabelos ao natural e a pele lindamente bronzeada, que eu «tinha um pé na cozinha».

Nem tampouco surpreender uma vendedora, num shopping center chique de Santiago do Chile, ao sacar meu American Express dourado para pagar as peças de roupa que ela achava que eu estava tentando roubar. Afinal, «escurinha» daquele jeito, eu só poderia estar aprontando alguma. (Só como esclarecimento, já não tenho o tal cartão, aquilo foi um tempo passageiro de ilusão de prosperidade.)

Também já estou acostumada ao desconcerto e outras reações menos discretas das pessoas que me conhecem numa estação do ano e não me reconhecem na outra. Como camaleão, eu mudo de cor, dependendo do sol, e de cabelo, dependendo do humor do dia.

Minha pior experiência de racismo foi cair na besteira de recomendar meu costumeiro «bálsamo para cabelos encaracolados» para a filha de um amigo com cabelos «afro» impossíveis de desembaraçar. Fiquei totalmente sem graça ao ouvir dele, como resposta, que a filha não precisava disso, porque os cabelos dela não eram crespos.

Quero dizer que o pior do racismo são os absurdos que nós, negros ou descendentes, às vezes cometemos para não nos identificar, nem sermos identificados, com outros negros e mestiços.

E é isso que eu espero que Barack Hussein Obama possa ajudar a mudar. Nos EUA, no Brasil, na Suécia, e em todo lugar…

Penso que cotas de qualquer tipo são sempre prejuciais. Se alguém é obrigado a engolir uma mulher, um deficiente ou um negro contra a vontade, mais cedo ou mais tarde esse alguém irá dar o troco. Ou com algum tipo de humilhação pública (mais ou menos velada), ou com menos boa vontade nas promoções, ou de alguma outra forma. É da natureza humana, não tem jeito… Há inúmeras outras maneiras de resolver o problema sem apelar para as cotas, principalmente investindo na educação diferenciada para os segmentos discriminados.

Artigo Bárbaro – II

Publicado em Atualidades por Raul Marinho em 21 Novembro, 2008

conan-the-barbarian

Pôxa, assim a vida de blogueiro fica complicada… Olha só o artigo que a Bárbara Gancia publicou hoje na Folha. Matou uma meia dúzia de posts meus, e ainda sobrou um montão.

Deixa a vida me levar…

Se o sócio do Paulistano não quer ver Zeca Pagodinho, que não vá ao show. Por que esse medo irracional do sambista?

A MELHOR FRASE que ouvi nos últimos dias veio da comediante Joy Behar, que substituiu a Larry King em seu programa de entrevistas na rede CNN. Falando sobre a derrota do casamento gay no Estado da Califórnia, Behar disse: “Gay is the new black”, ou seja, o homossexual é o novo negro.
Se o negro já pode ocupar o cargo mais importante do planeta, o de presidente dos EUA, ele pode tudo. E a minoria discriminada da vez passa a ser a que engloba os gays, as lésbicas e as outras “colorações” diversas sobre esse mesmo tema.
Além de engraçada, a frase faz todo o sentido do mundo. Quando o presidente eleito Barack Obama nasceu, há 47 anos, o casamento interracial (entre negros e brancos) ainda era considerado crime em 15 Estados norte-americanos.
Hoje, a própria discussão sobre raça tornou-se obsoleta. Sabemos (ao menos, aqueles de nós com dois ou mais neurônios para chamar de seus) que raça não existe.
E que, a não ser que você seja um daqueles tocadores de banjo do filme “Deliverance” (“Amargo Pesadelo”) que ainda sobrevivem em alguns rincões escondidos dos EUA, esse assunto não será de grande relevância para você.
O leitor mais exaltado dirá que, para os norte-americanos, o negro, assim como o latino, serão sempre cidadãos de segunda categoria, Barack Obama na presidência ou não. Nesse caso, serei forçada a apontar o dedo para o nosso próprio cafofo.
Explico: às vésperas do Dia da Consciência Negra, o colega Vinícius Queiroz Galvão assinou reportagem, neste caderno Cotidiano, relatando que a ouvidoria do Club Athletico Paulistano, um dos maiores de SP, está recebendo queixas de sócios que não querem a presença de Zeca Pagodinho em apresentação de fim de ano no clube.
Teve sócio desgostoso chamando Pagodinho de “cachaceiro”, dizendo que ele deveria “se apresentar no Corinthians” e até alertando para que a presença dele no clube abriria as portas para bailes funk.
A mim parece clara a posição desses sócios: pagodeiro e pobre não só não são bem-vindos no círculo deles como constituem uma ameaça. É o mito do negro estuprador sendo vivido em sua plenitude. Pois na minha modestíssima opinião, se o sócio do Paulistano não quer ver a fuça do Pagodinho, que não vá ao show. Por que esse medo irracional do sambista?
Veja: por sua atuação irresponsável como garoto-propaganda de bebida alcoólica, eu não confiaria meu cão a Zeca Pagodinho para dar uma volta no quarteirão. Mas a música dele é divina e uma coisa não tem nada a ver com a outra.
Comentei o causo no meu blog (que, aliás, está esperando a sua visita) e um internauta, também sócio do Paulistano, que escreveu para dizer que há muitos anos, em um jogo de tênis mirim entre o seu clube e a Hebraica, os jogadores do Paulistano receberam os adversários “vestindo camisetas estampadas com suásticas”.
Pois quer saber? Se dependesse de mim, o sócio do Paulistano que não quer a presença de Zeca Pagodinho deveria ganhar dois presentes no Natal: um saco de carvão e entradas para a família toda, com presença obrigatória, em show musical do Roberto Justus. Deixa a vida me levar!

Empreendedorismo fófis

Publicado em Atualidades, Ensaios de minha lavra por Raul Marinho em 21 Novembro, 2008

emp

Ontem, o Jornal Nacional apresentou uma matéria sobre empreendorismo. Entrevistou um pequeno empreendedor que saiu do nada, um mega-empreendedor-magnata (Jorge Gerdau) e, depois, focou no ensino do empreendedorismo nas escolas. Aí começou aquelas entrevistinhas sentimentalóides típicas do JN, e blá-blá-blá até que, finalmente, o entrevistador fez uma pergunta relevante. O fechamento da matéria foi uma entrevista com duas adolescentes bastante empolgadas com a perpectiva de um negócio próprio que, de repente, foram pegas por uma pergunta inesperada “e se não der certo?”. As garotas ficaram desconcertadas, se entreolharam como que perguntando “e aí, a gente responde o quê?”, até que o entrevistador as ajuda (“recomeça?”), e a tensão some (“é….”).

Na matéria escrita, o tema do incesucesso é um pouco mais bem abordado ( “E estão preparados para um eventual fracasso. ‘É um risco muito grande, porque você está botando toda a sua fé nisso’, disse Gabriel Castro, de 12 anos.” e “‘É interessante fazer e quebrar a cara um pouco. Ver que não é tão fácil, nem que tudo vai dar certo. É interessante. Se não der certo, recomeça’, diz Ana Cardim, de 16 anos.”), mas, ainda assim, ficou claro que o fracasso é uma possibilidade remota tanto na cabeça da molecada quanto na dos jornalistas que editaram a matéria e, provavelmente, também na mente de quem lhes ensinou sobre empreendedorismo.

Todo mundo sabe que, no Brasil, a taxa de mortalidade dos novos empreendimentos é altíssima. É óbvio que uma boa educação empreendedora reduziria as chances de uma empresa fechar as portas, mas o ambiente econômico caótico, os juros altos, a carga tributária, etc. permaneceriam, e a chance de falir ainda seria elevada, mesmo com uma educação de qualidade. A pergunta não é “e se não der certo?”, mas “o que vocês farão quando não der certo?”. Se a idéia é recomeçar, é preciso saber falir, de modo a não inviabilizar o recomeço.

Já vi dezenas de empresários competentes irem à falência, e grander parte deles faliu da pior maneira possível: emitindo cheques sem fundos e/ou duplicatas frias, deixando de pagar os direitos trabalhistas para seus funcionários, e ignorando o débito tributário de seus empreendimentos mal sucedidos. O resultado é que o recomeço fica muito, mas muito mais difícil mesmo, se não impossível. O tempo que o sujeito precisa para se viabilizar como empresário novamente é enorme, e é preciso colocar arroz e feijão dentro de casa – resultado: empreendimentos informais, montados em nome de laranjas, pagamento de propinas para fiscais, e assim por diante. Aí, das duas uma: ou a nova tentativa vai à bancarrota de novo (o mais provável, especialmente porque a informalidade aumenta os riscos), ou ela prospera. Se falir, um re-recomeço fica ainda mais complicado; e se prosperar, “legalizar” o empreendimento é quase impossível, e o empresário acaba condenado à informalidade eterna. Ruim para ele, ruim para a sociedade, ótimo para o crime organizado, para a corrupção, etc. Todo empreendedor mais esperto sabe que essa história de “responsabilidade limitada” é ficção. Na prática, o dono do negócio arrisca todo o seu patrimônio pessoal no empreendimento. Também não existe nenhum mecanismo de amparo ao falido no caso dos pequenos (se for um banco ou uma grande empresa, a história é outra, mas isso não vem ao caso agora).

judo

O certo seria focar a educação para o empreendedorismo com a mesma filosofia do judô. Comecei a lutar essa arte marcial aos 6 anos de idade, e lembro que passei meses aprendendo a cair antes de começar a aprender a luta propriamente dita. Ninguém entra numa luta para ser derrubado, todo mundo quer derrubar o adversário, mas, na filosofia do judô, aprender a cair vem na frente do ensino das técnicas para derrubar. Ponto de vista idêntico deveria ser utilizado na educação empreendedora. Uma coisa é quebrar, mas não deixar débitos trabalhistas e tributários nem constar nos bancos de dados de restrições de crédito (ex.: SERASA); outra, é explodir e passar anos recebendo as visitas de oficiais de justiça, sem conta em banco, e usando o cartão de crédito do cunhado. Não estou dizendo isso em tese, acredite.

Prefiro o Alcides Amaral

Publicado em Atualidades por Raul Marinho em 21 Novembro, 2008

hal_9000

Na foto acima, a imagem de HAL, o computador que comanda a nave interestelar de 2001, Uma Odisséia no Espaço, conforme aparece no filme (sim, na maior parte do tempo, o que se vê é somente essa luz vermelha). Na atual crise econômica mundial, a maior parte do jornalismo econômico dá a entender que os gigantes da indústria financeira que estão falindo são comandados por clones do HAL, máquinas de gestão não-humanas com luzes vermelhas no lugar de cérebros. Quase ninguém fala sobre os gestores de carne e osso que estão por trás das falcatruas, eles sim o foco do problema.

Hoje, na Folha, porém, o Clóvis Rossi dá uma bola dentro (evento raríssimo, que merece comemoração, aliás) ao falar disso em seu artigo “Prefiro os piratas da Somália”, que os assinantes podem encontrar aqui. Não vou copiá-lo porque, há mais de 2 meses, o Alcides Amaral (jornalista de formação e ex-presidente do Citi) publicou um artigo muito melhor sobre o mesmo tema, que merece mais destaque. Abaixo o artigo publicado em 18/09 deste ano:

O fator humano na crise americana

O estouro da bolha imobiliária americana gerou prejuízos enormes para os bancos dos países ricos. Os americanos, especialmente Citigroup e Merrill Lynch, e o UBS (suíço), foram aqueles que até agora registraram as maiores perdas – todas superiores a US$ 35 bilhões – e, o pior, não vai parar por aí. Estimava-se pessimistamente que a provisão global dos bancos com o estouro da bolha, que ficou mais conhecida como a crise do subprime, seria de US$ 500 bilhões, e hoje já há quem multiplique por três ou por quatro esse valor face ao alastramento dos problemas, atingindo moradias de maior valor, cartões de crédito, empréstimos pessoais etc. Foi um gigantesco castelo de cartas que desmoronou, pegou a todos de surpresa pelas cifras envolvidas e não há dúvida de que o sistema financeiro do Primeiro Mundo será, doravante, bem diferente.
Pois bem, esse é o lado financeiro da crise que mais preocupa a mídia e os analistas. Pouco ou nada se falou, até agora, do “fator humano” da crise, onde milhões perderam e alguns milhares ganharam.
Inicialmente, é bom que se diga que nunca na história do sistema financeiro internacional se viu tanta incompetência ao mesmo tempo. O Fed , que tem como uma das suas principais funções fiscalizar os bancos, não viu a bolha crescer e, depois que ela estourou, não teve alternativa que não despejar bilhões de dólares para dar liquidez ao sistema e segurar os grandes bancos comerciais e de investimento dos EUA. Como dizem os amigos do Tio Sam, esses bancos – Citi, Merrill Lynch etc – são “too big to fail”. Portanto, falha imperdoável de análise dos técnicos do Fed, que por certo ganharam atrativos bônus antes da bolha estourar.
As companhias de ratings também não foram capazes de enxergar um palmo à frente do nariz nas suas análises. Com ratings de investment grade, motivaram muitos a comprarem tais papéis lastreados em hipotecas de pessoas das classes C e D. Também ganharam seus polpudos bônus e agora assistem tranqüilos o castelo de cartas desmoronar.
Nos bancos, as coisas não foram diferentes. Cada um deles possui auditoria interna independente que verifica periodicamente a qualidade da carteira de crédito da sua instituição. Também foram envolvidos pela euforia global, receberam seus bônus e os seus bancos estão hoje tendo que amargar pesadas perdas por mais essa prova de incompetência.
Como podemos verificar , em termos de supervisão, houve uma falha coletiva que levou o americano a pensar que se tornara rico da noite para o dia. Conversando com um motorista de táxi em Nova York, no outono de 2006, perguntei a ele se não estava preocupado com a valorização – que a mim já parecia excessiva – dos imóveis nos Estados Unidos. Respondeu-me que sim, que comprou sua casa financiada por US$ 300 mil e que, naquele momento , valia US$ 700 mil. Acreditava que um ajuste iria ocorrer, e que o preço de sua moradia iria cair para uns US$ 500 mil. Hoje, infelizmente, deve ser um daqueles que está “sem teto”, devido à queda do valor dos imóveis e à completa falta de liquidez. Assim como esse motorista, milhões de americanos de baixo poder aquisitivo viram seu sonho de possuir sua casa própria (juro atraente e prazos de até 30 anos) transformar-se em pesadelo.
Não bastasse, a ânsia de ganhar dinheiro mais rápido fez com que milhões de americanos fossem aos seus bancos e tomassem a segunda e, depois, a terceira hipoteca sobre o mesmo imóvel, para comprar casa na praia, mobiliário novo, viajar, etc. E, assim, os bancos aumentaram suas carteiras de crédito de forma agressiva, o que, na teoria, geraria muito mais lucro nos anos seguintes. Esses gerentes também ganharam seus polpudos bônus e, por tabela, toda sua linha de supervisão até chegar ao chairman da instituição financeira. Lucros gigantescos – até aquele momento -, bônus igualmente gigantescos.
O que a crise imobiliária evidenciou claramente é que a “filosofia do bônus” imperou de forma irresponsável por todo o sistema financeiro. Bônus de milhões de dólares para aqueles “mágicos” que estavam gerando a expectativa de lucros fabulosos para suas instituições. Esse foi o grande mal do sistema, pois o bônus passou a ser muito mais importante do que o salário. Estruturas criativas são elaboradas, bilhões de dólares são teoricamente gerados e, da noite para o dia, milhares de jovens executivos e seus ausentes superiores tornam-se milionários.
Enquanto isso, o “povão” – que existe também por lá, não só por aqui – perdeu tudo o que tinha, pois acreditou no milagre da casa própria. Como o ex-famoso Greenspan baixou a taxa de juro para 1% ao ano , todos voltaram-se para o mercado imobiliário, pois os investimentos financeiros pouco rendiam.
O que causa maior espanto é que os banqueiros, aqueles responsáveis pelas instituições que amargaram prejuízos de bilhões de dólares, mesmo demitidos (ou chamados a se demitirem), saíram dos bancos mais ricos do que entraram. Não foram capazes de avaliar que toda bolha um dia estoura e foram premiados pela aposentadoria precoce. Quem trabalha 35/40 anos em uma empresa, aposenta-se com algum benefício, mas longe de tornar-se rico. Lá na cúpula dos bancos o tratamento é diferente. Ao invés de saírem “algemados”, deixam os bancos com os bolsos carregados de dólares, além de benefícios adicionais. Diante dessa realidade, a pergunta que fica é: onde está a vantagem de trabalhar honesta e corretamente a vida inteira diante dessa extraordinária injustiça?
Enfim, esse é mais ou menos o quadro de como ficou o “fator humano” diante dessa crise toda que ainda está por aí e não irá desaparecer tão cedo. O pobre, aquele cidadão que viu a possibilidade de ter sua casa própria, ficou pior do que estava. E aqueles que criaram o problema, ganharam bônus significativos e tocam suas vidas sem maiores preocupações.
Não temos nada contra premiar boa performance com bônus, muito pelo contrário. Mas devemos fazê-lo com moderação, baseados em contribuição e resultados efetivos, e não na expectativa de lucros fabulosos.
Alcides Amaral é jornalista, ex-presidente do Citibank S/A e autor do livro “Os limões da minha limonada”

Surpresa!

Publicado em Atualidades, Uncategorized por Raul Marinho em 21 Novembro, 2008

surprise

No flagrante acima, nosso sub-gerente editorial, o Tavares, boquiaberto com a notícia de que o Lula assinara o decreto que modificou as regras para atuação das empresas telefônicas no Brasil, viabilizando a compra da Brasil Telecom pela Oi. O Tavares apostou US$1mil no bolão da Toca Raul!!! Corp. que o negócio não iria sair, pois o governo não seria tão primário a ponto de modificar a legislação após a efetivação do negócio, deixando evidente que “tava tudo dominado”. Perdeu duas vezes: o decreto saiu (assim com o negócio), e os US$1mil, que valiam R$1,6mil na época do fechamento do bolão, agora lhe custarão R$2,4mil. (Na verdade, o Tavares perdeu uma 3a, já que o que ocorreu é uma evidência de promiscuidade administrativa no governo federal, mas como nessa todo mundo perde, não conta).

Vê se aprende Tavares!!!