Toca Raul!!! Blog do Raul Marinho

Zumbis do lago

Publicado em Atualidades por Raul Marinho em 18 Novembro, 2008

zumbis

Em 2002, fui parar numa cidadezinha no interior de Michigan, na beira do lago, a 200km de Detroit (por causa de um trabalho de consultoria). Foi quando conheci a cidade-símbolo da indústria automobilística, que já estava falida, insegura, e semi-deserta. Na verdade, todas as grandes montadoras estadunidenses foram para o vinagre já faz anos, sobrevivendo graças a particularidades da legislação de falências dos EUA. Agora, na era do “fiado só amanhã”, veio a pá de cal, principalmente para a GM e a Chrysler. Mas não se engane: essas empresas não faliram por causa da crise atual, e sim porque já estavam falidas muito antes; a crise atual só agravou uma doença que já se sabia terminal. Para quem quiser saber mais, leia essa matéria do UOL.

(Abaixo, uma tirinha sobre como vai ser o jogo entre as montadoras européias, japonesas, indianas e chinesas)

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Felicidade, foi-se embora…

Publicado em Atualidades por Raul Marinho em 18 Novembro, 2008

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Pesquisa do BID mostra que há, sim, uma fortíssima correlação entre riqueza e felicidade. Na América Latina, o Haiti é o país com pior índice de satisfação pessoal, e a África se situa bem atrás dos continentes mais ricos. Veja a matéria inteira aqui.

Isso só para rebater os moderninhos do FIB, como foi feito nesse post.

Orgulho de ser brasileiro(a)!

Publicado em Atualidades por Raul Marinho em 18 Novembro, 2008

brasileira

Para não dizerem que eu só meto o paun na Folha, segue abaixo um excelente artigo copiado da edição de hoje (e de autoria de um membro do conselho editorial):

A apoteose do besteirol energético

ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE

O ponto que todos pensávamos ser inatingível foi enfim alcançado: o apogeu do besteirol energético brasileiro

UM MOMENTO histórico! O clímax, o ponto que todos pensávamos ser inatingível foi enfim alcançado. O apogeu do besteirol energético brasileiro. Se não vejamos.
Há três ou quatro anos que um dos mais renomados e respeitados físicos brasileiros, Roberto Salmeron, vem insistindo com autoridades do país para que o Brasil se associe ao esforço internacional em prol do desenvolvimento da fusão nuclear para produção de energia. O esforço seria concentrado em uma instituição multinacional denominada Iter (International Thermonuclear Experimental Reactor).
Essa tecnologia é o sonho de cientistas para a solução definitiva do excruciante problema de fornecimento de energia no futuro. É uma alternativa não poluente, ou seja, limpa, não contribuindo de maneira significativa seja para o efeito estufa, seja para diferentes formas de impactos negativos locais ao meio ambiente. É um combustível abundante, inesgotável quase e democraticamente distribuído (são principalmente isótopos do hidrogênio, portanto, encontrado onde houver água).
De acordo com essa proposta, o Brasil associar-se-ia a Portugal, o que seria garantido por acordos já existentes entre os dois países. O Brasil teria pleno e irrestrito acesso a resultados experimentais, nossos pesquisadores podendo (ou melhor, devendo) participar dos experimentos e dos cálculos. A adesão custaria aproximadamente US$ 1 milhão. A proposta rolou, rolou… e nada aconteceu.
Mas eis que agora ressurge com roupagem nova. O Brasil participaria como membro independente, com os mesmos direitos de participação nas pesquisas e acesso ao conhecimento a ser gerado. Todavia, teria adicionalmente direitos à propriedade intelectual. E teria ainda a vantagem de pagar US$ 1 bilhão em vez de US$ 1 milhão, o que acarretaria um status incrementado (US$ 1 bilhão é muito mais gostoso do que US$ 1 milhão, isso ninguém pode negar).
Temos aqui que enaltecer as autoridades nucleares brasileiras pela sua visão de futuro, pois certamente essa tecnologia não será comercialmente efetiva antes de pelo menos 50 anos.
Essa é a conclusão do Grupo de Trabalho de Energia da União Internacional de Física Pura e Aplicada. Ora, se a única diferença concreta entre a proposta anterior, de US$ 1 milhão, e a atual, de US$ 1 bilhão, é o direito proprietário, temos que olhar a questão do ponto de vista financeiro. Em 50 anos, US$ 1 bilhão significaria, a juros do BNDES, um capital de pelo menos US$ 30 bilhões.
Então, como investimento financeiro, é difícil justificar a escolha, mesmo porque não há a mínima certeza de que essa tecnologia um dia venha a ser comercialmente bem-sucedida. Mas quem vai duvidar da visão estratégica de nossos nucleocratas? Temos também que elogiar a percepção pragmática dos nossos estrategistas quando oferecem em pagamento o nióbio, metal classificado como refratário e do qual o Brasil possui abundantes reservas.
Ouvi falar de um caso em que o dono de uma fazenda foi a uma concessionária da Mercedes para comprar o seu modelo super luxo 750, oferecendo uma dúzia de cachos de bananas e o restante em dinheiro. Como se vê, os nossos nucleocratas, para não dizer nucleopatas, não inventaram nada. Já houve quem propusesse pagar a dívida externa brasileira com nióbio.
Ainda hoje em Papua-Nova Guiné, o noivo compra sua futura esposa com porcos. O preço justo fica entre 12 e 15 porcos por noiva. E, não faz muito tempo, no interior de Minas e São Paulo, o caboclo pagava o médico com penosas e ovos. Todavia, depois que foi implantado o sistema monetário, a troca direta de bens tem caído em desuso. Apesar disso, não podemos deixar de admirar a imaginação criativa de nossos nucleocratas.
Aliás, essa última iniciativa nucleopata deve ser elogiada também pela parcimônia em comparação com o recente anúncio de um projeto de implantação de 50 reatores, além de quatro já negociados, e a melancólica Angra 3.
É bom dizer que esse esforço de nuclearização do país é emblemático e confirma o pioneirismo temerário brasileiro, pois nenhum país desenvolvido está construindo usinas nucleares, apesar de já não possuírem reservas hídricas tecnicamente viáveis. Mesmo os emergentes recorrem antes ao carvão e ao gás natural, pois já não dispõem de reservas hídricas.
O Brasil é o único país do mundo que, com significativa disponibilidade de potenciais hídricos, que permitiriam geração de eletricidade a custos entre três e quatro vezes menores, prefere a nuclear. Não é para nos orgulharmos de ser brasileiros?

ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE , 77, físico, é professor emérito da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), presidente do Conselho de Administração da ABTLuS (Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron) e membro do Conselho Editorial da Folha.

Crédito tóxico

Publicado em Atualidades, Just for fun por Raul Marinho em 18 Novembro, 2008

Se você quiser estar in, essa é a nova expressão para um velho problema.

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Ciclos de 20 anos?

Publicado em Atualidades por Raul Marinho em 18 Novembro, 2008

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Quando comecei a trabalhar no Citibank, em 1989, o banco passava por uma grave crise, iniciada em 1988 por causa de… Adivinhe? Hipotecas. Houve cortes em massa, e parcela significativa dos funcionários foi demitida. 20 anos depois (ou quase 20), olha a notícia que aparece no jornal (Folha de hoje):

Citigroup anuncia corte de 52 mil vagas

Metade das reduções já foi feita com venda de unidades; banco perdeu mais de US$ 20 bilhões desde o 4º tri de 2007

No Brasil, Citi afirma que vai “administrar com cuidado” o atual quadro de funcionários para adequá-lo à “realidade de mercado”

DA REDAÇÃO

Com perdas de mais de US$ 20 bilhões desde o final do ano passado e suas ações em contínua desvalorização, o Citigroup pretende cortar cerca de 52 mil postos de trabalho em todo o mundo e reduzir em 20% as suas despesas.
Cerca da metade desses cortes já foi realizada nos últimos meses com a venda de algumas unidades do grupo, como na Índia (com 18 mil empregados) e na Alemanha (com 5.000 funcionários). A outra metade, no entanto, deve ocorrer por meio de demissões. O Citigroup, o segundo maior banco americano em valor de ativos, contava com 352 mil empregados no final de setembro e já tinha demitido 23 mil neste ano.
A nova redução -a maior de uma empresa americana desde 1993, segundo a consultoria Challenger, Gray & Christmas- é mais um sinal da crise que vive o setor financeiro e expõe as dificuldades vividas pelo Citigroup. Ele não conseguiu aproveitar oportunidades que surgiram com a crise e se expandir como os rivais JPMorgan Chase e Bank of America, já perdeu mais de US$ 20 bilhões desde o fim de 2007 e suas ações se desvalorizaram em 69,8% neste ano -valem menos de US$ 10 pela primeira vez em 12 anos (ele tinha o quarto maior valor de mercado no mundo no fim de 2006).
Ontem, elas estavam cotadas a US$ 8,89, com queda de 6,62%. O recuo ajudou para o dia negativo na Bolsa de Nova York. O índice Dow Jones caiu 2,63%, com a Alcoa e os bancos registrando as maiores quedas. Já o S&P 500 recuou 2,58%.
“Essa [as demissões] é provavelmente a parte mais difícil do meu trabalho aqui. Não estamos fazendo isso porque queremos, mas porque temos que fazer”, afirmou o presidente-executivo Vikram Pandit em encontro fechado com funcionários do banco. O executivo, que assumiu o posto no fim de 2007, também disse que o banco pretende diminuir em 20% os gastos no ano que vem, para cerca de US$ 52 bilhões.
No Brasil, o Citigroup afirmou que vai “administrar com cuidado” o atual quadro de funcionários para adequá-lo à nova “realidade de mercado”. O banco emprega 6.184 funcionários em 127 agências no país. O banco disse em nota não saber ainda como a programa global de demissões afetará o Brasil. “Trata-se de um esforço global. Não há dados precisos referentes ao Brasil, pois trata-se mais de um trabalho em andamento do que um fato consumado.”
As demissões, porém, não são exclusividade do Citigroup. Calcula-se que as empresas de Wall Street tenham cortado mais de 150 mil vagas em todo o mundo. E, apesar de não haver números precisos, a maior parte do impacto deve ter ocorrido na região metropolitana de Nova York, onde, no final de junho, cerca de 579 mil trabalhavam na área de finanças. A Moody’s Economy.com calcula que 70 mil pessoas perderão seus empregos no setor em Nova York até meados de 2010.
Segundo dados do governo, o setor financeiro perdeu 96 mil vagas no ano -40 mil apenas entre setembro e outubro.

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Publicado em Just for fun por Raul Marinho em 18 Novembro, 2008

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O maior estelionato intelectual de todos os tempos

Publicado em Atualidades, Ensaios de minha lavra por Raul Marinho em 18 Novembro, 2008

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Quem acompanha este blog costumeiramente (pelas minhas contas, umas 8 pessoas) deve estar suspeitando que eu tenha alguma desavença pessoal com o Clóvis Rossi. Não é, garanto: nunca vi, conversei ou troquei e-mails com o fodão-do-bairro-Peixoto que escreve na 1a folha da Folha; ele nunca me corneou nem passou cheque sem fundos para mim (e vice-versa). O problema é a quantidade de bobagens, lugares-comuns e análises equivocadas que o cara faz em seus artigos. Como o de hoje, uma obra-prima do mau jornalismo.

Com seu característico viés marxista-bonzinho (da linha “um novo mundo, sustentável e com mais justiça social, é possível”), o CR está indignado com o relatório do G20 ser “da escola liberal”. Queria ele que se escrevesse um texto castrista ou chavista, criticando o imperialismo estadunidense e blá-blá-blá. O texto está abaixo, para que o leitor tire suas próprias conclusões – inclusive que julgue se a Dilma é, de fato, socialista (lembre-se que o Lula também se dizia de esquerda até sentar na cadeira de presidente, em 2003). Só vou comentar o título do artigo (“Agora, falar em socialismo é fraude”).

Falar em socialismo nem sempre é/foi fraude. Tem muita gente bem intencionada que discute o assunto de maneira honesta. Por outro lado, TODOS os regimes socialistas que existem, ou existiram, ou tentaram existir foram enormes estelionatos. Não estou me referindo a governos socialistas franceses e italianos, que não fizeram da França e da Itália regimes socialistas; estou me referindo às experiências socialistas de fato, como as da URSS, da China maoísta, dos vários países africanos e do Leste europeu etc. – inclusive o Chile de Salvador Allende e as (patéticas) tentativas de trazer o socialismo para o Brasil. Ou de “Cuba, Coréia do Norte, e da Venezuela”, como cita o sr. Rossi.

Se o colunista da Folha fosse responder a este post (o que jamais fará, é óbvio), certamente iria atacar os exemplos de capitalismo fraudulento, que também existem, é claro. É o típico comportamento de gente como ele: se o Stalin e e o Mao mataram não-sei-quantos milhões, a defesa é dizer que Hitler e Mussolini também foram genocidas; e se alguém atacar a corrupção chavista, basta dizer que o Strossner foi um chefe de um governo corrupto e de direita no Paraguai que está tudo certo. Só que este raciocínio é uma falácia, pois enquanto 100% dos exemplos de regimes socialistas foram fraudes, o mesmo não acontece em regimes capitalistas/direitistas. Por pior que seja o Bush, não se compara os EUA à Venezuela. O Canadá não é a mesma coisa que a Coréia do Norte; a Suiça não se equivale a Cuba. A única solução possível para a crise, sr. Rossi, passa pelo capitalismo e pelo livre mercado; o socialismo/marxismo não é uma solução viável. Se se encontrará a forma correta de resolver a crise pelas vias capitalistas de mercado, é outra história, mas não há alternativa.

Agora, falar em socialismo é fraude

Esse tal de capitalismo é tão forte, mas tão forte, que consegue ouvir juras e cantos de amor mesmo no meio de uma baita crise.
Diz o documento do G20, composto excepcionalmente no sábado pelos 22 países mais importantes para a economia mundial: “Nosso trabalho será guiado por uma crença compartilhada de que os princípios de mercado, abertura comercial e de regimes de investimento e mercados financeiros eficazmente regulados estimulam o dinamismo, a inovação e o espírito empreendedor, essenciais para o crescimento econômico, o emprego e a redução da pobreza”.
As escolas liberais seriam provavelmente incapazes de afeto maior. O livre mercado até reduz a pobreza, quem diria, hein? Nem é novidade, no entanto, que tenha sido dito, pela simples e boa razão que não há, entre os líderes do G20, qualquer um que se oponha ao capitalismo.
Afinal de contas, Cuba, Coréia do Norte e Venezuela não são membros do grupo.
De todo modo, para efeitos políticos internos, vale notar que um dos líderes que assina a ode ao capitalismo acima reproduzida chama-se Luiz Inácio Lula da Silva (para não falar em Cristina Fernández de Kirchner, da Argentina, e em Hu Jintao, da China, que deixo para os colunistas de seus países).
A conversão radical de Lula ao liberalismo puro e duro tampouco é nova -desde que assumiu, faz seis anos, casou-se sem pudores com os “princípios de mercado”.
Mas há ainda petistas -inclusive a candidata “in pectore” de Lula para 2010, a ministra Dilma Rousseff- que continuam falando em socialismo e que acham o governo de esquerda. A assinatura de Lula no texto do G20 transforma em fraude ideológica insistir nessa tolice.
PS – Cometi domingo o gravíssimo erro de tratar o jornalista Vladimir Herzog como terrorista, o que nunca foi. Perdão.